Depressão no Brasil é mais comum em idosos

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Dra. Gabriela Arantes Wagner, professora do Departemento de Ciências Fisiológicas da FCMSCSP

A velhice nem sempre significa uma fase de sossego para os idosos. Isso porque fatores sociais, como o abandono por parte da família e a falta de assistência médica, podem levar muitos deles à depressão.

Segundo a Dra. Gabriela Arantes Wagner, professora assistente do Departamento de Ciências Fisiológicas da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, que publicou na Revista Saúde Pública o artigo intitulado “Tratamento de depressão no idoso além do cloridrato de fluoxetina”, o envelhecimento é um processo natural de vulnerabilização, no qual o transtorno depressivo, assim como outros transtornos mentais, possui características biopsicossociais que podem contribuir para seu desenvolvimento, manutenção e remissão: “É consenso que indivíduos com condições crônicas são mais propensos a desenvolver sintomas depressivos e menos capazes de controlar diversos aspectos de suas vidas, o que reflete diretamente na percepção subjetiva, na avaliação das situações e no enfrentamento de fatores estressantes, como no caso dos idosos”, afirma.

A professora explica que a grande dificuldade enfrentada atualmente para auxiliar idosos com depressão no Brasil é a preparação da sociedade e a capacitação dos profissionais de saúde para entender que as necessidades dos idosos vão além da prescrição de muitos medicamentos: “As diretrizes da Política Nacional de Saúde da Pessoa Idosa incluem a prevenção, recuperação e reabilitação daqueles idosos portadores de doenças, visando ao envelhecimento livre de incapacidades. Porém, o planejamento assistencial efetivo exige diagnóstico sob julgamento clínico adequado, profissionais de saúde com capacidade resolutiva e adeptos ao atendimento multidisciplinar.”

De acordo com as evidências, o tratamento mais adequado deve ser uma combinação, conforme esclarece a Dra. Gabriela: “O tratamento da depressão no idoso deve contemplar todos os fatores envolvidos, combinando-se psicoterapia, farmacoterapia e atendimento médico especializado. Estudos mostram que quaisquer dessas terapias, isoladamente, não são eficazes para a remissão dos quadros depressivos no envelhecimento.”

Texto originalmente publicado no boletim Conectar, edição 106, em 14/3/2017. Assine nossa newsletter: http://www.fcmsantacasasp.edu.br. 

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Borderline: conheça os principais sintomas do transtorno de personalidade

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Ana Paula Sabatini, professora do curso de Pós-graduação em Neuropsicologia da FCMSCSP

Compostos por um grupo de transtornos caracterizados por quadros em que há dificuldade no relacionamento interpessoal, os Transtornos de Personalidade geram instabilidade emocional e angústia intensa e afetam diretamente o desempenho do portador no âmbito social e profissional.

No Transtorno de Personalidade Borderline, o indivíduo é emocionalmente instável, ou seja, não consegue regular seu afeto, o que resulta em alterações de humor muito rápidas, com maior tendência para o negativo, como ansiedade, raiva e disforia, segundo afirma Ana Paula Sabatini, professora do curso de Pós-graduação em Neuropsicologia da FCMSCSP: “Esses pacientes acabam tendo comportamentos impulsivos ou perigosos. Os pacientes com esse transtorno não conseguem dar continência à sua angústia e por isso buscam aliviar no seu próprio corpo, sendo frequente o ato de automutilação”, explica.

Além disso, indivíduos com Transtorno de Personalidade Borderline costumam expressar sua impulsividade no abuso de substâncias, compulsão sexual e compulsão alimentar: “Há também uma instabilidade em relação à autoimagem e risco para suicídio”, acrescenta a professora.

Predominante em mulheres, a incidência do transtorno é de 2% na população geral e os sintomas costumam surgir no final da adolescência ou no início da vida adulta. “A etiologia do Transtorno envolve tanto predisposição genética quanto eventos traumáticos ou situações emocionais vivenciadas que podem desencadeá-lo. Entre as experiências traumáticas, pode-se citar a existência de abuso físico e/ou sexual infantil”, explica Ana Paula Sabatini.

Como qualquer Transtorno de Personalidade, o tratamento do Transtorno de Borderline é bastante complexo e envolve acompanhamento psiquiátrico e psicológico. “O tratamento visa minimizar os sintomas, melhorar a adaptação do paciente e com possíveis consequências negativas para o indivíduo. Normalmente, os comportamentos relacionados à impulsividade e à automutilação são minimizados, e mais a longo prazo, o nível de insegurança tende a diminuir”, finaliza.

Texto originalmente publicado no boletim Conectar, edição 102, em 6/12/2016. Assine nossa newsletter: http://www.fcmsantacasasp.edu.br.

Síndrome do pânico: conheça os sintomas

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Ana Paula Sabatini, professora do curso de Pós-graduação em Neuropsicologia da FCMSCSP

Chamada de Transtorno de Pânico na linguagem psiquiátrica, a Síndrome do Pânico faz parte do grupo dos Transtornos de Ansiedade e classifica-se por ataques de pânico recorrentes e inesperados. Por ataque de pânico, entende-se um sentimento repentino de medo ou desconforto intenso frequentemente associado à sensação de desastre iminente, cujo pico ocorre em minutos e é acompanhado por sintomas físicos, entre eles: taquicardia, sudoreses, tremor, falta de ar, náusea, dor torácica, tontura e parestesias, entre outros. Para caracterizar a Síndrome do Pânico, os ataques devem ser recorrentes.

De acordo com Ana Paula Sabatini, psicóloga (CRP 06/61783) e professora do curso de Pós-graduação em Neuropsicologia da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, esses ataques são classificados como inesperados, pois não estão associados a nenhum fator ou ambiente estressor, apesar de poderem ocorrer também em situações específicas. “É importante ressaltar que tais ataques geram preocupação sobre suas consequências e/ou a pessoa tende a mudar sua rotina para evitar os ataques. Relatos de pacientes evidenciam que as crises geram um aumento tão intenso da pressão arterial, que podem dar a sensação de um infarto e sensação iminente de morte, embora o risco real seja mínimo”, explica.

Os primeiros sintomas, segundo a psicóloga, costumam aparecer na adolescência ou idade adulta, sendo mais comum entre 20 e 24 anos e em mulheres (proporção de duas mulheres para cada homem). Além disso, o transtorno acomete pessoas com perfil mais controlador e perfeccionista, que geralmente são muito produtivas e com necessidade constante de serem reconhecidas e aprovadas pelos outros. “Emocionalmente, são pessoas mais frágeis que também apresentam certa dependência em relação ao outro. As crises, embora geralmente não sejam desencadeadas por um motivo identificável, também podem aparecer em situações em que a pessoa perceba um desafio com o qual não consegue lidar”, esclarece.

O tratamento para o Transtorno de Pânico, que de acordo com a professora pode estar associado a outras patologias, como o Transtorno Depressivo e o Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC), é realizado com o uso de medicamentos e terapia.

Texto originalmente publicado no boletim Conectar, edição 91, em 28/6/2016. Assine nossa newsletter: http://www.fcmsantacasasp.edu.br.

Seminário “Estudos bioquímicos e moleculares em transtornos mentais” na FCMSCSP

Prof.ª Miriamn Akemi Furuie Hayashi

Prof.ª Mirian Akemi Furuie Hayashi

No próximo dia 28 de março, segunda-feira, das 12h às 13h30, o Departamento de Ciências Fisiológicas da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo promoverá o seminário “Estudos bioquímicos e moleculares em transtornos mentais”. A palestrante convidada será Mirian Akemi Furuie Hayashi, professora adjunta do Departamento de Farmacologia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

O evento acontecerá no Complexo Zeferino Veloso – Sala 5 – Rua Dr. Cesário Motta Jr., 112 – Vila Buarque – São Paulo (SP). Não é necessário realizar inscrição prévia.