Confira o raio-X do cigarro no mês do Dia Mundial sem Tabaco

O tabagismo com certeza pode ser considerado um dos maiores maus do século XX e XXI. Para se ter uma ideia, calcula-se que 100 milhões de mortes foram causadas pelo tabaco no século XX, segundo dados da Organização Mundial de Saúde. Apesar de um mal conhecido, o cigarro é o único produto legal que causa a morte da metade de seus usuários, ou seja, dos 1,3 bilhão de fumantes regulares no mundo, 650 milhões vão morrer prematuramente por causa do cigarro.

Estatísticas da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam que mais de cinco milhões de mortes acontecem todos os anos no mundo devido ao tabagismo. A OMS considera o uso do tabaco uma doença epidêmica e que se assemelha ao uso de drogas como a cocaína, porém, sua comercialização continua sendo amplamente legalizada em todos os lugares do mundo, devido ao tamanho da indústria do cigarro em si e o dinheiro movimentado na plantação e venda do tabaco.

Relacionado a mais de 50 tipos de doenças, o tabagismo provoca uma série de problemas para os usuários, afetando questões físicas, sociais e mentais. No dia 31 de maio, dia em que se celebra o Dia Mundial sem Tabaco, é necessário que profissionais da saúde conscientizem seus pacientes quanto aos atuais números do cigarro: causa 30% das mortes por câncer de boca, 90% das mortes por câncer de pulmão, 25% das mortes por doença do coração, 85% das mortes por bronquite e enfisema e 25% das mortes por derrame cerebral.

Números do tabagismo no Brasil vão na contra mão de dados mundiais

Segundo a OMS, apesar de todos os esforços e desenvolvimento de políticas públicas contra o consumo de tabaco em todo o mundo, o número de fumantes no globo aumentou cerca de 5% nos últimos anos. Já no Brasil os esforços contra a publicidade e as políticas antifumo antifumo instauradas parecem estar dando resultado.

Mesmo com números alarmantes, já que nosso país é o 8° colocado no ranking mundial de fumantes absolutos, o Brasil tem um quadro positivo na análise de estatísticas da área nos últimos 25 anos. Ao longo deste período, a percentagem de fumantes diminuiu de 29% para 12% entre os homens e de 19% para 8% entre as mulheres, o que representou uma queda de quase 40% no número de fumantes totais (dados do INCA).

A queda no consumo do tabaco se deve a um conjunto de fatores e políticas públicas desenvolvidas no setor: impostos mais altos, o que eleva o preço do cigarro e a restrição ao tabaco em lugares fechados (lei antifumo vigente há mais de 6 anos) foram os dois principais fatores que ocasionaram a redução do consumo de tabaco. Além destas duas principais frentes, alertas e informações sobre os efeitos negativos do cigarro em escolas, universidades, jornais, e nos próprios maços de cigarro são ações positivas que melhoraram os números nacionais.

Mais do que números positivos no número total de fumantes, o Brasil está apresentando melhoras no assunto como um todo: houve uma redução de 34% do número de fumantes passivos além do aumento na idade de experimentação do cigarro, que agora é de 16 anos. Apesar de o panorama poder ser considerado ‘bom’, o cigarro ainda é a segunda droga mais vendida no Brasil, perdendo apenas para o álcool.

Phillip Morris, cigarro eletrônico e o fim do cigarro. Qual o futuro da indústria tabagista?

No começo do ano a maior fabricante de cigarros do mundo, a Phillip Morris, anunciou que deixaria de comercializar seu principal produto no Reino Unido. A propaganda da gigante do tabaco assustou o globo, além de derrubar as ações da empresa e deseus concorrentes. Na ocasião, a fabricante do Malrboro deixou claro que seus investimentos passariam a ser em produtos originários do tabaco que causassem menos prejuízos à saúde de seus usuários. Na época, a principal aposta da Phillip Morris eram os cigarros eletrônicos.

Passados quatro meses do anúncio, parece que as previsões da empresa não estavam tão certas assim. De acordo com comunicado divulgado pela empresa no mês passado, a adesão de fumantes a dispositivos alternativos ao cigarro foi menor do que o esperado, o que irá demandar uma revisão nos planos. O erro de cálculo e a postura ‘politicamente correta’ da Philip Morris custou caro, as ações da empresa caíram 15,6% no dia do anúncio, o que representou uma perda de US$ 24,5 bilhões de seu valor de mercado.

Texto originalmente publicado no boletim Conectar, edição 126, em 11/5/2018. Assine nossa newsletter: http://www.fcmsantacasasp.edu.br. 

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Consumo de cigarro reduz expectativa de vida e afeta a saúde

Dr. Roberto StirbulovO tabagismo é um importante indicador no monitoramento dos fatores de risco para doenças crônicas não transmissíveis. Segundo o Prof. Dr. Roberto Stirbulov, coordenador da disciplina Sistema Respiratório da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, os principais males causados pelo consumo de cigarro são as doenças cardiovasculares, tais como infarto, acidente vascular cerebral e acidente vascular periférico, lesões que podem levar a amputação de membros do corpo humano, além da doença pulmonar obstrutiva crônica e o câncer de pulmão.

“Existem inúmeras doenças que são relacionadas ao cigarro. As mulheres que fumam, por exemplo, são mais propensas a ter câncer de mama, doenças da pele e até problemas no sistema reprodutor”, de acordo com o Dr. Stirbulov.

O especialista explica que a dependência química e psicológica causada pelo tabaco é intensa e rápida, variando sempre para cada indivíduo. “Não existe uma resposta matemática. Após 6 meses fumando, algumas pessoas têm dependência química, enquanto outras, em apenas 1 mês, já estão dependentes”, afirma.

O cigarro contém mais 5 mil substâncias que podem ocasionar a diminuição na sobrevida, indivíduos que param de fumar desaceleram essa queda. Após 5 anos sem fumar, o pulmão recupera sua constituição normal. O Dr. Stirbulov destaca que o tratamento para parar de fumar é extremamente difícil e complexo, mas possível. “Existe a abordagem cognitiva comportamental, que trata as dependências psicológicas, e a terapêutica, que reduz a síndrome de abstinência. É um tratamento que dura mais de 12 semanas e sempre precisa de auxílio médico. Essa é uma das doenças mais complexas de se tratar”, conclui.

Texto originalmente publicado no boletim Conectar, edição 18, em 28/5/2013. Assine nossa newsletter:http://www.fcmsantacasasp.edu.br.