Doenças da pele devem ser tratadas com atenção

Rosana Lazzarini, professora de Dermatologia da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São PauloAs dermatoses, conjunto de doenças que acometem a pele, devem ser tratadas com a mesma prioridade dos demais problemas de saúde. Nesse contexto, valem ser ressaltadas doenças mais antigas, como hanseníase e sífilis, que não foram eliminadas na população, além do crescente aumento dos diagnósticos de câncer de pele. É o que explica Rosana Lazzarini, professora de Dermatologia da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.

“Inúmeras dermatoses dependem mais de ações preventivas do que propriamente do tratamento. Quando este se faz necessário, diferentes medidas podem ser tomadas, desde a introdução de medicamentos até procedimentos cirúrgicos. O médico dever ser procurado sempre que alguma condição fuja ao controle do indivíduo”, diz.

De acordo com a professora, há um aumento no número de casos de sífilis, doença sexualmente transmissível que se manteve, anos atrás, em níveis estáveis. Para a especialista, a população parou de se preocupar com esse tipo de problema. “A prevenção baseia-se no conceito do sexo seguro, com uso especialmente de preservativo”, fala. Os sintomas da sífilis englobam pequenas feridas nos órgãos sexuais e caroços nas virilhas.

Outro problema grave é a hanseníase, doença infecciosa que atinge a pele e os nervos. Alguns dos sintomas são: manchas esbranquiçadas, avermelhadas ou acastanhadas, e área da pele com perda ou ausência de sensibilidade. O tratamento dura de seis a 12 meses, dependendo da forma clínica e classificação de cada caso.

“Apesar de datar dos tempos bíblicos, a hanseníase ainda persiste, com o surgimento de casos novos, em suas várias formas. Muito ainda deve ser feito para melhorar as condições de vida e educação da população para chegarmos à erradicação da doença”, afirma.

Micoses

As micoses são dermatoses infecciosas causadas por fungos de diferentes espécies e gêneros, sendo que as mais conhecidas são as formas superficiais presentes entre os dedos dos pés, no couro cabeludo (muito frequente em crianças) e na região inguinal (comum entre os homens), esclarece a professora Rosana.

“As regiões afetadas em geral tornam-se pruriginosas e apresentam algum nível de descamação. O tratamento baseia-se no uso de antifúngicos, tópicos ou sistêmicos, dependendo da extensão da área comprometida. As medidas preventivas devem passar pelos cuidados locais como: manter as áreas secas, trocar frequentemente calçados e meias, e usar roupas leves”, explica a dermatologista.

Dermatite de contato

A doença está relacionada à sensibilização do indivíduo a algum produto ou substância. De acordo com a professora, o tratamento consiste na identificação e afastamento do agente causador. “A forma mais comum é a irritativa, porém a mais exuberante é a forma alérgica. Esta última tem alguns vilões clássicos, como o níquel, presente nas bijuterias, a parafenilenodiamina, nas tinturas de cabelo, e o cromo, no cimento e no couro, entre outros”, finaliza.

Texto originalmente publicado no boletim Conectar, edição 38, em 8/4/2014. Assine nossa newsletter: http://www.fcmsantacasasp.edu.br.

Descuidos na praia podem oferecer riscos à saúde

A temporada de verão resulta em praias lotadas, ainda mais no Brasil, com seu extenso litoral. Porém, alguns cuidados devem ser tomados para evitar sérios problemas de saúde. De acordo com a Dra. Marinella Della Negra, responsável pela disciplina de Moléstias Infecciosas Parasitárias da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, os principais danos ocorrem na pele, causados por fungos e bactérias, além de infecções por ingestão de alimentos contaminados.

“Entre as principais doenças de pele que podem ser contraídas na praia estão: micoses (frieiras) e larva migrans, conhecida também como bicho geográfico. Muitas pessoas costumam ir às praias e piscinas e não tirar o maiô, biquíni ou sunga molhados, depois que voltam para casa, o que facilita a proliferação de fungos e pode causar candidíase. Outra séria doença é a hepatite A, que pode ser adquirida pela ingestão de água contaminada”, afirma.

Segundo a especialista, o ambiente de praia é um facilitador para a proliferação de fungos e bactérias pelo alto calor e umidade. Outro fator de risco está na areia, que pode conter sujeira e fezes de animais.

“Ingerir alimentos na praia também pode ser muito perigoso. O calor compromete a conservação da comida, que fica mais propensa a estar infectada, podendo causar diarreia e até infecções mais sérias. O ideal é comer fora da praia, em lugares apropriados e que ofereçam segurança”, explica.

Para evitar esses problemas, a Dra. Marinella cita algumas recomendações:
– Não andar descalço na areia
– Não sentar no chão e em cadeiras de praia sem proteção
– Evitar ingerir água do mar
– Não comer alimentos na praia
– Não compartilhar objetos pessoais, como toalhas
– Procurar levar seus próprios objetos, como esteiras e cadeiras
– Após sair do mar, tomar banho com água limpa e secar o corpo, inclusive entre os dedos dos pés
– Não permanecer com as roupas molhadas
– Não frequentar praias, caso esteja com cortes na pele

Texto originalmente publicado no boletim Conectar, edição 33, em 28/1/2014. Assine nossa newsletter http://www.fcmsantacasasp.edu.br.