Dra. Andrea Vieira explica mitos e verdades sobre a gastrite

Ao contrário do que muitos pensam, dores no estômago, azia, dificuldade de digestão, enjoo e vômito não são sintomas comuns no paciente com gastrite. Muito confundida com a indigestão (dispepsia) e doença do refluxo – desconforto após a alimentação – é, de forma geral, uma inflamação da mucosa do estômago que provoca algum tipo de sintoma em apenas 20% dos pacientes. Porém, uma diversidade de manifestações é inadvertida e frequentemente atribuída à gastrite.

Dra. Andrea Vieira, professora instrutora de Gastroenterologia da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo

Dra. Andrea Vieira, professora instrutora de Gastroenterologia da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo

Segundo a Dra. Andrea Vieira, professora instrutora de Gastroenterologia da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, isso acontece por desinformação. “Muitas vezes, o paciente já chega ao consultório dizendo que tem gastrite. Isso porque acha que comeu algo muito gorduroso, ou está em alguma situação de pressão cotidiana. Isso não é verdade. A inflamação não tem relação direta com alimentação”, explica.

Outro “mito” esclarecido pela professora é a denominação “gastrite nervosa”. Segundo ela, esse termo está incorreto, já que o mal não pode ser resultado de uma alteração psicológica do dia a dia.

Apesar da definição basear-se na histologia, na prática, o diagnóstico é feito pelo clínico e/ou endoscopista. A disfunção é classificada como: crônica e a aguda. A crônica é resultado de infecção pela bactéria H. Pylori cuja transmissão é fecal-oral que ocorre preferencialmente na infância e tem alta prevalência no Brasil e, raramente, por origem autoimune, que corresponde a apenas 2% das gastrites crônicas. A aguda ocorre por diversas causas, entre elas, consumo excessivo de bebidas alcoólicas, drogas (anti-inflamatório não hormonais, quimioterápicos, corticosteroide), toxinas, bactérias, vírus, fungos, politrauma, sepse, choque, isquemia, queimadura extensa. Existem ainda causas mais raras: tuberculose, sífilis, doença de Crohn e sarcoidose.

O tratamento do distúrbio é feito por meio de remédios que procuram dar uma estabilidade para o estômago, como os hipossecretores, aliado a uma alimentação balanceada e livre de gordura e temperos muito fortes que levam a distensão gástrica. “A forma de cuidar depende muito da causa. Se for por álcool ou anti-inflamatório, o paciente precisa suspender o uso das substâncias. Mas, quando o medicamento que provoca a lesão não pode ser retirado da pessoa, são usados em conjunto, outros fármacos que procuram restabelecer o estômago. Se for pela bactéria, deve-se erradicá-la”, afirma a professora.

Apesar de a alimentação não estar totalmente ligada ao desenvolvimento da gastrite no organismo, a dica da Dra. Andrea é sempre mantê-la balanceada e privilegiar o consumo consciente de bebidas alcoólicas.

Texto originalmente publicado no boletim Conectar, edição 52, em 21/10/2014. Assine nossa newsletter:
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Clínica de Gastroenterologia é a segunda área que mais se aproxima da especialidade Cirúrgica

Dra. Andrea VieiraSegundo a Dra. Andrea Vieira, professora instrutora da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo e chefe da Clínica de Gastroenterologia do Departamento de Medicina, a especialidade é dedicada ao estudo do sistema digestivo e engloba os seguintes órgãos: esôfago, estômago, fígado, vias biliares, pâncreas, intestino delgado, intestino grosso, cólon e reto.

“Muitas pessoas acreditam que a área abrange somente o estômago, porém envolve muitas doenças e inúmeras especialidades. Depois da Oncologia, é a disciplina que mais se aproxima da Cirurgia. Nós trabalhamos diretamente com os cirurgiões”, afirma.

A importância da área é materializada na prevalência de doenças como gastrite, refluxo, hepatite, cirrose e inflamações intestinais, pancreatite; entre outras. “A gastrite é muito comum pelo uso frequente de fármacos que agridem o trato digestório, como anti-inflamatórios não hormonais, pela prevalência da bactéria Helicobacter Pylori, pelo consumo de alimentos considerados agressores e pelo stress, explica a professora.

Durante a graduação em Medicina, a Gastroenterologia é apresentada no quarto ano. As aulas teóricas contemplam vários temas como conceito, fisiopatologia, diagnóstico e tratamento relativos às diversas afecções gastroenterológicas.

“Na parte prática, nós realizamos discussões de casos clínicos. Os alunos vão até a enfermaria, identificam algum caso, fazem a história clínica completa, exame físico e levam para debate na sala de aula”, conclui.

Texto originalmente publicado no boletim Conectar, edição 25, em 4/9/2013. Assine nossa newsletter http://www.fcmsantacasasp.edu.br.