Saiba quais são as causas, sintomas e tratamento da anemia

Rodolfo Cançado

Rodolfo Cançado, professor adjunto e chefe da disciplina de Hematologia e Oncologia da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo

Cansaço, dor de cabeça, tontura, irritabilidade, falta de atenção. Esses são alguns sintomas da anemia. Mesmo sendo muito comum em crianças, a doença também pode atingir adultos e, em 90% dos casos, a principal causa é a falta de ferro, que está presente no interior dos glóbulos vermelhos e é parte integrante de uma proteína chamada hemoglobina.

Segundo Rodolfo Cançado, professor adjunto e chefe da disciplina de Hematologia e Oncologia da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, os glóbulos vermelhos são as células sanguíneas responsáveis por levar o oxigênio a todas as células do organismo e por isso são tão importantes: “Ferro de menos no corpo faz mal. Quando falta ferro, falta oxigênio e isso traz consequências negativas para a nossa saúde”, explica.

Além disso, de acordo com Dr. Cançado, as crianças podem ter dificuldade de aprendizagem, infecções com mais frequência, e atraso de crescimento. Os adultos, por sua vez, toleram menos os exercícios, têm menor rendimento no trabalho, podem ter palpitação, falta de ar, desânimo e, às vezes, até simular um quadro de depressão.

O diagnóstico da anemia, acrescenta o professor, é tão importante quanto o seu tratamento. Isso porque a doença é um sinal de alerta de que algo está errado com a saúde da pessoa: “O primeiro sinal de um tumor de estômago ou de cólon é a anemia. Portanto, se não investigarmos a pessoa com anemia, podemos perder a chance de fazer o diagnóstico de um tumor numa fase ainda potencialmente curável. É preciso procurar a ajuda do médico. O diagnóstico de anemia é importante, mas a pessoa não deve ficar sossegada enquanto a causa da anemia não for esclarecida.”

O tratamento mais indicado em casos de anemia, segundo o professor da FCMSCSP, é o uso de medicamentos à base de ferro combinado com uma dieta rica em fontes de ferro. “A dieta rica em ferro pode ser suficiente para prevenir a deficiência de ferro, mas o tratamento com medicamentos também é muito importante”, esclarece. A dieta mais indicada para quem tem anemia, afirma o Dr. Cançado, é à base de carne: “As carnes em geral, que são ricas em ferro heme, principalmente fígado, coração, peixes como sardinha em lata e frango são ideais. Além disso, o ferro não heme, presente no feijão, lentilha e nas verduras escuras (couve, brócolis, agrião, rúcula, espinafre, beterraba), apesar de menos absorvido que o ferro das carnes, pode ser uma grande ajuda.”.

Anúncios

Doença Falciforme: entre as principais doenças genéticas do mundo

Dr. Rodolfo CançadoO Dia Mundial de Conscientização da Doença Falciforme, 19 de junho, é uma importante data no calendário da saúde, com reconhecimento pela Organização das Nações Unidas (ONU). De acordo com o Ministério da Saúde, anualmente 3.500 crianças no Brasil nascem com anemia falciforme, uma doença hereditária que está entre as principais doenças genéticas do mundo. A identificação pode ser feita por intermédio do teste do pezinho no recém-nascido.

Para conhecer mais detalhes, confira esta reportagem com a participação do Dr. Rodolfo Cançado, professor adjunto da disciplina de Hematologia e Oncologia da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo: clique aqui.

Anemia e suas implicações

Dr. Rodolfo Cançado
Em entrevista veiculada no Portal Exame.com em 13/8/2013, Dr. Rodolfo Cançado, professor adjunto da disciplina de Hematologia e Oncologia da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, esclarece dúvidas sobre a anemia, suas causas e consequências.

Confira, a seguir, a íntegra da reportagem, também disponível neste link.

Conheça mais sobre a anemia, que pode acometer qualquer um

A falta de ferro pode ser causada por uma dieta pobre, pela falta de absorção do ferro pelo organismo e perda de sangue

São Paulo – Uma das causas mais frequentes da anemia é a deficiência de ferro, que pode acometer qualquer pessoa, sobretudo crianças menores de três anos de idade, mulheres e gestantes. A falta da substância pode ser causada por uma dieta pobre, pela falta de absorção do ferro pelo organismo e perda de sangue, como mulheres que têm menstruação excessiva, ou pessoas acometidas por tumores no tubo digestivo.

“O ferro está presente no interior dos glóbulos vermelhos – células sanguíneas responsáveis por levar o oxigênio às demais do organismo -, sendo parte integrante de uma proteína chamada hemoglobina”, explica Rodolfo Cançado, professor adjunto da disciplina de Hematologia e Oncologia da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.

Segundo o acadêmico, pessoas com deficiência de ferro podem apresentar cansaço constante e sem motivo aparente, dor de cabeça, tontura, irritabilidade e falta de atenção. As crianças podem ter dificuldade de aprendizagem, infecções frequentes e atraso de crescimento.

Já os adultos ficam menos tolerantes aos exercícios, têm menor rendimento no trabalho, além de outros sintomas como palpitação, falta de ar, desânimo, queda de cabelos e enfraquecimento das unhas.

“Os pacientes com este problema manifestam apetite por substâncias não alimentares como terra, gelo, macarrão cru, limão e giz. Estima-se que a ausência de ferro esteja presente em um terço da população mundial, o que representa cerca de 2 bilhões de pessoas”, afirma.

De acordo com o médico Rodolfo, uma dieta que contém ferro inclui carnes em geral, que são ricas em ferro heme, como as vísceras, fígado, coração, peixe (sardinha em lata) e frango. Já o não heme, presente no feijão, lentilha, verduras escuras (couve, brócolis, agrião, rúcula, espinafre e beterraba) é menos absorvido que o das carnes, mas também é importante.

Para enriquecer e melhorar a absorção da substância, o professor indica cozinhar os alimentos em panela de ferro e tomar um copo de suco de frutas cítricas (laranja, limão ou acerola) antes ou durante a alimentação.

“A vitamina C contribui para o aumento da absorção do ferro não-heme e reduz o efeito de fatores inibidores. A adição de 50 mg dessa vitamina é capaz de dobrar a absorção de ferro não-heme presente na mesma refeição”, diz.

O especialista explica que o leite de vaca não é fonte de ferro e até prejudica sua absorção, a não ser que seja o materno ou fortificado industrialmente. “O fitato, fosfato e a gema de ovo diminuem a absorção e devem ser evitados. É indicada também a redução do consumo de chá, café e refrigerantes”, fala.

O tratamento com medicamentos à base de ferro compreende sais ferrosos, como o sulfato ferroso e os sais férricos. “A duração é de, pelo menos, 90 dias, podendo se estender até seis meses. Algumas pessoas que apresentam melhora dos sintomas, param de tomar o remédio após 20 ou 30 dias, e a anemia volta logo depois. Para estabilizar a doença são necessárias de quatro a seis semanas e para elevar os estoques de ferro no organismo mais dois ou três meses”, finaliza.