Pesquisa conduzida pela FCMSCSP pode tornar possível o diagnóstico precoce do Alzheimer

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Prof.ª Dra. Luciana Malavolta, professora do Departamento de Ciências Fisiológicas da FCMSCSP

A doença de Alzheimer poderá ser diagnosticada de forma precoce, como mostra uma pesquisa conduzida pela Dra. Luciana Malavolta, professora do Departamento de Ciências Fisiológicas da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). Atualmente, o diagnóstico é feito apenas quando já há sinais da doença, como perda de memória e demência (excluindo outras condições).

“Estima-se que quando os pacientes começam a manifestar sintomas de comprometimento cognitivo cerca de 50% dos neurônios já morreram. E, a essa altura, não há muito mais o que fazer. Porém, se conseguirmos detectar o processo degenerativo ainda no início, as chances de estabilizar sua progressão com as drogas hoje disponíveis são muito maiores”, afirmou a Prof.ª Dra. Luciana Malavolta Quaglio, em entrevista à agência Fapesp.

A docente explicou ainda que, para a realização da pesquisa, foram sintetizados pequenos fragmentos peptídicos capazes de serem atraídos por um peptídeo maior, conhecido como beta-amiloide, que desempenha papel crucial no desenvolvimento da doença de Alzheimer. Segundo a pesquisadora, a intenção do estudo é desenvolver biomarcadores capazes de sinalizar em exames clínicos a presença das placas beta-amiloidais no cérebro. “Estamos testando quatro diferentes fragmentos peptídicos – todos com poucos aminoácidos. Enquanto o peptídeo beta-amiloide tem cerca de 42 resíduos de aminoácidos, os nossos têm entre quatro e seis, pois, se forem grandes, não conseguem atravessar a barreira hematoencefálica (um conjunto de células extremamente unidas que protegem o sistema nervoso central de substâncias potencialmente tóxicas presentes no sangue) e chegar ao cérebro”, explica.

Para conferir a entrevista completa da Prof.ª Dra. Luciana Malavolta Quaglio à Agência Fapesp, clique aqui ou acesse uma reportagem sobre essa pesquisa na RIT TV, na fan page da Faculdade.

Texto originalmente publicado no boletim Conectar, edição 96, em 6/9/2016. Assine nossa newsletter:http://www.fcmsantacasasp.edu.br.

Faculdade Santa Casa de SP recruta pacientes para pesquisa sobre Alzheimer

 Prof. Dr. Hudson Buck, chefe do Departamento de Ciências Fisiológicas da FCMSCSP, um dos coordenadores da pesquisa, e Marília Albuquerque, pesquisadora e doutoranda na área


Prof. Dr. Hudson Buck, chefe do Departamento de Ciências Fisiológicas da FCMSCSP, um dos coordenadores da pesquisa, e Marília Albuquerque, pesquisadora e doutoranda na área

A doença de Alzheimer não é mais um tema desconhecido. Trata-se de uma doença degenerativa crônica que leva à perda de memória e à diminuição da autonomia para execução das atividades cotidianas, além de gerar dificuldades de julgamento e de tomada de decisões. Desorientação no tempo e no espaço e mudanças de personalidade também estão entre as principais alterações.

Devido ao grande número de diagnósticos observado nos últimos anos, a temática em muito tem sido abordada por meio de livros, filmes e até novelas.

Por meio do Grupo de Pesquisas em Neurofarmacologia do Envelhecimento (GPNFE), a Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo desenvolve estudos pelo projeto ELIMDA sobre o Alzheimer em busca de novas formas de tratamento e cura.

Há 8 anos, o GPNFE começou a estudar o uso do lítio no tratamento da doença de Alzheimer, embora esse medicamento seja há muito tempo utilizado na clínica para tratamento de pacientes bipolares. “Os tratamentos existentes com lítio para transtorno bipolar utilizam doses entre 600mg/dia até 1.800mg/dia. Essas doses podem causar como efeitos colaterais: náusea, vômito, diarreia, alteração de quadro mental, hipotireoidismo e insuficiência renal. Nossa proposta é utilizar o lítio em microdose (1,5mg por dia), ou seja, uma dose aproximadamente 1.000 vezes menor que as doses normalmente utilizadas, visando diminuir os efeitos colaterais”, explica a pesquisadora e doutoranda na área, Marília Albuquerque.

Entre 2007 e 2009, esse tratamento foi utilizado em 113 pessoas com doença de Alzheimer e mostrou-se eficiente em impedir o declínio cognitivo de paciente, sem que nenhum efeito colateral fosse relatado. “Nosso interesse era entender como essa dose de lítio estava modulando o cérebro a ponto de estabilizar o declínio de memória. Para isso, fomos estudar a ação do tratamento crônico com microdose de lítio em camundongos transgênicos. Esses camundongos possuem a inclusão no seu material genético do gene da proteína precursora amiloide”, comenta o Prof. Dr. Hudson Buck, coordenador do estudo.

Existem algumas hipóteses sobre a causa da doença de Alzheimer. Entre elas está a de que as células do cérebro (neurônios) ficam impossibilitadas de se comunicarem devido ao acúmulo de placas entre elas ou mesmo se estavam sem condições de funcionamento, pois suas proteínas de sustentação tinham se contorcido e formado um emaranhado. Tanto as placas quanto os emaranhados fazem parte das lesões observadas nos cérebros dos pacientes que tiveram doença de Alzheimer e impedem o funcionamento desejado do cérebro, ocasionando os déficits de memória e outras alterações observadas nos pacientes, dependendo da área do cérebro afetada.

“Os resultados da pesquisa tanto com pacientes quanto com camundongos demonstram que o tratamento com microdoses de lítio é promissor para estabilização ou até mesmo melhora da memória de pacientes com doença de Alzheimer. Assim, em 2015, na Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo e na Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, teve início uma nova pesquisa, cujo objetivo consiste em ampliar os testes utilizados na pesquisa anterior, além de inserir novos, para monitorar a segurança desse tratamento, por meio de avaliações do funcionamento dos rins, da tireoide e do fígado. Serão feitos ainda exames de ressonância magnética encefálica, para avaliar a estrutura e o volume das áreas relacionadas com a cognição”, diz o Dr. Buck.

Voluntários para a pesquisa

Para total sucesso da pesquisa, a Faculdade Santa Casa de São Paulo está recrutando pacientes para participar desse projeto. Para participar do processo, a pessoa precisa ter 60 anos ou mais, apresentar os sintomas relacionados à doença de Alzheimer no estágio leve ou moderado e ter um cuidador que se responsabilize pela participação efetiva no estudo. O participante da pesquisa contará com uma equipe multiprofissional para a avaliação e atendimento, além de ter acesso a exames periódicos sem nenhum custo. O estudo é coordenado pelos professores Dr. Hudson Buck e Dra. Maria Fernanda Mendes. O contato é pelo e-mail elimda@fcmsantacasasp.edu.br ou pelo tel. da FCMSCSP: (11) 3331-2008.


Texto originalmente publicado no boletim Conectar, edição 61, em 24/3/2015. Assine nossa newsletter: 
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O que causa a perda de memória?

Dr. Rubens GagliardiExistem doenças ou determinadas condições que podem levar o indivíduo a esquecimentos temporários ou permanentes. Entre elas, estão o Alzheimer, lesões traumáticas, parada cardíaca, estresse, problemas na tireoide, carência de vitaminas, diabetes, pressão alta, depressão, déficit de atenção e traumas psicológicos. Confira mais detalhes nesta reportagem do canal Saúde – Portal iG, com a participação do Dr. Rubens Gagliardi, professor titular de Neurologia da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo: clique aqui.

Doença de Alzheimer e Projeto Gene: Dr. Hudson Buck, professor da Faculdade Santa Casa de SP, explica

Dr. Hudson BuckA TV Gazeta exibiu nesta segunda-feira, dia 4/2, uma entrevista com o Dr. Hudson Buck, diretor do Departamento de Ciências Fisiológicas e professor titular da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Em entrevista, ao vivo, ao programa Mulheres, o professor falou sobre os sintomas e tratamentos da doença de Alzheimer.

Nesta oportunidade, a emissora também exibiu uma reportagem gravada na Santa Casa de São Paulo com a participação do Dr. Buck, da pesquisadora Marielza Andrade Nunes, nutróloga, e da Dra. Luciana Quaglio, professora da Faculdade Santa Casa de São Paulo, a respeito das pesquisas desenvolvidas sobre a doença e do Projeto Gene.

Confira a íntegra da entrevista neste vídeo:

Hospital Dom Pedro II promove debate sobre a Doença de Alzheimer

O Hospital Geriátrico e de Convalescentes Dom Pedro II (HGCDPII) promoveu no dia 12 de setembro, o 8º Encontro do Dia Internacional da Doença de Alzheimer, onde se reuniram no auditório o palestrante Dr. João Francisco Villanova Figueiredo, neurologista da Santa Casa de São Paulo, e a assistente responsável, Dra. Lilian de Fátima Costa Faria.

Os temas abordados foram direcionados para a prevenção, cuidados e diagnósticos aos cuidadores que estavam presentes, sendo alguns com familiares tratados no próprio hospital.  A doença foi discutida  pelo neurologista, que demonstrou sua visão da doença que pode ser tratada a partir da geriatria, neurologia e da psicologia.

Sobre o tratamento, o Dr. Figueiredo explicou que “a Doença ainda não tem cura porque não existe um tratamento que a faça parar de evoluir ou reverter as perdas cognitivas adquiridas”, no entanto, ele afirmou que os avanços alcançados no uso de drogas proporcionam a diminuição da progressão da doença. Várias substâncias que atuam na fisiopatologia da doença estão em estudo, porém, nenhuma ainda foi liberada para o uso clínico.

De acordo com a Associação Brasileira de Alzheimer (ABRAz), a doença atinge mais de 35 milhões de pessoas pelo mundo, sendo no Brasil mais de 1 milhão. A Doença de Alzheimer é responsável por 50% a 70% dos casos de demência, definida como cerebral crônica e progressiva, interferindo na qualidade de vida, com alterações da memória, do julgamento e do raciocínio intelectual.

O HGCDPII é parte integrante da Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, oferecendo atendimento exclusivo à área da Geriatria, tornando-se referência no tratamento da Doença de Alzheimer desde 2003, com acompanhamento desde o diagnóstico até o tratamento no ambulatório de Geriatria do Hospital.