Aumento da procura pela fertilização assistida é resultado de mudanças no comportamento dos casais

A fertilização assistida possibilita que casais com dificuldades para engravidar possam gerar um filho, além de permitir a gestação para produções independentes e homoafetivas. A técnica in vitro consiste na junção de óvulos e espermatozoides, em um ambiente que simula o das trompas e, depois, são transferidos para o útero da mãe, onde irão se desenvolver.

Prof. Dr. Newton Eduardo BussoDe acordo com o Prof. Dr. Newton Eduardo Busso, coordenador do curso de pós-graduação em Infertilidade Conjugal e Reprodução Humana Assistida da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, uma das razões para o aumento da procura pela técnica é a mudança de comportamento dos casais, que estão decidindo ter filhos em uma idade mais avançada. “Hoje, verificamos que a mulher quer priorizar sua formação acadêmica e a evolução de sua carreira. Dessa forma, a decisão de engravidar é tomada em uma idade em que as chances são menores”, declara.

O especialista afirma que a média da primeira gravidez saltou dos 25 para os quase 30 anos. “Em linhas gerais, após os 35 anos, as chances de engravidar começam a diminuir, tanto espontaneamente quanto com os tratamentos. A média de sucesso para a fertilização in vitro é de 35% a 50%, índices que se reduzem depois desta faixa etária”, explica. Alguns dos comportamentos que também diminuem as chances de fertilização são: obesidade, consumo de álcool e cigarro, além de doenças sexualmente transmissíveis.

Para o professor, a doação e o congelamento de óvulos abrem novas perspectivas de gravidez para mulheres após os 40 anos de idade. “A mulher pode se preparar congelando seus óvulos em uma idade em que eles são mais ‘sadios’. Com isso, no futuro, ela poderá tentar engravidar ou até realizar uma produção independente com óvulos teoricamente melhores”, comenta.

O Dr. Busso reforça ainda que a tecnologia vem propiciando a gravidez a casais que, há alguns anos, não teriam a menor condição de gerar um filho. De acordo com o professor, “Quando se aumenta a possibilidade de um resultado positivo, automaticamente cresce o número de pessoas que buscam esse método. Segundo o médico, em um passado recente, homens que tinham um número muito baixo de espermatozoides não conseguiam ter filhos, nem com os tratamentos da época. “A nova técnica, que permite colocar um espermatozoide dentro do óvulo, fez com que esses homens tivessem essa possibilidade”, afirma.

Outra vertente da fertilização assistida é realizada para casais homoafetivos femininos e masculinos. O Dr. Busso cita também a gravidez independente, em que a mulher utiliza um banco de sêmen. “O homem também pode realizar a produção independente com o óvulo de uma doadora desconhecida, transferindo o embrião para o útero de uma parente sua para realizar a gestação. Isso é ético e legal”, finaliza.

Texto originalmente publicado no boletim Conectar, edição 25, em 4/9/2013. Assine nossa newsletter http://www.fcmsantacasasp.edu.br.

“Tenho orgulho de ser vinculado à Faculdade Santa Casa de São Paulo e à Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo”

Dr. Tsutomu AokiEsta declaração é do Dr. Tsutomu Aoki, professor adjunto de Ginecologia da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, que também atua como presidente da Comissão de Ética Médica da Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo e Chefe da Clínica de Infertilidade Conjugal da Santa Casa de São Paulo. Em entrevista ao Conectar, o Ex-Santa, fala sobre sua formação na Instituição de ensino e como o conhecimento adquirido é aplicado em sua carreira como professor e médico.

Conectar: O que o senhor pode relatar de sua graduação na Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de SP?
Dr. Aoki: Ingressei no curso de Medicina, em 1966, e me formei em 1972, na turma V. Tinha o sonho de ser médico e a Instituição me forneceu todos os subsídios para concretizá-lo. A Faculdade vinha com um projeto inovador, em que o aprendizado era realizado junto ao paciente. Foi a primeira a instituir o regime de internato para o quinto e sexto ano. Essa foi umas das razões da minha escolha, além, claro, de considerar a tradição da Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo.

Conectar: O que motivou o senhor a escolher o curso de Medicina?
Dr. Aoki: Quanto eu era adolescente li um livro chamado “A Cidadela”, do autor Archibald Joseph Cronin, que relatava a história de um médico que se formou em Londres e foi para o Norte da Grã Bretanha para trabalhar no campo. Como sou da cidade de Lins, localizada no interior de São Paulo, sempre me imaginei que como médico, na Faculdade Santa Casa de São Paulo, poderia aprender tudo sobre a área, retornar ao campo e trabalhar pela comunidade. Não fui para o interior, mas trabalho como se tivesse ido, em tempo integral na nossa Santa Casa.

Conectar: Como era atuar em uma época em que não existiam grandes recursos tecnológicos?
Dr. Aoki: Imagine que em 1972, ano de minha formatura, não existia nem ultrassonografia, cujo primeiro aparelho chegou a São Paulo no ano de 1973, nem ressonância magnética e endovascular. Iniciava-se a endoscopia ginecológica – laparoscopia, histeroscopia e salpingoscopia que, a partir de 1985, viria a ser a videoendoscopia, utilizada até os dias de hoje. Nessa época fui convidado a trabalhar na infertilidade conjugal. Ao longo desses 40 anos de carreira, tive a oportunidade de realizar quase todos os tipos de cirurgias de infertilidade e reprodução assistida, tendo o privilégio de acompanhar toda a evolução desse setor médico.

Conectar: Como é ser professor de uma Instituição em que o senhor foi aluno?
Dr. Aoki: Eu adoro estar em contato com os alunos e dividir com eles o que eu aprendi na Faculdade e em minha carreira. Quero reforçar que o atendimento médico não deve ser restrito somente do ponto de vista físico, mas também do emocional, do social e do espiritual. Eu estimulo os meus alunos a terem uma visão holística do paciente para o diagnóstico e conduta terapêutica. É assim que eu enxergo o exercer da Medicina. Tenho muito orgulho de ser vinculado à Faculdade Santa Casa de São Paulo e à Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo.

Conectar: Qual mensagem o senhor gostaria de deixar aos alunos da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de SP?
Dr. Aoki: Amanhã, serei cuidado por esses alunos, no sentido genérico. Todos eles devem ter a consciência de que estão em uma das melhores Faculdades do país. Para vencer na carreira, só depende da vontade individual, com dedicação total aos estudos, aos pacientes, especializando-se e ter paixão pelo que faz.

Texto originalmente publicado no boletim Conectar, edição 12, em 5/3/2013. Assine nossa newsletter:http://www.fcmsantacasasp.edu.br