Anemia e suas implicações

Dr. Rodolfo Cançado
Em entrevista veiculada no Portal Exame.com em 13/8/2013, Dr. Rodolfo Cançado, professor adjunto da disciplina de Hematologia e Oncologia da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, esclarece dúvidas sobre a anemia, suas causas e consequências.

Confira, a seguir, a íntegra da reportagem, também disponível neste link.

Conheça mais sobre a anemia, que pode acometer qualquer um

A falta de ferro pode ser causada por uma dieta pobre, pela falta de absorção do ferro pelo organismo e perda de sangue

São Paulo – Uma das causas mais frequentes da anemia é a deficiência de ferro, que pode acometer qualquer pessoa, sobretudo crianças menores de três anos de idade, mulheres e gestantes. A falta da substância pode ser causada por uma dieta pobre, pela falta de absorção do ferro pelo organismo e perda de sangue, como mulheres que têm menstruação excessiva, ou pessoas acometidas por tumores no tubo digestivo.

“O ferro está presente no interior dos glóbulos vermelhos – células sanguíneas responsáveis por levar o oxigênio às demais do organismo -, sendo parte integrante de uma proteína chamada hemoglobina”, explica Rodolfo Cançado, professor adjunto da disciplina de Hematologia e Oncologia da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.

Segundo o acadêmico, pessoas com deficiência de ferro podem apresentar cansaço constante e sem motivo aparente, dor de cabeça, tontura, irritabilidade e falta de atenção. As crianças podem ter dificuldade de aprendizagem, infecções frequentes e atraso de crescimento.

Já os adultos ficam menos tolerantes aos exercícios, têm menor rendimento no trabalho, além de outros sintomas como palpitação, falta de ar, desânimo, queda de cabelos e enfraquecimento das unhas.

“Os pacientes com este problema manifestam apetite por substâncias não alimentares como terra, gelo, macarrão cru, limão e giz. Estima-se que a ausência de ferro esteja presente em um terço da população mundial, o que representa cerca de 2 bilhões de pessoas”, afirma.

De acordo com o médico Rodolfo, uma dieta que contém ferro inclui carnes em geral, que são ricas em ferro heme, como as vísceras, fígado, coração, peixe (sardinha em lata) e frango. Já o não heme, presente no feijão, lentilha, verduras escuras (couve, brócolis, agrião, rúcula, espinafre e beterraba) é menos absorvido que o das carnes, mas também é importante.

Para enriquecer e melhorar a absorção da substância, o professor indica cozinhar os alimentos em panela de ferro e tomar um copo de suco de frutas cítricas (laranja, limão ou acerola) antes ou durante a alimentação.

“A vitamina C contribui para o aumento da absorção do ferro não-heme e reduz o efeito de fatores inibidores. A adição de 50 mg dessa vitamina é capaz de dobrar a absorção de ferro não-heme presente na mesma refeição”, diz.

O especialista explica que o leite de vaca não é fonte de ferro e até prejudica sua absorção, a não ser que seja o materno ou fortificado industrialmente. “O fitato, fosfato e a gema de ovo diminuem a absorção e devem ser evitados. É indicada também a redução do consumo de chá, café e refrigerantes”, fala.

O tratamento com medicamentos à base de ferro compreende sais ferrosos, como o sulfato ferroso e os sais férricos. “A duração é de, pelo menos, 90 dias, podendo se estender até seis meses. Algumas pessoas que apresentam melhora dos sintomas, param de tomar o remédio após 20 ou 30 dias, e a anemia volta logo depois. Para estabilizar a doença são necessárias de quatro a seis semanas e para elevar os estoques de ferro no organismo mais dois ou três meses”, finaliza.

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