FCMSCSP e ISCMSP participam da 4ª edição da Caminhada do Silêncio  

Cilmara Levy

Prof.ª Dra. Cilmara Levy

Promovida e realizada pela Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo com o apoio da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, a 4ª edição da Caminhada do Silêncio será realizada no dia 27 de setembro, domingo, no Parque Villa-Lobos.  Em comemoração ao Dia Nacional do Surdo, celebrado em 26 de setembro, o evento destaca o aumento da inserção do surdo na sociedade, o respeito e o fim do injustificado estigma da incomunicabilidade do surdo. “Nossa luta é para que acabe o preconceito social contra o surdo, que faz com que ele não queira usar aparelho ou sinta-se constrangido de trocar a pilha do aparelho em público, ou ainda que algumas mães sintam despreparadas com a chegada de um filho surdo, achando que ele jamais será independente”, explica a Prof.ª Dra. Cilmara Levy, do curso de Graduação em Fonoaudiologia da FCMSCSP e coordenadora da Caminhada do Silêncio.

Com início às 8h30, no portão principal do Parque Villa-Lobos, a caminhada de 3km terá largada às 9h00. Destinado às pessoas com deficiência auditiva, familiares, amigos, profissionais da área da saúde e todos que desejam participar, o evento contará com a  superstar Duda, boneca adaptada com “ouvido biônico”, que capta o volume dos tocadores de música e faz a medição dos decibéis. O objetivo é realizar uma campanha que alerte as pessoas sobre os prejuízos de ouvir música, por meio de fones de ouvidos, com o volume exageradamente elevado causam à audição. “Independentemente da forma de comunicação, oral ou por língua de sinais, este evento quer ouvir os gritos, silenciosos ou não, de surdos, familiares, amigos e profissionais de saúde”, conclui a professora.

Serviço:
4ª Caminhada do Silêncio
Onde: Parque Villa-Lobos (Avenida Professor Fonseca Rodrigues, 2001)
Quando: 27 de setembro, domingo, a partir das 8h30
Informações: cilmaralevy@uol.com.br
Facebook/caminhada do silencio

Egressa da 1ª turma do curso de Graduação em Fonoaudiologia da FCMSCSP relata sua trajetória

Thays-Vaiano

Thays Vaiano

Ex-aluna da 1ª turma do curso de Graduação em Fonoaudiologia da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, Thays Vaiano é mestra em Distúrbios da Comunicação Humana, especialista em Voz pelo Conselho Federal de Fonoaudiologia (CFFa) e, hoje, atende intérpretes em mais de 16 escolas em São Paulo e no Rio de Janeiro. A ex-Santa criou a Ativox Fonoaudiologia, empresa responsável por atendimentos clínicos, corporativos e artísticos para preparação vocal de elencos de teatro, TV e cinema na área de voz, saúde e comunicação, sendo que acaba de ser responsável por realizar a preparação vocal do elenco do filme sobre a vida do lutador José Aldo do MMA (UFC), interpretado por José Loreto, previsto para estrear em 2016 nas telonas. Confira um bate-papo com a egressa.

Conectar: Por que escolheu Fonoaudiologia?
Thays: A cada trabalho novo eu descubro novas razões que me levaram para a Fonoaudiologia, mas o grande motivo foi a voz. Sempre fui apaixonada por música e por cantar. Quando saí do colégio, não sabia direito o que queria fazer e fui para o cursinho. Em uma das minhas aulas, meu professor estava rouco e disse para não estranharmos que uma fonoaudióloga iria entrar em nossa sala para avaliar o uso de sua voz. Naquele momento, pensei: “Olha só, uma pessoa que trabalha com voz”. Após conversar com alguns orientadores do próprio cursinho, optei pela profissão.

Conectar: Quais critérios lhe ajudaram na escolha da FCMSCSP?
Thays: A marca é muito forte e, ainda que estivesse entrando na primeira turma de um curso desta Instituição, tive a certeza de que estava apostando em um curso de qualidade. Havia passado em outros vestibulares e, inclusive, já havia me matriculado em outra faculdade, mas quando entrei na FCMSCSP e vi aqueles corredores de tijolinhos da Santa Casa, senti uma energia indescritível e tive a certeza de que era naquele lugar que eu queria me formar.

Conectar: Pode nos contar um pouco da sua experiência como aluna da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo?
Thays: Minha experiência foi especial e inesquecível, já que a FCMSCSP nos forma não somente como profissionais, mas como humanos. Tive oportunidade de conviver com a realidade brasileira, de entender a diferença entre tratar uma doença e tratar uma pessoa. Tenho certeza que qualquer pessoa que passa pela Instituição sai mais humanizada, por isso, até hoje, quando sei que determinado profissional foi formado pela Faculdade, confio plenamente em sua capacidade técnica e humana.

Conectar: Poderia dizer de que maneira o curso contribui para o seu crescimento profissional?
Thays: O curso é muito rico. Temos o grande privilégio de ter um hospital como a Santa Casa à nossa disposição e professores altamente qualificados em todas as áreas, inclusive uma clínica para atendimentos. Sendo assim, a possibilidade de ter aulas com professores conceituados e ter uma estrutura para aplicar na prática tudo que vemos em sala, fez e faz toda a diferença no curso da FCMSCSP.

Conectar: Que conselhos daria para quem deseja cursar Fonoaudiologia?
Thays: A minha dica é para quem vai escolher qualquer profissão: procure trabalhar com algo pelo qual você sinta paixão. Todas as profissões têm obstáculos e só a paixão é capaz de te manter motivado e focado em seus objetivos. O retorno financeiro nem sempre é rápido, mas ele vem, desde que você acredite que pode fazer a diferença na vida das pessoas e trabalhe para isso. Fonoaudiólogos lidam com a maior riqueza do ser humano que é a comunicação, mas poucos têm essa consciência. Nossa profissão é muito linda, muito ampla e extremamente gratificante.

Confira aqui no Blog FCMSCSP o complemento desta entrevista, em que a ex-aluna relata os desafios na carreira e o relacionamento que mantém com a Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.

Texto originalmente publicado no boletim Conectar, edição 73, em 9/9/2015. Assine nossa newsletter: http://www.fcmsantacasasp.edu.br.

Dislexia: condição especial que precisa de atenção durante toda a vida

Dra. Ana Luiza Navas

Dra. Ana Luiza Navas

Albert Einstein, Orlando Bloom, Pablo Picasso, Steve Jobs, Steven Spielberg, Tom Cruise, Walt Disney, Will Smith e Whoopi Goldberg são alguns exemplos de personalidades diagnosticadas com dislexia. “Sendo um transtorno genético e hereditário de linguagem, a dislexia atinge, cerca de 4% da população mundial. Possivelmente, mais de 50% da população disléxica não foi diagnosticada. Muitos pais trazem os filhos para avaliação e começam a se identificar ao perceber o desempenho dos filhos nos testes fonoaudiológicos. E essa é uma condição que acompanha a pessoa por toda a sua vida. A terapia fonoaudiológica e o acompanhamento psicológico ajudam muito, mas é necessário criar estratégias para lidar com ela”, explica a Dra. Ana Luiza Navas, diretora e professora do curso de Graduação em Fonoaudiologia da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo e membro do Núcleo de Acessibilidade Institucional (NAI) da Faculdade.

Núcleo de Acessibilidade Institucional (NAI)
O Núcleo, constituído por uma comissão coordenada pela Dra. Wilze Laura Bruscato, psicóloga e professora da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, assiste alunos com mobilidade reduzida, deficiências visuais, auditivas e condições como a dislexia, que se enquadra na mesma categoria dos Transtornos Específicos de Aprendizagem, Transtornos de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), entre outros. “O núcleo analisa, atende e encaminha para diagnósticos os alunos que precisam de adaptações especiais para fazer o curso. É uma determinação do Ministério da Educação (MEC) que as Instituições de Ensino Superior tenham um núcleo, mas cada faculdade decide como vai receber e aplicar a assistência aos alunos, e quais serão contemplados”, completa a Dra. Ana Luiza.

Processo seletivo
Na FCMSCSP, ao se candidatar a um processo seletivo há como mencionar a necessidade de realizar a prova de acordo com a condição do candidato. “Por exemplo, em caso de dislexia, a prova pode ser realizada de forma oral ou o aluno pode solicitar o auxílio de um ledor para ler as questões da prova, além disso, esse aluno tem um tempo extra, em geral 25% a mais que o tempo normal, para fazer a prova e redação”, esclarece a Dra. Ana Luiza.
Para o processo seletivo do curso de Graduação em Medicina, realizado pela Fuvest, os candidatos recebem a mesma opção para fazer a prova. “No Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), também existe essa possibilidade. Esse método se faz necessário, pois a dificuldade na leitura é parte do quadro clínico dos disléxicos, logo, eles têm certa desvantagem em perguntas, por exemplo, com um enunciado muito grande. Tivemos uma aluna que declarou o problema e contou com o auxílio de um ledor e na redação ela obteve mais tempo para redigir. Não é que não tenham conhecimento para responder, mas demoram mais tempo para ler”, complementa a Dra. Ana Luiza.

Acompanhamento durante o ano letivo
A Dra. Ana Luiza ressalta ainda que muitos alunos nem sabem que possuem dislexia. Há casos na Faculdade em que o aluno só soube de sua condição após enfrentar dificuldades para acompanhar o ritmo das aulas. Outros sabem e não mencionam por medo da reação das pessoas. “Em geral as pessoas disléxicas precisam de mais acompanhamento para a compreensão da leitura e escrita. No Ensino Superior, a demanda de leitura aumenta, por isso a taxa de evasão é grande quando não há o apoio institucional. Em alguns casos, a questão emocional interfere, podendo causar problemas de baixa autoestima. Quando a pessoa já vem de um ensino com acompanhamento realizado por um profissional, ela aprende a estabelecer estratégias de estudo e de armazenamento, o que ajuda, e muito, ao encarar uma faculdade”, detalha.

Quanto à adaptação para avaliações, segundo a professora, depende de cada prova, aluno, matéria e professor. “Apresentamos aos professores o diagnóstico e deixamos em aberto para que o aluno solicite, de acordo com sua necessidade, se precisará de prova oral ou mais tempo para fazer provas, gravar as aulas, receber o conteúdo antes da aula. Para os docentes, orientamos que eles não se apeguem aos erros ortográficos, se o conteúdo for contemplado, pois esse é um dos sinais da dislexia. A cada mudança de professores, nos preocupamos em passar as mesmas informações”, elucida a professora.

Confira mais informações sobre a vida profissional de uma pessoa com dislexia.

 

Texto originalmente publicado no boletim Conectar, edição 73, em 9/9/2015. Assine nossa newsletter: http://www.fcmsantacasasp.edu.br.

Acontece na FCMSCSP a 13ª Jornada de Fonoaudiologia

Começou, nesta quarta-feira, dia 9 de setembro, a 13ª Jornada Acadêmica do Curso de Graduação em Fonoaudiologia e o 2º Encontro do Mestrado Profissional de Saúde da Comunicação Humana da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. O evento, realizado no Auditório Dr. Christiano Altenfelder, 4º andar do Novo Prédio da FCMSCSP, contou com a presença da Dra. Ana Luiza Navas, diretora do curso de Graduação em Fonoaudiologia, que deu início à programação, às 8h, seguida de uma palestra denominada Fonoaudiologia em Perspectiva ministrada pela Dra. Kátia de Almeida, vice-diretora do curso de Graduação em Fonoaudiologia e  coordenadora do Mestrado Profissional em Saúde da Comunicação Humana da FCMSCSP.
Ainda pela manhã, Dra. Maria Teresa Carthery-Goulart proferiu a palestra Linguagem e Envelhecimento, sob a coordenação da Prof.ª Cristiane Messas (FCMSCSP). Além disso, ocorreu uma Mesa Redonda sobre Voz na Dramaturgia, coordenada pela Prof.ª Marta Andrada (FCMSCSP), com os profissionais: Cristiane Magacho Coelho falando sobre Sotaque e Maria Cristina Borrego abordando o tema Dublagem.

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Dra. Ana Luiza Navas

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Docentes do curso de Graduação em Fonoaudiologia da FCMSCSP

Recepção da 13ª Jornada de Fonoaudiologia da FCMSCSP

Recepção da 13ª Jornada de Fonoaudiologia da FCMSCSP

Prof.ª Kátia de Almeida, vice-diretora do curso de Graduação em Fonoaudiologia

Dra. Kátia de Almeida

Alunos durante a 13ª Jornada de Fonoaudiologia da FCMSCSP

Alunos durante a 13ª Jornada de Fonoaudiologia da FCMSCSP

Confira mais fotos em Facebook.com/faculdade.santacasasp

Garanta a sua vaga até 4/9 na 13ª Jornada de Fonoaudiologia da FCMSCSP

jornada-de-fonoaudiologia-2015-inscriçõesFaltam poucos dias para o encerramento das inscrições para a 13ª Jornada Acadêmica do Curso de Graduação em Fonoaudiologia e o 2º Encontro do Mestrado Profissional de Saúde da Comunicação Humana da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.

O encontro anual, nesta edição, será realizado nos dias 9, 10 e 11 de setembro, quarta, quinta e sexta-feira, e abordará temas como linguagem e envelhecimento, o uso da voz na dramaturgia e empregabilidade na Saúde Coletiva, além de trazer mais informações sobre diversas possibilidades no direcionamento da carreira.

As inscrições estão abertas até o dia 4 de setembro, sexta-feira, e o evento será realizado no Auditório Dr. Christiano Altenfelder, 4º andar do Novo Prédio da Faculdade, na Rua Dr. Cesário Motta Jr., 112, Vila Buarque, São Paulo (SP).

Conheça a programação completa da 13ª Jornada de Fonoaudiologia e realize a sua inscrição.

Ex-aluna do curso de Fonoaudiologia relata o porquê da escolha da área

Liliane Laviano

Liliane Laviano

Liliane Laviano ingressou no curso de Graduação em Fonoaudiologia da FCMSCSP, trancou a Faculdade por um ano e foi em busca do sonho de residir fora do país. Trabalhou como voluntária, cuidando de jovens e adultos com necessidades especiais, e retornou para o Brasil com a certeza de que a sua escolha pela Fonoaudiologia estava certa. Formada desde 2009, a Ex-Santa fez Mestrado Profissional em Saúde da Comunicação Humana, também na FCMSCSP, e conta ao Conectar sua trajetória acadêmica e profissional.

Conectar: Por que optou cursar Fonoaudiologia?
Liliane: Ao terminar o ensino médio, a única certeza que tinha era a de que queria uma profissão por meio da qual eu pudesse ajudar pessoas. Fiquei em dúvida entre os cursos de Medicina, Enfermagem e Fonoaudiologia. Marquei algumas conversas com profissionais das áreas mencionadas e cheguei à conclusão que seria fonoaudióloga. Mas a grande certeza de que estava no caminho certo só veio mesmo após o contato com pessoas especiais em minha vivência no exterior.

Conectar: Quais critérios lhe ajudaram a escolher a FCMSCSP?
Liliane: A qualidade do corpo docente composto por professores doutores que contribuem ativamente para o desenvolvimento da Fonoaudiologia. E o universo Santa Casa que me possibilitaria estar dentro de um hospital escola e vivenciar todas as possibilidades de atuação da Fonoaudiologia.

Conectar: Pode nos contar um pouco da sua experiência como aluna da FCMSCSP? Como era a sua rotina?
Liliane: Minha rotina como aluna era bastante corrida, pois junto com os estudos eu também dava aulas de inglês, organizava festas infantis e fazia baby-sitting. Mas apesar da correria, conseguia participar dos eventos organizados pela Faculdade e fiz uma Iniciação Científica, pois acredito que ambos complementam a formação e nos aproximam de profissionais conceituados.

Conectar: De que maneira o curso de graduação em Fonoaudiologia contribuiu para o seu crescimento profissional?
Liliane: Além de toda a excelência de conteúdo, o curso me ensinou a enxergar cada paciente como um ser único em suas dificuldades e habilidades, o que é um diferencial que reflete diariamente na minha prática profissional. Reconheço também que o curso me proporcionou clareza e objetividade para a atuação clínica, além do fato de que a base que recebi me permitiu obter recursos e conteúdos para trabalhar com a promoção de saúde da comunicação por meio de programas de formação de professores. Participei de cursos de curta duração principalmente na área de linguagem, trabalhei em projetos de pesquisa juntamente com a Prof.ª Dra Noemi Takiuchi e me dediquei à implantação e estruturação do Serviço de Fonoaudiologia das Obras Sociais do Mosteiro São Geraldo de São Paulo onde atuo com muita alegria e orgulho desde 2010, além de atender em consultório particular.

Conectar: Existem desafios que você enfrenta ou enfrentou na carreira que lhe permitem aplicar, na prática, o que aprendeu na Faculdade?
Liliane: Como em todas as profissões, conquistar espaço no mercado de trabalho é sempre um desafio para os recém-formados, leva tempo e necessita de atenção e manutenção constantes. Aplico os conteúdos aprendidos tanto na Graduação quanto no Mestrado, e procuro sempre me manter atualizada e em contato com os professores para poder atender a demanda específica de cada paciente, de pais e de professores.

Conectar: O que recomendaria para os que desejam cursar Fonoaudiologia?
Liliane: Busque conhecer todas as áreas de atuação da Fonoaudiologia; compartilhe conhecimentos e experiências com os professores; participe de eventos científicos; participe de eventos sociais; faça uma Iniciação Científica e aproveite muito todos os momentos que os quatro anos de faculdade podem oferecer.

Texto originalmente publicado no boletim Conectar, edição 69, em 14/7/2015. Assine nossa newsletter: http://www.fcmsantacasasp.edu.br.

O envelhecimento, a linguagem e a memória

Prof.ª Cristiane Stravino Messas

Prof.ª Cristiane Stravino Messas

Não há como fugir do tempo. Com a idade, vem a sabedoria, a experiência e sinais, como fios brancos e algumas rugas, indicando as transformações para o corpo. Da mesma forma, com o passar dos anos, outros sinais também chegarão para a mente. Mesmo com todas as boas histórias para contar, a linguagem e a memória sofrem mudanças marcantes ao longo da vida. “A Fonoaudiologia ajusta-se muito bem a todos esses processos, tanto no estudo a respeito do envelhecimento humano quanto na atuação direta com pessoas que desejam envelhecer de forma harmônica às suas necessidades de vida”, explica Cristiane Stravino Messas, professora do curso de Graduação em Fonoaudiologia da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Confira mais detalhes nos tópicos a seguir:

Estava na ‘ponta da língua’…
De acordo com Cristiane Messas, uma das primeiras manifestações de que o envelhecimento está afetando a linguagem ocorre quando surge a dificuldade para se falar determinados nomes ou palavras – que conhecemos bem – durante uma conversa. Seria uma situação equivalente à famosa expressão ‘estava na ponta da língua’. “Nesses casos, é bastante comum ouvirmos que a memória está fraca, quando, na realidade, trata-se de um processo de linguagem: o acesso às palavras já não é o mesmo”, completa.
Também é natural que algumas pessoas mais velhas ao chamarem o nome de um dos filhos, acabem por chamar o nome de todos os outros. Nessas ocasiões, a professora esclarece que nossas redes neurais vão se modificando e tendem a priorizar mais a generalidade do que a especificidade; por isso os nomes próprios, os mais específicos possíveis, são os primeiros a sofrer.

Sobre o que mesmo eu estava falando?
Outro caso habitual no envelhecimento é a capacidade de se manter a atenção em vários assuntos ao mesmo tempo ou demorar mais na hora de mudar de um foco para outro. “Essas questões cognitivas também estão relacionadas à linguagem. Observamos isso, por exemplo, quando conversamos com pessoas idosas. Podem ocorrer desvios no tema de uma conversa e, às vezes, perder-se o assunto central, ou até ocorrerem muitos detalhes ou histórias agregadas ao tema principal”, justifica.
Cristiane esclarece que há a tendência de pessoas idosas puxarem o assunto para fatos da própria biografia, pois o olhar para o passado é favorecido pelo envelhecimento. “A memória de longo prazo é melhor do que a recente. Frequentemente observam-se esquecimentos de fatos ocorridos há pouco tempo, como esquecer-se onde um objeto acabara de ser guardado. Porém, os fatos vividos há muito tempo ganham maior presença”, elucida.

A Fonoaudiologia na terceira idade
O papel do fonoaudiólogo no estudo da linguagem na velhice, de acordo Cristiane Messas, contribui para o conhecimento dos processos que ocorrem no envelhecimento natural e, com isso, diferenciá-lo do envelhecimento na presença de doenças neurológicas ou mentais, auxiliando para o diagnóstico precoce e diferencial, como, por exemplo, nas demências. “Todas as transformações citadas até agora são naturais no envelhecimento, mas não por isso são imutáveis; pelo contrário. Podemos estimular todos esses processos que nos fazem falta por meio do direcionamento de atividades específicas, jogos e exercícios de acordo com o estilo de vida de cada indivíduo”, esclarece a fonoaudióloga.  A importância dessas práticas, complementa Cristiane, são de certa forma conhecidas e divulgadas, mas há a necessidade ainda de aprendermos a identificar as vantagens das transformações que ocorrem no envelhecimento. “É possível aproveitarmos o processo de generalização que permite vermos de forma abrangente, e aplicarmos essa nova perspectiva às circunstâncias de nossas vidas pessoais ou profissionais; o favorecimento da memória antiga pode propiciar a revisão de aspectos de nossa biografia, além da oportunidade de transmitirmos nossas experiências às pessoas mais jovens”, conclui.

 

Texto originalmente publicado no boletim Conectar, edição 69, em 14/7/2015. Assine nossa newsletter: http://www.fcmsantacasasp.edu.br.