Informação é uma das principais armas contra o Mal de Parkinson

Foi comemorado no dia 11 de abril o Dia Mundial de Conscientização sobre o Mal de Parkinson, doença que já afeta cerca de 200 mil brasileiros. A data especial é usada para a divulgação de informações e procedimentos que ajudem a população a entender um pouco melhor o Parkinson, mostrando como deve ser feita a ‘prevenção’ e tratamento da doença.

Atualmente, com o aumento da população idosa no país, faixa etária mais afetada pelo Parkisionismo, a comunidade da saúde tem tido uma atenção especial com essa patologia. Segundo alguns dados da Associação Mundial de Neurologia, cerca de 3% da população mundial com mais de 80 anos apresenta a doença, o que, com o crescimento da 3ª idade no Brasil, pode representar alguns milhões de pacientes até o ano de 2050.

Bastante conhecido pelos sintomas de tremor e/ou espasticidade de mãos e braços, o Mal de Parkinson implica em várias outros problemas que aumentam ao longo dos anos, mas que, por meio de um tratamento adequado, pode ser tratado de forma eficaz e reduzir os problemas em geral.

O Conectar convidou a especialista Marina Padovani, Fonoaudióloga e docente da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo para falar sobre o assunto. Confira alguns pontos que podem ser de fundamental importância para profissionais da área da saúde!

Aumento da população idosa, primeiros sintomas e prevenção da doença.

Para a Fonoaudióloga Marina Padovani, professora doutora da FCMSCSP, o aumento da população idosa pode sim representar mais casos de Parkinson, já que o mal acomete principalmente a população entre 50 e 70 anos de idade.

Apesar da previsão, ainda não é possível fazer um trabalho de ‘prevenção’ eficaz, já que há uma grande gama de fatores que causam o mal de Parkinson, e em sua maioria, são fatores que não ‘há prevenção possível’, como problemas genéticos e neurológicos.

No que tange os sintomas da doença, hoje já sabemos que as disfunções motoras são uma das maneiras de se identificar um paciente com Parkinson. De acordo com a Prof.ª Marina, fatores como alteração de olfato, problemas no sono e depressão podem ser reflexos da doença.

De acordo com a professora, apesar de não ser possível realizar uma profilaxia completa, pesquisas atuais tentam diagnosticar o problema antes dos sintomas aparecerem e, dessa forma, possibilitar frear o desenvolvimento da doença o mais rápido possível.

Avanço nos tratamentos atuais e novos procedimentos.

No campo de pesquisa atual a cobiça de pesquisadores e cientistas é o controle da produção de dopamina no cérebro humano. Estudos com substâncias como a glucosilceramida, lípidio que pode aumentar o acúmulo de proteínas tóxicas no cérebro, estão sendo desenvolvidos para se tentar aumentar o controle e prevenção do Mal de Parkinson. Segundo esse último estudo, publicado na revista Neuron, o controle da glucosilceramida poderia ser uma maneira de diminuir a queda de produção de dopamina no cérebro, mesmo quando o paciente apresenta fatores genéticos para o desenvolvimento do Parkinson.

Além dos avanços no campo da pesquisa, algumas técnicas já conhecidas continuam ajudando o controle dos sintomas e na melhora da qualidade de vida do parkinsoniano. Segundo a Prof.ª Marina Padovani , ‘há muitos avanços, tanto na área medicamentosa, com novos medicamentos que auxiliam no aproveitamento e duração da dopamina, bem como o cirúrgico, com a implantação do marca-passo cerebral (estimulação cerebral profunda) em larga escala pelo país’.

De acordo com a professora, há uma série de outros tratamentos que tratam cada dificuldade do paciente com Parkinson. Exemplo deste fato é o Método Lee Silverman de tratamento vocal, técnica que é utilizada há mais de vinte anos no auxílio da comunicação vocal dos pacientes.

Independência e vida plena são possíveis para idoso com Parkinson?

Atualmente, as ciências da saúde como um todo tem atuado tentando garantir a ‘independência’ e acessibilidade de pacientes que enfrentem doenças degenerativas. Casos como autismo e Síndrome de Down representam bem esse movimento que tenta dar mais liberdade para os pacientes.

No caso do Parkinson, essa melhora na qualidade de vida é completamente possível. De acordo com Marina, o curso da doença costuma ser lento e progressivo, o que permite a médicos e outros profissionais da saúde tomarem uma série de atitudes que ‘amenizam’ as consequências da doença.

Para a Prof.ª Marina, um bom ajuste medicamentoso aliado a um trabalho de fonoaudiologia e fisioterapia precoce é a melhor maneira possível de se manter uma vida funcional do paciente por muito tempo, garantindo sua independência, qualidade de vida e saúde emocional.

Texto originalmente publicado no boletim Conectar, edição 125, em 13/4/2018. Assine nossa newsletter: http://www.fcmsantacasasp.edu.br. 

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Terapia fonoaudiológica contribui para melhora da qualidade de vida do paciente com Mal de Parkinson

O Mal de Parkinson é uma doença degenerativa que atinge o sistema nervoso central, inibindo a produção de dopamina. Com isso, as células situadas na região do cérebro são afetadas, danificando diretamente o sistema motor do paciente, o que causa tremores, lentidão nos movimentos, rigidez muscular, e alterações na fala e na escrita. Segundo estimativa da Associação Brasil Parkinson, o Parkinson acomete entre 200 e 400 mil brasileiros.

Dra Michele DevidoA doença não é fatal, nem contagiosa e não diminui a capacidade intelectual do indivíduo. Contudo, apesar de avanços no tratamento, não há cura. “Dificuldades na capacidade verbal e no processo de deglutição podem ser sequelas comuns apresentadas pelos pacientes. Com isso, surge o risco de algum alimento, ao ser ingerido, ir para o pulmão e causar uma pneumonia aspirativa”, afirma a Dra. Michele Devido dos Santos, professora do curso de Fonoaudiologia da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.

Com a progressão do Mal de Parkinson, a articulação do paciente fica comprometida, o que prejudica sua comunicação, e também pode haver alteração da intensidade da voz, deixando-a mais baixa. Para conseguir melhorar sua qualidade de vida, a consulta ao fonoaudiólogo é importante para o processo de reabilitação, pois ele será o responsável pela avaliação e análise da terapia a ser utilizada.

“Quanto mais cedo a terapia for iniciada, mais duradouro será o resultado e menores serão os riscos de um agravamento clínico por uma broncoaspiração por exemplo. O objetivo principal do trabalho junto ao fonoaudiólogo é melhorar a qualidade de vida destes pacientes em relação à comunicação e ensinar técnicas e manobras adequadas para engolir os alimentos de forma mais segura”, explica a Dra. Michele.

A professora destaca que, para atuar na área de Fonoaudiologia, o profissional precisa ter aptidão para compreender de forma abrangente os aspectos neurológicos. “É fundamental entender sobre a doença e as limitações do paciente. O tratamento fonoaudiológico engloba as áreas de fala, voz e disfagia”, conclui.

Texto originalmente publicado no boletim Conectar, edição 47, em 12/8/2014. Assine nossa newsletter:
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Contato com animais pode ser benéfico no tratamento de diversas doenças

A relação com os animais pode ir muito além da afetividade e do carinho. O simples contato com os bichos pode melhorar a vida de pessoas com doenças como depressão, paralisia cerebral, câncer, autismo, Alzheimer, síndrome do pânico e Parkinson.

Cães, gatos, aves e cavalos podem ser aliados nos trabalhos de psicólogos, enfermeiros, fisioterapeutas e médicos. A iniciativa, quando realizada regularmente, é chamada de TAA (Terapia Assistida por Animal). Quando é esporádica recebe o nome de AAA (Atividade Assistida por Animais).

Dr. Rogério Pecchini, chefe do departamento de Pediatria da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São PauloDe acordo com o Dr. Rogério Pecchini, professor de Pediatria e Puericultura da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo e diretor do Departamento de Pediatria da Santa Casa de São Paulo, os animais são eficazes para aumentar a autoestima e a sociabilidade de indivíduos com distúrbios de comportamento, por exemplo, visto que trabalha o contato pessoal e a afetividade.

“Comprovações científicas mostram que a terapia com bichos pode ser positiva em alguns tipos de doenças. A melhora do paciente com a presença deles está relacionada a uma série de fatores como: alteração de ambiente, desenvolvimento do carinho e mudança nas relações interpessoais”, explica.

Dr. Pecchini afirma que a reabilitação não se restringe apenas ao contato com os cachorros. “Por exemplo, a equoterapia, em que são utilizados cavalos, melhora a parte motora e a sociabilidade de crianças com Síndrome de Down”, declara.

Para o professor, crianças que estão passando por algum tipo de doença e têm contato com cachorros, apresentam resultados no humor e no bem-estar. “Isso também ajuda a aumentar a recepção ao tratamento, algo que pode ser visto claramente. Quando os animais chegam ao ambiente em que os pacientes estão, há uma alegria enorme por parte dos pequenos que estão hospitalizados”, diz.

Somado a isso, o Dr. Pecchini explica que o animal tem um importante papel na vida da garotada: “Aquelas que são criadas com animais apresentam maior relação afetiva com as outras pessoas. Já as crianças um pouco mais velhas podem criar também um senso de responsabilidade. Não há nada comprovado sobre isso, mas observamos muitos casos”, finaliza. O professor indica cachorros de raças dóceis e ressalta a importância da higienização, alimentação e imunização do animal.

Texto originalmente publicado no boletim Conectar, edição 43, em 18/6/2014. Assine nossa newsletter:
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Parkinson e síndrome das pernas inquietas são alguns dos principais distúrbios dos movimentos

Dr. Rubens GagliardiRelacionadas às diversas condições neurológicas, as doenças caracterizadas por distúrbios dos movimentos podem influenciar vários itens que os compõem como o tono muscular, a velocidade, amplitude, força, entre outros, e até a capacidade de realizá-los. De acordo com o Dr. Rubens Gagliardi, professor titular de Neurologia da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, entre as principais doenças do movimento estão o Parkinson, síndrome das pernas inquietas, coréia e Doença de Huntington.

O Parkinson é uma das doenças neurológicas mais comuns e sua incidência aumenta com a idade do indivíduo. De acordo com o Dr. Gagliardi, os principais sintomas são tremor, lentidão no início dos movimentos e rigidez muscular.

“Existe uma área do cérebro chamada substância nigra, em que se formam os elementos que são os neurotransmissores responsáveis pelo equilíbrio motor. O movimento tem que ter harmonia na amplitude, tono e força, nem em excesso, que é o tremor, ou em falta, caracterizada pela rigidez. Essa harmonia é mediada por substâncias químicas. No Parkinson existe um desequilíbrio em alguns destes neurotransmissores”, diz.

Segundo o professor, os principais tratamentos para a doença de Parkinson são realizados com medicamentos à base de dopamina e/ou agonistas dessa substância. Dependendo do tipo da doença, com o tratamento, o paciente pode levar uma normal.

Outro problema comum são as pernas inquietas, um distúrbio apresentado pelo paciente de modo involuntário, em geral, durante o sono. “Os principais sintomas são movimentos intensos e bruscos com as pernas, eventualmente dor e formigamento”, afirma.

O Dr. Gagliardi explica que devido à má qualidade de sono provocada pelo distúrbio, no dia seguinte, a pessoa apresenta cansaço, sonolência e irritabilidade. “O tratamento é feito com medicamentos que aumentam a produção da dopamina”, fala.

Para o especialista, não existe uma forma específica de prevenir as doenças do movimento, visto que algumas delas são hereditárias, porém hábitos saudáveis reduzem as probabilidades de risco de desenvolvê-las. “Recomenda-se ter uma vida saudável, com alimentação correta, realizar exercícios físicos e, principalmente, evitar o cigarro”, orienta.

Texto originalmente publicado no boletim Conectar, edição 23, em 6/8/2013. Assine nossa newsletter http://www.fcmsantacasasp.edu.br.