Albinismo precisa ser acompanhado desde a infância

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Idealizadores do Programa Pró-Albino, Dr. Marcus Maia, professor da disciplina de Dermatologia da FCMSCSP e a Dra. Carolina Marçon, dermatologista

O albinismo é uma desordem genética associada à deficiência da melanina, pigmento que dá cor à pele, aos cabelos e aos olhos e tem a função de proteger a pele contra a radiação solar. Indivíduos portadores de albinismo têm, portanto, pele clara – pela ausência da melanina – extremamente sensível e suscetível ao câncer da pele, além de problemas oculares que são bem específicos e característicos, como a fotofobia, o estrabismo, entre outros.

De acordo com a Dra. Carolina Marçon, dermatologista e uma das idealizadoras do Programa Pró-Albino, como as pessoas portadoras de albinismo não têm a produção de melanina, elas têm uma pele completamente desprotegida que requer diversos cuidados. “A melanina é um pigmento que quando recebe a radiação na pele, tem um estímulo para a produção e forma uma espécie de ‘capinha’ ao redor do núcleo da célula, que tem a função de proteger o DNA contra o dano causado pela radiação. Desta forma, é fundamental no paciente albino a proteção solar. Eles não podem, de jeito nenhum, se expor nos horários entre 10h e 16h. Em outros horários, é necessária a proteção solar, com o uso do protetor solar ou com o uso de roupas com tecido apropriado que impede a radiação de atingir a pele”, comenta.

A dermatologista explica ainda que essa proteção deve ser feita desde a infância da pessoa com albinismo, uma vez que a falta de cuidado pode acarretar em uma série de problemas na vida adulta: “A proteção é fundamental porque o dano vai se acumulando e, na vida adulta, começa a se manifestar. Se a proteção for feita desde a infância, evitando a exposição ao sol, é possível chegar à idade adulta com a pele completamente saudável.”

Além disso, pessoas portadoras de albinismo também devem fazer a suplementação de vitamina D, já que 90% da vitamina vêm da exposição ao sol. “Outra questão importante é a oftalmológica. Se diagnosticada na infância, uma criança albina tem a possibilidade de um desenvolvimento estudantil normal. Hoje existem vários tratamentos para adequar essa criança com deficiência visual ao ambiente”, ressalta a Dra. Carolina.

Programa Pró-Albino

Com o objetivo de prevenir, diagnosticar, tratar e acompanhar os pacientes com albinismo, foi implantado o programa Pró-Albino na Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo. O projeto faz uma abordagem multidisciplinar do albinismo, que é contemplada por equipe de dermatologistas, oftalmologistas, psicólogos e uma assistente social.

Segundo o Dr. Marcus Maia, professor da disciplina de Dermatologia da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo e também idealizador do programa, a ideia de criar o Pró-Albino, a princípio, veio da importância de realizar o diagnóstico precoce do câncer de pele.

“Os pacientes albinos chegavam aqui com câncer extremamente avançado e, alguns casos mais graves, até perdíamos alguns pacientes em função desse câncer. Chegamos à conclusão, portanto, que precisaríamos fazer esse acompanhamento no albino bebê. O problema do albino é muito maior do que a gente imagina. E a única forma de ajudá-los é incluí-los socialmente na saúde, na educação e na profissão. Isso nos estimulou a criar uma política de inclusão social para este grupo”, afirma.

“Nosso trabalho, principalmente por acompanharmos muitas crianças, é muito gratificante, pois conseguimos impedir que coisas graves aconteçam e que essa criança cresça com qualidade de vida”, afirma a Dra. Carolina.

Texto originalmente publicado no boletim Conectar, edição 115, em 18/7/2017. Assine nossa newsletter: http://www.fcmsantacasasp.edu.br.  

 

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Verão exige atenção redobrada com a pele

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Dr. Marcus Maia, professor da disciplina de Dermatologia da FCMSCSP

Durante o verão, aumentam as atividades ao ar livre, as idas à praia e à piscina. Por isso, os cuidados com a pele devem ser redobrados e intensificados. A exposição solar intensa e descuidada pode acarretar em diversos problemas como queimaduras, envelhecimento precoce da pele e até mesmo o câncer de pele, o mais comum entre os brasileiros. Segundo o Instituto Nacional do Câncer (Inca), são registrados cerca de 135 mil novos casos de câncer de pele por ano no país.

Para o Dr. Marcus Maia, professor da disciplina de Dermatologia da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, a principal forma de proteção é o uso do protetor solar e a reaplicação diversas vezes ao dia, principalmente após entrar e sair da água. “O simples fato de entrar na água já faz com que você perca cerca de 50% da proteção do filtro solar. Então, o ponto principal é reaplicar corretamente a cada uma hora e sempre que sair da água”, afirma.

O dermatologista destaca que pessoas do grupo de risco precisam investir ainda mais em proteção. Além das crianças, compõe o quadro pessoas com pele clara, cabelos e olhos claros, com muitas pintas e sardas e pessoas com histórico de câncer de pele na família. Por conta da pigmentação da pele, essas pessoas estão mais propensas a desenvolver problemas de pele e câncer do que pessoas de pele negra. Por isso, adicionalmente ao filtro solar, Dr. Maia recomenda a utilização de roupas especiais com proteção contra os raios UVA e UVB e chapéus – principalmente nas crianças.

Mesmo ficando embaixo do guarda-sol e em dias em que o sol não está tão forte, o conhecido mormaço já é suficiente para queimar a pele e pode causar os efeitos do sol forte. “O mormaço queima quase a mesma coisa que o sol, pois as nuvens claras não têm força suficiente para proteger dos raios ultravioleta. Por isso, não basta ficar embaixo de guarda-sol. É importante lembrar que a luz é refletida na areia e queima praticamente da mesma forma. As pessoas não devem abrir mão da utilização do filtro solar”, enfatiza o Dr. Maia.

Texto originalmente publicado no boletim Conectar, edição 104, em 14/2/2017. Assine nossa newsletter: http://www.fcmsantacasasp.edu.br. 

Saiba como evitar erros com a pele no inverno

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Dr. Marcus Maia, professor de Dermatologia da FCMSCSP

Diferente do que se pensa, os cuidados com a pele no inverno são tão importantes como no verão. Isso porque, nesta época do ano, a transpiração do corpo – que produz hidratação natural – é menor e pode causar ressecamento da pele. No inverno, por exemplo, um dos erros mais comuns e que prejudicam a pele são os banhos quentes e prolongados.

De acordo com o Dr. Marcus Maia, professor de Dermatologia da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, a combinação de banhos escaldantes e uso exagerado de sabonete pode desidratar completamente a pele. “O mais indicado é tomar um banho morno, rápido e usar pouco sabonete. Fazer isso é muito difícil, mas é preciso quebrar um hábito de tomar banhos muito quentes”, conta. Para aqueles que possuem a pele mais seca, o dermatologista recomenda ainda usar hidratantes após o banho.

Outro erro recorrente é não usar protetor solar, uma vez que a radiação do sol (infravermelha) é menos intensa nessa época, mas a radiação ultravioleta, que causa danos à pele, contínua. No entanto, Dr. Marcus afirma que essa deve ser uma preocupação especial das pessoas que possuem pele e olhos claros e quem trabalha em ambientes onde a exposição ao sol é mais forte: “Esses fatores dependem do seu tipo de pele, depende do lugar em que você está. Se for para a praia, por exemplo, e tiver uma pele mais sensível, é essencial se proteger.”

Os lábios também são grandes prejudicados durante o frio. O contato com o vento e o tempo seco os ressacam e, na tentativa de hidratá-los, outro erro é cometido: o de passar a língua para “umedecer” os lábios. “A saliva funciona como um ‘detergente’. Evite passar a língua nos lábios, isso agrava a situação e os deixa ainda mais ressecados. Nesse caso, utilize hidratantes labiais”, recomenda o médico.

Texto originalmente publicado no boletim Conectar, edição 91, em 28/6/2016. Assine nossa newsletter: http://www.fcmsantacasasp.edu.br.