Álcool: o inimigo silencioso

Prof. Dr. Guilherme Messas, docente e coordenador do curso de pós-graduação em Psicopatologia Fenomenológica da FCMSCSP

No Brasil discute-se com muita frequência o problema do uso de drogas. Essa discussão, muitas vezes controversa e acalorada, é justificada e necessária. Entretanto, quero defender aqui que estamos, como país, negligenciando a principal discussão de saúde pública. A principal droga que compromete e provoca danos à nossa população é o álcool, droga legal, que pode ser comprada em nosso país em praticamente qualquer local, a qualquer hora do dia e na quantidade que se queira. Inclusive por menores, em franco desrespeito à lei.

Mais urgente e importante para o Brasil do que a discussão sobre drogas ilícitas é a regulação da droga lícita mais nociva para a sociedade, que é o álcool. Para que avancemos, como um país que se preocupa com a saúde de seus cidadãos, é fundamental que estabeleçamos regras para o consumo do álcool. Estas regras visam à limitação da quantidade de álcool ingerida e, com isso, reduzem a chance de doenças físicas e mentais, da violência doméstica, do abuso infantil, da perda de produtividade acadêmica, etc. Todos esses problemas têm forte associação com o uso de álcool.

O melhor modo de controlar o uso de álcool é pela regulação ambiental. Medidas como o controle das horas do dia em que se pode vender álcool e a abolição de sua publicidade são as primeiras a ser tomadas e têm que ser reforçadas na agenda de saúde pública, sem hesitação. É tempo de ajustarmos nossas decisões políticas às verdadeiras necessidades de nossos cidadãos.

Prof. Dr. Guilherme Messas, Psiquiatra especialista em Álcool e Drogas, é Professor e Coordenador do Programa de Duplo Diagnóstico em Álcool e Outras Drogas da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. É Coordenador da Câmara Temática Interdisciplinar sobre Drogas do Conselho Regional de Medicina de São Paulo. 

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Special Symposium on Philosophy & Psychiatry

Entre os dias 27 e 30 de setembro de 2018, na Cidade do México acontecerá o “Special Symposium on Philosophy Humanities & Psychiatry”, realizado dentro da programação do “World Congress of Psychiatry (WPA)”, maior congresso mundial sobre “Standing firm for mental health”.

Com o objetivo de aumentar a visibilidade da contribuição científica humana, como a investigação de valores, psicopatologia e cuidados baseados em pessoas para a Psiquiatria, o congresso receberá submissão de trabalhos até o dia 10 de janeiro de 2018.

Para mais informações, os interessados devem entrar em contato pelo e-mail guilherme.messas@fcmsantacasasp.edu.br, com o Dr. Guilherme Messas, que faz parte da organização do evento e também é Professor e Coordenador do curso de pós-graduação em Psicopatologia Fenomenológica da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.

Pós-graduação em Psicopatologia Fenomenológica da FCMSCSP oferece contato direto com pacientes

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Dr. Guilherme Peres Messas, coordenador do curso de Pós-graduação em Psicopatologia Fenomenológica

Com o objetivo de promover conhecimentos e práticas para a realização do diagnóstico e para a estruturação e condução das estratégias terapêuticas em saúde mental, a Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo traz o curso de Pós-graduação em Psicopatologia Fenomenológica. Destinado a médicos, psicólogos, enfermeiros, terapeutas ocupacionais, fonoaudiólogos, assistentes sociais e demais profissionais interessados no tema, o curso busca fazer com que os alunos enxerguem, em detalhes, as necessidades de seus pacientes, para oferecerem a melhor clínica e, consequentemente, o melhor tratamento.

De acordo com o Dr. Guilherme Peres Messas, coordenador do curso, o grande diferencial desse programa de especialização é sua carga clínica e o importante contato direto com o paciente. “Embora esta pós-graduação lato sensu tenha uma carga teórica relevante, esse é o curso de psicopatologia com maior carga clínica existente. As pessoas poderão ver, entrevistar, discutir e, eventualmente, acompanhar pacientes”, esclarece o psiquiatra.

Além disso, as novas turmas do programa contarão com mudanças na formatação da grade, que será mais estruturada para a utilização clínica do instrumento psicopatológico: “Nosso objetivo é oferecer guias de condutas e guias terapêuticos com acesso mais fácil ao público do curso”, afirma o Dr. Guilherme.

As inscrições para o curso de Pós-graduação em Psicopatologia Fenomenológica da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo devem se iniciar ainda no mês de outubro. Caso tenha se identificado com o curso, acesse o Portal da FCMSCSP e manifeste seu interesse.

Texto originalmente publicado no boletim Conectar, edição 98, em 4/10/2016. Assine nossa newsletter:http://www.fcmsantacasasp.edu.br.

A crise financeira e o impacto psicológico nas pessoas

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Dr. Guilherme Peres Messas, professor e coordenador do curso de Pós-graduação em Psicopatologia Fenomenológica da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo

Sabemos que crises financeiras são históricas e, de forma geral, sempre causam algum tipo de efeito na população. E o que normalmente mais se observa, nesses casos, são os fatores econômicos que impactam o orçamento das pessoas. Por outro lado, poucos são aqueles que notam os aspectos psicológicos que levam ao esgotamento do bem-estar do ser humano e das relações sociais entre os indivíduos. “Crises são experiências coletivas de muita contaminação psicológica. Quando as bolhas estouram, como, por exemplo, na crise financeira global de 2008, elas promovem grandes movimentos e todos são arrastados por ela”, comenta o Dr. Guilherme Peres Messas, professor e coordenador da Especialização em Psicopatologia Fenomenológica da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.

A busca incessante por informação sobre o assunto, dormir mal, pavor, depressão, irritação, abuso do uso de bebidas alcoólicas e de drogas são alguns dos problemas listados pelo especialista e que acometem as pessoas durante períodos financeiros não favoráveis. De acordo com o Dr. Messas, a crise financeira multiplica as experiências desagradáveis e gera uma tensão em cadeia, atingindo a população de uma maneira geral: “Um funcionário, por exemplo, pensa que poderá ser demitido a qualquer momento; por consequência, a família vai senti-lo mais nervoso em casa. O noticiário, nada animador, pode ainda fazer com que todos se sintam bem mais desesperados”, explica.

Em período de dificuldades, acrescenta o professor, as pessoas tendem a enxergar a vida pela perspectiva de queda, esquecendo, por exemplo, que o país, nos últimos 20 anos, cresceu regularmente. “Olhando ao longo dos anos, ganhamos democracia, estabilizamos a economia, surfamos de 2004 até 2013 com um grande ciclo internacional favorável. A experiência era de plenitude. O ser humano tende a perceber o sucesso como próprio, mas o fracasso como coletivo. Se olharmos por outra perspectiva, mesmo com as dificuldades que se tem, o Brasil cresceu e até abriu oportunidades”, analisa o Dr. Messas.

Segundo o professor, é típico tanto no aspecto psicológico quanto no histórico, o aumento da violência e a divisão da sociedade por convicções: “Em época de estabilidade, as convicções se tornam fluidas, as pessoas enxergam oportunidades e buscam fazer negócios com outros. Agora, quando o estado é de emergência, a rota de saída é se aglutinar para se defender e encontrar inimigos”, finaliza.

Texto originalmente publicado no boletim Conectar, edição 68, em 30/6/2015. Assine nossa newsletter: http://www.fcmsantacasasp.edu.br.

I Simpósio Internacional de Psicopatologia Fenomenológica discute principais necessidades da área

Com o objetivo de provocar discussão mais aprofundada sobre transtornos mentais, bem como avaliar diferentes vertentes desses problemas em diversos países, o I Simpósio Internacional de Psicopatologia Fenomenológica já apresenta bons resultados. O evento, que aconteceu no auditório da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo de 20 a 22 de novembro de 2014, reuniu pesquisadores do Brasil, Chile, Argentina, Itália e França.

“O evento conseguiu cumprir todos os objetivos propostos. Foi um dos maiores eventos voltados à área de psicopatologia da América Latina e já conseguimos obter resultados satisfatórios. Tivemos a contribuição de profissionais de diversos países que enriqueceram nosso diálogo com diferentes perspectivas e realidades”, afirma o Prof. Dr. Guilherme Messas, coordenador geral do evento e do curso de Especialização em Psicopatologia Fenomenológica da FCMSCSP. “O Simpósio também foi responsável por inserir os estudos da psicopatologia brasileira no cenário internacional. Isso é extremamente satisfatório, pois conseguimos enxergar novas pesquisas na área e eventos com propostas igualmente ricas”, ressalta.

Como principal objetivo, o evento contribuiu para dar maior visibilidade aos transtornos mentais que mais acometem a população mundial, bem como as principais necessidades na área de pesquisa e de tratamento. Segundo o Dr. Messas, o Simpósio busca chamar a atenção para tais problemas e, assim, contribuir para o aprimoramento de políticas públicas que garantam direitos aos pacientes e todo o suporte para o acompanhamento profissional.

Os principais temas abordados no Simpósio foram:

  • Fenomenologia das Toxicomanias;
  • Fenomenologia da Depressão;
  • Fenomenologia das Esquizofrenias;
  • Fenomenologia da Infância e da Velhice;
  • A Relação e o Lebenswelt na Fenomenologia Clínica;
  • Fenomenologia, Psicanálise e Filosofia;
  • Fenomenologia e as influências de Karl Jaspers.

Para dar continuidade às discussões estabelecidas neste primeiro simpósio, estão previstos novos eventos para reunião de profissionais nacionais e internacionais e demais interessados na área.

Texto originalmente publicado no boletim Conectar, edição 56, em 16/12/2014. Assine nossa newsletter:
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Pós-graduação em Psicopatologia Fenomenológica

Interessado no tema? A Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo oferece especialização lato sensu nesta área. Clique aqui para conferir.

Pós-graduação: FCMSCSP abre inscrições para início no 2º semestre de 2014

A Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo abre inscrições para 9 cursos de pós-graduação (lato sensu). Confira: 

Para conferir mais detalhes e efetuar a sua inscrição, clique, acima, no link correspondente a cada curso.

Tratamento da depressão deve levar de 6 meses a 2 anos

Guilherme MessasComum na vida moderna, a depressão é considerada uma doença que necessita de diagnóstico médico e tratamento adequado. De acordo com o Prof. Dr. Guilherme Messas, coordenador do curso de pós-graduação em Psicopatologia Fenomenológica da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, entre os principais sintomas do problema estão: falta de energia, tristeza, desânimo, irritação, diminuição ou aumento de sono, redução da libido, e, nos casos mais graves, pensamentos suicidas e psicose.

“No Brasil, estima-se que de 10% a 15% da população sofre, sofreu ou sofrerá da doença. Biologicamente, até hoje, não se sabe o que é a depressão. O problema é um conjunto variado de diversos estados psicológicos e patológicos, que remetem a inúmeras situações”, explica.

De acordo com o Dr. Messas, a principal diferença entre a depressão e a tristeza é que esta última está relacionada a um momento ou a um fato da vida. Já a depressão surge desconectada de acontecimentos e, em geral, se manifesta bruscamente, ou seja, em algumas semanas o comportamento da pessoa muda completamente.

“A depressão deve ser diagnosticada por um psiquiatra, mas pode também estar relacionada a problemas orgânicos, como a tireoide. Além disso, outros fatores como o AVC (Acidente Vascular Cerebral), cirurgias, pós-operatórios e outras condições hormonais podem influenciar na doença”, afirma.

Um dos tratamentos consolidados no Brasil e no mundo para a depressão grave é a eletroconvulsoterapia. “É um procedimento realizado dentro de condições cirúrgicas. O paciente é anestesiado e recebe uma carga elétrica, induzindo-o a uma crise convulsiva. A repetição dessas crises melhora os casos mais graves, pois o processo provoca a mesma modificação no organismo que os antidepressivos promovem”, afirma o especialista.

O tratamento com antidepressivos tem como objetivo a elevação de neurotransmissores no cérebro. “Vale ficar atento que o índice de recaídas chega a 50%. Dessa forma, mesmo depois da melhora, é necessária a extensão do uso de antidepressivos de 6 meses a 2 anos. Quanto mais tempo sem recaídas, mais fácil curar”, diz.

Para o Dr. Messas, não se deve pensar em tratamentos exclusivos, mas sim, no conjunto de medidas, como o remédio e a psicoterapia. “Mais recentemente, há a tentativa de outros métodos terapêuticos para depressões menos graves como estimulações magnéticas transcranianas e estimulações elétricas, na qual, esta última, a Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo é pioneira. Esses tratamentos vêm mostrando resultados muito interessantes”, conclui.

Texto originalmente publicado no boletim Conectar, edição 35, em 25/2/2014. Assine nossa newsletter: http://www.fcmsantacasasp.edu.br.