Ex-Santa: Dr. Luiz Arnaldo Szutan relata sua trajetória acadêmica e profissional

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Dr. Luiz Arnaldo Szutan, chefe do Departamento de Cirurgia da FCMSCSP e da  ISCMSP

Dr. Luiz Arnaldo Szutan é formado pela 8ª Turma do curso de Graduação em Medicina da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Especializou-se em Cirurgia Gastroenterologia, na área de atuação de cirurgia do fígado. Foi diretor do curso de Graduação em Medicina da FCMSCSP entre 2008 e 2011 e atualmente é chefe do Departamento de Cirurgia da Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo e da FCMSCSP.

Conectar: Como você decidiu seguir a carreira na área médica? E quais os motivos o levaram a estudar na Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo?
Dr. Szutan: Na verdade, sempre ficamos nos perguntando por que acabamos gostando da Medicina. Algo que me recordo, que talvez tenha tido certa influência, foi o fato de o meu pai, entre a minha infância e a adolescência, ter precisado operar quatro vezes. Ele operou de hérnia, de apendicite e de cálculo do rim. E naquele contato com o ambiente médico, eu me impressionei. Desde os meus 16 anos, eu estava determinado a cursar Medicina. Eu escolhi estudar na Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo porque a FCMSCSP, já naquela época, tinha um conceito muito alto entre as faculdades de Medicina. Quando prestei vestibular, eu passei em outra faculdade, mas optei por iniciar meus estudos na Santa, já que eu tinha uma preferência indiscutível por ela. Foi uma opção para mim, obviamente, muito interessante. Ao longo da vida, eu me tornei muito satisfeito por essa escolha.

Conectar: O que te motivou a escolher a área de cirurgia como especialização?
Dr. Szutan: A faculdade é basicamente subdivida em três etapas: a primeira chamada de cadeiras básicas, em que o aluno cursa o 1º, 2º e parte do 3º ano, depois vem as cadeiras clínicas, com aulas teóricas, e o internato por último. O internato no Departamento de Cirurgia, de alguma maneira, já me despertava certo entusiasmo e os professores me impressionaram muito. Na minha época, o Departamento era subdividido em cinco áreas, já que a visão da prática da cirurgia era um pouco mais generalista do que é hoje. Nós tínhamos professores como o Dr. Álvaro Dino de Almeida, Dr. João Fava, o Dr. Fares Rahal, o Dr. Peretz Capelhuchnick. Eles me impressionavam demais, a figura do cirurgião me impressionava muito. Também, quando eu estava no 2º ano do curso, tive uma oportunidade interessante na aula de Anatomia. Os professores Dr. Nelson Barbano e o Dr. Dario Romani me convidaram para entrar em um centro cirúrgico. Eu achei a experiência marcante e que certamente me motivou a escolher a área de cirurgia como especialização.

Conectar: Qual era sua matéria favorita? De que forma a Faculdade Santa Casa de São Paulo contribuiu para a sua profissão?
Dr. Szutan: Eu acredito que, de alguma maneira, nós acabamos por valorizar as questões de uma maneira assimétrica. Obviamente que em uma matéria chamada “pré-clínica”, os temas ligados à Gastroenterologia foram assuntos que me interessaram prevalentemente. Já na cadeira básica, eu me envolvi muito com a questão anatômica, já que existe uma relação muito grande entre cirurgia e anatomia.

Conectar: Alguma lembrança marcante de sua turma?
Dr. Szutan: Eu sou da 8ª Turma e alguns dos colegas ainda estão aqui na FCMSCSP como professores. Além disso, a minha turma se reúne de uma maneira sistemática a cada cinco anos e, eventualmente, a cada ano. Histórias entre a turma nós temos centenas. Esse período de passagem pela Faculdade, do relacionamento com colegas e professores, é muito marcante. A convivência com a área médica, a familiaridade com a Santa, o amor à Faculdade, tudo isso marca. A faculdade é a segunda maior relação que as pessoas têm depois da família. Na minha turma, quando nós nos encontramos, realmente é como se tivéssemos uma grande família entre os alunos da 8ª Turma.

Conectar: Quais são as maiores gratificações da sua vida profissional?
Dr. Szutan: As pessoas correlacionam sucesso profissional ao resultado econômico-financeiro. Inquestionavelmente, acredito que a maior retribuição vem da relação médico-paciente e da relação médico-médico. Este é um ambiente de extrema amizade. Nós não percebemos, mas é extremamente entusiasmante quando você estabelece um nível de relação com seus pacientes, com seus colegas de profissão. Isso é muito gratificante.

Conectar: Quais dicas você daria para os estudantes de medicina?
Dr. Szutan: A principal dica que eu dou é: procure se diferenciar dentro da faculdade. Se posicione como um dos alunos mais dedicados, mais estudiosos e se forme em uma boa residência. Na residência, procure se dedicar para se diferenciar dos demais e, depois de formado, continue com a educação médica, buscando adquirir sempre novos conhecimentos. Dedicar-se, fazer estágios internacionais – que inclusive são oferecidos pela FCMSCSP – e envolver-se com um nível diferenciado da prática médica, faz toda a diferença.

Texto originalmente publicado no boletim Conectar, edição 92, em 12/7/2016. Assine nossa newsletter: http://www.fcmsantacasasp.edu.br.

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Dra. Andrea Vieira explica mitos e verdades sobre a gastrite

Ao contrário do que muitos pensam, dores no estômago, azia, dificuldade de digestão, enjoo e vômito não são sintomas comuns no paciente com gastrite. Muito confundida com a indigestão (dispepsia) e doença do refluxo – desconforto após a alimentação – é, de forma geral, uma inflamação da mucosa do estômago que provoca algum tipo de sintoma em apenas 20% dos pacientes. Porém, uma diversidade de manifestações é inadvertida e frequentemente atribuída à gastrite.

Dra. Andrea Vieira, professora instrutora de Gastroenterologia da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo

Dra. Andrea Vieira, professora instrutora de Gastroenterologia da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo

Segundo a Dra. Andrea Vieira, professora instrutora de Gastroenterologia da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, isso acontece por desinformação. “Muitas vezes, o paciente já chega ao consultório dizendo que tem gastrite. Isso porque acha que comeu algo muito gorduroso, ou está em alguma situação de pressão cotidiana. Isso não é verdade. A inflamação não tem relação direta com alimentação”, explica.

Outro “mito” esclarecido pela professora é a denominação “gastrite nervosa”. Segundo ela, esse termo está incorreto, já que o mal não pode ser resultado de uma alteração psicológica do dia a dia.

Apesar da definição basear-se na histologia, na prática, o diagnóstico é feito pelo clínico e/ou endoscopista. A disfunção é classificada como: crônica e a aguda. A crônica é resultado de infecção pela bactéria H. Pylori cuja transmissão é fecal-oral que ocorre preferencialmente na infância e tem alta prevalência no Brasil e, raramente, por origem autoimune, que corresponde a apenas 2% das gastrites crônicas. A aguda ocorre por diversas causas, entre elas, consumo excessivo de bebidas alcoólicas, drogas (anti-inflamatório não hormonais, quimioterápicos, corticosteroide), toxinas, bactérias, vírus, fungos, politrauma, sepse, choque, isquemia, queimadura extensa. Existem ainda causas mais raras: tuberculose, sífilis, doença de Crohn e sarcoidose.

O tratamento do distúrbio é feito por meio de remédios que procuram dar uma estabilidade para o estômago, como os hipossecretores, aliado a uma alimentação balanceada e livre de gordura e temperos muito fortes que levam a distensão gástrica. “A forma de cuidar depende muito da causa. Se for por álcool ou anti-inflamatório, o paciente precisa suspender o uso das substâncias. Mas, quando o medicamento que provoca a lesão não pode ser retirado da pessoa, são usados em conjunto, outros fármacos que procuram restabelecer o estômago. Se for pela bactéria, deve-se erradicá-la”, afirma a professora.

Apesar de a alimentação não estar totalmente ligada ao desenvolvimento da gastrite no organismo, a dica da Dra. Andrea é sempre mantê-la balanceada e privilegiar o consumo consciente de bebidas alcoólicas.

Texto originalmente publicado no boletim Conectar, edição 52, em 21/10/2014. Assine nossa newsletter:
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Dr. Claudio Fiocchi em palestra na FCMSCSP sobre doenças crônicas

Dr. Claudio Fiocchi, ex-aluno da 1ª turma da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São PauloNo próximo dia 18 de outubro, sexta-feira, das 8h às 9h, a Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo receberá o Dr. Claudio Fiocchi, ex-aluno da primeira turma de Medicina, que irá proferir a palestra “Doenças Crônicas: o Preço da Evolução Humana”. O encontro faz parte da grade de eventos comemorativos dos 50 anos de fundação da FCMSCSP.

Dr. Claudio Fiocchi é professor de Medicina Molecular na Cleveland Clinic Lerner College of Medicine e no Departamento de Patobiologia no Lerner Research Institute. Integra também a equipe do Departamento de Gastroenterologia e Hepatologia no Digestive Disease Institute da Cleveland Clinic Foundation, em Cleveland, nos EUA. Atualmente o Dr. Fiocchi ocupa uma posição de destaque na Cleveland Clinic, sendo o titular da cadeira “Clifford and Jane Anthony” em doenças digestivas. Trata-se de uma posição em que o titular é reconhecido pelo alcance do trabalho desenvolvido e pela promoção de atividades de pesquisa e programas educacionais.

Entre os vários reconhecimentos do seu extenso currículo internacional, o Dr. Fiocchi foi Professor Visitante na Harvard Medical School, recebeu os prêmios “Henry Janowitz” da Crohn’s & Colitis Foundation of America e “International Herbert Falk” da Fundação Alemã Falk pela dedicação ao estudo das doenças inflamatórias intestinais, e é membro honorário da Academia Brasileira de Medicina.​

O evento será realizado nos auditórios Paulo A. Ayrosa Galvão e Emilio Athié, na Rua Dr. Cesário Motta Jr., 112, Vila Buarque, São Paulo (SP).