Exercícios físicos podem evitar a osteoporose

osmar_monte_osmar_camargo_fcmscspCaracterizada pela diminuição progressiva da massa óssea, a osteoporose geralmente se inicia na mulher após a menopausa e no homem, mais tardiamente, por meio da andropausa. Sem sintomas, a doença só pode ser diagnosticada por meio do exame chamado densitometria óssea.

De acordo com o Dr. Osmar Monte, endocrinologista, professor titular e vice-diretor da FCMSCSP, a osteoporose pode ter diversos fatores de risco, entre eles, o fator genético: “Nós começamos a formar o tecido ósseo como embriões e vamos terminar de ganhar massa óssea, por volta de 30 a 35 anos, quando atingimos o pico de massa óssea. Essa massa óssea atingida nesse pico tem relação com a genética; então, se a mãe ou pai têm osteoporose, o filho tem mais chances de desenvolver”, explica.

Quem também explica o assunto é o Dr. Osmar Pedro Arbix de Camargo, vice-diretor do curso de Graduação em Medicina e professor adjunto do Departamento de Ortopedia e Traumatologia da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo: “A pessoa com osteoporose tem seus ossos enfraquecidos e sujeitos a fraturas que são, muitas vezes, espontâneas. A mínima sobrecarga pode levar ao aparecimento de traços de fraturas completos ou incompletos.”

Segundo o Dr. Osmar Monte, a prevenção da osteoporose começa desde o nascimento. Uma ingestão adequada de cálcio encontrado no leite e seus derivados, a presença da vitamina D que também é importante, e de outros hormônios que também aumentam a massa óssea como paratormônio e o hormônio de crescimento. “Se o indivíduo tiver uma vida saudável, se ele for normal e tiver uma nutrição correta, uma ingestão adequada de cálcio, ele vai atingir o pico genético da massa óssea”, conta.

Outra forma importante de prevenção da osteoporose é a atividade física, de acordo com os médicos: “O osso responde com o aumento da massa óssea, quando ele é submetido a impacto. O esporte acarreta impacto ósseo e isso é um estímulo para o osso aumentar a sua massa óssea”, conta o Dr. Osmar Monte. “Quando a pessoa idosa faz exercícios aeróbicos, de alongamento e de musculação suaves, os ossos vão se fortalecendo. Então é importantíssimo que todo idoso tenha um programa de exercício, de recondicionamento físico adaptado à idade”, reforça o Dr. Osmar Camargo.

Texto originalmente publicado no boletim Conectar, edição 99, em 18/10/2016. Assine nossa newsletter: http://www.fcmsantacasasp.edu.br.

Anúncios

Hipotireoidismo: doença autoimune está relacionada com fatores genéticos

osmar-monte-fcmscsp

Dr. Osmar Monte, endocrinologista, professor titular e vice-diretor da FCMSCSP

O hipotireoidismo é uma deficiência na produção de um hormônio da tireoide, chamado tiroxina, que tem como principal função regular a velocidade do metabolismo energético, e na criança também controla o crescimento. A causa mais frequente do hipotireoidismo é a doença tireoidiana autoimune, conhecida como tireoidite de Hashimoto, uma inflamação da tireoide causada por um erro do sistema imune.

Apesar dos sintomas conhecidos, como o ganho de peso e a queda dos cabelos, segundo o Dr. Osmar Monte, endocrinologista, professor titular e vice-diretor da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, o hipotireoidismo é uma doença de insidiosa, com início muito lento, por isso, quando na fase inicial, a pessoa praticamente é assintomática, o que é um alerta para ter os exames em dia. “Os sintomas iniciais não são sugestivos. A pessoa pode sentir um pouco de sonolência, indisposição, o que são sintomas que várias situações podem acarretar”, explica.

A patologia é geralmente mais comum em mulheres e tende ser mais frequente à medida que as pessoas envelhecem. Além disso, de acordo com o Dr. Osmar Monte, existe outro grupo de risco para o hipotireoidismo. “Por se tratar de uma doença autoimune, existe herança familiar. Quem tem familiares com hipotireoidismo tem risco maior de desenvolver a deficiência”, afirma.

O diagnóstico do hipotireoidismo é feito pela história clínica, exame físico e a confirmação pelo exame laboratorial com a medida do TSH, seguida da medida do T4 livre. “Para se achar a etiologia, ou seja, a causa do hipotireoidismo, devemos também medir os anticorpos contra tireoide”, conta o endocrinologista. O tratamento da patologia é feito por meio da reposição da tiroxina. “O paciente diariamente toma uma dose de tiroxina de tal modo a se manter a função da tireoide em valores normais para sua faixa etária”, finaliza.

Texto originalmente publicado no boletim Conectar, edição 97, em 20/9/2016. Assine nossa newsletter:http://www.fcmsantacasasp.edu.br.

Puberdade precoce: entenda os riscos e como deve ser feito o tratamento

osmar-monte-fcmscsp

Dr. Osmar Monte, endocrinologista, professor titular e vice-diretor da FCMSCSP

Puberdade é o conjunto de modificações físicas durante a adolescência. No entanto, quando essas modificações se manifestam em meninas com menos de oito anos e em meninos com idade inferior a dez anos, estamos diante de um quadro conhecido como puberdade precoce. Seus principais indicativos, explica o Dr. Osmar Monte, endocrinologista, professor titular e vice-diretor da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, são o aparecimento do broto mamário nas meninas e o aumento do volume dos testículos em meninos.

Há basicamente dois tipos de puberdade precoce. Um deles é a puberdade precoce gonadotrofina dependente, que ocorre quando o eixo hipotalâmico hipofisário gonadal amadurece na menina e no menino. O hipotálamo, explica Dr. Osmar Monte, funciona como um relógio biológico que ao “despertar” inicia a produção de um hormônio chamado GnRH que irá estimular a hipófise* a secretar os hormônios chamados gonadotrofinas, os quais irão estimular os ovários nas meninas ou os testículos nos meninos a produzirem os hormônios sexuais. Também chamada de idiopática, não tem causas específicas. Já no outro tipo, a chamada gonadotrofina independente, existe uma função gonadal autônoma independente das gonadotrofinas hipofisárias, ou seja, não há a participação do hipotálamo nem da hipófise: “Isso se deve geralmente ao tumor gonadal, como por exemplo, tumor de ovário, ou à síndrome chamada McCune Albright, doença em que ocorre uma mutação nas células que produzem hormônio feminino ou também o hormônio masculino”, acrescenta.

De acordo com o endocrinologista, além de encurtar a etapa de crescimento da criança, a puberdade precoce também pode causar uma desadaptação psicossocial. Isso ocorre principalmente em meninas, uma vez que os sinais do desenvolvimento físico são mais perceptíveis. “Uma menina de apenas seis anos que tem de lidar com a puberdade precoce, por exemplo, tem o desenvolvimento intelectual-emocional de uma criança de seis anos, mas sofre estímulos hormonais, não estando, portanto, bem adaptada para aquela situação por falta da maturação emocional normal que ocorre ao longo do tempo”, explica.

Ainda segundo o Dr. Osmar Monte, para descobrir se a criança encontra-se na condição de puberdade precoce, é preciso fazer um diagnóstico clínico. “Nesse caso, o médico irá examinar a criança e avaliar o desenvolvimento das características sexuais perante a sua idade cronológica”, conta. O especialista acrescenta que, para o tratamento da puberdade precoce dependente, a criança deve fazer uso de uma medicação chamada GnRH Agonista, que inibe o avanço hormonal: “Esse medicamento bloqueia a hipófise, que para de produzir as gonadotrofinas e a criança deixa de estar em puberdade. O tratamento é mantido até os 12 anos de idade óssea na menina e os 13 anos de idade óssea no menino quando deve ser suspenso.”

* Pequena glândula localizada abaixo do cérebro, na base do crânio.

Texto originalmente publicado no boletim Conectar, edição 89, em 31/5/2016. Assine nossa newsletter: http://www.fcmsantacasasp.edu.br.

Faculdade Santa Casa de SP recebe visita de professor da Icahn School of Medicine at Mount Sinai

BUILDING-BRIDGES

Participantes do Building Bridges Medical Education & Anatomical Sciences – Brazil & USA

No dia 7 de novembro de 2015, a Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo sediou o evento internacional Building Bridges Medical Education & Anatomical Sciences – Brazil & USA.

Realizado na cidade de São Paulo e destinado a todos os profissionais da área da saúde e, em especial, aos estudantes de medicina, fonoaudiologia, enfermagem, residentes de neurocirurgia, de cirurgia de cabeça e pescoço e otorrinolaringologia, o encontro foi um marco para o Departamento de Morfologia da FCMSCSP e contou com a presença do Prof. Dr. Osmar Monte, vice-diretor da FCMSCSP, representando a diretoria da Instituição.

“Todos que estavam presentes puderam aprender e discutir sobre anatomia, genética, educação médica, evolução humana e intercâmbio Brasil/Estados Unidos. O Prof. Dr. Jeffrey T. Laitman, por meio de seu vasto conhecimento e sua fala clara e objetiva, mostrou como a anatomia e a evolução caminham juntas e se complementam. Ele nos encheu de energia quando falou como trabalha tais temas com seus alunos da Icahn School of Medicine at Mount Sinai, em Nova York”, explica a Dra. Mirna Duarte Barros, chefe do Departamento de Morfologia da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo e coordenadora do evento, juntamente com a Dra. Daniella Curcio, professora da Faculdade e pós-doutoranda no Laboratório do Prof. Dr. Laitman.

Entre os principais momentos do Building Bridges, a Dra. Mirna Barros aponta: “o Prof. Dr. Luiz Alonso, ex-aluno do curso de Graduação em Medicina da FCMSCSP, geneticista e especialista do desenvolvimento de malformações craniofaciais, chefe do Departamento de Anatomia da Unifesp e professor da Faculdade Israelita de Ciências da Saúde Albert Einstein, falou de genética, anatomia, aconselhamento genético e relação com o paciente, usando as craniosinostoses, objeto de estudo de sua linha de pesquisa, apresentando as informações mais atualizadas da área”, ressalta.

Coordenaram os painéis de discussão os professores Antonio Cardoso Pinto, Bianca Maria Liquidato; Denival Soares Galdeano e Vivian Alessandra Silva, do Departamento de Morfologia. “Contamos com a valiosa contribuição do Dr. Wagner Montor, professor do Departamento de Ciências Fisiológicas da FCMSCSP, representando o Núcleo de Relações Internacionais (NRI) da Instituição e mostrando o quanto a FCMSCSP já caminhou nas relações internacionais, levando nossos alunos para estágios em instituições de renome e recebendo alunos de fora”, comenta a Dra. Mirna Barros.

Durante o evento, o Prof. Dr. Richard Halti Cabral, Presidente da Sociedade Brasileira de Anatomia (SBA), instituiu o Prêmio Prof. Dr. Jeffrey T. Laitman, destinado aos membros da SBA que contribuíram para o estreitamento das relações científicas, médicas e educacionais entre Brasil e EUA na área de Anatomia. Foram agraciadas com tal Prêmio as doutoras Daniella F. Curcio e Mirna D. Barros, organizadoras do evento.

Seguindo o objetivo principal do evento – construir pontes entre a FCMSCSP e a Icahn School –, o Dr. Valdir Golin e o Dr. Osmar Monte, respectivamente, diretor e vice-diretor da FCMSCSP e o Dr. José Eduardo Lutaif Dolci, diretor do curso de Graduação em Medicina da FCMSCSP, receberam em reunião o Prof. Dr. Jeffrey Laitman, juntamente com as doutoras Mirna Duarte Barros e Daniella F. Curcio, organizadoras do evento. “Em breve, os frutos deste contato e deste aprendizado poderão ser partilhados por todos”, finaliza a Dra. Mirna Barros.

Texto originalmente publicado no boletim Conectar, edição 78, em 24/11/2015. Assine nossa newsletter: http://www.fcmsantacasasp.edu.br.

Aluna do curso de Graduação em Medicina da FCMSCSP conquista bolsa para realização de pesquisa

Dra.-Fabiana-Henriques-Machado-de-Melo

Dra. Fabiana Henriques Machado de Melo, professora da FCMSCSP e orientadora do trabalho

Dedicar-se à pesquisa não é uma tarefa fácil​; são necessários interesse, empenho e muito estudo. Foi assim que Lívia Tomazin Maebuti, aluna do 2º ano do curso de Graduação em Medicina da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, conseguiu, já no início de sua vida universitária, uma bolsa pela F​​undação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo​ (Fapesp)​ com o projeto: “Avaliação de marcadores epigenéticos em nevos melanocíticos e no melanoma acral lentiginoso localizados na região acral”.

“Para o desenvolvimento de uma pesquisa deve haver comprometimento, ainda mais pelo fato de que a carga horária exige bastante dos alunos de Medicina. Mas a Lívia é superdedicada, escreve bem e eu tenho o maior orgulho dela. Esse projeto, inclusive, é original​. Não há nada na literatura sobre o assunto”, ressalta a Dra. Fabiana Henriques Machado de Melo, professora do Departamento de Ciências Fisiológicas da FCMSCSP e orientadora do trabalho.

De acordo com a Dra. Fabiana, o trabalho surgiu após receber o aconselhamento do Prof. Dr. Osmar Monte, vice-diretor da FCMSCSP,  para conversar com o Dr. Marcus Antonio Maia de Oliva Ferreira, dermatologista e professor da FCMSCSP. “Tenho um aluno de Mestrado e fui conversar com o Dr. Marcus para fazer uma colaboração e fiquei sabendo que ele queria ​realizar um trabalho sobre melanoma acral lentiginoso”, explica a Dra. Fabiana.

Lívia-Tomazin-Maebuti

Lívia Tomazin Maebuti

A partir daí, a professora apresentou a ideia aos alunos de Iniciação Científica da FCMSCSP, que se dispuseram a desenvolver a pesquisa: “A Lívia é a autora e o Gabriel Roberti de Oliveira, também aluno do 2º ano do curso de Graduação em Medicina, é colaborador nesse trabalho. Ao buscarmos na literatura algo sobre o melanoma acral lentiginoso, notamos que há trabalhos relatando a existência de mutações em genes ​– alteração genética associada ao desenvolvimento do melanoma ​– importante para o controle do ciclo celular, porém os resultados não são conclusivos”, esclarece.

Como no Pós-doutorado a Dra. Fabiana estudou o papel dos mecanismos epigenéticos no desenvolvimento do melanoma, notou ali uma oportunidade, pois em vários tumores, inclusive no melanoma, já foram descritas inúmeras alterações genéticas ou mutações que estão associadas ao seu desenvolvimento. E não há nada, de acordo com a professora, que relacione a ocorrência de modificações epigenéticas e o desenvolvimento do melanoma acral lentiginoso.

O que é melanoma
É um tipo de câncer que aparece na pele, no couro cabeludo e, no caso do superficial, acomete pessoas de pele clara e está associado à exposição à luz ultravioleta. A diferença é que o melanoma acral lentiginoso ocorre em regiões que não estão expostas ao sol, como a palma da mão e a planta do pé. “Ele é um tipo mais raro, mas é um câncer de pele agressivo, causa metástase e mata”, explica a Dra. Fabiana.

Além de conquistar a bolsa Fapesp, Lívia Tomazin Maebuti obteve uma verba da Sociedade Brasileira de Dermatologia a fim de financiar o material necessário para a realização do projeto. ​A futura médica conta que já vinha procurando algo que estivesse relacionado a câncer. “Gosto muito do que faço​; então para mim é por prazer mesmo. Não acho que teria feito tudo o que fiz se não tivesse o apoio da professora Fabiana, que estava ali para tudo que eu precisasse, assim como os outros professores também. Aliás, aqui na Faculdade há muitos pesquisadores renomados e sempre todos muito acessíveis, o que me inspira bastante”, agradece a estudante.

A pesquisa prevê resultados de estudos sobre cinco casos de nevos e cinco de melanomas acrais. “​Há muita coisa que contribui para o desenvolvimento do câncer​. Vamos ter de colher dados como a idade​ e a ocupação do paciente e tomar cuidado com os parâmetros para não perdermos resultados. A bolsa da Lívia é de um ano, renovável. ​Esperamos que​,​ dentro desse período​,​ tenhamos muitos pacientes, já que o hospital da Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo recebe pessoas vindas de diversos lugares para atendimento, em que pode haver um grande número de casos de melanoma​”, finaliza a professora.

Texto originalmente publicado no boletim Conectar, edição 76, em 21/10/2015. Assine nossa newsletter: http://www.fcmsantacasasp.edu.br.

O avanço tecnológico e o sedentarismo em função da obesidade

Dr.-Osmar-Monte

Dr. Osmar Monte

Na era dos videogames, tablets e celulares com um arsenal de aplicativos que possibilitam fazer pedidos, pagar contas e realizar compras com apenas um clique, os hábitos rotineiros da população ganharam um novo rumo. De acordo com informações da Organização Mundial da Saúde (OMS), o sedentarismo é uma das principais causas da obesidade. Ainda segundo informações da OMS, em países emergentes como o Brasil, a taxa de obesidade vem crescendo consideravelmente. “É importante saber que a obesidade é uma doença, então quando ela se espalha muito na sociedade torna-se uma epidemia. Hoje, vivemos uma aqui no país, pois o brasileiro importou muitos hábitos norte-americanos especialmente os fast foods, ou seja, trouxemos a obesidade”, afirma o endocrinologista Dr. Osmar Monte, professor titular e vice-diretor da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo e sócio-honorário da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia.

Dr. Monte explica que não há uma determinada faixa etária em que a doença vem acometendo a população; ela está presente em crianças e até nos mais idosos. “A obesidade tem um componente genético familiar que, infelizmente, a Medicina não tem como mudar. Mas tem um componente ambiental, talvez mais fundamental que o genético, que é a oferta excessiva de alimentos calóricos por hábitos alimentares da população. Na medida em que você troca alimentos de baixas calorias por um fast food, altamente calórico, vai ganhar peso, ainda mais se a genética favorecer”, completa.

De acordo com o vice-diretor da FCMSCSP, em uma combinação de lanche, batatas fritas, refrigerante e tortinha, há 1.200 calorias. Já em um prato com arroz, feijão, bife, salada e uma fruta de sobremesa, encontram-se cerca de 350 calorias. “O número certo de calorias para se ingerir varia com a idade, sexo, peso e atividade física praticada, que é outro problema considerável atualmente porque poucas pessoas encaram o desafio e na medida em que você tem as facilidades de um mundo moderno com avanço tecnológico, você fica mais tempo parado e gasta menos calorias. Assim, o pouco que está comendo é muito pelo gasto energético”, quantifica. Confira algumas dicas do Dr. Osmar Monte sobre como evitar o aumento do peso da população:

Exercícios físicos
Pode apenas parecer uma tendência, mas a prática esportiva ajuda de fato no controle ou na manutenção do peso. Além disso, controla a hipertensão, diabete e traz outros benefícios. “Porém, não adianta malhar por uma hora na academia, ou correr, por exemplo, na qual perder-se-iam 200 calorias, e sair para comer um sanduíche”, adverte.

Quanto aos praticantes de exercícios físicos que notam não haver alteração no peso, o Dr. Osmar Monte lembra que pode ocorrer de o corpo estar ganhando massa magra, que é músculo e isso pesa, mas com certeza estará perdendo gordura. Em todos os casos, isso dependerá da quantidade de exercícios realizados aliados a uma dieta balanceada”, ressalta. Para crianças, o endocrinologista lembra que há poucos parques para brincar nas diferentes regiões do país e que a tendência são os videogames, computadores. “Não é mais seguro brincar na rua. A maioria mora em apartamentos e, por isso, é imprescindível incentivá-las a praticar algum exercício. Lembrando que, em qualquer idade, a atividade mais indicada é aquela que dá mais prazer ao praticante”, aconselha o Dr. Monte.

Educação alimentar
Uma das preocupações, de modo geral na população, é o aumento da obesidade em crianças. “Elas aprendem a comer com os pais e, se eles tiverem maus hábitos, os filhos poderão adquiri-los. Acredito que a disciplina Nutrição deveria estar na matriz curricular das escolas primárias. Deveríamos ensinar as crianças o que são alimentos calóricos e não calóricos, mostrando o que é saudável”, enfatiza o Dr. Monte.

Refrigerantes X sucos
Segundo o endocrinologista, um erro bem comum é trocar os refrigerantes por suco para manter a dieta, mas para a surpresa de todos, há sucos, apesar de saudáveis, que são altamente calóricos. “Os refrigerantes comuns tem açúcar na composição, o que os torna muito calóricos; uma lata tem aproximadamente 165 calorias. Já o suco é um alimento saudável, porém calórico. Uma porção de fruta tem, em média, 50 calorias. Para fazer um suco, digamos que se utilizem três laranjas. Aí já teríamos 150 calorias, mais o açúcar para adoçar, o que faz ingerirmos em torno de 200 calorias”, elucida.

No entanto, o Dr. Osmar Monte esclarece que um refrigerante zero tem realmente zero calorias. “É comum confundir um alimento saudável com alimento que não engorda. O suco é saudável, mas é altamente calórico; ele faz bem para saúde, mas não significa que não vai engordar. Há frutas como o limão que praticamente não tem açúcar. Se optar por beber com adoçante, esse suco terá quase zero calorias”, ensina.

Light X diet

O termo diet é utilizado para um alimento que, em relação ao padrão, possui a ausência de um componente. “Esse alimento é preparado para o tratamento de uma doença, por exemplo, se não tem açúcar ele é dietético para um diabético, sem sal é um alimento dietético para quem tem hipertensão. É importante saber que para uma pessoa normal, ele é um alimento comum, pois o fato de ser dietético não significa que não engorda”, detalha. Ainda de acordo com o professor, o alimento light, por definição, é aquele que em relação ao alimento padrão tem uma redução calórica de 20%. “Esse sim é um alimento dirigido ao público que quer perder peso”, finaliza o Dr. Monte.

Tabela de Índice de Massa Corporal

Abaixo de 17 Muito abaixo do peso
Entre 17 a 18,4 Abaixo peso
Entre 18,5 a 24,9 Peso saudável
Entre 25 a 29,9 Sobrepeso
Entre 30 a 34,9 Obesidade I
Entre 35 a 39,9 Obesidade II (severa)
Acima de 40 Obesidade III (mórbida)

Texto originalmente publicado no boletim Conectar, edição 75, em 6/10/2015. Assine nossa newsletter: http://www.fcmsantacasasp.edu.br.

 

 

Consumo exagerado de isotônicos pode ser prejudicial à saúde

Dr. Osmar Monte,  endocrinologista e professor da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.

Dr. Osmar Monte, endocrinologista e professor da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.

Associado à atividades físicas, o isotônico é responsável por repor rapidamente a energia consumida pelo corpo humano. A bebida é utilizada para dois fins: hidratar e devolver nutrientes que possam ter sido perdidos durante o exercício físico. De acordo com a Associação Brasileira das Indústrias de Refrigerantes e Bebidas não Alcoólicas (Abir), o consumo de isotônicos aumentou 60%, entre 2006 e 2010. Entretanto, se consumida em excesso, a bebida pode ser prejudicial à saúde, contribuindo inclusive para alterações na pressão arterial.

“O ideal é não abusar dos isotônicos, porque eles têm efeitos colaterais também. Por exemplo, eles contêm muito sódio. Se o indivíduo for hipertenso e tomar uma carga maior de isotônico, ele pode ter alguma alteração da sua pressão arterial e algumas complicações em virtude disso”, explica o endocrinologista e professor da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, Dr. Osmar Monte. Além disso, caso a pessoa não pratique exercícios, a bebida isotônica pode colaborar com o ganho de peso. “Se ele simplesmente tomar isotônico, sem atividade física, isso pode levar ao ganho de peso, porque aumenta a quantidade de calorias que a pessoa está ingerindo”, afirma.

Já o consumo de bebidas isotônicas por crianças só ocorre em casos de hidratação e o líquido não pode substituir a ingestão de sucos naturais no dia a dia. “Primeiro, seria estar substituindo algo saudável por alguma coisa não tão saudável. Em segundo lugar, o suco é uma substância mais natural, que também serve para hidratação e para reposição energética, além de conter vitaminas, coisa que os isotônicos não têm”, explica o professor.

A bebida pode ser usada com moderação por atletas. O Dr. Osmar Monte ressalta que não existe um momento certo para a ingestão do isotônico, pois isso depende muito da intensidade da atividade praticada. Nesse caso, a bebida serve como um mecanismo para reposição de energias.

Texto originalmente publicado no boletim Conectar, edição 65, em 5/5/2015. Assine nossa newsletter: http://www.fcmsantacasasp.edu.br.