Grupo de estudos faz testes sem uso de medicamentos em roedores visando melhora da qualidade de vida

Dr Hudson BuckO número de idosos no Brasil está aumentando. São mais de 14 milhões de pessoas com mais de 65 anos no país, segundo dados do Comitê de Estatísticas Sociais. Como forma de analisar o processo de envelhecimento e também as alterações relacionadas a ele, o GENE (Grupo de Estudos em Neurofarmacologia e Envelhecimento) avalia métodos terapêuticos para melhorar a qualidade de vida do idoso sem a utilização de medicamentos.

Os experimentos são realizados em roedores e incluem treino de atenção (treino de memória), exercícios físicos e enriquecimento ambiental para estimular a atividade mental, visto que ratos e camundongos respondem a estímulos farmacológicos e não farmacológicos de forma parecida com os seres humanos.

De acordo com o Dr. Hudson Buck, professor da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, e coordenador do GENE ao lado da Dra. Tânia Araújo Viel, da Escola de Artes, Ciências e Humanidades da USP, os resultados dos experimentos mostram que os estímulos, mesmo realizados em animais velhos, surtem efeitos bastante significativos, e isso pode ser aplicado ao ser humano.

“Os camundongos com 15 meses de vida correspondem aproximadamente a um ser humano de 60 anos. Em um artigo recentemente publicado mostramos que, mesmo com a idade avançada, após os estímulos esses roedores apresentaram alterações significativas no cérebro que levaram a melhoras na memória. Isso mostra que, em idosos, deixar o ambiente mais atrativo pode levar a melhoras nas funções cognitivas e na qualidade de vida sem utilizar medicamentos. Logicamente, se essas mudanças acontecerem desde quando o individuo é jovem, os resultados serão mais efetivos”, afirma o pesquisador.

Dr. Buck explica que o GENE também realiza experimentos em animais com Alzheimer, em que são aplicados testes de atenção e treinamento de memória durante o estabelecimento da doença no roedor. Os resultados mostram que o rato foi capaz de apresentar manutenção da memória, diferente daqueles que não foram estimulados.

“Isso ainda não foi aplicado em seres humanos, pois o tempo para esse procedimento é maior. Porém, esse resultado com os roedores mostra que muito em breve poderemos aplicar esse método em pessoas com Alzheimer. Esse tratamento não utiliza medicamentos, que na maioria das vezes tem efeitos colaterais”, enfatiza.

O professor declara ainda que todos devem manter o cérebro sempre ativo, principalmente na fase idosa. “É muito importante se exercitar, fazer palavras cruzadas, ler livros, dançar e realizar qualquer outra ação que estimule a mente”, conclui.

Texto originalmente publicado no boletim Conectar, edição 18, em 29/5/2013. Assine nossa newsletter:http://www.fcmsantacasasp.edu.br.

Ingestão contínua de álcool pode afetar o fígado, o pâncreas e o cérebro

Dra. Carmen Lucia Penteado LancellottiDe acordo com o Ministério da Saúde, pelo menos 1 milhão de pessoas no Estado de São Paulo sofre com o alcoolismo. No mundo, estima-se que entre 10% e 15% da população seja dependente do álcool. A Dra. Carmen Lucia Penteado Lancellotti, professora titular de Patologia da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, alerta que, além dos pacientes diagnosticados como alcoólatras, a ingestão regular de bebidas alcoólicas ao longo da vida, mesmo que somente em ocasiões sociais, pode causar lesões no fígado, pâncreas e até no cérebro.

“Quando o indivíduo consome uma quantidade muito grande de álcool, ocorre uma alteração no fígado chamada esteatose, com depósito de gordura nas células hepáticas. Esse processo promove uma sobrecarga muito grande no órgão e a reincidência desse hábito ocasiona uma fibrose que pode levar ao quadro de cirrose hepática”, explica a especialista.

A professora afirma que o pâncreas também é alvo dos efeitos causados pelo álcool, em função da possibilidade da pessoa desenvolver pancreatite aguda ou crônica. “Somado a isso, com o passar do tempo, o indivíduo que ingere continuamente álcool também pode apresentar um quadro de demência, afetando o sistema cognitivo, que envolve raciocínio e memória”.

Para a Dra. Carmen, as consequências do alto consumo de álcool variam de uma pessoa para a outra. “É importante nos atentarmos, ainda, ao fato do consumo precoce de bebidas por adolescentes. Os efeitos nos jovens são mais graves com possibilidades de se tornarem adultos alcoólatras, com danos cerebrais permanentes”, alerta.

Texto originalmente publicado no boletim Conectar, edição 15, em 16/4/2013. Assine nossa newsletter:http://www.fcmsantacasasp.edu.br.