Suplementos alimentares devem ser consumidos com orientação profissional

Com a moda dos corpos sarados, os frequentadores de academias buscam resultados rápidos e efetivos para deixarem os músculos definidos. Um método que se tornou popular no país é o consumo do Whey Protein, proteína derivada do soro do leite extraído durante o processo de fabricação do queijo. O produto, de alto valor biológico e de acelerada absorção, visa promover o ganho de massa muscular e a não perda da massa magra.

Dr. João Eduardo Nunes Salles, professor da disciplina de Endocrinologia da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São PauloDe acordo com o Dr. João Eduardo Nunes Salles, professor da disciplina de Endocrinologia da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, o Whey Protein é uma suplementação que deve ser sempre utilizada juntamente à atividade física (musculação), e não tem contraindicações importantes.

“O produto é composto por uma proteína natural. Porém, deve ser utilizado com cautela por pessoas que tenham diminuição da função renal. A sobrecarga proteica vai ser filtrada pelo órgão e a proteína é lesiva à unidade filtradora do rim que é o néfron. Dessa forma, pacientes que já têm esse problema devem procurar um médico antes de ingeri-lo”, orienta.

De acordo com o professor, antes de iniciar o consumo do produto, o indivíduo deve se consultar com um nutricionista, para que seja estabelecida a quantidade de Whey Protein necessária e segura.

“Não pode haver o consumo exagerado da substância. O profissional da nutrição vai avaliar a dieta alimentar do paciente e verificar a quantidade de proteína que ele ingere naturalmente no seu dia a dia. Então, o nutricionista indicará o consumo ideal para não ultrapassar o limite considerado saudável”, afirma.

O professor explica que a suplementação sem a realização da atividade física não promove resultados. Somado a isso, os suplementos alimentares não são livres de calorias. “Outro cuidado é verificar o valor calórico ingerido pela pessoa. Se ela não pratica exercícios físicos, consome uma alta quantidade de alimentos não saudáveis e ingere o Whey Protein, ela pode engordar”, explica.

O Dr. Nunes afirma ainda que o produto não tem gordura em sua composição, diferente de dietas baseadas em proteína. “Geralmente, alimentos como a carne, que tem por volta de 25% de proteína, o queijo com 30%, e o leite com 8% são ricos em gordura. Por essa razão, o paciente deve ficar atento aos métodos para ganhar massa muscular”, finaliza.

Texto originalmente publicado no boletim Conectar, edição 42, em 4/6/2014. Assine nossa newsletter: http://www.fcmsantacasasp.edu.br.

Consumo incorreto de shakes pode ocasionar desnutrição e perda da massa muscular

Os shakes se tornaram uma opção para quem busca perder peso. Os produtos, que viraram moda, prometem emagrecimento rápido e saudável, e visam substituir as refeições diárias. Porém, as substâncias contidas nestes preparados podem oferecer riscos à saúde.

O Dr. João Eduardo Nunes Salles, profesDr. João Eduardo Nunes Salles, professor da disciplina de Endocrinologia da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulosor da disciplina de Endocrinologia da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, afirma que o emagrecimento prometido pelas bebidas pode vir acompanhado da redução de nutrientes, minerais e vitaminas importantes para o corpo.

“Devido à falta de substâncias, o consumo do shake pode causar desnutrição e a perda não só de massa gorda, mas também da massa muscular. Existem muitos produtos no mercado que não contemplam os macronutrientes, compostos por carboidratos, proteínas e gorduras. Além disso, eles podem ocasionar diminuição dos micronutrientes, que são as vitaminas e os minerais”, declara.

Segundo o especialista, esses nutrientes não podem ser suspensos ou substituídos da dieta. Para ele, os shakes constituem uma opção de perda de peso, desde que não sejam, exclusivamente, o único plano alimentar.

“Antes de consumir o produto, o indivíduo deve verificar quais são os componentes dessa bebida e se oferece as substâncias necessárias para o corpo humano. Outra questão é que ela não deve substituir todas as refeições. O interessante é substituir no máximo uma. Afinal, uma dieta saudável não deixa de lado a pirâmide alimentar”, explica.

A pirâmide alimentar é composta por:

• Carboidratos – pães, massas, arroz, batata, cereais, entre outros.

• Verduras e legumes – são alimentos que contêm ferro, fibras, sais minerais e vitaminas.

• Frutas – são ricos em várias vitaminas.

• Carnes, ovos e grãos – feijão, lentilha, grão-de-bico, nozes, castanhas, entre outros.

• Laticínios (leite e derivados) – são ricos em minerais e proteínas.

• Lipídios (óleos e gorduras) e açúcares – manteigas, maionese, creme de leite, doces em geral, entre outros.

O endocrinologista indica o shake para aqueles que não conseguem tomar café da manhã, ou têm dificuldades em almoçar por causa do tempo e acabam ingerindo alimentos não saudáveis. “Existem pessoas que substituem o almoço por um salgado ou fast food, então por que não tomar um shake? Há produtos no mercado que contemplam os macronutrientes, basta saber escolher”, conclui.

Texto originalmente publicado no boletim Conectar, edição 37, em 25/3/2014. Assine nossa newsletter: http://www.fcmsantacasasp.edu.br.

Diabetes: novidades no tratamento

Capa da Revista IstoÉNovidades que estão chegando ao Brasil prometem melhorar a vida de pessoas com diabetes. Entre elas, por exemplo, estão remédios que fazem o controle da glicemia, emagrecem e colaboram para baixar a pressão arterial e uma insulina com efeito de até 40 horas.

Para conhecer mais detalhes sobre este tema, confira a reportagem da revista IstoÉ, que conta com a entrevista do Dr. João Eduardo Nunes Salles, professor da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Clique aqui.

Especialista alerta: a cada 60 segundos uma pessoa tem um membro amputado por causa do diabetes

De acordo com o Dr. João Eduardo Nunes Salles, professor da disciplina de Endocrinologia da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, atualmente, o Brasil conta com 13,5 milhões de diabéticos dos quais 50% não sabem que possuem a doença. “No mundo, a cada 60 segundos uma pessoa tem um membro do corpo amputado por conta do problema. Para realizar o tratamento correto, devem ser ampliadas a conscientização e a procura pelo exame diagnóstico”, afirma.

O professor explica que os primeiros sintomas da doença são: perda de peso, aumento da frequência urinária e do apetite, cansaço muscular, turvação visual e infecção de urina e/ou ginecológicas. “Quando a glicose fica elevada há o comprometimento dos vasos sanguíneos da retina, o que leva a menor irrigação do local e, consequentemente, afeta a visão. Hoje, o diabetes é a maior causa de cegueira do mundo”, declara.

Segundo o Dr. Salles, o número de crianças diabéticas, principalmente do tipo 1, também aumentou. “Nesses casos, os portadores desse tipo de diabetes precisam de injeções diárias de insulina, pois sua produção pelo organismo é insuficiente”, explica.

Já o tipo mais comum é o 2 que ocorre geralmente em pessoas obesas. Nessa situação, há a presença de insulina, porém sua ação é dificultada pelo excesso de peso. “O grupo de risco inclui indivíduos com mais de 40 anos, com circunferência abdominal maior que 102 centímetros para homens e 88 para mulheres, triglicérides elevado, colesterol bom baixo e hipertensão arterial”, enfatiza.

Para o especialista, a gravidade do diabetes está relacionada ao seu controle. “Não existe diabetes mais ou menos grave, existe a controlada e a descontrolada. É importante ressaltar que com o tratamento correto, a pessoa pode levar uma vida normal”, conclui.

Texto originalmente publicado no boletim Conectar, edição 30, em 13/11/2013. Assine nossa newsletter http://www.fcmsantacasasp.edu.br.

Aumento da renda contribui para o crescimento de 54% no número de obesos no Brasil

Nos últimos seis anos, a quantidade de pessoas obesas no Brasil aumentou 54%. É o que aponta estudo da Vigitel (Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico), realizado pelo Ministério da Saúde. Atualmente no país, 17% dos brasileiros são obesos e 51% estão acima do peso.

Dr. João Eduardo Nunes Salles, professor da disciplina de Endocrinologia da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São PauloSegundo o Dr. João Eduardo Nunes Salles, professor da disciplina de Endocrinologia da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, entre os fatores que contribuem para esse crescimento estão: a migração da população rural para a área urbana, diminuição da prática de exercícios, e consumo excessivo de alimentos industrializados.

“Além desses aspectos, é importante ressaltar a ascensão econômica da classe C, pois com o aumento da renda, o acesso aos produtos industrializados cresceu. Esse público consome alimentos ricos em açúcar e muito calóricos. Esses dados representam um forte impacto na saúde pública do país, visto que a obesidade é a principal causa de doenças cardiovasculares”, afirma.

O professor explica que o problema leva a outras sérias doenças, que geralmente são silenciosas. “Muitos indivíduos não sabem que são hipertensos e diabéticos. São patologias escondidas atrás da obesidade”, diz.

São consideradas pessoas com excesso de peso aquelas com IMC (Índice de Massa Corporal) igual ou maior que 25. Já os obesos apresentam o índice similar ou superior a 30. O estudo da Vigitel mostra que, entre os obesos, 16,5% são homens e 18,5% são mulheres. Com excesso de peso, 54,5% são do sexo masculino e 48% feminino.

“Por critérios biológicos, o homem tem mais massa magra. Dessa forma, o diagnóstico de obesidade na mulher era sempre maior, porém isso está se invertendo. Com o passar dos anos, os homens estão comendo mais e, geralmente, se cuidam menos. Outros fatores determinantes são os recursos financeiros e o sedentarismo”, analisa.

O Dr. Salles comenta que a principal medida para reverter este cenário é investir em educação, mostrando, por exemplo, que existem alimentos mais calóricos que outros, a importância de ler rótulos e discutir os riscos da obesidade à saúde.

“Deve haver um trabalho agora para que os resultados possam ser colhidos dentro de alguns anos. As crianças que estão acima do peso, são os adultos obesos do futuro”, finaliza.

Texto originalmente publicado no boletim Conectar, edição 27, em 1º/10/2013. Assine nossa newsletter http://www.fcmsantacasasp.edu.br.