Professor de Dermatologia da FCMSCSP discute causas e tratamentos da caspa

Dr. Marcus MaiaDurante o inverno, algumas doenças podem se agravar, como a dermatite seborreica, popularmente conhecida como caspa. “A ausência do sol tende a piorá-la, enquanto o verão ajuda a controlar”, afirma o Dr. Marcus Maia, professor de Dermatologia da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.

A dermatite seborreica não é contagiosa, porém pode ser um empecilho para a vida social do indivíduo. “É preciso compreender que a caspa é uma afecção crônica da pele e não significa falta de cuidado com a higiene pessoal”, alerta o dermatologista.

Essa dermatite é hereditária e se manifesta ao longo da vida, podendo se manifestar de forma menos intensa ou chegando a casos mais graves, que incluem vermelhidão, descamação e, às vezes, secreção com coceira intensa. Trata-se de uma condição crônica, com fases de melhora e de piora que exigem tratamento constante.

“O tratamento é sintomático, portanto não curativo, e a prescrição dos medicamentos varia de acordo com o paciente e a intensidade do problema. Muitas vezes é recomendada a troca periódica da medicação, sempre com a supervisão de um especialista. Além disso, deve-se evitar o uso crônico de cortisona, principalmente na face, o que pode causar efeitos colaterais mais complicados do que a dermatite”, acrescenta o Dr. Maia.

O histórico da dermatite pode surgir logo após o nascimento, com a chamada “crosta láctea”, que são placas vermelhas e escamosas aderidas ao couro cabeludo. “Nem sempre a dermatite seborreica está restrita ao couro cabeludo, é possível que ela se manifeste ao lado do sulco do nariz, na barba, na área genital, dentro do ouvido – o que causa a otite seborreica – e na região dos olhos, com as pálpebras e os cílios acometidos, o que chamamos de blefarite seborreica, que pode evoluir para a conjuntivite”, declara o professor.

A condição pode ser agravada com a diminuição da resistência do organismo, por conta de fatores emocionais como estresse, má alimentação, insônia e também com o uso excessivo de álcool. “Aprendemos muito sobre a dermatite seborreica, principalmente por meio de pacientes com AIDS, porque observamos que a sua baixa imunidade piora bastante o quadro dermatológico e que muitas vezes esta forma exagerada é a primeira manifestação evidente da doença. A popular caspa é mais complexa do que se imagina”, finaliza o Dr. Maia.

Texto originalmente publicado no boletim Conectar, edição 47, em 12/8/2014. Assine nossa newsletter:
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Um agradecimento especial a um grande mestre da Medicina

Dr Nelson ProençaA Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo chega ao ano de seu cinquentenário. Essa data marca uma trajetória de conquistas, realizações e inúmeras histórias, resultado de muita dedicação ao longo desse meio século. Para compartilhar as experiências vividas nesse período, o Conectar* escolheu a primeira edição de 2013 para homenagear um ilustre ex-professor da FCMSCSP, o Dr. Nelson Proença, que completou 80 anos de idade e se mudou para outra cidade, onde pretende continuar sua vida profissional como médico dermatologista.

Como forma de agradecimento à Instituição, o Dr. Proença escreveu uma carta ao diretor da Faculdade Santa Casa de São Paulo, Dr. Valdir Golin. O Conectar reproduz abaixo um trecho do texto:

 “Dediquei mais de quatro décadas, de minha vida profissional, prestando serviços a esta nobre instituição: a Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Agradeço a oportunidade que me foi dada, de aqui exercer a Cátedra. Sinto-me como um eterno devedor.

Devedor, sim, por permitir que eu pudesse participar de uma das mais legítimas propostas de formação médica que existem no Brasil. Nossa Faculdade é um exemplo a ser seguido. Principalmente nesta época, onde faltam, cada vez mais, propostas legítimas, desprovidas de interesses materiais, que estão baseadas tão somente em valores morais e éticos, orientando a Educação”.

Em resposta a esta carta, Dr. Golin destaca que o Dr. Proença é um exemplo de mestre e médico:

“Foi um grande realizador e responsável pela formação de centenas de dermatologistas, na verdadeira acepção da palavra, além de cuidar da formação também de médicos formados pela FCMSCSP. Sua vinda para a Santa Casa fez florescer a especialidade de dermatologia, seu ambulatório, a humanização do atendimento ao paciente carente, além de elevar cientificamente o nível da Instituição com numerosas publicações científicas e titulações de seus assistentes.

O agradecimento é nosso, caro professor, contudo esta sua atitude mostra realmente aquilo que os grandes mestres, com caráter e dignidade, possuem e que os diferenciam dos medíocres, ao referenciar a Faculdade que lhe propiciou a oportunidade de conviver com os jovens estudantes, com avidez para desenvolver seus conhecimentos, coisa não muito frequente no mundo extremamente competitivo e materialista de hoje”completa Dr. Valdir Golin.

Os ensinamentos e a postura acadêmica do Dr. Proença também marcaram a formação de um dos seus primeiros ex-alunos da Faculdade Santa Casa de São Paulo, o Dr. Marcus Maia. Confira a seguir um trecho de seu depoimento ao ex-professor:

“Além de professor de Dermatologia, recebemos do Prof. Proença ensinamentos para a vida profissional de consultório. Gostaria de comentar sobre a atuação dele como pesquisador Clínico, que sempre enxerga uma oportunidade de estudo exatamente com o nosso cotidiano. As outras contribuições do Professor para a nossa Instituição também são enormes.

Muito importante foi a sua atuação informal constante na defesa da ética em qualquer atividade acadêmica, bem como profissional, contribuindo de maneira decisiva para a consolidação da Dermatologia na nossa Escola e para a sua reputação, amplamente reconhecida. O Prof. Proença mostra e destaca aquilo que podem considerar como um modelo acadêmico, uma pessoa que ao longo de toda a sua vida profissional dignificou a profissão acadêmica, e isso é importante e impactante para a Santa Casa e para o Brasil.

O Prof. Proença, mesmo depois de se aposentar, continua se dedicando de maneira tão intensa à Santa Casa tanto quanto ou mais que antes. Então, penso que há várias lições para se tirar dessa homenagem e gostaria de cumprimentá-lo de maneira enfática e efusiva, especialmente pelo exemplo que ele é para os estudantes, uma pessoa que é um modelo de comportamento e profissional”conclui o Dr. Marcus Maia.

*Texto originalmente publicado no boletim Conectar, edição 9, em 22/1/2013. Assine nossa newsletter:http://www.fcmsantacasasp.edu.br.