O envelhecimento, a linguagem e a memória

Prof.ª Cristiane Stravino Messas

Prof.ª Cristiane Stravino Messas

Não há como fugir do tempo. Com a idade, vem a sabedoria, a experiência e sinais, como fios brancos e algumas rugas, indicando as transformações para o corpo. Da mesma forma, com o passar dos anos, outros sinais também chegarão para a mente. Mesmo com todas as boas histórias para contar, a linguagem e a memória sofrem mudanças marcantes ao longo da vida. “A Fonoaudiologia ajusta-se muito bem a todos esses processos, tanto no estudo a respeito do envelhecimento humano quanto na atuação direta com pessoas que desejam envelhecer de forma harmônica às suas necessidades de vida”, explica Cristiane Stravino Messas, professora do curso de Graduação em Fonoaudiologia da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Confira mais detalhes nos tópicos a seguir:

Estava na ‘ponta da língua’…
De acordo com Cristiane Messas, uma das primeiras manifestações de que o envelhecimento está afetando a linguagem ocorre quando surge a dificuldade para se falar determinados nomes ou palavras – que conhecemos bem – durante uma conversa. Seria uma situação equivalente à famosa expressão ‘estava na ponta da língua’. “Nesses casos, é bastante comum ouvirmos que a memória está fraca, quando, na realidade, trata-se de um processo de linguagem: o acesso às palavras já não é o mesmo”, completa.
Também é natural que algumas pessoas mais velhas ao chamarem o nome de um dos filhos, acabem por chamar o nome de todos os outros. Nessas ocasiões, a professora esclarece que nossas redes neurais vão se modificando e tendem a priorizar mais a generalidade do que a especificidade; por isso os nomes próprios, os mais específicos possíveis, são os primeiros a sofrer.

Sobre o que mesmo eu estava falando?
Outro caso habitual no envelhecimento é a capacidade de se manter a atenção em vários assuntos ao mesmo tempo ou demorar mais na hora de mudar de um foco para outro. “Essas questões cognitivas também estão relacionadas à linguagem. Observamos isso, por exemplo, quando conversamos com pessoas idosas. Podem ocorrer desvios no tema de uma conversa e, às vezes, perder-se o assunto central, ou até ocorrerem muitos detalhes ou histórias agregadas ao tema principal”, justifica.
Cristiane esclarece que há a tendência de pessoas idosas puxarem o assunto para fatos da própria biografia, pois o olhar para o passado é favorecido pelo envelhecimento. “A memória de longo prazo é melhor do que a recente. Frequentemente observam-se esquecimentos de fatos ocorridos há pouco tempo, como esquecer-se onde um objeto acabara de ser guardado. Porém, os fatos vividos há muito tempo ganham maior presença”, elucida.

A Fonoaudiologia na terceira idade
O papel do fonoaudiólogo no estudo da linguagem na velhice, de acordo Cristiane Messas, contribui para o conhecimento dos processos que ocorrem no envelhecimento natural e, com isso, diferenciá-lo do envelhecimento na presença de doenças neurológicas ou mentais, auxiliando para o diagnóstico precoce e diferencial, como, por exemplo, nas demências. “Todas as transformações citadas até agora são naturais no envelhecimento, mas não por isso são imutáveis; pelo contrário. Podemos estimular todos esses processos que nos fazem falta por meio do direcionamento de atividades específicas, jogos e exercícios de acordo com o estilo de vida de cada indivíduo”, esclarece a fonoaudióloga.  A importância dessas práticas, complementa Cristiane, são de certa forma conhecidas e divulgadas, mas há a necessidade ainda de aprendermos a identificar as vantagens das transformações que ocorrem no envelhecimento. “É possível aproveitarmos o processo de generalização que permite vermos de forma abrangente, e aplicarmos essa nova perspectiva às circunstâncias de nossas vidas pessoais ou profissionais; o favorecimento da memória antiga pode propiciar a revisão de aspectos de nossa biografia, além da oportunidade de transmitirmos nossas experiências às pessoas mais jovens”, conclui.

 

Texto originalmente publicado no boletim Conectar, edição 69, em 14/7/2015. Assine nossa newsletter: http://www.fcmsantacasasp.edu.br.

Aumenta expectativa de vida de pessoas com síndrome de Down

Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo realiza curso sobre o tema nos dias 20 e 21 de março, quinta e sexta-feira, das 17h às 20h, nos Anfiteatros Prof. Dr. Paulo Augusto Ayrosa Galvão e Prof. Dr. Emilio Athié

A data de 21 de março marca o Dia Internacional da síndrome de Down. De acordo com o Ministério da Saúde, o Brasil possui 300 mil pessoas com a alteração genética. No passado, sua expectativa de vida era, em média, de 20 anos, mas, em virtude do avanço dos tratamentos médicos, hoje existem casos de indivíduos que chegam e ultrapassam os 60 anos.

Dra. Sandra PiresDe acordo a Dra. Sandra Cristina Fonseca Pires, professora instrutora do curso de Fonoaudiologia da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, uma das principais causas da morte precoce era a cardiopatia, disfunção no coração que acomete 60% dos nascidos com síndrome de Down. “Antigamente não se tinha condições de operar casos de cardiopatias que tem necessidade de intervenção no primeiro ano de vida, com o avanço tecnológico e científico, hoje essa prática é rotina e dá condições de melhor expectativa de vida. Soma-se também toda qualidade de vida que hoje se consegue promover com ações melhores na área da saúde como um todo”, afirma.

A síndrome de Down é uma alteração genética resultante da presença de um cromossomo a mais, o de número 21, por isso, também é conhecida como trissomia 21. A maioria das pessoas com o problema apresenta a denominada trissomia 21 simples, o que significa que um cromossomo extra está presente em todas as células do organismo, devido a um erro na separação dos cromossomos 21 em uma das células dos pais. Esse fenômeno é conhecido como trissomia simples ou não-disjunção. Existem outros mecanismos que levam à ocorrência da trissomia do cromossomo 21: mosaicismo, que ocorre quando a trissomia está presente somente em algumas células e, por translocação, quando o cromossomo 21 extra está unido a outro cromossomo.

Segundo a doutora, pessoas com síndrome de Down devem ter o acompanhamento de um médico clínico (pediatra), endocrinologista, oftalmologista, fonoaudiólogo, fisioterapeuta, terapeuta ocupacional, dentista, entre outras especialidades que podem ser necessárias. A reabilitação acompanhada por terapeuta ocupacional, fonoaudiólogo e fisioterapeuta, quando iniciada logo nos primeiros meses, é essencial para favorecer melhores condições de vida, “não se deve esperar as dificuldades e atrasos surgirem para se pensar na intervenção”. “O psicólogo também é importante, principalmente no suporte familiar, tanto na necessidade de se reformular expectativas, como também para ajudar o paciente na passagem para a adolescência e posteriormente para a fase adulta”, diz.

A professora explica que pessoas com síndrome de Down podem ter filhos, porém, há uma preocupação entre os especialistas sobre como o déficit cognitivo da pessoa com síndrome de Down pode interferir nesse processo. “Não existe a compreensão plena das responsabilidades, pois, pelo prejuízo intelectual, eles podem não apresentar a maturidade necessária para terem um relacionamento sexual com os seus devidos cuidados, nem a percepção clara das responsabilidades de se gerar um filho”, analisa.

No que diz respeito ao mercado de trabalho, a Dra. Sandra informa que as empresas estão abrindo espaços para eles e há relatos de pessoas que chegaram a cursar faculdade. “Há muitas oportunidades profissionais, porém com algumas restrições nas atividades a serem exercidas, em muitos casos. É necessária mais divulgação e, sobretudo, investimento nessa área. Com o aumento da expectativa de vida e melhores condições de reabilitação e educação, a profissionalização é uma das maiores demandas nos dias de hoje”, conclui.

Para marcar a data, a Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo realiza nos dias 20 e 21 de março, quinta e sexta-feira, o curso “Síndrome de Down: Perspectivas em Foco”. O encontro, direcionado a estudantes e profissionais da área da saúde, acontecerá das 17h às 20h, nos Anfiteatros Prof. Dr. Paulo Augusto Ayrosa Galvão e Prof. Dr. Emilio Athié, rua Dr. Cesário Motta Júnior, 112, Vila Buarque – São Paulo (SP).

As inscrições devem ser feitas pelo site www.fcmsantacasasp.edu.br e custam R$ 10,00 para interessados que tenham vínculo com a Faculdade Santa Casa de São Paulo ou com a Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, e R$ 15,00 para o público em geral.

Programação:

20 de março – quinta-feira

17h Abertura
Prof.ª Dra. Sandra Cristina F. Pires, Prof.ª Dra. Carla Franchi Pinto, e Sandra Reis

17h30 Longevidade e o Papel da Cardiologia
Prof.ª Dra. Maria Lúcia Bastos Passarelli (Cardiologista Pediátrica)

18h Vínculo e Aspectos Emocionais da Adolescência e Idade Adulta
Me. Patrícia Horta (Psicóloga)

18h30 Sexualidade
Prof.ª Dra. Maria José Carvalho Sant´Anna (Pediatra – Hebiatra)

19h Coffee-break

19h30 Apresentação e Discussão com a “Galera do Click”
Jovens com síndrome de Down

20h Encerramento

21 de março – sexta-feira*
*21 de março = Dia Internacional da Síndrome de Down

17h Epigenética
Prof.ª Dra. Carla Franchi Pinto (Geneticista)

17h30 Mudanças Metabólicas
Dr. Aleksandro Belo Ferreira (Endocrinologista)

18h Comunicação e Inclusão
Prof.ª Dra. Sandra Cristina Fonseca Pires (Fonoaudióloga)

18h30 Aspectos Clínicos: Atualidades
Dra. Flávia Cristina Navarro (Pediatra – Cardiologista Pediátrica)

19h Coffee-break

19h30 Apresentações dos Integrantes da “Galera do Click”
Jovens com síndrome de Down

20h Encerramento

Texto originalmente publicado no boletim Conectar, edição 36, em 11/3/2014. Assine nossa newsletter: http://www.fcmsantacasasp.edu.br.

Inscrições abertas: Síndrome de Down – Perspectivas em Foco

Participe do curso “Síndrome de Down – Perspectivas em Foco”, voltado a profissionais da área de saúde, que será realizado nos dias 20 e 21 de março, quinta e sexta-feira, das 17h às 20h00. A realização é do curso de Graduação em Fonoaudiologia da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. As inscrições já estão abertas e as vagas são limitadas.

Clique aqui e confira mais detalhes.

Síndrome de Down - Faculdade Santa Casa de SP