Febre amarela: o que é preciso saber sobre a doença

Os casos de febre amarela no Brasil, doença causada pela picada do mosquito Aedes aegypti, tiveram um aumento considerável entre dezembro de 2016 e agosto de 2017. Neste último mês, novas mortes suspeitas de macacos no estado de São Paulo trazem novamente à tona a preocupação com o vírus.

No último dia 20 de outubro, após a confirmação da morte de um macaco na região do Horto Florestal, na capital paulistana, a Secretaria de Saúde do Estado anunciou que intensificará a campanha de vacinação em ao menos 16 municípios. Até o final de setembro, oito mil pessoas haviam sido vacinadas contra a doença nos postos de saúde da cidade de São Paulo. Após o anúncio da nova morte, até o momento – dia 30 de outubro –, 150 mil pessoas já foram vacinadas, segundo a administração municipal. Dados do Ministério da Saúde indicam que, ao todo, foram 777 casos e 261 mortes entre dezembro de 2016 e agosto de 2017. Nesse período, 2.270 casos foram descartados e 213 ainda estão em investigação.

Transmitida pela picada de mosquitos transmissores infectados, no ciclo urbano a transmissão ocorre através do Aedes aegypti infectado e, no ciclo silvestre no Brasil, o principal mosquito é o Haemagogus janthinomys. “No ciclo da febre amarela silvestre, os principais hospedeiros são os macacos e o homem torna-se um hospedeiro acidental. Já no ciclo urbano, os homens são os únicos hospedeiros do vírus”, afirma a Dra. Ione Aquemi Guibu, professora do Departamento de Saúde Coletiva da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.

Após a picada do mosquito infectado pelo vírus da febre amarela, demora, em geral, de 3 a 6 dias para iniciarem os primeiros sintomas, podendo chegar até a 15 dias. “São considerados suspeitos de febre amarela indivíduos com quadro febril agudo, com até 7 dias, de início súbito, acompanhado de icterícia – condição que causa uma coloração amarelada da pele – e manifestações hemorrágicas; além de residentes de áreas de risco para febre amarela, de locais com ocorrência de doenças em macacos ou isolamento de vírus em vetores nos últimos 15 dias e não vacinados contra febre amarela ou com estado vacinal ignorado”, esclarece.

Quando esses sintomas são apresentados, a Dra. Ione explica que é fundamental procurar um médico que pedirá exames laboratoriais específicos, para confirmar ou não o caso, e exames complementares para iniciar o tratamento clínico. “O tratamento é apenas sintomático, com cuidadosa assistência ao paciente que deve ser hospitalizado e permanecer em repouso, com reposição de líquidos e das perdas sanguíneas, quando indicado. Nas formas graves, o paciente deve ser atendido em Unidade de Terapia Intensiva (UTI), com vista a reduzir as complicações e o risco de óbito.”

Como forma de evitar a doença, além das medidas para eliminação de criadouros de mosquitos nas cidades, individualmente, pode-se utilizar repelentes, telas – mesmas medidas para evitar dengue, chikungunya e zika. De acordo com a Dra Ione, a vacinação na febre amarela é uma grande arma para o controle da doença. “A vacina contra febre amarela faz parte do calendário vacinal para os habitantes de grande parte das regiões do país. Para as áreas indenes, a vacina é recomendada para aquelas pessoas que pretendem viajar para regiões onde há risco de transmissão da doença”, finaliza.

Texto originalmente publicado no boletim Conectar, edição 120, em 10/11/2017. Assine nossa newsletter: http://www.fcmsantacasasp.edu.br. 

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Cuidados contra o mosquito Aedes aegypti ao viajar no verão

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Prof.ª Ione Aquemi Guibu, professora do Departamento de Saúde Coletiva da FCMSCSP

Durante a temporada de calor e chuvas, o aumento da proliferação do mosquito Aedes aegypti, transmissor de doenças como dengue, zika e chikungunya, exige atenção e cuidados redobrados. Isso porque dois fatores são propícios à proliferação do mosquito: a temperatura média de 30°C durante o verão e o acúmulo de água parada por conta das chuvas. E para quem estiver na praia ou no campo durante as férias, os cuidados com a prevenção devem permanecer.

Segundo dados do Ministério da Saúde, divulgados em dezembro do último ano, os casos de zika e dengue devem se manter estáveis este ano enquanto deve haver um crescimento significativo de casos de infecção pelo vírus chikungunya. Os casos confirmados da doença aumentaram quase 16 vezes de 2015 para 2016 (de 8.528 para 134.910) e os de suspeitas, quase dez vezes (de 26.763 para 251.051).

A Dra. Ione Aquemi Guibu, professora do Departamento de Saúde Coletiva da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo recomenda algumas medidas para quem for viajar para o campo ou para praia – ambientes em que o calor pode ser muito intenso nessa época do ano: “Podem ser usados repelentes aprovados pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) e mosquiteiros. É interessante também verificar se há criadouros próximos ao local onde ficará hospedado para a eliminação desses focos”, afirma.

Com as crianças, idosos e gestantes, o cuidado precisa ser ainda mais intenso: “Nessas populações, o vírus pode evoluir para formas mais graves, principalmente para gestantes, que devem usar roupas que diminuam a exposição da pele, com mangas mais longas e calças”, complementa a professora.

Texto originalmente publicado no boletim Conectar, edição 104, em 14/2/2017. Assine nossa newsletter: http://www.fcmsantacasasp.edu.br.