Preservar as funcionalidades física e mental contribui para o envelhecimento saudável

Segundo o Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA na sigla em inglês), até 2022, o mundo terá mais de 1 bilhão de idosos e, até 2050, o patamar de pessoas com mais de 60 anos deve superar também a população de jovens com menos de 15 anos. Esse expressivo crescimento traz à tona a discussão sobre o prolongamento da vida, não somente em termos cronológicos, mas em qualidade com saúde e integração social.

Dr. Renato Fabri - FCMSCSPApesar da medicina preventiva já ser atualmente uma realidade, são necessários alguns cuidados específicos para que o indivíduo chegue à terceira idade e leve uma vida da maneira mais normal possível. De acordo com o Dr. Renato Moraes Alves Fabbri, geriatra e professor assistente do departamento de Clínica Médica da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, a prevenção de algumas doenças deve ser feita 10 ou até 20 anos antes.

“Os cuidados com a saúde devem existir em todas as faixas etárias, mas entre a quarta e a quinta década de vida acentua-se a involução de órgãos e sistemas e a pessoa deve se ater a fatores de risco e fazer exames periódicos que previnam ou até acabem com problemas futuros”, analisa o professor.

Para o especialista, a saúde dos idosos não se define pela ausência de doenças, é muito mais que isso. “O conceito de saúde para profissionais da área clínica é a garantia de qualidade de vida biológica e também psicossocial. Dessa forma, para o público da terceira idade é necessário estimular ainda mais a inserção de atividades em sua rotina como aulas de dança, ginástica ou, até mesmo, a participação em excursões, em cursos específicos para esta faixa etária, inclusive em cursos universitários, que tornam os idosos mais ativos e fortalecem o convívio social”, explica.

Doenças mais comuns a partir dos 60 anos

Dentre as queixas de doenças que acometem este público nos consultórios podem ser relacionadas:

• Hipertensão arterial

• Osteoartrose

• Osteoporose

• Osteopenia

• Diabetes Mellitus

• Alterações de órgãos sensoriais, déficit da visão (por exemplo, catarata), diminuição da audição, entre outras.

Segundo o geriatra, essas doenças, se tratadas e controladas, preservam as funcionalidades do indivíduo e garantem uma boa qualidade de vida.

Principais dicas

O Dr. Fabbri dá algumas dicas para que a família e pessoas próximas aos idosos possam contribuir com a qualidade de vida deles. Entre elas:

• Prestar atenção na regularidade das consultas. “Parte da população ainda tem certa resistência em se consultar periodicamente no médico”, afirma.

• Verificar sinais diferentes no comportamento da pessoa nesta faixa etária. “Algumas doenças cognitivas como, por exemplo, a Doença de Alzheimer, entre outras, não são percebidas em um primeiro momento pelo paciente, mas sim por pessoas próximas a eles. Assim, é necessário prestar atenção a momentos de esquecimento, entre outros fatores”, argumenta o médico.

• Tomar cuidado com a automedicação. “É relativamente alto o índice de automedicação nos idosos, o que compromete o diagnóstico de certas doenças. Às vezes, o uso de medicamentos tomados por conta própria gera efeitos colaterais desconhecidos pelo paciente e pode agravar seu estado de saúde, bem como mascarar eventuais diagnósticos. Por isso, é muito importante a realização de consultas regulares para que o especialista revise os remédios utilizados pelos pacientes da terceira idade”, finaliza.

Texto originalmente publicado no boletim Conectar, edição 37, em 25/3/2014. Assine nossa newsletter: http://www.fcmsantacasasp.edu.br.

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