Síndrome degenerativa compromete coordenação motora

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Dr. Rubens Gagliardi, professor titular de Neurologia da FCMSCSP

“Machado-Joseph” é uma doença do sistema nervoso central, hereditária e que desenvolve uma série de comprometimentos em algumas áreas específicas do cérebro. A repercussão em torno deste tema ficou mais evidente em julho deste ano, quando o ator Guilherme Karan faleceu em decorrência de complicações da síndrome, ao longo dos últimos 11 anos. Poucos dias após a morte do ator, o jornalista Arnaldo Duran, atualmente na equipe da TV Record e Record News, revelou estar com a doença.

Segundo o Dr. Rubens Gagliardi, professor titular de Neurologia da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, por comprometer as áreas cerebelares, os primeiros sintomas que o indivíduo apresenta são as alterações na coordenação motora. “A pessoa tem dificuldade para pegar objetos nas mãos, caminha com desequilíbrio, semelhante ao indivíduo alcoolizado”, conta o neurologista. A doença também causa alterações na fala, na visão, na deglutição, além de rigidez nos movimentos, parecida com a doença de Parkinson.

Para amenizar a agressividade da doença, não há um tratamento específico. De acordo com o neurologista, o que pode ser feito é o tratamento sintomático. “Esse tratamento é feito dependendo dos sintomas que o indivíduo apresenta. Existem medicamentos que combatem a rigidez e deixam a musculatura mais leve, por exemplo. Se houver alteração na fala e problemas com a deglutição, é indicada uma terapia com um fonoaudiólogo. Para os problemas com a coordenação motora, a fisioterapia. Os sintomas podem ser tratados, mas não a doença”, explica.

O nome da doença é a junção dos sobrenomes dos primeiros indivíduos que apresentaram os sintomas da síndrome: William Machado e Antone Joseph, imigrantes nos Estados Unidos, vindos do arquipélago de Açores, local onde a patologia é predominante.

Texto originalmente publicado no boletim Conectar, edição 95, em 23/8/2016. Assine nossa newsletter: http://www.fcmsantacasasp.edu.br.

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Hipertensão e tabagismo são fatores de risco para o AVC

Dr. Rubens Gagliardi, professor titular de Neurologia da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo

Dr. Rubens Gagliardi, professor titular de Neurologia da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo

Popularmente conhecido por “derrame”, o Acidente Vascular Cerebral – AVC é uma disfunção neurológica que acontece devido a comprometimentos da circulação sanguínea cerebral. Pode ser resultado de uma isquemia, causada por trombose, embolia ou outro tipo de obstrução do vaso, ou por uma hemorragia. Quando não há sangue suficiente para irrigar o tecido cerebral, este pode ficar sem “combustível”, o que leva a uma degeneração com isquemia e eventualmente morte neuronal, caracterizando o AVC, explica o Dr. Rubens Gagliardi, neurologista e professor Titular de Neurologia da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.

No Brasil, cerca de 100 mil pessoas morrem por ano em virtude deste problema, segundo o Ministério da Saúde. Em 90% dos casos, há uma relação direta e comprovada com os principais fatores de risco.

Apesar de ser predominante em pessoas a partir dos 60 anos, o AVC pode acontecer em qualquer idade, inclusive em recém-nascidos.

“O AVC é, na verdade, o denominador final de um distúrbio ou doença geral. O paciente tem alguma afecção que leva a alteração nas suas artérias ou veias cerebrais e que podem acarretar, com o progredir da doença, o AVC. Existem alguns fatores de risco genéticos como má formação vascular, como o aneurisma, alteração da coagulação, anemia falciforme e fatores adquiridos como hipertensão arterial, diabetes, cardiopatias, tabagismo, dislipidemias, alcoolismo excessivo, obesidade, sedentarismo, uso de drogas ilícitas, entre outros, que podem ser os responsáveis pelo aparecimento do AVC”, comenta o professor.

Os sintomas do AVC são muito variados e importantes. Podem ser motores, sensitivos, sensoriais, cognitivos, autonômicos. Os mais comuns são dificuldade de expressão verbal e/ou de compreensão (disfasia) e a paralisia de um dos lados do corpo (hemiparesia); muitas vezes também pode provocar distúrbio de visão – perda parcial ou total, dificuldade de cálculo, leitura, alteração de equilíbrio e dificuldade na deglutição.

Essas alterações nem sempre são permanentes, porém, em grande parte dos casos, os pacientes ficam com sequelas. “No período de 1 ano após o AVC, as estatísticas apontam que 30% dos pacientes morrem, 30% recuperam-se completamente, 20% ficam com sequelas graves e incapacitantes e 20% com leves, mas que interferem nas atividades cotidiana”, afirma o doutor.

Ele ressalta que o melhor tratamento é o preventivo, uma vez que o AVC tem grande possibilidade de prevenção. “O ideal é ter sempre uma alimentação balanceada, se possível, aliada a exercícios físicos regulares. Também é necessário evitar consumo excessivo de bebidas alcoólicas e tabagismo; ter um controle rigoroso da pressão arterial, da glicemia, dos lípides sanguíneos e do estado das artérias. Estes são fatores de risco que predispõem o Acidente Vascular Cerebral”, finaliza o professor Gagliardi.

 Texto originalmente publicado no boletim Conectar, edição 63, em 22/4/2015. Assine nossa newsletter:http://www.fcmsantacasasp.edu.br.

Cefaleia atinge 90% da população brasileira

Cientificamente denominada como cefaleia, a dor de cabeça é um dos males que mais atingem a população brasileira, vivenciada por 90% das pessoas no país, segundo a OMS (Organização Mundial de Saúde). As cefaleias podem ser divididas em dois grandes grupos: primárias e secundárias, sendo o último grupo em geral mais grave, como resultado de enfermidades específicas no sistema nervoso central.

Dr. Rubens Gagliardi, professor titular de Neurologia da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo

Dr. Rubens Gagliardi, professor titular de Neurologia da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo

“Consideramos como primária quando a dor desencadeada no indivíduo não tem uma causa específica orgânica, ou seja, trata-se de uma resposta do organismo e do cérebro a situações de pressão, preocupação, medo, por exemplo, podendo ocorrer repetidas vezes no dia ou na semana”, diz o Dr. Rubens Gagliardi, professor titular de Neurologia da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.

A enxaqueca é uma das formas de cefaleia e também se divide em dois tipos principais: com e sem aura. “A forma sem aura, normalmente, é caracterizada por uma dor pulsátil, acompanhada, em geral, por náuseas e vômitos. Além disso, sua periodicidade não é definida. A forma com aura pode se manifestar com diferentes sintomas, como alterações sensitivas, visuais motores, entre outras menos comuns”, explica o Dr. Gagliardi.

De acordo com a SBCe (Sociedade Brasileira de Cefaleia), a dor de cabeça tensional é a mais comum e acomete 78% da população, seguida da enxaqueca, que atinge 16% das pessoas. As mulheres são as mais afetadas devido, principalmente, a grandes alterações hormonais a que estão submetidas.

A cefaleia pode se manifestar em crianças, adultos e idosos; e a enxaqueca, contudo, é predominante na faixa etária dos 15 aos 40 anos e em mulheres. Segundo o Dr. Gagliardi, o diagnóstico deve considerar o histórico do paciente, com informações que vão desde sua rotina de atividades, alimentação, características das crises, manifestações concomitantes, achados clínicos e avaliação genética.

Entre os hábitos alimentares, é importante a individualização de cada um, pois as respostas podem ser bastante diferentes entre os pacientes. Em geral, deve-se investigar eventual prejuízo das crises com o consumo de chocolate, de bebidas alcoólicas e de produtos gordurosos, potencialmente agravante das crises e, se tal prejuízo for confirmado, esses tipos de alimentos devem ser evitados.

Ao contrário dos demais tipos, a cefaleia em salvas é mais presente nos homens. “É um distúrbio que ocorre em um lado da cabeça, causado por uma dor forte, aguda, rápida e com tendência a repetição. Outros sintomas são lacrimejamento dos olhos e congestão nasal”, explica o professor.

Embora comuns, as dores de cabeça não são normais. Na maioria das vezes, as pessoas se automedicam e não obtêm sucesso. “Sem dúvida, a automedicação não é recomendada, pois pode ocultar problemas mais sérios. No caso de cefaleias frequentes ou atípicas (as que se apresentam com um padrão de dor diferentemente do usual), deve-se procurar um neurologista para investigação diagnóstica e correta orientação”, finaliza o Dr. Gagliardi.

Texto originalmente publicado no boletim Conectar, edição 48, em 26/8/2014. Assine nossa newsletter:
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O que causa a perda de memória?

Dr. Rubens GagliardiExistem doenças ou determinadas condições que podem levar o indivíduo a esquecimentos temporários ou permanentes. Entre elas, estão o Alzheimer, lesões traumáticas, parada cardíaca, estresse, problemas na tireoide, carência de vitaminas, diabetes, pressão alta, depressão, déficit de atenção e traumas psicológicos. Confira mais detalhes nesta reportagem do canal Saúde – Portal iG, com a participação do Dr. Rubens Gagliardi, professor titular de Neurologia da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo: clique aqui.

Dia Mundial do AVC: mutirão esclarece dúvidas da população

AVCNo sábado, dia 26, com a participação de alunos da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo e de médicos da Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, foi iniciado um mutirão para instruir a população sobre o AVC (Acidente Vascular Cerebral), conhecido popularmente como derrame. A iniciativa marca o Dia Mundial do AVC e tem a coordenação da Liga de Neurologia da Santa Casa de São Paulo, liderada pelo neurologista Dr. Rubens Gagliardi, professor da FCMSCSP. Nos dias 28, 29 e 30/10, a ação terá continuidade e será realizada das 9h às 13h, nas estações de metrô Barra Funda, Sé, Brás e República, em São Paulo.

Dia Mundial do AVC

Segundo a Organização Mundial do AVC, uma em cada seis pessoas no mundo terá um AVC ao longo da vida. Cerca de 16 milhões de pessoas têm a doença por ano e, desse total, por volta de 6 milhões não sobrevivem. O acidente vascular cerebral ocorre quando há  a insuficiência no fluxo sanguíneo em uma determinada parte do cérebro. Esse fator pode gerar causas diversas: hipertensão arterial, diabetes, cardiopatia, tabagismo, sedentarismo, obesidade, aneurismas. O paciente recuperado de um AVC pode apresentar algum tipo de sequela, como é o caso de paralisação de parte do corpo e dificuldade na fala.a de São Paulo, liderada pelo neurologista Dr. Rubens Gagliardi, professor da FCMSCSP. Nos dias 28, 29 e 30/10, a ação terá continuidade e será realizada das 9h às 13h, nas estações de metrô Barra Funda, Sé, Brás e República, em São Paulo.

Parkinson e síndrome das pernas inquietas são alguns dos principais distúrbios dos movimentos

Dr. Rubens GagliardiRelacionadas às diversas condições neurológicas, as doenças caracterizadas por distúrbios dos movimentos podem influenciar vários itens que os compõem como o tono muscular, a velocidade, amplitude, força, entre outros, e até a capacidade de realizá-los. De acordo com o Dr. Rubens Gagliardi, professor titular de Neurologia da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, entre as principais doenças do movimento estão o Parkinson, síndrome das pernas inquietas, coréia e Doença de Huntington.

O Parkinson é uma das doenças neurológicas mais comuns e sua incidência aumenta com a idade do indivíduo. De acordo com o Dr. Gagliardi, os principais sintomas são tremor, lentidão no início dos movimentos e rigidez muscular.

“Existe uma área do cérebro chamada substância nigra, em que se formam os elementos que são os neurotransmissores responsáveis pelo equilíbrio motor. O movimento tem que ter harmonia na amplitude, tono e força, nem em excesso, que é o tremor, ou em falta, caracterizada pela rigidez. Essa harmonia é mediada por substâncias químicas. No Parkinson existe um desequilíbrio em alguns destes neurotransmissores”, diz.

Segundo o professor, os principais tratamentos para a doença de Parkinson são realizados com medicamentos à base de dopamina e/ou agonistas dessa substância. Dependendo do tipo da doença, com o tratamento, o paciente pode levar uma normal.

Outro problema comum são as pernas inquietas, um distúrbio apresentado pelo paciente de modo involuntário, em geral, durante o sono. “Os principais sintomas são movimentos intensos e bruscos com as pernas, eventualmente dor e formigamento”, afirma.

O Dr. Gagliardi explica que devido à má qualidade de sono provocada pelo distúrbio, no dia seguinte, a pessoa apresenta cansaço, sonolência e irritabilidade. “O tratamento é feito com medicamentos que aumentam a produção da dopamina”, fala.

Para o especialista, não existe uma forma específica de prevenir as doenças do movimento, visto que algumas delas são hereditárias, porém hábitos saudáveis reduzem as probabilidades de risco de desenvolvê-las. “Recomenda-se ter uma vida saudável, com alimentação correta, realizar exercícios físicos e, principalmente, evitar o cigarro”, orienta.

Texto originalmente publicado no boletim Conectar, edição 23, em 6/8/2013. Assine nossa newsletter http://www.fcmsantacasasp.edu.br.

Especialidade de Neurologia: área abrangente e oportunidade para profissionais

Dr. Rubens GagliardiA Neurologia estuda os distúrbios estruturais do sistema nervoso central e periférico, apresentando os diagnósticos e tratamentos. De acordo com o Dr. Rubens Gagliardi, professor titular de Neurologia da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, acidente vascular cerebral (AVC), epilepsia, cefaleia, Mal de Parkinson, polineuropatias, enxaquecas, meningites, demências (como Alzheimer), entre outras, são doenças que estão incluídas na especialidade.

“O AVC é a principal causa de morte no Brasil. Problemas como o Mal de Alzheimer e os distúrbios do sono apresentam bastante ênfase no país atualmente, e são tratadas pela Neurologia”, afirma.

O professor explica que a área tem inúmeras facetas, como a emergência, intensivismo, intervensionismo, hospitalismo, registros gráficos, além dos diferentes aspectos da clínica. Dessa forma, a especialidade é apresentada de maneira bastante ampla durante o curso de Medicina.

“No terceiro ano da graduação, são dadas as noções básicas sobre os exames neurológicos. A carga horária principal é oferecida no quarto ano do curso, em que são colocadas todas as informações sobre as doenças clínicas e neurológicas. Nesse mesmo período, temos uma parte aliada à neurofisiologia, neurofarmacologia, neuroanatomia e neurocirurgia, em que são abordadas todas as patologias. No sexto ano, junto ao internato, os alunos têm as discussões sobre as doenças específicas”, descreve o Dr. Gagliardi.

Para o professor, o mercado de trabalho nessa área é bom e ainda comporta novos profissionais, visto que a área é abrangente e vasta.

Texto originalmente publicado no boletim Conectar, edição 22, em 23/7/2013. Assine nossa newsletter http://www.fcmsantacasasp.edu.br.