Janeiro Dourado: A importância de buscar orientação médica antes de iniciar a prática esportiva

A campanha Janeiro Dourado foi criada em 2016 pela Sociedade Paulista de Medicina Desportiva (Spamde), com o objetivo de alertar a população com relação à necessidade da avaliação realizada por um médico do esporte antes de inserir o exercício físico em sua rotina diária.

De acordo com a Dra. Vera Lúcia dos Santos Alves, coordenadora do curso de pós-graduação em Fisiologia do Exercício Aplicada à Clínica Médica da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, o exercício é muito importante e deve ser inserido na rotina de todos, porém o corpo humano possui diferentes sistemas que atuam de forma conjunta para a realização das atividades do dia a dia. A prática de atividade física representa sobrecarga aos estímulos habituais. “A consulta a um especialista determina como cada corpo está e prevê a resposta fisiológica ao exercício, sendo capaz de nortear as atividades que devem ser realizadas, tanto em relação à modalidade a ser adotada quanto à intensidade e volume”, ressalta a professora.

Como cada corpo possui sua própria fisiologia, alguns exercícios podem apresentar benefícios para alguns e riscos para outros. Por isso, todos devem buscar um especialista antes do início da prática de qualquer atividade física para individualizar o treino. Entretanto, segundo pesquisa do Ministério do Esporte, menos de 35% da população que pratica atividade física e esporte busca consultar um especialista.

Com relação aos esportistas de alto rendimento a superação dos limites do próprio corpo, pode resultar em diferentes malefícios. “Neste caso é preciso saber exatamente como o corpo reage aos constantes estímulos, para que os riscos à saúde sejam minimizados”, lembra a Dra. Vera. Para estes atletas profissionais, os especialistas realizam diferentes testes para compreender a fisiologia e nortear os objetivos dos treinos ao aumento de rendimento de forma mais segura.

Como proceder em caso de lesão?

Caso ocorra alguma lesão, haverá necessidade de afastamento temporário da atividade física, podendo variar de horas a meses. Também é necessário procurar imediatamente o profissional que já acompanha o indivíduo para uma avaliação. “Se necessário, realizar reabilitação. O objetivo será reestabelecer a biomecânica o mais rápido possível sendo consideradas etapas como o treino específico de gestos esportivos e simulação do ambiente de treino”, destaca a professora.

Já para prevenir lesões é importante adotar um ambiente de treino seguro, com a utilização de acessórios adequados, tais como: um tênis específico para corrida, ou equipamentos de segurança em jogos competitivos.

Segundo a Dra. Vera dos Santos Alves, a criação de uma data específica para conscientização é um marco que reflete a preocupação com a prática segura e realizada a partir de orientações e acompanhamento de especialistas, chamando a atenção da população, o que pode garantir que a prática resultará em uma vida saudável. “Como as modalidades se multiplicam e há inúmeras “promessas de milagres” ligados à prática de exercício, o Janeiro Dourado assume ser uma grande ação de conscientização social”.

Sobre a importância do curso de pós-graduação em Fisiologia do Exercício Aplicada à Clínica Médica, a Dra. Vera diz que a fisiologia humana é uma área em constante atualização. “Por isso, é importante que os profissionais que avaliam, prescrevem e acompanham atividades desportivas busquem a especialização e se mantenham engajados para o desenvolvimento seguro e saudável do exercício”, finaliza.

Texto originalmente publicado no boletim Conectar, edição 122, em 12/1/2018. Assine nossa newsletter: http://www.fcmsantacasasp.edu.br. 

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Aumento da renda contribui para o crescimento de 54% no número de obesos no Brasil

Nos últimos seis anos, a quantidade de pessoas obesas no Brasil aumentou 54%. É o que aponta estudo da Vigitel (Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico), realizado pelo Ministério da Saúde. Atualmente no país, 17% dos brasileiros são obesos e 51% estão acima do peso.

Dr. João Eduardo Nunes Salles, professor da disciplina de Endocrinologia da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São PauloSegundo o Dr. João Eduardo Nunes Salles, professor da disciplina de Endocrinologia da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, entre os fatores que contribuem para esse crescimento estão: a migração da população rural para a área urbana, diminuição da prática de exercícios, e consumo excessivo de alimentos industrializados.

“Além desses aspectos, é importante ressaltar a ascensão econômica da classe C, pois com o aumento da renda, o acesso aos produtos industrializados cresceu. Esse público consome alimentos ricos em açúcar e muito calóricos. Esses dados representam um forte impacto na saúde pública do país, visto que a obesidade é a principal causa de doenças cardiovasculares”, afirma.

O professor explica que o problema leva a outras sérias doenças, que geralmente são silenciosas. “Muitos indivíduos não sabem que são hipertensos e diabéticos. São patologias escondidas atrás da obesidade”, diz.

São consideradas pessoas com excesso de peso aquelas com IMC (Índice de Massa Corporal) igual ou maior que 25. Já os obesos apresentam o índice similar ou superior a 30. O estudo da Vigitel mostra que, entre os obesos, 16,5% são homens e 18,5% são mulheres. Com excesso de peso, 54,5% são do sexo masculino e 48% feminino.

“Por critérios biológicos, o homem tem mais massa magra. Dessa forma, o diagnóstico de obesidade na mulher era sempre maior, porém isso está se invertendo. Com o passar dos anos, os homens estão comendo mais e, geralmente, se cuidam menos. Outros fatores determinantes são os recursos financeiros e o sedentarismo”, analisa.

O Dr. Salles comenta que a principal medida para reverter este cenário é investir em educação, mostrando, por exemplo, que existem alimentos mais calóricos que outros, a importância de ler rótulos e discutir os riscos da obesidade à saúde.

“Deve haver um trabalho agora para que os resultados possam ser colhidos dentro de alguns anos. As crianças que estão acima do peso, são os adultos obesos do futuro”, finaliza.

Texto originalmente publicado no boletim Conectar, edição 27, em 1º/10/2013. Assine nossa newsletter http://www.fcmsantacasasp.edu.br.