Aumento da renda contribui para o crescimento de 54% no número de obesos no Brasil

Nos últimos seis anos, a quantidade de pessoas obesas no Brasil aumentou 54%. É o que aponta estudo da Vigitel (Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico), realizado pelo Ministério da Saúde. Atualmente no país, 17% dos brasileiros são obesos e 51% estão acima do peso.

Dr. João Eduardo Nunes Salles, professor da disciplina de Endocrinologia da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São PauloSegundo o Dr. João Eduardo Nunes Salles, professor da disciplina de Endocrinologia da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, entre os fatores que contribuem para esse crescimento estão: a migração da população rural para a área urbana, diminuição da prática de exercícios, e consumo excessivo de alimentos industrializados.

“Além desses aspectos, é importante ressaltar a ascensão econômica da classe C, pois com o aumento da renda, o acesso aos produtos industrializados cresceu. Esse público consome alimentos ricos em açúcar e muito calóricos. Esses dados representam um forte impacto na saúde pública do país, visto que a obesidade é a principal causa de doenças cardiovasculares”, afirma.

O professor explica que o problema leva a outras sérias doenças, que geralmente são silenciosas. “Muitos indivíduos não sabem que são hipertensos e diabéticos. São patologias escondidas atrás da obesidade”, diz.

São consideradas pessoas com excesso de peso aquelas com IMC (Índice de Massa Corporal) igual ou maior que 25. Já os obesos apresentam o índice similar ou superior a 30. O estudo da Vigitel mostra que, entre os obesos, 16,5% são homens e 18,5% são mulheres. Com excesso de peso, 54,5% são do sexo masculino e 48% feminino.

“Por critérios biológicos, o homem tem mais massa magra. Dessa forma, o diagnóstico de obesidade na mulher era sempre maior, porém isso está se invertendo. Com o passar dos anos, os homens estão comendo mais e, geralmente, se cuidam menos. Outros fatores determinantes são os recursos financeiros e o sedentarismo”, analisa.

O Dr. Salles comenta que a principal medida para reverter este cenário é investir em educação, mostrando, por exemplo, que existem alimentos mais calóricos que outros, a importância de ler rótulos e discutir os riscos da obesidade à saúde.

“Deve haver um trabalho agora para que os resultados possam ser colhidos dentro de alguns anos. As crianças que estão acima do peso, são os adultos obesos do futuro”, finaliza.

Texto originalmente publicado no boletim Conectar, edição 27, em 1º/10/2013. Assine nossa newsletter http://www.fcmsantacasasp.edu.br.

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