Pulsoterapia: técnica minimiza efeitos da cortisona em pacientes com doenças autoimunes

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Dr. Morton Scheinberg, ex-aluno da 1ª turma do curso de Graduação em Medicina da FCMSCSP

Como forma de administrar doses elevadas de cortisona, por curtos períodos, para combater as manifestações em pacientes com doenças autoimunes, foi criada a pulsoterapia. De acordo com o Dr. Morton Scheinberg, reumatologista e imunologista do Hospital Israelita Albert Einstein e ex-aluno da 1ª turma do curso de Graduação em Medicina da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, esta técnica foi introduzida em 1976, em uma publicação pioneira no periódico Lancet, quando o médico estava em treinamento no serviço de reumatologia da Universidade de Boston. “Fui um dos autores da publicação original no periódico que apontava a melhora da função renal após o tratamento com a técnica em pacientes portadores de nefrite lúpica. Isto seguiu uma contínua carreira como clínico e pesquisador na área das doenças autoimunes em particular nas inovações terapêuticas no Lupus com publicações de relevo até os dias atuais”, conta.

A pulsoterapia é muito comum em pacientes com Lúpus, doença autoimune que faz com que o sistema imunológico que nos protege contra infecções se vire contra os tecidos do próprio organismo, que os reconhecem como “estranho”, e provoque lesões em importantes órgãos do corpo humano. “Os sintomas mais frequentes são artrites, lesões na pele, perda do couro cabeludo, fadiga excessiva, febre, problemas no rim e no sistema nervoso e anemia, causada pela queda de plaquetas de glóbulos vermelhos”, explica o Dr. Morton. Além do Lupus, hoje a pulsoterapia é utilizada para tratamento de diversas doenças autoimunes, como artrite reumatóide e esclerose múltipla, entre outras.

Reconhecimento
Em comemoração aos 40 anos de introdução da pulsoterapia, o American College of Rheumatology (Colégio Americano de Reumatologia) homenageou o Dr. Morton em publicação na revista The Rheumatologist: “Os progressos nesta área são grandes não só por meio de minhas pesquisas, mas em outros centros no mundo, em particular no Brasil, com vários pesquisadores de renome no cenário internacional. Minha trajetória nesta área continua até hoje como clínico e pesquisador inovando no controle das doenças autoimunes, atuando em consultório, ensino e pesquisa”, finaliza.

Texto originalmente publicado no boletim Conectar, edição 107, em 28/3/2017. Assine nossa newsletter: http://www.fcmsantacasasp.edu.br. 

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Gota é sinal de níveis elevados de ácido úrico no sangue

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Dr. Dawton Yukito Torigoe, professor de Reumatologia da FCMSCSP

Caracterizada pelo excesso de ácido úrico no sangue, a gota é uma forma de artrite que pode causar dores agudas, principalmente nos membros inferiores do corpo. Por se tratar de uma dor que aparece de repente e, depois de uma crise, desaparece, os indivíduos que sofrem com a gota, muitas vezes, não procuram um especialista para tratar do problema.

De acordo com o Dr. Dawton Yukito Torigoe, professor de Reumatologia da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, quando acontecem as crises de dor aguda por causa da gota, os indivíduos apenas procuram um pronto-socorro, tomam anti-inflamatórios e não procuram tratamento para diminuir os níveis do ácido úrico, que permanecem no sangue. “O aumento de ácido úrico constante no sangue determina uma maior probabilidade de infarto, derrame cerebral e insuficiência renal. É preciso um tratamento preventivo para diminuir o ácido úrico, pois assim diminuem as crises e, ao mesmo tempo, reduz-se o risco cardiovascular”, explica.

Um dos locais mais comuns em que a gota aparece é o dedão do pé, segundo o reumatologista. Além disso, o perfil da pessoa acometida pela gota é característico, sendo mais frequente em homens na faixa de 40 a 50 anos. “Homens têm hábitos alimentares diferentes das mulheres. Eles costumam ingerir mais bebida alcoólica e mais proteínas, como as encontradas em carnes, que aumentam os níveis do ácido úrico”, conta. Nas mulheres, os casos de gota são raros e só podem aumentar a frequência após a menopausa, por fatores hormonais.

Para que haja melhora no quadro, o Dr. Dawton afirma que o tratamento é feito em dois momentos. Quando há crise aguda, com a ajuda de anti-inflamatórios e cortisona para amenizar a dor, e também no uso de medicamentos específicos para reduzir os níveis de ácido úrico no sangue: “Com o auxílio desses remédios, o ácido úrico cai lentamente até voltar aos níveis normais, o que diminui as crises.”

O tratamento, que é para a vida toda, também envolve mudança nos hábitos dessas pessoas: “O paciente precisa eliminar da dieta alguns alimentos. Bebida alcoólica, por exemplo, é muito ruim para gota, pois faz subir o ácido úrico. No entanto, com os remédios, o ácido úrico baixa para níveis seguros e a pessoa pode levar uma vida absolutamente normal”, finaliza o Dr. Dawton.

Texto originalmente publicado no boletim Conectar, edição 94, em 9/8/2016. Assine nossa newsletter: http://www.fcmsantacasasp.edu.br.

Dor crônica pelo corpo é o principal sintoma da fibromialgia

Ao contrário do que muitos pensam, a fibromialgia não acomete um órgão específico e nem pode ser detectada por meio de exames. De modo geral, ela é uma síndrome que provoca dores crônicas intensas no corpo, que podem ser acentuadas de acordo com cada paciente.

Dr. Dawton Yukito Torigoe, professor de Reumatologia da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo

Dr. Dawton Yukito Torigoe, professor de Reumatologia da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo

Entre seus principais sintomas estão: dores de cabeça e corpo em geral, perda de sono e de memória, dormência nas mãos e fadiga constante. “A dor é contínua, mas pode se agravar em casos de muito estresse, ansiedade ou queda de temperatura. Vale ressaltar que essa síndrome tem uma importante relação com o humor. A depressão e a ansiedade são muito comuns nos quadros clínicos de pacientes que sofrem com a fibromialgia”, afirma o Dr. Dawton Yukito Torigoe, professor de Reumatologia da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.

O perfil da pessoa acometida pela síndrome também é característico, sendo, em geral, composto por indivíduos perfeccionistas, com múltiplas atividades e que têm dificuldade em delegar funções, ou seja, vivem sobrecarregadas e sofrem com estresse diário.

“A fibromialgia é expressivamente mais comum em mulheres do que nos homens. A cada dez pacientes, nove são mulheres, a sua maioria entre 30 e 40 anos. Como não é identificada por meio de exames, seu diagnóstico é basicamente clínico. São analisados os sintomas do paciente, bem como seu histórico, perfil e faixa etária”, explica o Dr. Torigoe.

Exercícios físicos no tratamento

Apesar das dores, às vezes, não serem eliminadas completamente, uma vez detectada a síndrome, o paciente inicia tratamento farmacológico combinado com atividades físicas. “Provavelmente, a parte mais importante está ligada aos exercícios físicos como os aeróbicos, os de fortalecimento de musculatura e alongamento. O paciente é orientado a fazer caminhada, corrida, natação, hidroginástica, musculação, ou pilates”, afirma o professor.

No tratamento farmacológico, são receitados remédios analgésicos, relaxantes musculares e os que provocam o sono, já que as maiores queixas são, além das dores, a perda total ou parcial do sono. “Outro fator importante é o acompanhamento desse paciente por um psicólogo ou psiquiatra para que se evitem grandes alterações de humor e a pessoa sofra com uma crise de intensificação da dor”, finaliza o Dr. Torigoe.

Texto originalmente publicado no boletim Conectar, edição 51, em 7/10/2014. Assine nossa newsletter:
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Tratamento adequado proporciona qualidade de vida às pessoas com lúpus

Dra. Branca Dias Batista de SouzaDe acordo com a Dra. Branca Dias Batista de Souza, professora da Reumatologia da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, pessoas com lúpus, que seguem o tratamento correto, podem ter uma ótima qualidade de vida, inclusive mulheres podem ter uma gravidez tranquila.

“Quanto mais precocemente identificar a doença e iniciar os cuidados apropriados, o indivíduo terá mais chances de levar uma vida normal, acompanhada de uma taxa de mortalidade baixíssima e gestações sem problemas, por exemplo”, afirma a especialista.

Mais comum em mulheres jovens na fase fértil, o lúpus é uma doença inflamatória sistêmica. Segundo a professora, é uma doença autoimune, ou seja, o indivíduo produz anticorpos que atacam o próprio organismo.

Não infeccioso, o paciente com lúpus já nasce com a predisposição para desenvolver a doença que pode acometer diversos órgãos e sistemas do corpo humano. A Dra. Branca cita os principais sintomas:

• Dores ou inflamações nas articulações
• Febre
• Emagrecimento
• Cansaço
• Falta de apetite
• Lesões na pele
• Irritações na pele após exposição ao sol

A professora afirma, ainda, que 70% dos pacientes com lúpus apresentam problemas de pele e 50% terão complicações nos rins. “Também é comum o acometimento de partes como as articulações, o sistema nervoso central e as células do sangue. Geralmente, o órgão menos prejudicado é o fígado”. A Dra. Branca explica que, após o diagnóstico, é necessário avaliar a extensão da doença e qual a melhor forma de tratá-la. “O tratamento básico é realizado com corticoide e/ou imunossupressores. Contudo, depende dos órgãos acometidos”, diz.

Texto originalmente publicado no boletim Conectar, edição 22, em 23/7/2013. Assine nossa newsletter http://www.fcmsantacasasp.edu.br.