Amamentar: “Um ato de amor”

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Mestra Lenir Honorio Soares

Parte natural da vida de muitas mulheres e seus filhos, o aleitamento materno ou a amamentação até o sexto mês de vida do bebê pode evitar, anualmente, mais de 1,3 milhão de mortes de crianças menores de cinco anos, de acordo com estudos publicados, em 2008, pela Lancet (revista científica do Reino Unido, uma das mais importantes publicações na área médica).

“O leite materno contém nutrientes necessários e em quantidades adequadas para o bebê. Na sua composição cerca de 150 substâncias diferentes se reúnem para oferecer energia, proteção, além de colaborarem no desenvolvimento e maturação de alguns sistemas como: imunológico, funcionando como uma vacina natural, que não substitui o calendário de vacinação, digestório e neurológico do recém-nascido”, explica a Mestra Lenir Honorio Soares, professora das disciplinas de Enfermagem Obstétrica e Ginecológica e coordenadora do curso de Pós-graduação em Enfermagem Obstétrica da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.

A especialista considera ainda que o leite materno, nos seis primeiros meses de vida da criança,atende às necessidades nutritivas do bebê e promove crescimento e desenvolvimento adequado, não sendo necessário introduzir nenhum outro alimento na dieta do bebê e que o ato traz também benefícios para a mulher como segurança, reduzindo a ansiedade, além de contribuir na recuperação do útero, fazendo com que o órgão tenha uma boa retração, diminuindo o sangramento e o risco de hemorragias e anemia pós-parto. “Também ajuda na redução do peso, queimando calorias, e minimiza o risco de desenvolver, no futuro, câncer de mama, ovários, doenças cardiovasculares e diabetes. E o mais importante é que a amamentação estabelece o vínculo afetivo entre a criança e a mãe”, completa Lenir que ressalta a importância da mulher manter uma dieta alimentar equilibrada durante o período da amamentação.

Desconforto e dor são as reclamações mais comuns entre as mães. “A dor é decorrente do abocanhar incorreto do bebê no ato. A solução é colocar o corpo da criança alinhado ao corpo da mãe, barriga com barriga. A pega correta significa colocar na boca do bebê o mamilo e o máximo possível da aréola, o queixo do bebê deve tocar a mama e o lábio inferior deve ficar virado para fora e as bochechas arredondadas, o famoso “boquinha de peixe”, e a sucção deve ser lenta e profunda”, ensina.

Quanto aos produtos indicados para ajudar na hora de amamentar, a professora é taxativa: “esses produtos se chamam amor e dedicação. As mães vão ter sucesso. Em casos de problemas como os descritos acima, elas devem ser acompanhadas por profissionais que assistem ao binômio mãe-filho, pois, muitas vezes, a manutenção da amamentação é o resultado da nossa boa atuação”, finaliza.

Texto originalmente publicado no boletim Conectar, edição 72, em 25/8/2015. Assine nossa newsletter: http://www.fcmsantacasasp.edu.br.

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Mitos e verdades que causam dúvidas sobre a higiene íntima

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Dra. Adriana Bittencourt Campaner

Ciente das inúmeras dúvidas que cercam as mulheres, a Dra. Adriana Bittencourt Campaner, professora da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo e médica do Departamento de Obstetrícia e Ginecologia da Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, diz o que é mito e verdade na hora de adotar cuidados quanto à higiene íntima correta. Confira!

Usar lenço umedecido para se limpar é melhor do que papel higiênico.

Verdade. O lenço umedecido, se for um produto dermatologicamente comprovado  e recomendado, traumatiza menos a região, ele pode ser usado para substituir o papel higiênico que pode conter corantes e causar irritações, além de retirar resquícios de sujeira e fezes.

Se limpar de “frente para trás” é melhor para evitar infecção de urina.
Verdade. O hábito previne infecções urinárias e genitais como o corrimento. Quando evacuamos e limpamos de trás para frente, podemos trazer alguns resíduos fecais para a uretra e a vagina, causando as infecções genitais.

A limpeza no banho é suficiente lavando apenas a parte externa da vagina.
Verdade. Não é recomendada a lavagem dentro do interior da vagina, pois o ato pode retirar os lactobacilos, bactérias defensoras, e desequilibrar a flora vaginal levando a infecções.

Ter corrimento é normal.
Mito. Temos que diferenciar o corrimento de uma secreção vaginal fisiológica que toda mulher tem. A vagina não é seca; ela tem umidade própria. Essa secreção varia de cor de acordo com as fases do ciclo menstrual, pode sair na roupa íntima e ficar discretamente amarelada. Para saber diferenciar do corrimento que está associado a uma bactéria, note se houve mudança da cor, se está acompanhado de cheiro, ardor e coceira.

Utilizar protetor de calcinha diariamente pode desencadear infecções.
Verdade. A anatomia genital é mais recolhida e fica normalmente abafada o que já propicia infecções urinárias e a proliferação de fungos e bactérias. O protetor impede mais a respiração da área íntima, aumentando a predisposição para proliferação de bactérias e talvez infecções. Uma dica, se a mulher não conseguir ficar sem, é optar, quando estiver fora do ciclo menstrual, pelo protetor que não tem a película plástica em baixo.

O uso de sabonetes específicos para a higiene íntima regula o pH da região.
Verdade. Os sabonetes íntimos, dermatologicamente testados  e comprovado​s​, têm o pH mais ácido que um sabonete comum, impedindo assim a proliferação de bactérias. Porém, ressalto que não é recomendado o uso diário, pois pode causar irritabilidade. O ideal é optar por utilizar em dias alternados ou de duas ou três vezes na semana.

É aconselhável a retirada de todos os pelos pubianos.
Mito. O pelo pubiano serve para proteção da vulva da vagina e a depilação pode causar pequenos machucados que permitem a entrada de bactérias; o ideal seria apenas aparar os pelos principalmente na região dos lábios vaginais. É importante saber que área possui glândula sudorípara apócrinas, parecida com as axilas, que podem causar maus cheiros, por isso a região deve sim receber a depilação adequada.

É indicado o uso de calcinhas de renda ou “lycra”, pois facilitam a ventilação da região.
Mito. É recomendado o uso de calcinhas de algodão ou de outro material, mas sempre com forro de algodão, pois permite maior arejamento da área genital.

Lavar a calcinha com sabão em pó e amaciante é o mais indicado.
Mito. O ideal é lavar a roupa íntima com sabonete neutro, e não utilizar produtos com muita química e perfume, pois podem causar alergias.

Perfumes ou talcos para a região íntima podem desenvolver tumores.
Não podemos afirmar se é mito ou verdade. Há estudos que apontam que o uso destes produtos causa problemas alérgicos. No entanto, há estudos que apontam casos em que algumas mulheres desenvolveram câncer de ovários ao utilizar talcos, por exemplo.  O que podemos afirmar é que o ideal é evitar a utilização de substâncias irritativas na região da vulva.

Piercing e tatuagem íntima não causam problemas.

Mito. As mulheres deveriam evitar a aplicação de piercings e a realização de tatuagem na região genital, pelo risco de lesão de pele e infecção.

Texto originalmente publicado no boletim Conectar, edição 71, em 11/8/2015. Assine nossa newsletter: http://www.fcmsantacasasp.edu.br.