Nossa voz de cada dia! Confira como profissionais que dependem da fala podem manter sua saúde

Será comemorado no dia 16 de abril o Dia Mundial da Voz. A data tem como principal objetivo chamar a atenção da população em geral para os cuidados de preservação da voz, ficando alerta às alterações e problemas da fala, que podem ser sinal de doenças.

Independente da profissão de cada indivíduo, a voz é parte fundamental no dia a dia profissional e pessoal da população. Apesar de ser inerente a quase todas as profissões do mundo, alguns trabalhadores dependem da voz para garantir o sustento de sua família e, no caso de artistas e cantores, para se destacar no mercado de trabalho.

Tendo em vista o uso da voz, os profissionais mais afetados por problemas de saúde ligados a essa área são professores, artistas e cantores que fazem uso diário da fala para o trabalho. Em pesquisa divulgada pelo Sindicato dos Professores de São Paulo em parceria com o Centro de Estudos da Voz e a University of Utah (EUA), vimos que 60% dos professores paulistas tem alguma patologia referente a sua voz.

Quando falamos de artistas e cantores, o problema também não é menos grave. Apesar de não se ter um número oficial, já que os músicos e artistas em sua maioria fazem parte de um mercado de trabalho informal, rouquidão e outras lesões são comuns a esses profissionais.

Para se ter uma ideia, a cantora Adele, ícone da música pop na última década e famosa mundialmente, teve dois shows cancelados em junho de 2017 por conta de problemas vocais. Se uma artista com tanto renome e recurso enfrenta um problema assim, podemos imaginar qual a situação dos músicos com menor expressão no cenário mercadológico.

Confira algumas situações que o Conectar separou dentro das profissões mais afetadas pelos problemas da voz:

Professores

Quem nunca ouviu aquela famosa frase, ‘Silêncio, turma!’, do seu professor? Apesar de parecer apenas uma bronca para que os alunos prestem atenção, o pedido muitas vezes pode ser quase um socorro! Atualmente, devido ao alto número de alunos por sala de aula e a conversa entre os alunos, professores de todos os níveis acabam tendo problemas na voz devido ao alto volume que se exige em suas explicações.

Além da quantidade de pessoas e do alto ruído que atrapalha as rotinas diárias dos docentes e prejudica sua saúde vocal, temos outros fatores que prejudicam esses profissionais: a utilização de lousas com giz, que pode desencadear um processo alérgico e prejudicar a voz. A falta de valorização profissional, que obriga os professores a trabalharem de 2 a 3 turnos diariamente, inviabilizando uma boa saúde na fala e por fim, mas não menos importante, a falta de treinamento vocal e competência comunicativa desenvolvida.

Na maioria dos casos, esses fatores levam os professores a terem uma série de problemas, como dor ou sensação de aperto na região do pescoço, piora vocal ao longo do dia, rouquidão e falhas na voz.

Caso esses sintomas não sejam tratados adequadamente, este paciente pode ter complicações no funcionamento das pregas vocais, o que pode levar ao desenvolvimento de lesões como nódulos e pólipos de pregas vocais. Outra preocupação é quando ocorre a associação com outros fatores, como o refluxo gastroesofágico e o tabagismo, que acabam causando outras lesões, como úlceras de contato, a leucoplasias e edemas de Reinke. Quando um profissional tem a voz atingida, isso interfere em sua qualidade de vida e motivação para trabalhar, o que é considerado um problema de saúde grave.

Para evitar esse tipo de problema, o que é aconselhado pelos especialistas é o investimento em treinamento vocal e competência comunicativa. Esses dois fatores devem ser iniciados ainda na graduação dos futuros professores de forma que se construa uma cultura de cuidados com a voz, garantindo a saúde desses profissionais.

Além dessa conscientização, o investimento em infraestrutura adequada, que inclua a amplificação sonora para cada sala de aula, sistemas de ventilação silenciosos com higienização regular e mobiliário adequado para professores e alunos são fatores que podem ajudar na prevenção de problemas.

Artistas e Cantores

Se no caso dos professores as condições de trabalho influencia muito nas doenças relacionadas à voz, no caso de cantores e artistas o cenário não é diferente, envolvendo mais um fator, o estilo de vida e canto de cada um.

Diferentemente dos professores, que muitas vezes podem tentar poupar sua voz durante suas aulas, artistas e cantores acabam realizando a ação inversa, forçando cada vez mais sua voz para atingir patamares de notas ou som que se adequem ao seu estilo. Porém, nossas cordas vocais muitas vezes não estão preparadas para tanto esforço e tampouco entendem ‘estilos musicais’, tendo sérias complicações ao passar dos anos. Um bom exemplo deste fato é o cantor Axel Rose, que após muitos anos de carreira fazendo um ‘agudo’ forte, hoje quase está sem voz.

Outro fato que chamou a atenção da comunidade médica foi o da cantora Adele, que em junho do ano passado foi obrigada a cancelar uma série de shows devido a problemas na voz. Na época a cantora realizou uma cirurgia de laringe com o famoso médico Steven Zeitels. Após o procedimento, o médico afirmou que o trabalho excessivo foi a maior causa do problema de Adele.

Além do nível, notas musicais e afins, outro problema que afeta esta classe de trabalhadores é o estilo de vida. Segundo alguns especialistas em fonoaudiologia, o consumo excessivo de álcool, drogas e alimentos gordurosos pode prejudicar as cordas vocais, já que esse tipo de bebida/alimento pode afetar outras atividades do corpo que prejudicam a voz, como refluxo, entre outros problemas gástricos.

Atualmente, o caminho mais procurado para a solução de problemas dessa classe é o modo cirúrgico, que nada mais é que uma ‘reconstrução’ das cordas vocais. Para quem não quer um método que pode ser considerado invasivo, o auxilio de um profissional fonoaudiólogo pode ser a solução, trabalhando por meio de exercícios e testes específicos para evitar possíveis problemas com a voz!

Ambulatório de Artes Vocais da Santa Casa de São Paulo

Para prestar atendimento a artistas que não tem condições de pagar pelo tratamento, a Santa Casa de São Paulo em parceria como a Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, fundou o Ambulatório de Artes Vocais da Santa Casa de São Paulo.

O ambulatório, que é coordenado pela Prof.ª Dra. Marta Assumpção de Andrada e Silva, fonoaudióloga e docente da FCMSCSP, e pelo Prof. Dr. André Duprat, otorrinolaringologista, oferece consultas, exames e acompanhamento otorrinolaringológico aliado à orientação e terapia fonoaudiológica, tudo direcionado e específico para cantores e atores profissionais.

O ambulatório também promove palestras, oficinas e workshops para os pacientes. Essas atividades são gratuitas e abertas ao público de interesse, sempre contando com a participação de pessoas que atuam em áreas especificas e que voluntariamente se dispuseram a dar a sua contribuição esse atendimento.

Segundo a Prof.ª Marta, ‘hoje muitos pacientes que foram atendidos no ambulatório voltam e ministram palestras e workshops para que possam ajudar outros artistas’.

Além do serviço social prestado a esses artistas, o ambulatório também serve de referência para os alunos da Graduação em Fonoaudiologia, já que são os discentes da FCMSCSP que realizam uma série de testes e parametrizações durante o atendimento, tendo a oportunidade de trabalhar com um tema importante e atual.

Texto originalmente publicado no boletim Conectar, edição 125, em 13/4/2018. Assine nossa newsletter: http://www.fcmsantacasasp.edu.br. 

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Dia Mundial da Voz na FCMSCSP

Dezesseis de abril, que representa o Dia Mundial da Voz, foi comemorado com uma apresentação especial do Coral da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Confira os registros desse momento na Fanpage da Faculdade no Facebook: confira neste link.

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Dra. Marta Assumpção de Andrada e Silva, professora do curso de  Graduação em Fonoaudiologia da  FCMSCSP

Dra. Marta Assumpção de Andrada e Silva, professora do curso de Graduação em Fonoaudiologia da FCMSCSP


Saúde vocal

Embora você já deva saber por que é importante cuidar da saúde vocal, conheça mais detalhes sobre o tema nesta entrevista com a Dra. Marta Assumpção de Andrada e Silva, professora da área de voz do curso de Graduação em Fonoaudiologia da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.

Confira neste link.