Dislexia: condição especial que precisa de atenção durante toda a vida

Dra. Ana Luiza Navas

Dra. Ana Luiza Navas

Albert Einstein, Orlando Bloom, Pablo Picasso, Steve Jobs, Steven Spielberg, Tom Cruise, Walt Disney, Will Smith e Whoopi Goldberg são alguns exemplos de personalidades diagnosticadas com dislexia. “Sendo um transtorno genético e hereditário de linguagem, a dislexia atinge, cerca de 4% da população mundial. Possivelmente, mais de 50% da população disléxica não foi diagnosticada. Muitos pais trazem os filhos para avaliação e começam a se identificar ao perceber o desempenho dos filhos nos testes fonoaudiológicos. E essa é uma condição que acompanha a pessoa por toda a sua vida. A terapia fonoaudiológica e o acompanhamento psicológico ajudam muito, mas é necessário criar estratégias para lidar com ela”, explica a Dra. Ana Luiza Navas, diretora e professora do curso de Graduação em Fonoaudiologia da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo e membro do Núcleo de Acessibilidade Institucional (NAI) da Faculdade.

Núcleo de Acessibilidade Institucional (NAI)
O Núcleo, constituído por uma comissão coordenada pela Dra. Wilze Laura Bruscato, psicóloga e professora da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, assiste alunos com mobilidade reduzida, deficiências visuais, auditivas e condições como a dislexia, que se enquadra na mesma categoria dos Transtornos Específicos de Aprendizagem, Transtornos de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), entre outros. “O núcleo analisa, atende e encaminha para diagnósticos os alunos que precisam de adaptações especiais para fazer o curso. É uma determinação do Ministério da Educação (MEC) que as Instituições de Ensino Superior tenham um núcleo, mas cada faculdade decide como vai receber e aplicar a assistência aos alunos, e quais serão contemplados”, completa a Dra. Ana Luiza.

Processo seletivo
Na FCMSCSP, ao se candidatar a um processo seletivo há como mencionar a necessidade de realizar a prova de acordo com a condição do candidato. “Por exemplo, em caso de dislexia, a prova pode ser realizada de forma oral ou o aluno pode solicitar o auxílio de um ledor para ler as questões da prova, além disso, esse aluno tem um tempo extra, em geral 25% a mais que o tempo normal, para fazer a prova e redação”, esclarece a Dra. Ana Luiza.
Para o processo seletivo do curso de Graduação em Medicina, realizado pela Fuvest, os candidatos recebem a mesma opção para fazer a prova. “No Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), também existe essa possibilidade. Esse método se faz necessário, pois a dificuldade na leitura é parte do quadro clínico dos disléxicos, logo, eles têm certa desvantagem em perguntas, por exemplo, com um enunciado muito grande. Tivemos uma aluna que declarou o problema e contou com o auxílio de um ledor e na redação ela obteve mais tempo para redigir. Não é que não tenham conhecimento para responder, mas demoram mais tempo para ler”, complementa a Dra. Ana Luiza.

Acompanhamento durante o ano letivo
A Dra. Ana Luiza ressalta ainda que muitos alunos nem sabem que possuem dislexia. Há casos na Faculdade em que o aluno só soube de sua condição após enfrentar dificuldades para acompanhar o ritmo das aulas. Outros sabem e não mencionam por medo da reação das pessoas. “Em geral as pessoas disléxicas precisam de mais acompanhamento para a compreensão da leitura e escrita. No Ensino Superior, a demanda de leitura aumenta, por isso a taxa de evasão é grande quando não há o apoio institucional. Em alguns casos, a questão emocional interfere, podendo causar problemas de baixa autoestima. Quando a pessoa já vem de um ensino com acompanhamento realizado por um profissional, ela aprende a estabelecer estratégias de estudo e de armazenamento, o que ajuda, e muito, ao encarar uma faculdade”, detalha.

Quanto à adaptação para avaliações, segundo a professora, depende de cada prova, aluno, matéria e professor. “Apresentamos aos professores o diagnóstico e deixamos em aberto para que o aluno solicite, de acordo com sua necessidade, se precisará de prova oral ou mais tempo para fazer provas, gravar as aulas, receber o conteúdo antes da aula. Para os docentes, orientamos que eles não se apeguem aos erros ortográficos, se o conteúdo for contemplado, pois esse é um dos sinais da dislexia. A cada mudança de professores, nos preocupamos em passar as mesmas informações”, elucida a professora.

Confira mais informações sobre a vida profissional de uma pessoa com dislexia.

 

Texto originalmente publicado no boletim Conectar, edição 73, em 9/9/2015. Assine nossa newsletter: http://www.fcmsantacasasp.edu.br.