Seu pronto socorro está preparado para o outono e inverno?

Todos os anos no período de março a julho hospitais públicos e privados têm o mesmo problema, enfrentar o outono e inverno. Essas duas estações do ano são marcadas por oscilações bruscas de temperatura e baixa umidade do ar, o que acaba acarretando uma série de problemas respiratórios e vasculares na população, principalmente em idosos e crianças.

Apesar de o problema persistir há vários anos, a comunidade médica e os outros profissionais envolvidos no dia a dia de um hospital ainda não conseguem chegar a uma ‘estratégia ideal’, já que a variação de doenças, quantidade de pacientes atendidos e surtos epidemiológicos variam de ano para ano, não atendendo um padrão ou lógica.

Por esse motivo, muitas vezes grandes hospitais privados e públicos não conseguem se preparar adequadamente para essa época do ano. As medidas adotadas giram em torno de espaço físico e preparação de equipe, dois fatores essenciais para melhorar o atendimento em uma unidade de emergência que recebe centenas de pessoas diariamente.

Para o Prof. Dr. Paulo Roberto Cavallaro Azevedo, professor de Clínica Médica da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo e médico assistente da Santa Casa de São Paulo, ‘a maior preparação que podemos fazer dentro de um pronto socorro é treinar a equipe médica como um todo. O objetivo de um treinamento bem feito deve visar a separação de pacientes que estão passando por uma emergência de fato aos outros que estão ali buscando outros tipos de tratamento’.

De acordo com o Dr. Paulo, esta separação deve ser feita com base em ‘alertas’ criados nos questionários de atendimento das unidades de emergência e orientação aos enfermeiros, que normalmente trabalham na triagem dos pacientes. A partir de perguntas específicas e treinamento adequado, esses profissionais direcionam os pacientes com maior necessidade a um atendimento mais rápido.

Pronto socorro além do inverno. Como instituições de saúde procuram diminuir atendimento de urgência.

Indo um pouco além do outono e inverno, épocas críticas para qualquer PS, atualmente está em pauta a mudança de gestão e atendimento destes centros médicos. ‘Mais do que nos preparar para o outono e inverno, a comunidade de saúde deve tentar uma mudança de cultura da população em geral: atualmente, devido ao temor de não arrumar um médico especialista no sistema público de saúde ou demorar demais no atendimento, a população em geral acaba procurando as unidades de urgência, o que acaba acarretando em uma série de problemas, como superlotação e atendimento ineficiente para quem realmente precisa’, afirma o professor.

Para evitar este tipo de problema na Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, Dr. Paulo afirma que todos os funcionários que participam do atendimento de emergência tiveram treinamento no Protocolo de Manchester, sistema de classificação criado para auxiliar os profissionais da saúde no direcionamento dos pacientes (veja imagem abaixo).

 

 

 

 

 

O Protocolo de Manchester funciona da seguinte maneira: pacientes que não tem urgência ou são pouco urgentes demoram mais pra ser atendidos, enquanto os que têm emergência, muito urgente ou urgente são atendidos com prioridade. Para o Dr. Paulo, esse tipo de atendimento é muito mais efetivo que o sequencial, já que essa classificação permite que pacientes urgentes não fiquem sem atendimento rápido.

Além de priorizar os pacientes certos, essa estratégia pode ajudar em outro fator, a mudança de cultura. Para o Dr. Paulo Roberto, ao demorar para ser atendido por motivos que não demandam atendimento do Pronto Socorro, pacientes podem começar a procurar outros métodos para resolver seus problemas. ‘Quando um paciente demora até 4 horas para trocar uma receita, por exemplo, pode ser que da próxima vez ele procure uma UBS ou um tratamento médico adequado antes de vir à emergência’.

Texto originalmente publicado no boletim Conectar, edição 126, em 11/5/2018. Assine nossa newsletter: http://www.fcmsantacasasp.edu.br. 

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