Alimentação de três em três horas emagrece?

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Dr. Wagner Montor, professor do Departamento de Ciências Fisiológicas da FCMSCSP

Quem acompanha dicas de dieta e alimentação saudável, já se deparou com a informação de que devemos nos alimentar de 3 em 3 horas, a fim de acelerar o metabolismo. Será que essa prática, de fato, funciona?

De acordo com o Dr. Wagner Montor, professor do Departamento de Ciências Fisiológicas da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, existem diversos estudos que mostram não haver aceleração do metabolismo com esta prática, mas ele discute os potenciais benefícios do hábito. Estudos publicados no mundo todo mostram que não há diferença em se alimentar 3 ou 6 vezes por dia em relação à ativação do metabolismo ou ganho/perda de peso se a dieta for a mesma, apenas fracionada de modo diferente: “Imagine uma dieta de 1.800 calorias. Um grupo recebe uma dieta em 3 frações de 600 calorias e o outro em 6 frações de 300 calorias. Os resultados mostram que não há diferença na avaliação final e quem recebeu a dieta mais fracionada não tem o metabolismo mais acelerado”, esclarece.

No entanto, segundo o professor de Bioquímica, quando um nutricionista define uma dieta de calorias já restritas para ser dividida em 3 frações apenas, existe uma chance considerável de esta dieta não ser seguida ou ter escapes nos períodos de jejum mais longo entre as frações. O peso psicológico e social da restrição é importante e exige sempre muita determinação. Sendo assim, mesmo que não haja ativação de metabolismo, há benefícios no fracionamento, especialmente em uma fase de adaptação. “Se o nutricionista recomenda um fracionamento das mesmas calorias em 6 vezes, a chance de adesão à dieta é maior, porque o indivíduo não se sente tão restrito e é claro que chega a cada refeição com menos fome”, explica.

Notem que estamos falando de dieta de restrição calórica, para perda de peso. Para este objetivo, no entanto, seria interessante até ter períodos de jejum mais longos, fracionando menos e há trabalhos mostrando o benefício desse jejum mais longo, quando o indivíduo está hormonalmente mais apto a consumir suas reservas de gordura. Porém, a chance de adesão a isto sem um período de adaptação, redução de porções, redução calórica total, é pequena e a fase do fracionamento maior auxilia nesta adaptação. Dietas para manutenção de peso ou ganho de massa magra, se beneficiam muito mais nitidamente da alimentação de 3 em 3 horas.

O Dr. Wagner reforça que não há fórmulas mágicas e cada indivíduo precisa encontrar sua maneira de se relacionar com os alimentos, o que muda de acordo com a pessoa e também com o objetivo e fase da dieta. Não é só questão de fracionar e contar calorias, mas saber escolher as fontes de caloria e principalmente de nutrientes mais adequadas para cada situação. O apoio de um nutricionista é fundamental para quem busca reeducação alimentar. “Alimentar-se de 3 em 3 horas não ativa o metabolismo, mas não se pode negar que apresenta benefícios por aumentar adesão à dieta, evitar a fome excessiva em cada refeição permitindo controle de porção e até para se acostumar com menores volumes”, finaliza.

Quer entender mais a respeito do assunto? Acesse o post completo da página Wagner Cientista, no Facebook.

Texto originalmente publicado no boletim Conectar, edição 98, em 4/10/2016. Assine nossa newsletter:http://www.fcmsantacasasp.edu.br.

Consumo incorreto de shakes pode ocasionar desnutrição e perda da massa muscular

Os shakes se tornaram uma opção para quem busca perder peso. Os produtos, que viraram moda, prometem emagrecimento rápido e saudável, e visam substituir as refeições diárias. Porém, as substâncias contidas nestes preparados podem oferecer riscos à saúde.

O Dr. João Eduardo Nunes Salles, profesDr. João Eduardo Nunes Salles, professor da disciplina de Endocrinologia da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulosor da disciplina de Endocrinologia da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, afirma que o emagrecimento prometido pelas bebidas pode vir acompanhado da redução de nutrientes, minerais e vitaminas importantes para o corpo.

“Devido à falta de substâncias, o consumo do shake pode causar desnutrição e a perda não só de massa gorda, mas também da massa muscular. Existem muitos produtos no mercado que não contemplam os macronutrientes, compostos por carboidratos, proteínas e gorduras. Além disso, eles podem ocasionar diminuição dos micronutrientes, que são as vitaminas e os minerais”, declara.

Segundo o especialista, esses nutrientes não podem ser suspensos ou substituídos da dieta. Para ele, os shakes constituem uma opção de perda de peso, desde que não sejam, exclusivamente, o único plano alimentar.

“Antes de consumir o produto, o indivíduo deve verificar quais são os componentes dessa bebida e se oferece as substâncias necessárias para o corpo humano. Outra questão é que ela não deve substituir todas as refeições. O interessante é substituir no máximo uma. Afinal, uma dieta saudável não deixa de lado a pirâmide alimentar”, explica.

A pirâmide alimentar é composta por:

• Carboidratos – pães, massas, arroz, batata, cereais, entre outros.

• Verduras e legumes – são alimentos que contêm ferro, fibras, sais minerais e vitaminas.

• Frutas – são ricos em várias vitaminas.

• Carnes, ovos e grãos – feijão, lentilha, grão-de-bico, nozes, castanhas, entre outros.

• Laticínios (leite e derivados) – são ricos em minerais e proteínas.

• Lipídios (óleos e gorduras) e açúcares – manteigas, maionese, creme de leite, doces em geral, entre outros.

O endocrinologista indica o shake para aqueles que não conseguem tomar café da manhã, ou têm dificuldades em almoçar por causa do tempo e acabam ingerindo alimentos não saudáveis. “Existem pessoas que substituem o almoço por um salgado ou fast food, então por que não tomar um shake? Há produtos no mercado que contemplam os macronutrientes, basta saber escolher”, conclui.

Texto originalmente publicado no boletim Conectar, edição 37, em 25/3/2014. Assine nossa newsletter: http://www.fcmsantacasasp.edu.br.

Tratamento adequado proporciona qualidade de vida às pessoas com lúpus

Dra. Branca Dias Batista de SouzaDe acordo com a Dra. Branca Dias Batista de Souza, professora da Reumatologia da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, pessoas com lúpus, que seguem o tratamento correto, podem ter uma ótima qualidade de vida, inclusive mulheres podem ter uma gravidez tranquila.

“Quanto mais precocemente identificar a doença e iniciar os cuidados apropriados, o indivíduo terá mais chances de levar uma vida normal, acompanhada de uma taxa de mortalidade baixíssima e gestações sem problemas, por exemplo”, afirma a especialista.

Mais comum em mulheres jovens na fase fértil, o lúpus é uma doença inflamatória sistêmica. Segundo a professora, é uma doença autoimune, ou seja, o indivíduo produz anticorpos que atacam o próprio organismo.

Não infeccioso, o paciente com lúpus já nasce com a predisposição para desenvolver a doença que pode acometer diversos órgãos e sistemas do corpo humano. A Dra. Branca cita os principais sintomas:

• Dores ou inflamações nas articulações
• Febre
• Emagrecimento
• Cansaço
• Falta de apetite
• Lesões na pele
• Irritações na pele após exposição ao sol

A professora afirma, ainda, que 70% dos pacientes com lúpus apresentam problemas de pele e 50% terão complicações nos rins. “Também é comum o acometimento de partes como as articulações, o sistema nervoso central e as células do sangue. Geralmente, o órgão menos prejudicado é o fígado”. A Dra. Branca explica que, após o diagnóstico, é necessário avaliar a extensão da doença e qual a melhor forma de tratá-la. “O tratamento básico é realizado com corticoide e/ou imunossupressores. Contudo, depende dos órgãos acometidos”, diz.

Texto originalmente publicado no boletim Conectar, edição 22, em 23/7/2013. Assine nossa newsletter http://www.fcmsantacasasp.edu.br.