Amidalite: doença inflamatória é comum na infância

Dr. Eitan Naaman Berezin, infectologista e professor da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.

Dr. Eitan Naaman Berezin, infectologista e professor da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.

A amidalite, inflamação de origem viral ou bacteriana que atinge as amídalas, é um problema frequente na infância e adolescência. Os sintomas mais comuns são febre, dor de cabeça, falta de apetite, dificuldade para engolir, entre outros. O tratamento depende do diagnóstico etiológico, mas grande parte das ocorrências de inflamação é causada por bactérias.

Na condição de amidalite bacteriana, o tratamento é feito à base de antibióticos específicos e deve seguir orientações médicas, uma vez que a suspensão do medicamento pode causar sequelas tardias. “O maior problema da amidalite estreptocócica são sequelas tardias pós-amidalite, como febre reumática, que pode afetar as articulações e o coração. Para a erradicação da bactéria, normalmente você precisa do tratamento por cerca de 10 dias”, afirma o Dr. Eitan Naaman Berezin, infectologista e professor da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.

Outro tratamento possível em casos de amidalite é a retirada das amídalas. De 2010 a 2014, segundo Ministério da Saúde, o Sistema Único de Saúde (SUS) realizou mais de 200 mil cirurgias de remoção desses gânglios linfáticos. Do total de amigdalectomia e adenoidectomia, 97% foram realizadas em jovens de zero a 19 anos. Porém, esse tipo de procedimento é adotado somente após avaliação médica e em casos de problemas crônicos. “Eventualmente, a indicação de retirada de amídalas ocorre quando elas estão com um volume muito grande e prejudicam a própria respiração da criança ou seu crescimento. Isso pode acontecer, mas não é tão relacionado à infecção, mas ao crescimento da estrutura linfóide”, afirma o professor.

Entre dois e oito anos, as crianças são foco maior de infecção, pois a amídala é um tecido linfóide que tem crescimento maior nessa faixa de idade. De acordo com o professor, algumas precauções podem ser adotadas na prevenção da amidalite como evitar aglomerações. Recomenda-se ainda que uma criança doente não vá à escola ou a uma festa, por exemplo, resguardando-se do contato com outras pessoas.

 Texto originalmente publicado no boletim Conectar, edição 65, em 5/5/2015. Assine nossa newsletter: http://www.fcmsantacasasp.edu.br.