Fonoaudiologia nas escolas

A Fonoaudiologia Educacional é uma especialidade reconhecida pelo Conselho Federal de Fonoaudiologia, apesar de o trabalho desse profissional no ambiente de ensino ser bastante antigo. O trabalho do fonoaudiólogo educacional consiste em assessorar e complementar o trabalho dos professores, propondo estratégias e compondo, assim, uma equipe multidisciplinar que atua tanto na educação regular quanto na educação especial inclusiva.

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Dra. Ana Luiza Navas, diretora do curso de Graduação em Fonoaudiologia da FCMSCSP

De acordo com a Dra. Ana Luiza Navas, diretora do curso de Graduação em Fonoaudiologia da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, ter um fonoaudiólogo trabalhando por perto na educação é um benefício muito grande para todo o processo de aprendizagem das crianças já que esse profissional contribui não só no momento da alfabetização, mas em todo o desenvolvimento de linguagem, fator essencial para que essa criança consiga evoluir mais e em todos os níveis educacionais: “O fonoaudiólogo educacional tem um papel muito importante nos primeiros anos da educação. Sabemos que na escola também se forma o desenvolvimento da linguagem, a fala, a audição. Mas, em todos os níveis do ensino, o fonoaudiólogo pode ter uma atuação importante, inclusive no ensino superior”, explica.

Quando falamos de educação especial inclusiva, o trabalho do fonoaudiólogo educacional também é fundamental. Afinal, é quem orienta e recomenda aos educadores o que pode e deve ser feito com uma criança com necessidades especiais de comunicação. “Muitas vezes, no caso da síndrome de Down, por exemplo, a criança vai precisar de uma terapia especializada fora do ambiente escolar, mas se a escola tiver um fonoaudiólogo que olhe para todo esse processo, inclusive ao fazer contato com a terapeuta da criança, facilita esse percurso dentro da escola”, conta a fonoaudióloga.

O fonoaudiólogo educacional atua ainda em casos de crianças com transtornos de aprendizagem, deficiência visual, auditiva, autismo, deficiência intelectual, síndromes que resultam em uma deficiência intelectual (como a de Down), crianças com superdotação e altas habilidades, e nas deficiências físicas. “Em alguns casos, como por exemplo, nas paralisias cerebrais, como a crianças têm dificuldades na fala, na coordenação motora e na alimentação, o fonoaudiólogo tem um papel importante orientando os cuidadores – especialmente na alimentação – para que não haja nenhum problema”, comenta a Dra. Ana Luiza.

Outra área de atuação dos fonoaudiólogos dentro das escolas é auxiliar os professores em relação aos cuidados com a voz: “Os problemas de voz dos educadores são um dos principais motivos de afastamento nas escolas. O fonoaudiólogo educacional pode auxiliar, promovendo programas, oficinas que ajudem nesse sentido”, esclarece.

14ª Jornada de Fonoaudiologia da FCMSCSP
A Fonoaudiologia Educacional será um dos temas discutidos na 14ª Jornada Acadêmica do curso de Fonoaudiologia da FCMSCSP. No evento, que acontece nos dias 8 e 9 de setembro de 2016, quinta e sexta-feira, também serão abordados temas como Audiologia, Disfagia, Motricidade oro facial, Saúde coletiva, Voz, entre outros. Neste ano, além de resumos para Apresentação de Pôsteres, será possível submeter resumos para Apresentação Oral. As submissões de trabalhos poderão ser realizadas até 15/7, sexta-feira. Os trabalhos aceitos serão publicados no suplemento da Revista Arquivos Médicos dos Hospitais e da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Para conferir as normas para envio dos resumos e realizar sua inscrição, acesse o site oficial da 14ª Jornada Acadêmica do curso de Fonoaudiologia da FCMSCSP.

Texto originalmente publicado no boletim Conectar, edição 91, em 28/6/2016. Assine nossa newsletter: http://www.fcmsantacasasp.edu.br.

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Fonoaudiologia: ​qual ​área a seguir dentro da ​ carreira?

Dra. Ana Luiza Navas, diretora do curso de Graduação em Fonoaudiologia da Faculdade Santa Casa de São Paulo

Dra. Ana Luiza Navas, diretora do curso de Graduação em Fonoaudiologia da Faculdade Santa Casa de São Paulo

Para esclarecer os pontos mais comuns sobre a carreira de Fonoaudiologia, confira esta entrevista com a Dra. Ana Luiza Navas, diretora do ​curso de Graduação em Fonoaudiologia da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.​

Conectar: Quais são as áreas de especialização em Fonoaudiologia?
Dra. Ana Luiza: As áreas reconhecidas pelo Conselho Federal de Fonoaudiologia são Voz, Linguagem, Audição, Saúde Coletiva, Motricidade Orofacial – tudo que tem a ver com a parte motora da fala; Disfagia, Fonoaudiologia Educacional, Fonoaudiologia do Trabalho, Gerontologia, Neuropsicologia e Fonoaudiologia Neurofuncional.

Conectar: Como ​podemos definir o mercado ​d​e trabalho para um ​fonoaudiólogo?
Dra. Ana Luiza: O mercado de trabalho da Fonoaudiologia é muito amplo, porque as áreas são muito diversas. Temos grande contingente trabalhando na área da saúde, no serviço público ou em clínicas particulares​,  mas existe o fonoaudiólogo que trabalha  ​no ambiente corporativo  ou  ​no setor educacional, dando consultoria tanto em escolas públicas ​quanto  nas p​articulares.

Conectar:
Quanto à área educacional, ​esse trabalho  ​seria aquele desenvolvido com crianças?
Dra. Ana Luiza: Existe sempre a imagem que o ​fonoaudiólogo só trabalha com crianças que possuem alguma dificuldade, porém ess​e profissional já vem trabalhan​do​, ​por exemplo, ​na área de Educação, na formação e capacitação de professores para o desenvolvimento de audição, linguagem e fala. ​Nesse caso, o  fonoaudiólogo atende professores prestando assessoria para o aprimoramento da comunicação expressão des​se​s​  profissiona​is, bem como pode fazer parte da equipe educacional visando a melhoria do processo de aprendizagem das crianças.

Conectar: E com as crianças, como é a atuação?
Dra. Ana Luiza: Os profissionais da ​Fonoaudiologia podem prestar orientações para o desenvolvimento de todos os alunos, e não somente ​àqueles que possuem alguma dificuldade. Eles atuam no ensino regular, com ​estudantes que não têm nenhuma dificuldade de alfabetização, para melhorar a habilidade de comunicação dessas crianças. Mas há também na Educação Especial, área inclusão, profissionais que auxiliam no processo de aprendizagem e comunicação de crianças com transtornos como a síndrome de Down, dislexia, déficit de atenção, ou com deficiências como a auditiva, prestando orientações e acompanhamentos específicos.

Conectar: Quais outros setores ​em que  o fonoaudiólogo pode atuar?
Dra. Ana Luiza: O ​fonoaudiólogo pode trabalhar com empresários, para melhorar a expressividade e comunicação oral; em veículos de comunicação com jornalistas, radialistas; e com outras várias instituições e pessoas que precisam fazer o aprimoramento da comunicação, não somente com cantor e ator, mas, por exemplo, com pessoas que precisam dar entrevistas frequentemente: técnicos de futebol, políticos e outros.

Conectar: Ao se formar,o fonoaudiólogo precisa de um registro para trabalhar?
Dra. Ana Luiza: Sim. Quando o aluno se forma, após a colação de grau, ele precisa solicitar um registro profissional no Conselho Regional de Fonoaudiologia de sua região; no caso de São Paulo, ​trata-se da 2ª Região.

Conectar: E quanto aos egressos que optem por seguir diretamente para o mercado de trabalho?
Dra. Ana Luiza: A grande maioria dos alunos que se formam tem plena condição de ingressar diretamente no mercado de trabalho sem precisar fazer especialização. E há empresas que ​já os ​contratam​ ao término do curso, pois ​reconhecem a ​formação​ de qualidade oferecida pela​ Faculdade ​Santa Casa​ de São Paulo. Há algumas áreas ​em ​que a especialização ou aprimoramento são necessárias e recomendadas, principalmente ​quando ​os egressos ​irão prestar concurso público que tem essa exigência em seu edital.

Conectar: Há um número grande de fonoaudiólogos que seguem para a área acadêmica?
Dra. Ana Luiza: ​Muitos d​os alunos ​da FCMSCSP ​têm procurado complementar sua formação em programas de pós-graduação, como mestrado e doutorado, tanto ​aqui ​quanto em outras instituições​. ​A Faculdade ​de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo ​oferece o Mestrado ​Profissional em Saúde da​ Comunicação Humana, dedicado principalmente ao ex-aluno que já teve uma experiência de mercado de trabalho e sentiu a necessidade de melhorar a sua prática profissional, fundamentar​-se​ melhor em termos científicos, desenvolver estratégias terapêuticas, manuais e guias de orientação.

Conectar: Para finalizar, como a FCMSCSP auxilia os alunos no término da Graduação?

Dra. Ana Luiza: A formação teórica e, principalmente, a prática deste ensino, bem como a carga horária e diversidade dos estágios supervisionados, que envolvem tanto a Clínica Escola de Fonoaudiologia, vários setores do hospital ​da ​ISCMSP, as Unidades Básicas de Saúde (UBS), Creches e Escolas faz com que os alunos saiam ​muito bem​ preparados. Além disso, ao longo do 4º ano, há uma tutoria, na qual professores orientam os alunos em encontros mensais sobre o que é pós-graduação, especialização, aprimoramento, gestão entre outros temas para que eles estejam ainda mais preparados para planejar suas carreiras.

Texto originalmente publicado no boletim Conectar, edição 77, em 4/11/2015. Assine nossa newsletter: http://www.fcmsantacasasp.edu.br.