Cuidadores de idosos: estamos preparados para essa função?

Há algumas décadas as famílias tinham como principal foco o cuidado e a educação dos filhos que seriam seus herdeiros e continuadores.

Nos últimos anos com o acelerado processo de envelhecimento populacional as famílias se defrontaram com uma nova situação para a qual não estavam preparados por absoluta falta de experiência familiar com o assunto: como cuidar dos pais e avós que agora vivendo mais passam a apresentar diversas doenças crônicas degenerativas que limitam muito sua autonomia tornando-os dependentes de cuidados e atenção especial para manterem um mínimo de qualidade de vida.

As famílias com situação econômica adequada resolveram esse “problema” contratando cuidadores profissionais, cuja formação para essa nova função muitas vezes é duvidosa.

Esse fato tem feito com que não raramente surjam notícias de maus tratos a idosos por pessoas sem o devido preparo para essa função.

Por outro lado, a maior parte das famílias que não pode contratar cuidadores profissionais está tendo que aprender com a prática, como cuidar desses idosos, com grandes dificuldades e consequências para suas estruturas familiares.

É frequente sermos procurados nos consultórios por pessoas estressadas e com diversos problemas de saúde causados por jornadas exaustivas e muitas vezes sem apoio de outros familiares, nos cuidados de idosos doentes e incapacitados com os quais vivem.

Essa é uma realidade que só vai crescer, pois o processo de envelhecimento populacional é um fato irreversível e com a vida cada vez mais longa teremos cada vez mais idosos para cuidarmos e com o mesmo carinho com que fomos criados quando éramos crianças.

Para que isso deixe de constituir um problema e torne-se uma nobre missão precisamos estar preparados adotando algumas atitudes fundamentais e urgentes, como:

Entender que a pessoa idosa que hoje depende de nós foi quem nos apoiou, educou e preparou para a vida adulta.

Entender que não é só de atenção física que necessitam, mas também de uma atenção essencial que é o carinho e apoio emocional que nenhum cuidador profissional pode dar como um filho ou neto.

Procurar cursos ou informações técnicas para estar adequadamente preparados para essa missão.

Partilhar esse trabalho com todas as pessoas da família evitando sobrecarregar uma só dos familiares que acabará neutralizando sua vida e adoecendo.

Pensem sobre isso e lembrem-se que existe uma grande probabilidade de você ser um desses idosos no futuro.

Antonio Monteiro, médico preventivista e clínico geral, é formado pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.

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Envelhecimento da população exige preparação de instituições de ensino em saúde

É fato que o crescimento da população idosa no Brasil começa a impactar o mercado de saúde nacional. O aumento na qualidade e expectativa de vida dos brasileiros está aumentando a quantidade de habitantes idosos de maneira exponencial, o que exige conhecimento, formação e preparação dos profissionais que atuam com a saúde e tratamento dessas pessoas.

De acordo com matéria publicada no jornal o Estado de São Paulo, que contou com participação dos professores e alunos da FCMSCSP, apenas 42% das instituições de ensino em medicina oferecem algum conteúdo voltado ao estudo da geriatria. Na mesma matéria, o jornal mostra alguns números do IBGE, afirmando que no ano de 2050, cerca de 30% da população terá mais de 60 anos, o que mostra uma discrepância entre esses números.

Diferentemente de outras instituições, a FCMSCSP oferece disciplinas eletivas e obrigatórias que contemplam a geriatria e saúde dos idosos em todos os seus cursos. Além das disciplinas propriamente ditas, que trabalham o lado pedagógico e aprendizagem técnica dos alunos, a Faculdade tem uma série de iniciativas que coloca esse ensino em prática, atividades como a Caravana da Saúde e participação na Feira da Saúde, são exemplos de como colocar os alunos de todos os cursos de graduação em contato com o público idoso.

Para explicar os cuidados educacionais que cada área está tendo com a 3ª Idade, o Conectar convidou alguns docentes da FCMSCSP para contar um pouco do trabalho com os alunos nesta área e como a instituição está preparando os futuros profissionais da saúde para essa demanda cada vez mais crescente.

Enfermagem

Hoje o curso de Graduação em Enfermagem trabalha de maneira integrada e por isso o conteúdo de saúde do idoso permeia várias disciplinas do curso, desde o início da formação dos alunos de Enfermagem até sua formação e pós-graduação.

Segundo a professora Rosemeire dos Santos Vieira, especialista em assuntos ligados à saúde do idoso, ‘no primeiro semestre o aluno cursa a disciplina “Fundamentos em Saúde Coletiva”, na qual são abordadas as principais demandas e vulnerabilidades da população em geral, inclusive dos idosos. Em Semiologia e Semiotécnica, as especificidades dos idosos também são consideradas’.

De acordo com a professora, além das matérias que trabalham o assunto de maneira integrada, a graduação em Enfermagem hoje oferece disciplinas específicas nesta área, como as disciplinas de Enfermagem Médico-Cirúrgica na Saúde do Adulto/Idoso, Enfermagem em Centro Cirúrgico e Centro de Material, Enfermagem em Doenças Transmissíveis e Enfermagem Psiquiátrica na Saúde do Adulto/Idoso, Nutrição Aplicada à Saúde do Adulto e Idoso. Todas essas disciplinas são obrigatórias no currículo dos graduandos em enfermagem.

Fonoaudiologia

No curso de Graduação em Fonoaudiologia, os princípios são os mesmos. Atualmente durante a graduação, há uma disciplina específica coordenada por um médico geriatra que trata de questões abrangentes da gerontologia e geriatria.

Além desse conteúdo voltado exclusivamente aos idosos, de acordo com a Professora Cristiane Messas, especialista no assunto, durante o curso de Fonoaudiologia as especificidades relacionadas aos idosos são tratadas em cada módulo individualmente, por exemplo: na disciplina que trata de distúrbios da comunicação são dedicadas aulas específicas para tratar das questões peculiares dos idosos neste tema, assim acontece com as outras temáticas do Curso (voz, motricidade oral, audição, e outras).

Para a Prof.ª Cristiane, os obstáculos vão além das disciplinas em si: ‘na minha visão, o desafio é fazer os graduandos pensarem no envelhecimento como uma fase natural da vida. Transformações clínicas e psicológicas são normais, por isso, o aluno deve entender que essas mudanças não são doenças, embora muitas vezes exijam atenções de profissionais de saúde.

Texto originalmente publicado no boletim Conectar, edição 125, em 13/4/2018. Assine nossa newsletter: http://www.fcmsantacasasp.edu.br. 

Geriatria tem amplo mercado de atuação para os especialistas

Atualmente, no país, os idosos correspondem a 11,34% da população, ou seja, 22,9 milhões de pessoas, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Além disso, segundo a entidade, a perspectiva é de que esse número mais que triplique nos próximos 20 anos. Por conta deste cenário, a especialização em Geriatria tem se tornado cada vez mais requisitada no Brasil. Porém, a quantidade de profissionais ainda é insuficiente, pois dados do Conselho Federal de Medicina (CFM) revelam que existe uma média de apenas um geriatra para cada 20 mil idosos, em todo território nacional.

Dr. Milton Gorzoni, professor adjunto de Clínica Médica da FCMSCSP

Dr. Milton Gorzoni, professor adjunto de Clínica Médica da FCMSCSP

“Em função dos avanços científicos e da maior longevidade da população, o mercado para médicos que pretendem atuar em Geriatria é amplo. Inclusive, esta necessidade contribuiu para reformular a grade curricular do curso de Medicina. Na Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, por exemplo, em 2015, esta matéria deixará de ser optativa e passará a ser obrigatória”, afirma o Dr. Milton Gorzoni, professor adjunto de Clínica Médica da FCMSCSP.

Após concluir a graduação, os alunos que desejam seguir esta carreira precisam fazer duas residências: primeiramente, em clínica médica, para ter uma visão geral da Medicina, e depois em Geriatria, para compreender a saúde do idoso. Ambas têm duração de dois anos.

“Esta área requer um cuidado redobrado no atendimento. É preciso avaliar quais remédios o paciente toma, quais são as contraindicações, e se a prescrição de dois ou mais medicamentos irá interferir e causar um novo sintoma”, declara o professor.

Medicina preventiva

Outro aspecto relacionado à saúde do idoso diz respeito à prevenção de doenças, ou seja, na busca por um envelhecimento saudável. “O ideal é que, aos 40 anos, as pessoas já se conscientizem e procurem um clínico geral para fazer um check-up, cujo objetivo é verificar se não há fatores de risco que resultem no desenvolvimento de doenças crônicas. Exames para aferir a pressão, verificar as taxas de colesterol e diabetes, entre outros, passam a ser fundamentais”, esclarece o especialista.

Para as mulheres, é essencial a realização da mamografia anual e, no caso dos homens, o exame de próstata. “Trata-se de uma avaliação pré-geriátrica. Somado a isso, é preciso manter uma boa alimentação, com uma dieta equilibrada, evitar o consumo excessivo de álcool, e não fumar. Sobretudo, a prevenção é a melhor maneira de manter a independência do idoso em suas atividades cotidianas”, finaliza o Dr. Gorzoni.

Texto originalmente publicado no boletim Conectar, edição 51, em 7/10/2014. Assine nossa newsletter:
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Dia de Atenção ao Trauma chega à sua 10ª edição

No dia 6 de novembro aconteceu a 10ª edição do Dia de Atenção ao Trauma – Dia T, evento realizado anualmente pelo Avisa (Núcleo de Acidentes e Violência da Santa Casa de São Paulo). O evento contou com a presença de profissionais da área da saúde, alunos da FCMSCSP e de outras Instituições. Foram 18 cursos, com 3 convidados internacionais, 90 convidados nacionais e mais de 1600 participantes. O encontro fez parte da Semana do Trauma, iniciativa inédita com objetivo de englobar todos os aspectos relacionados à temática do evento, apresentando perspectivas das diferentes profissões e especialidades que atendem as vítimas de trauma.

De acordo com Renato Pescarolo Zan, professor do departamento de Medicina Social da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo e presidente do Avisa, o Dia de Atenção ao Trauma pautou a implantação do Sistema de Trauma, o atendimento à Catástrofes e Múltiplas Vítimas, o Ensino ao traumatizado no país, as formas de atuação, além de abordar o problema no contexto mundial.

“Essa temática é de interesse para todos os profissionais que, de alguma forma, atuam na emergência e no pronto atendimento. Em 2010, aconteceram, no Brasil, 145 mil mortes decorrentes de trauma. Foram 390 ocorrências por dia e 16 por hora. Para cada morte, há 4 sequelados e dezenas de internações. No evento, focamos a qualidade do atendimento, reforçando que o melhor tratamento é a prevenção”, diz.

Segundo o professor, as apresentações contaram com profissionais de áreas como: cirurgia, ortopedia, terapia intensiva, neurocirurgia, pediatria, geriatria, e de especialistas em acidentes do trabalho e traumas da face. São consideradas traumas lesões internas decorrentes da troca de energia entre o meio externo e o corpo. As causas mais frequentes são os acidentes de tráfego, quedas e a violência interpessoal, apresentando características próprias, acometendo vários órgãos, o trauma está presente em todas as idades e diferentes níveis de gravidade.

Em 2013, ao lado da data memorável dos 50 anos da fundação da FCMSCSP, acrescenta-se mais uma década de atividades do Avisa. O núcleo conta com o apoio da FCMSCSP e da Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo e realiza reuniões, publicações, congressos e parcerias com instituições privadas e públicas.

“A nossa missão está embasada em congregar os profissionais e serviços de saúde da Santa Casa de São Paulo e instituições afins, promover e manter a disseminação de ações de prevenção, diagnósticos, terapêutica, reabilitação e de reinserção social das vítimas. Além disso, queremos desenvolver a adoção de comportamentos e de ambientes seguros e saudáveis com mobilização da sociedade e da mídia, monitorar a ocorrência de acidentes e violências e apoiar as atividades científicas”, finaliza.

Texto originalmente publicado no boletim Conectar, edição 30, em 13/11/2013. Assine nossa newsletter http://www.fcmsantacasasp.edu.br.

Semana de Atenção ao Trauma: participe e atualize-se

A  Semana de Atenção ao Trauma da Santa Casa de São Paulo, um dos eventos da programação comemorativa dos 50 anos da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, será realizada entre os dias 2 e 10 de novembro de 2013. Para consultar a programação e fazer a sua inscrição, consulte o site do evento, clicando aqui.

Semana de Atenção ao Trauma 02a10112013 Faculdade Santa Casa de SP em breve

Atenção ao Trauma: evento oferece diversos cursos na área

Entre os dias 2 e 10 de novembro, será realizada a Semana de Atenção ao Trauma da Santa Casa de São Paulo, um dos eventos da programação comemorativa dos 50 anos da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. O encontro prevê a realização de cursos das diferentes profissões e especialidades que atendem traumatizados e tem o apoio da Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo e da FCMSCSP.

Semana de Atenção ao Trauma - Faculdade Santa Casa de SPDe acordo com o Dr. José Gustavo Parreira, coordenador da Semana de Atenção ao Trauma, o atendimento ao traumatizado é uma função diária de todos os médicos que trabalham em serviços de emergência e pronto-socorros. Somente em 2010, mais de 143 mil vítimas de trauma morreram no Brasil, o que corresponde a, aproximadamente, 392 mortes por dia e 16 por hora. Para consultar a programação e fazer a sua inscrição, consulte o site do evento, clicando aqui.

Importância da disciplina de Geriatria acompanha envelhecimento da população mundial

Dr. Milton Luiz Gorzoni - FCMSCSPDe acordo com o IBGE, 7,4% da população brasileira é idosa, isso representa 14,9 milhões de pessoas. Em 2060, serão 58,4 milhões, ou seja, 26,7% da população do país. O aumento do número de pessoas na terceira idade é uma das razões da importância da disciplina de Geriatria, é o que explica o Dr. Milton Luiz Gorzoni, professor adjunto do departamento de Clínica Médica da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.

“A disciplina de Geriatria ainda é optativa, porém, a partir de 2015, fará parte da grade curricular do curso de Medicina. Isso vai ao encontro do envelhecimento da população mundial”, diz.

Segundo o Dr. Gorzoni, a disciplina visa, primeiramente, orientar e formar o aluno para que ele possa reconhecer doenças e situações peculiares dos idosos. O objetivo é minimizar o grau de dependência de outras pessoas e ainda colaborar para que tenham uma vida mais saudável.

“Sempre citamos que a área engloba os cinco ‘is’, que são doenças relacionadas ao: intelecto, imobilidade, instabilidade, incontinência e iatrogenia, que é o uso excessivo de remédios”, fala o especialista.

O professor conta ainda que existe uma carência de geriatras no Brasil. “O país possui 5.570 municípios, e o número de profissionais na área está por volta de 1.000. Precisamos de mais pessoas atuando neste setor”, finaliza.

Texto originalmente publicado no boletim Conectar, edição 26, em 17/9/2013. Assine nossa newsletter http://www.fcmsantacasasp.edu.br.