1/3 das crianças brasileiras entre 5 a 9 anos está acima do peso, segundo IBGE

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Dra. Erika Bezerra Parente, professora de Endocrinologia da FCMSCSP

A obesidade é uma doença séria e que tem atingido muitas crianças no Brasil. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), um terço das crianças brasileiras entre 5 a 9 anos está acima do peso. Os casos de obesidade, em 20 anos, aumentaram mais de quatro vezes nessa faixa etária, atingindo 16,6% em meninos e 11,8% nas meninas.

De acordo com a Dra. Erika Bezerra Parente, professora da disciplina de Endocrinologia da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, estar acima do peso, além de problemas físicos, como diabetes, hipertensão arterial e colesterol alto, pode acarretar em questões psicossociais para os pequenos, como a baixa autoestima.

“A obesidade infantil está relacionada à alimentação inadequada hipercalórica associada à pouca atividade física. Estudos mostram que, por exemplo, crianças que se alimentam mal e ficam muito tempo em frente à televisão ou ao computador, podem ter maior risco de obesidade”, afirma a endocrinologista.

Para evitar este quadro, o papel dos pais é essencial na prevenção da obesidade das crianças, segundo a Dra. Erika: “O melhor tratamento, além, é claro, dos exercícios físicos, é a educação alimentar de toda a família, pois a criança come o que os pais compram. Além disso, às vezes é necessário tratamento comportamental com psicóloga e em alguns casos é necessário uso de medicações também.”

Texto originalmente publicado no boletim Conectar, edição 119, em 6/10/2017. Assine nossa newsletter: http://www.fcmsantacasasp.edu.br. 

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Cirurgia bariátrica: entenda os procedimentos e cuidados pós-operatórios

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Dr. Carlos Alberto Malheiros, professor titular do Departamento de Cirurgia da FCMSCSP, chefe da Área de Estômago, Duodeno e Obesidade

Sofrer os impactos da obesidade não é fácil. Muitas pessoas passam anos e até boa parte da vida acima do peso ideal, lutando contra a balança e seguindo diversas dietas com o intuito de emagrecer. Nesse caso, o esforço muitas vezes acaba sendo em vão. Quando isso acontece, essas pessoas decidem recorrer à cirurgia bariátrica, ou metabólica, como tem sido chamada hoje em dia, pela constatação de que a cirurgia tem ajudado a “acertar” o metabolismo dos pacientes.

De acordo com o Dr. Carlos Alberto Malheiros, professor titular do Departamento de Cirurgia da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, chefe da Área de Estômago, Duodeno e Obesidade – que realizou sua primeira cirurgia na Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo em 1998 –, o Brasil tem uma estimativa de mais de três milhões de obesos mórbidos e cerca de 40 mil cirurgias bariátricas realizadas por ano.

Das técnicas para realização de uma cirurgia bariátrica disponíveis no mundo, são usadas praticamente duas: a gastroplastia com derivação gastrojejunal, que representa mais de 90% das cirurgias já realizadas pelo Dr. Malheiros e consiste em se reduzir o estômago e desviá-lo para o jejuno. Esse procedimento deixa o estômago menor para caber menos alimentos e o desvio faz com que a comida percorra um trajeto menor no intestino delgado, que resulta em uma digestão menor. “O paciente come menos, digere menos e perde peso”, afirma o cirurgião. Outro tipo de cirurgia bariátrica é a chamada gastrectomia vertical. Essa técnica consiste na remoção da parte esquerda do estômago, podendo levar à perda de até 40% do peso inicial.

Segundo o médico, a cirurgia bariátrica, independentemente de sua técnica, funciona como uma espécie de “bengala”. Ela ajuda no processo de emagrecimento, mas o paciente precisa ter cuidados para o resto da vida, a fim de evitar uma recaída ou até problemas mais graves: “Quando o paciente não muda seus hábitos alimentares, existe uma chance enorme de voltar a engordar. É necessário um acompanhamento psicológico e nutricional antes e depois da cirurgia, mas o nutricional é indispensável. O paciente precisa abandonar de forma definitiva e irreversível o hábito de comer o que tem vontade na hora da fome e passar a comer o que precisa comer na hora certa”, explica.

Desde 1987, quando foi realizada a primeira cirurgia bariátrica da era moderna nos Estados Unidos, utilizando a técnica de reduzir o estômago e desviar para o intestino, muito vem se descobrindo acidentalmente. Além de corrigir colesterol e triglicérides, uma dessas descobertas foi o controle de grande número de pacientes com diabetes tipo II, como acrescenta o Dr. Malheiros: “Depois de um bom tempo, descobriu-se que esse encurtamento do trajeto intestinal, diminui a resistência da insulina, estimula o pâncreas e equilibra rapidamente a glicemia, elementos que hoje justificam a denominação de cirurgia metabólica”.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) diz que, para a realização da cirurgia bariátrica, a pessoa precisa ter o IMC acima de 40 ou acima de 35, se tiver doença associada. Podem fazer o procedimento pessoas entre 16 a 65 anos de idade. Fora dessa faixa, são aceitos apenas casos especiais. A cirurgia bariátrica não é recomendada a pacientes que possuem histórico de uso abusivo de álcool ou drogas, doenças descompensadas, limitação intelectual e distúrbios psiquiátricos não tratados. Além disso, mulheres que realizaram a cirurgia bariátrica não devem engravidar na fase de adaptação, que dura cerca de 18 meses.

Texto originalmente publicado no boletim Conectar, edição 90, em 14/6/2016. Assine nossa newsletter: http://www.fcmsantacasasp.edu.br.

O avanço tecnológico e o sedentarismo em função da obesidade

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Dr. Osmar Monte

Na era dos videogames, tablets e celulares com um arsenal de aplicativos que possibilitam fazer pedidos, pagar contas e realizar compras com apenas um clique, os hábitos rotineiros da população ganharam um novo rumo. De acordo com informações da Organização Mundial da Saúde (OMS), o sedentarismo é uma das principais causas da obesidade. Ainda segundo informações da OMS, em países emergentes como o Brasil, a taxa de obesidade vem crescendo consideravelmente. “É importante saber que a obesidade é uma doença, então quando ela se espalha muito na sociedade torna-se uma epidemia. Hoje, vivemos uma aqui no país, pois o brasileiro importou muitos hábitos norte-americanos especialmente os fast foods, ou seja, trouxemos a obesidade”, afirma o endocrinologista Dr. Osmar Monte, professor titular e vice-diretor da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo e sócio-honorário da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia.

Dr. Monte explica que não há uma determinada faixa etária em que a doença vem acometendo a população; ela está presente em crianças e até nos mais idosos. “A obesidade tem um componente genético familiar que, infelizmente, a Medicina não tem como mudar. Mas tem um componente ambiental, talvez mais fundamental que o genético, que é a oferta excessiva de alimentos calóricos por hábitos alimentares da população. Na medida em que você troca alimentos de baixas calorias por um fast food, altamente calórico, vai ganhar peso, ainda mais se a genética favorecer”, completa.

De acordo com o vice-diretor da FCMSCSP, em uma combinação de lanche, batatas fritas, refrigerante e tortinha, há 1.200 calorias. Já em um prato com arroz, feijão, bife, salada e uma fruta de sobremesa, encontram-se cerca de 350 calorias. “O número certo de calorias para se ingerir varia com a idade, sexo, peso e atividade física praticada, que é outro problema considerável atualmente porque poucas pessoas encaram o desafio e na medida em que você tem as facilidades de um mundo moderno com avanço tecnológico, você fica mais tempo parado e gasta menos calorias. Assim, o pouco que está comendo é muito pelo gasto energético”, quantifica. Confira algumas dicas do Dr. Osmar Monte sobre como evitar o aumento do peso da população:

Exercícios físicos
Pode apenas parecer uma tendência, mas a prática esportiva ajuda de fato no controle ou na manutenção do peso. Além disso, controla a hipertensão, diabete e traz outros benefícios. “Porém, não adianta malhar por uma hora na academia, ou correr, por exemplo, na qual perder-se-iam 200 calorias, e sair para comer um sanduíche”, adverte.

Quanto aos praticantes de exercícios físicos que notam não haver alteração no peso, o Dr. Osmar Monte lembra que pode ocorrer de o corpo estar ganhando massa magra, que é músculo e isso pesa, mas com certeza estará perdendo gordura. Em todos os casos, isso dependerá da quantidade de exercícios realizados aliados a uma dieta balanceada”, ressalta. Para crianças, o endocrinologista lembra que há poucos parques para brincar nas diferentes regiões do país e que a tendência são os videogames, computadores. “Não é mais seguro brincar na rua. A maioria mora em apartamentos e, por isso, é imprescindível incentivá-las a praticar algum exercício. Lembrando que, em qualquer idade, a atividade mais indicada é aquela que dá mais prazer ao praticante”, aconselha o Dr. Monte.

Educação alimentar
Uma das preocupações, de modo geral na população, é o aumento da obesidade em crianças. “Elas aprendem a comer com os pais e, se eles tiverem maus hábitos, os filhos poderão adquiri-los. Acredito que a disciplina Nutrição deveria estar na matriz curricular das escolas primárias. Deveríamos ensinar as crianças o que são alimentos calóricos e não calóricos, mostrando o que é saudável”, enfatiza o Dr. Monte.

Refrigerantes X sucos
Segundo o endocrinologista, um erro bem comum é trocar os refrigerantes por suco para manter a dieta, mas para a surpresa de todos, há sucos, apesar de saudáveis, que são altamente calóricos. “Os refrigerantes comuns tem açúcar na composição, o que os torna muito calóricos; uma lata tem aproximadamente 165 calorias. Já o suco é um alimento saudável, porém calórico. Uma porção de fruta tem, em média, 50 calorias. Para fazer um suco, digamos que se utilizem três laranjas. Aí já teríamos 150 calorias, mais o açúcar para adoçar, o que faz ingerirmos em torno de 200 calorias”, elucida.

No entanto, o Dr. Osmar Monte esclarece que um refrigerante zero tem realmente zero calorias. “É comum confundir um alimento saudável com alimento que não engorda. O suco é saudável, mas é altamente calórico; ele faz bem para saúde, mas não significa que não vai engordar. Há frutas como o limão que praticamente não tem açúcar. Se optar por beber com adoçante, esse suco terá quase zero calorias”, ensina.

Light X diet

O termo diet é utilizado para um alimento que, em relação ao padrão, possui a ausência de um componente. “Esse alimento é preparado para o tratamento de uma doença, por exemplo, se não tem açúcar ele é dietético para um diabético, sem sal é um alimento dietético para quem tem hipertensão. É importante saber que para uma pessoa normal, ele é um alimento comum, pois o fato de ser dietético não significa que não engorda”, detalha. Ainda de acordo com o professor, o alimento light, por definição, é aquele que em relação ao alimento padrão tem uma redução calórica de 20%. “Esse sim é um alimento dirigido ao público que quer perder peso”, finaliza o Dr. Monte.

Tabela de Índice de Massa Corporal

Abaixo de 17 Muito abaixo do peso
Entre 17 a 18,4 Abaixo peso
Entre 18,5 a 24,9 Peso saudável
Entre 25 a 29,9 Sobrepeso
Entre 30 a 34,9 Obesidade I
Entre 35 a 39,9 Obesidade II (severa)
Acima de 40 Obesidade III (mórbida)

Texto originalmente publicado no boletim Conectar, edição 75, em 6/10/2015. Assine nossa newsletter: http://www.fcmsantacasasp.edu.br.

 

 

Obesidade atinge 1/3 da população de crianças no Brasil

Em pesquisa, profissionais da Faculdade Santa Casa de São Paulo buscam identificar as causas do problema

A obesidade é caracterizada pelo acúmulo de gordura no corpo, causada, sobretudo, pelo consumo excessivo de calorias. Muito comum, especialmente em países mais desenvolvidos, a disfunção tem despertado preocupação cada vez maior de autoridades e profissionais da saúde.

Em números divulgados em 2013, a Organização Mundial da Saúde apontou que 2,8 milhões de pessoas morrem por ano por problemas em virtude de peso excessivo. Ainda mais preocupante, é o aumento do número de crianças obesas, pois a constatação é que 1/3 das crianças entre 6 e 9 anos sofrem com o problema.

Além de diminuir a disposição física, o sobrepeso acarreta outros sérios problemas de saúde; aumenta o risco de desenvolvimento de diabetes, hipertensão, colesterol alto e problemas cardíacos, o que compromete a qualidade de vida do indivíduo.

Em recente pesquisa, profissionais da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo estudam a possibilidade de a obesidade relacionada com a dependência química. O objetivo é verificar se a relação de crianças obesas com a comida é semelhante a de pessoas que sofrem com a dependência de drogas. Ou seja, quando o ato de comer exageradamente não consegue ser evitado, a despeito de todo prejuízo social, emocional e físico.

Dr. Ricardo Riyoiti Uchida, psiquiatra e professor assistente da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo

Dr. Ricardo Riyoiti Uchida, psiquiatra e professor assistente da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo

“A obesidade é multifatorial. Alguns dos fatores que pode interferir em seu surgimento são o comportamento e o componente emocional. Então, nosso estudo examina a obesidade, especialmente a infantil. Queremos estudar a relação que as crianças obesas estabelecem com a comida. Se chega a ser uma espécie de dependência química – onde ela precisa consumir muito de determinada substância, perder o controle enquanto está ingerindo o alimento e se sentir muito mal (parecido com uma abstinência) quando não come o tanto que gostaria”, explica Ricardo Riyoiti Uchida, psiquiatra e professor da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.

“Além disso, também pretendemos fazer imagens de ressonância magnética para analisar o cérebro dessas crianças e avaliar se há diferenças entre crianças magras e obesas que nos ajudem a entender melhor as causas da obesidade”, afirma.

Para desenvolvimento da pesquisa, são necessários como voluntários 60 adolescentes, de 12 a 17 anos, que tenham obesidade. Eles serão avaliados por médicos e farão exames.

Para se candidatar ou fazer uma indicação, basta entrar em contato pelo e-mail: pesquisaobesidadesantacasasp@gmail.com ou pelo tel.: (11) 5084-2132, contato: Sra. Susete.

Texto originalmente publicado no boletim Conectar, edição 57, em 28/1/2015. Assine nossa newsletter:
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Dia Mundial do AVC: mutirão esclarece dúvidas da população

AVCNo sábado, dia 26, com a participação de alunos da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo e de médicos da Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, foi iniciado um mutirão para instruir a população sobre o AVC (Acidente Vascular Cerebral), conhecido popularmente como derrame. A iniciativa marca o Dia Mundial do AVC e tem a coordenação da Liga de Neurologia da Santa Casa de São Paulo, liderada pelo neurologista Dr. Rubens Gagliardi, professor da FCMSCSP. Nos dias 28, 29 e 30/10, a ação terá continuidade e será realizada das 9h às 13h, nas estações de metrô Barra Funda, Sé, Brás e República, em São Paulo.

Dia Mundial do AVC

Segundo a Organização Mundial do AVC, uma em cada seis pessoas no mundo terá um AVC ao longo da vida. Cerca de 16 milhões de pessoas têm a doença por ano e, desse total, por volta de 6 milhões não sobrevivem. O acidente vascular cerebral ocorre quando há  a insuficiência no fluxo sanguíneo em uma determinada parte do cérebro. Esse fator pode gerar causas diversas: hipertensão arterial, diabetes, cardiopatia, tabagismo, sedentarismo, obesidade, aneurismas. O paciente recuperado de um AVC pode apresentar algum tipo de sequela, como é o caso de paralisação de parte do corpo e dificuldade na fala.a de São Paulo, liderada pelo neurologista Dr. Rubens Gagliardi, professor da FCMSCSP. Nos dias 28, 29 e 30/10, a ação terá continuidade e será realizada das 9h às 13h, nas estações de metrô Barra Funda, Sé, Brás e República, em São Paulo.

Aumento da renda contribui para o crescimento de 54% no número de obesos no Brasil

Nos últimos seis anos, a quantidade de pessoas obesas no Brasil aumentou 54%. É o que aponta estudo da Vigitel (Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico), realizado pelo Ministério da Saúde. Atualmente no país, 17% dos brasileiros são obesos e 51% estão acima do peso.

Dr. João Eduardo Nunes Salles, professor da disciplina de Endocrinologia da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São PauloSegundo o Dr. João Eduardo Nunes Salles, professor da disciplina de Endocrinologia da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, entre os fatores que contribuem para esse crescimento estão: a migração da população rural para a área urbana, diminuição da prática de exercícios, e consumo excessivo de alimentos industrializados.

“Além desses aspectos, é importante ressaltar a ascensão econômica da classe C, pois com o aumento da renda, o acesso aos produtos industrializados cresceu. Esse público consome alimentos ricos em açúcar e muito calóricos. Esses dados representam um forte impacto na saúde pública do país, visto que a obesidade é a principal causa de doenças cardiovasculares”, afirma.

O professor explica que o problema leva a outras sérias doenças, que geralmente são silenciosas. “Muitos indivíduos não sabem que são hipertensos e diabéticos. São patologias escondidas atrás da obesidade”, diz.

São consideradas pessoas com excesso de peso aquelas com IMC (Índice de Massa Corporal) igual ou maior que 25. Já os obesos apresentam o índice similar ou superior a 30. O estudo da Vigitel mostra que, entre os obesos, 16,5% são homens e 18,5% são mulheres. Com excesso de peso, 54,5% são do sexo masculino e 48% feminino.

“Por critérios biológicos, o homem tem mais massa magra. Dessa forma, o diagnóstico de obesidade na mulher era sempre maior, porém isso está se invertendo. Com o passar dos anos, os homens estão comendo mais e, geralmente, se cuidam menos. Outros fatores determinantes são os recursos financeiros e o sedentarismo”, analisa.

O Dr. Salles comenta que a principal medida para reverter este cenário é investir em educação, mostrando, por exemplo, que existem alimentos mais calóricos que outros, a importância de ler rótulos e discutir os riscos da obesidade à saúde.

“Deve haver um trabalho agora para que os resultados possam ser colhidos dentro de alguns anos. As crianças que estão acima do peso, são os adultos obesos do futuro”, finaliza.

Texto originalmente publicado no boletim Conectar, edição 27, em 1º/10/2013. Assine nossa newsletter http://www.fcmsantacasasp.edu.br.

Doenças cardiovasculares são responsáveis por 29,4% de todas as mortes registradas no Brasil no ano

Atualmente, as principais doenças fatais relacionadas ao coração são o infarto do miocárdio e a angina, que normalmente atingem indivíduos com mais de 40 anos, a maioria do sexo masculino, acometendo também cada vez mais mulheres. Segundo o Ministério da Saúde, em um ano, cerca de 308 mil pessoas falecem de infarto do miocárdio e acidente vascular cerebral (AVC) no país. O infarto ocorre devido ao acúmulo de gordura e entupimento por coágulo das artérias coronárias. A doença é relacionada a hábitos como tabagismo, sedentarismo e dieta inadequada, assim como doenças frequentemente assintomáticas como hipertensão arterial, colesterol alto e diabetes.

Dr. Roberto Alexandre FrankenDiante do estresse e da correria do dia a dia, as pessoas nem sempre encontram tempo para cuidados com a saúde. O Dr. Roberto Alexandre Franken, professor titular do departamento de Clínica Médica da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, recomenda que, para evitar o infarto e outras doenças do coração, deve-se aferir a pressão arterial desde criança, dosar o colesterol e açúcar regularmente para o diagnóstico e tratamento precoce dos fatores de risco. Se houver histórico familiar ligado a problemas cardíacos, esses exames devem ser feitos desde a infância, a partir dos cinco anos de idade.

Prevenção

“Para a prevenção de doenças cardíacas, a pessoa deve se preocupar em fazer exames médicos e exercícios físicos regulares, bem como não fumar e principalmente evitar a obesidade central, que é mais comum no homem, que acumula gordura na barriga”, enfatiza o especialista.

Dr. Franken também reforça que qualquer indivíduo, a partir dos 40 anos, deve procurar anualmente um cardiologista. “Sabemos que o infarto atinge mais pessoas do sexo masculino. Contudo, está cada vez mais comum em mulheres, por conta da mudança de comportamento social, da inserção delas no mercado de trabalho, bem como pelo uso da pílula anticoncepcional e o fumo, que são fatores envolvidos nesse agravamento”, conclui.

Texto originalmente publicado no boletim Conectar, edição 26, em 17/9/2013. Assine nossa newsletter http://www.fcmsantacasasp.edu.br.