Descuidos na praia podem oferecer riscos à saúde

A temporada de verão resulta em praias lotadas, ainda mais no Brasil, com seu extenso litoral. Porém, alguns cuidados devem ser tomados para evitar sérios problemas de saúde. De acordo com a Dra. Marinella Della Negra, responsável pela disciplina de Moléstias Infecciosas Parasitárias da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, os principais danos ocorrem na pele, causados por fungos e bactérias, além de infecções por ingestão de alimentos contaminados.

“Entre as principais doenças de pele que podem ser contraídas na praia estão: micoses (frieiras) e larva migrans, conhecida também como bicho geográfico. Muitas pessoas costumam ir às praias e piscinas e não tirar o maiô, biquíni ou sunga molhados, depois que voltam para casa, o que facilita a proliferação de fungos e pode causar candidíase. Outra séria doença é a hepatite A, que pode ser adquirida pela ingestão de água contaminada”, afirma.

Segundo a especialista, o ambiente de praia é um facilitador para a proliferação de fungos e bactérias pelo alto calor e umidade. Outro fator de risco está na areia, que pode conter sujeira e fezes de animais.

“Ingerir alimentos na praia também pode ser muito perigoso. O calor compromete a conservação da comida, que fica mais propensa a estar infectada, podendo causar diarreia e até infecções mais sérias. O ideal é comer fora da praia, em lugares apropriados e que ofereçam segurança”, explica.

Para evitar esses problemas, a Dra. Marinella cita algumas recomendações:
– Não andar descalço na areia
– Não sentar no chão e em cadeiras de praia sem proteção
– Evitar ingerir água do mar
– Não comer alimentos na praia
– Não compartilhar objetos pessoais, como toalhas
– Procurar levar seus próprios objetos, como esteiras e cadeiras
– Após sair do mar, tomar banho com água limpa e secar o corpo, inclusive entre os dedos dos pés
– Não permanecer com as roupas molhadas
– Não frequentar praias, caso esteja com cortes na pele

Texto originalmente publicado no boletim Conectar, edição 33, em 28/1/2014. Assine nossa newsletter http://www.fcmsantacasasp.edu.br.

Especialidade de Infectologia acompanha os desdobramentos da saúde pública no país e no mundo

Prof.ª Dra. Marinella Della NegraA Infectologia estuda as doenças causadas por vírus, bactérias, protozoários e fungos. De acordo com a Prof.ª Dra. Marinella Della Negra, responsável pela disciplina de Moléstias Infecciosas Parasitárias da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, a área tem grande importância para a saúde pública, visto que trata de epidemias e transita por todas as especialidades.

“Todo médico, independente de ser infectologista, é um termômetro da saúde pública. Quando o mesmo atende uma repetição de casos clínicos iguais, trata-se, com toda certeza, de uma doença infecciosa. Quem percebeu que estava iniciando uma epidemia de HIV na cidade de São Francisco (EUA) foram os profissionais do pronto-atendimento, que começaram a atender pacientes com os mesmos sintomas”, afirma.

A Dra. Marinella explica que todos os hospitais têm infectologistas, para atendimento de infecções hospitalares. Além desse segmento, ela comenta que a área apresenta várias facetas.

“Há especialistas em infectologia que atuam em frentes como ortopedia, transplante e medicina do viajante, essa última serve aos indivíduos que vão viajar e tem a finalidade de prevenir doenças existentes nos locais visitados, por meio de vacinações e orientações”, enfatiza.

Segundo a especialista, a disciplina é ministrada no quarto ano do curso de Medicina, no qual são apresentados os agentes responsáveis pelas doenças infecciosas, como o indivíduo responde a essas infecções e qual o papel delas na saúde pública do Brasil e do mundo.

No internato há também a parte prática, em que os alunos acompanham as crianças internadas com doenças infecciosas. Eles observam, ainda, os adultos em consultas e na UTI. Além disso, às sextas-feiras, integram a equipe do ambulatório para atender pacientes com doenças infecciosas.

Texto originalmente publicado no boletim Conectar, edição 23, em 6/8/2013. Assine nossa newsletter http://www.fcmsantacasasp.edu.br.