Hipotireoidismo: doença autoimune está relacionada com fatores genéticos

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Dr. Osmar Monte, endocrinologista, professor titular e vice-diretor da FCMSCSP

O hipotireoidismo é uma deficiência na produção de um hormônio da tireoide, chamado tiroxina, que tem como principal função regular a velocidade do metabolismo energético, e na criança também controla o crescimento. A causa mais frequente do hipotireoidismo é a doença tireoidiana autoimune, conhecida como tireoidite de Hashimoto, uma inflamação da tireoide causada por um erro do sistema imune.

Apesar dos sintomas conhecidos, como o ganho de peso e a queda dos cabelos, segundo o Dr. Osmar Monte, endocrinologista, professor titular e vice-diretor da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, o hipotireoidismo é uma doença de insidiosa, com início muito lento, por isso, quando na fase inicial, a pessoa praticamente é assintomática, o que é um alerta para ter os exames em dia. “Os sintomas iniciais não são sugestivos. A pessoa pode sentir um pouco de sonolência, indisposição, o que são sintomas que várias situações podem acarretar”, explica.

A patologia é geralmente mais comum em mulheres e tende ser mais frequente à medida que as pessoas envelhecem. Além disso, de acordo com o Dr. Osmar Monte, existe outro grupo de risco para o hipotireoidismo. “Por se tratar de uma doença autoimune, existe herança familiar. Quem tem familiares com hipotireoidismo tem risco maior de desenvolver a deficiência”, afirma.

O diagnóstico do hipotireoidismo é feito pela história clínica, exame físico e a confirmação pelo exame laboratorial com a medida do TSH, seguida da medida do T4 livre. “Para se achar a etiologia, ou seja, a causa do hipotireoidismo, devemos também medir os anticorpos contra tireoide”, conta o endocrinologista. O tratamento da patologia é feito por meio da reposição da tiroxina. “O paciente diariamente toma uma dose de tiroxina de tal modo a se manter a função da tireoide em valores normais para sua faixa etária”, finaliza.

Texto originalmente publicado no boletim Conectar, edição 97, em 20/9/2016. Assine nossa newsletter:http://www.fcmsantacasasp.edu.br.

Disciplina de endocrinologia é vasta e requer sólido conhecimento dos alunos de Medicina

Dra. Nilza ScalissiO campo de atuação do endocrinologista é bastante amplo, uma vez que os hormônios regulam quase todas as funções orgânicas do nosso corpo. De acordo com a Profª Dra. Nilza Scalissi, chefe da disciplina de endocrinologia da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, a área engloba praticamente todas as frentes da clínica médica, pois as doenças que envolvem as glândulas endócrinas podem levar à disfunção do organismo.

“Um exemplo importante é o hipotireoidismo em crianças, que compromete o desenvolvimento do cérebro e pode resultar em sequelas pelo resto da vida. Na fase adulta, a doença tem potencial para causar a morte, pois interfere na capacidade do corpo de manter a temperatura, principalmente, em idosos”, diz a acadêmica.

A Dra. Nilza explica que muitas pessoas acreditam que a endocrinologia trata somente da obesidade. A especialista destaca que esta é apenas uma das patologias da área, porém uma das mais frequentes.

Segundo a professora, no curso de Medicina, a disciplina requer do estudante uma sólida base de conhecimento adquirida desde o primeiro ano da graduação. “Sem esse embasamento, ele não conseguirá acompanhar a matéria que é apresentada no quarto ano. O aluno deve conhecer embriologia, anatomia e fisiologia. Em endocrinologia, terá contato especificamente com as patologias e a farmacologia”, conclui.