Senilidade é termo incorreto para descrever a demência precoce

Sintomas da demência podem atingir pessoas abaixo dos 65 anos e é decorrente de diversos problemas como o Alzheimer

De acordo com a Dra. Maria Fernanda Mendes, professora assistente de Neurologia da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, o termo senilidade é utilizado para descrever o envelhecimento patológico, caracterizado por alterações orgânicas, modificações somáticas, limitações físicas e debilitação psíquica e mental. Dessa forma, a terminologia representa o envelhecer com doenças, independentemente da causa e, difere do envelhecimento normal, pois é a somatória das alterações orgânicas, psíquicas e funcionais, e são secundárias ao tempo de vida do indivíduo.

“Partindo disso, nos referirmos à senilidade precoce apenas como demência é reduzir e mitificar o envelhecer com doenças, sugerindo que outras condições médicas encontram-se dissociadas desse contexto. Convivemos no nosso cotidiano com idosos lúcidos, sem alterações cognitivas, mas fragilizados por situações como, por exemplo, uma fratura de fêmur que o deixa limitado, isso caracteriza a senilidade. É baseado nesses fatos que me parece incorreto chamar a demência precoce de senilidade precoce”, afirma.

Demência PrecoceAs demências englobam as manifestações de um grande grupo de doenças, que geralmente causam uma queda progressiva no funcionamento mental, e podem abranger a perda de memória, capacidade intelectual, raciocínio, competências sociais e alterações comportamentais. O termo demência precoce é utilizado para descrever esses sintomas diagnosticados em pessoas com idade abaixo dos 65 anos.

Segundo a Dra. Maria Fernanda, a demência precoce pode ter diversas causas, como Alzheimer, processos vasculares, inflamações, infecções e doenças degenerativas e respiratórias.

“Os sinais dependem das causas. Os problemas associados aos diversos sintomas neurológicos podem se encaixar em várias outras síndromes”, afirma.

A Dra. Maria Fernanda explica que para iniciar o tratamento é necessário estabelecer o diagnóstico correto. De acordo com ela, a única das doenças que apresenta medicação especifica é o Alzheimer. Nas demais, são tratados apenas os sintomas.

Para a neurologista, o principal sintoma da demência precoce causada pelo Alzheimer é perda de memória para fatos recentes. “O indivíduo se esquece de fatos quando está contando algo, tem dificuldades para fazer atividades que nunca deixou de fazer, começa a perder coisas do dia a dia, entre outras mudanças. Já nas outras doenças cefálicas, podem ocorrer alterações de comportamentos e mudanças no vocabulário”, declara.

A professora ressalta que não adianta as pessoas ficarem com medo da doença, visto que não há diagnóstico preventivo. “Esse é um medo que vamos ter de conviver, porém nós podemos nos ajudar envelhecendo de maneira saudável. Quanto mais você aprende e mantém a mente ativa com raciocínio, leitura e exercícios físicos, antes de chegar ou já na terceira idade, mais você previne sua degeneração neurológica”, conclui.

Texto originalmente publicado no boletim Conectar, edição 39, em 23/4/2014. Assine nossa newsletter: http://www.fcmsantacasasp.edu.br.

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Grupo de estudos faz testes sem uso de medicamentos em roedores visando melhora da qualidade de vida

Dr Hudson BuckO número de idosos no Brasil está aumentando. São mais de 14 milhões de pessoas com mais de 65 anos no país, segundo dados do Comitê de Estatísticas Sociais. Como forma de analisar o processo de envelhecimento e também as alterações relacionadas a ele, o GENE (Grupo de Estudos em Neurofarmacologia e Envelhecimento) avalia métodos terapêuticos para melhorar a qualidade de vida do idoso sem a utilização de medicamentos.

Os experimentos são realizados em roedores e incluem treino de atenção (treino de memória), exercícios físicos e enriquecimento ambiental para estimular a atividade mental, visto que ratos e camundongos respondem a estímulos farmacológicos e não farmacológicos de forma parecida com os seres humanos.

De acordo com o Dr. Hudson Buck, professor da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, e coordenador do GENE ao lado da Dra. Tânia Araújo Viel, da Escola de Artes, Ciências e Humanidades da USP, os resultados dos experimentos mostram que os estímulos, mesmo realizados em animais velhos, surtem efeitos bastante significativos, e isso pode ser aplicado ao ser humano.

“Os camundongos com 15 meses de vida correspondem aproximadamente a um ser humano de 60 anos. Em um artigo recentemente publicado mostramos que, mesmo com a idade avançada, após os estímulos esses roedores apresentaram alterações significativas no cérebro que levaram a melhoras na memória. Isso mostra que, em idosos, deixar o ambiente mais atrativo pode levar a melhoras nas funções cognitivas e na qualidade de vida sem utilizar medicamentos. Logicamente, se essas mudanças acontecerem desde quando o individuo é jovem, os resultados serão mais efetivos”, afirma o pesquisador.

Dr. Buck explica que o GENE também realiza experimentos em animais com Alzheimer, em que são aplicados testes de atenção e treinamento de memória durante o estabelecimento da doença no roedor. Os resultados mostram que o rato foi capaz de apresentar manutenção da memória, diferente daqueles que não foram estimulados.

“Isso ainda não foi aplicado em seres humanos, pois o tempo para esse procedimento é maior. Porém, esse resultado com os roedores mostra que muito em breve poderemos aplicar esse método em pessoas com Alzheimer. Esse tratamento não utiliza medicamentos, que na maioria das vezes tem efeitos colaterais”, enfatiza.

O professor declara ainda que todos devem manter o cérebro sempre ativo, principalmente na fase idosa. “É muito importante se exercitar, fazer palavras cruzadas, ler livros, dançar e realizar qualquer outra ação que estimule a mente”, conclui.

Texto originalmente publicado no boletim Conectar, edição 18, em 29/5/2013. Assine nossa newsletter:http://www.fcmsantacasasp.edu.br.

Doença de Alzheimer e Projeto Gene: Dr. Hudson Buck, professor da Faculdade Santa Casa de SP, explica

Dr. Hudson BuckA TV Gazeta exibiu nesta segunda-feira, dia 4/2, uma entrevista com o Dr. Hudson Buck, diretor do Departamento de Ciências Fisiológicas e professor titular da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Em entrevista, ao vivo, ao programa Mulheres, o professor falou sobre os sintomas e tratamentos da doença de Alzheimer.

Nesta oportunidade, a emissora também exibiu uma reportagem gravada na Santa Casa de São Paulo com a participação do Dr. Buck, da pesquisadora Marielza Andrade Nunes, nutróloga, e da Dra. Luciana Quaglio, professora da Faculdade Santa Casa de São Paulo, a respeito das pesquisas desenvolvidas sobre a doença e do Projeto Gene.

Confira a íntegra da entrevista neste vídeo: