Faculdade Santa Casa de SP participa do II Fórum Mundial de Dislexia

O II Fórum Mundial de Dislexia, realizado em agosto, em Belo Horizonte (MG), teve como objetivo promover a discussão sobre o atual panorama do distúrbio no mundo. O evento contou com a presença de 500 participantes, de 25 palestrantes internacionais e de 15 palestrantes nacionais. O encontro também recebeu docentes, alunos de pós-graduação da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, além de contar com a Dra. Ana Luiza Navas, diretora do curso de Graduação em Fonoaudiologia, como membro da comissão organizadora do evento.

Dra. Ana Luiza Navas, diretora do curso de Graduação em Fonoaudiologia da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo

Dra. Ana Luiza Navas, diretora do curso de Graduação em Fonoaudiologia da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo

“Podemos considerar o Fórum um marco para o Brasil, afinal representou um momento importante para a troca de experiências entre os pesquisadores líderes mundiais na área e os participantes. Identificamos, como principal consenso do encontro, a necessidade de aprovação de políticas públicas voltadas para o suporte da criança com dislexia, o que envolve desde a detecção do distúrbio até o seu atendimento e acompanhamento. Esse cenário contribui para a baixa qualidade de ensino no país”, avalia a Dra. Ana Luiza.

Segundo a especialista, no Brasil, a dislexia afeta de 3% a 6% da população de crianças e jovens e é um dos principais fatores responsáveis pela dificuldade de aprendizado nas escolas. “Além das discussões, o Fórum resultou em muitos desdobramentos. Entre eles, estamos produzindo um relatório que será encaminhado às autoridades educacionais brasileiras, como uma forma de manifesto, para que seja destinada mais atenção ao público que sofre com a dislexia”, afirma a professora.

Dentro da programação do Fórum, a Dra. Ana Luiza foi responsável pelo debate “Como a ciência e a tecnologia estão impulsionando o ensino inovador”. Para contribuir com a discussão do tema, foram ministradas palestras pelas especialistas Marialuisa Martelli, da Universidade italiana La Sapienza, e por Teija Kujala, professora do Departamento de Psicologia da Universidade de Helsinki, na Finlândia.

A Dra. Noemi Takiuchi, professora da FCMSCSP, e as alunas do Mestrado Profissional da Faculdade Santa Casa de São Paulo, Camila B. Andrade e Liliane Laviano apresentaram trabalhos científicos e participaram das discussões. Uma terceira edição do Fórum Mundial de Dislexia está prevista para ser realizada, nas Ilhas Maurício, em 2016.

Fonoaudiologia da FCMSCSP realiza Jornada Acadêmica

Alunos, professores e colaboradores da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo estiveram juntos na realização da 12ª Jornada Acadêmica do Curso de Fonoaudiologia – 1º Encontro do Mestrado Profissional em Saúde da Comunicação Humana da FCMSCSP – Da Ciência Básica à Clínica Fonoaudiológica. O encontro aconteceu nos dias 3, 4 e 5 de setembro e contou com mesas redondas, conferência internacional, exposição de pôsteres e workshops, e teve participação recorde em relação às edições anteriores. Confira o depoimento das professoras Dra. Alessandra Spada Durante e Dra. Ana Luiza Navas e suas impressões sobre esta Jornada. Clique aqui.

Texto originalmente publicado no boletim Conectar, edição 49, em 9/9/2014. Assine nossa newsletter:
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Fonoaudiologia: estudo descreve impactos do fumo passivo

A pesquisa  “Emissões Otoacústicas em escolares expostos ao fumo”, realizada pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, foi destaque na Revista Saúde é Vital (Editora Abril), publicada em janeiro de 2014. Reproduzimos a reportagem, assinada por Gabriela Queiroz, com a entrevista da Dra. Alessandra Spada Durante, professora do curso de Graduação em Fonoaudiologia da Faculdade Santa Casa de São Paulo.

Reportagem da Revista Saúde é Vital,_pág, 66, publicada em 1º/1/2014

Ausência de conhecimento em Libras limita acesso de surdos a serviços básicos da saúde

A falta de comunicação entre surdos e ouvintes gera limitações na troca de informações e no convívio social. Preocupada em formar profissionais bilíngues para facilitar o acesso desse público a serviços essenciais, como o da saúde, a Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo oferece a disciplina de Língua Brasileira de Sinais (Libras) em todos os cursos da Instituição, inclusive naqueles em que o programa não é obrigatório.

A Libras é utilizada por uma expressiva parte dos surdos brasileiros e é reconhecida pela Lei Federal n° 10.436 de 24 de abril de 2002. Assim como os diversos idiomas existentes, ela é composta por níveis linguísticos como fonologia, morfologia, sintaxe e semântica. De acordo com Sylvia Lia Grespan Neves, professora da disciplina de Libras da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, e que também é surda, ainda existe uma grande dificuldade para os não ouvintes no Brasil, principalmente pela falta de preparo de profissionais nos serviços básicos, que desconhecem totalmente a língua de sinais.

“Imagine um surdo chegar a um hospital e não poder se comunicar. Certa vez, fui realizar uma ressonância e os atendentes da instituição de saúde não estavam seguros o suficiente para me recepcionar. Nós, os surdos, percebemos que há uma carência de pessoas bilíngues, sendo importante que as empresas também disponibilizem intérpretes”, afirma. Sylvia comenta ainda que vivenciou muitas situações que causaram constrangimento pela falta de compreensão e conhecimento por parte das pessoas ouvintes.

Em pesquisa realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), cerca de 9,7 milhões dos entrevistados declararam ter deficiência auditiva (5,1%). A deficiência severa foi admitida por mais de 2,1 milhões de pessoas. Destas, 344,2 mil são surdas e 1,7 milhão têm grande dificuldade de ouvir. De acordo com a professora do curso de Fonoaudiologia da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, Guadalupe Marcondes de Moura, a surdez pode ter causas pré, peri e pós-natais, entre elas: quadros hereditários/genéticos, doenças adquiridas pela mãe durante a gestação – como a rubéola, sífilis e toxoplasmose, por exemplo –, uso de remédios ototóxicos, anóxia, meningite e otites, entre outras. “Traumatismos cranianos e a exposição contínua a ruídos ou a sons intensos também podem prejudicar a audição”, completa.

Guadalupe explica que a Libras é considerada a língua natural das pessoas surdas, porém algumas conseguem desenvolver a oralidade, contudo, o desenvolvimento dessa habilidade depende de inúmeros fatores. “Não utilizamos o termo “surdo mudo”, visto que, mesmo que o indivíduo não tenha desenvolvido a fala, não significa que ele não tenha a capacidade de utilizar o seu aparato vocal na emissão de sons. A terapia fonoaudiológica pode contribuir para que pessoas surdas consigam falar; esses são os chamados surdos oralizados. Porém, existem questões como a idade, tipo e grau da perda auditiva que vão impactar no desenvolvimento dessa habilidade”, diz.

A fonoaudióloga refere que o grau da perda auditiva influencia no uso do aparelho de amplificação sonora individual (AASI) e na indicação do implante coclear. “Para se beneficiar do AASI é necessário que o indivíduo apresente resíduos auditivos, pois a prótese amplifica os sons externos. Já o implante coclear é colocado por meio de um procedimento cirúrgico e geralmente indicado para pessoas que não se beneficiam do aparelho auditivo convencional”, afirma.

Segundo Guadalupe, a aquisição da Libras não é incompatível com o desenvolvimento da oralidade, podendo até mesmo facilitar o processo de compreensão de uma segunda língua, como o português escrito, por exemplo. “Nós trabalhamos dentro de uma proposta bilíngue. Acreditamos que nossos pacientes têm o direito de desenvolver a língua de sinais e a língua portuguesa escrita, bem como usufruir das tecnologias existentes para que também tenham a opção de desenvolver a língua oral. Precisamos somar os esforços; é preciso garantir o direito ao desenvolvimento pleno dessas pessoas com o objetivo de melhorar ainda mais sua qualidade de vida. Nossos alunos aqui da Faculdade Santa Casa de São Paulo, em sua formação, são estimulados a olharem para essas pessoas com ética e respeito. Isso é essencial”, finaliza.

Texto originalmente publicado no boletim Conectar, edição 28, em 18/10/2013. Assine nossa newsletter http://www.fcmsantacasasp.edu.br.