Cefaleia atinge 90% da população brasileira

Cientificamente denominada como cefaleia, a dor de cabeça é um dos males que mais atingem a população brasileira, vivenciada por 90% das pessoas no país, segundo a OMS (Organização Mundial de Saúde). As cefaleias podem ser divididas em dois grandes grupos: primárias e secundárias, sendo o último grupo em geral mais grave, como resultado de enfermidades específicas no sistema nervoso central.

Dr. Rubens Gagliardi, professor titular de Neurologia da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo

Dr. Rubens Gagliardi, professor titular de Neurologia da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo

“Consideramos como primária quando a dor desencadeada no indivíduo não tem uma causa específica orgânica, ou seja, trata-se de uma resposta do organismo e do cérebro a situações de pressão, preocupação, medo, por exemplo, podendo ocorrer repetidas vezes no dia ou na semana”, diz o Dr. Rubens Gagliardi, professor titular de Neurologia da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.

A enxaqueca é uma das formas de cefaleia e também se divide em dois tipos principais: com e sem aura. “A forma sem aura, normalmente, é caracterizada por uma dor pulsátil, acompanhada, em geral, por náuseas e vômitos. Além disso, sua periodicidade não é definida. A forma com aura pode se manifestar com diferentes sintomas, como alterações sensitivas, visuais motores, entre outras menos comuns”, explica o Dr. Gagliardi.

De acordo com a SBCe (Sociedade Brasileira de Cefaleia), a dor de cabeça tensional é a mais comum e acomete 78% da população, seguida da enxaqueca, que atinge 16% das pessoas. As mulheres são as mais afetadas devido, principalmente, a grandes alterações hormonais a que estão submetidas.

A cefaleia pode se manifestar em crianças, adultos e idosos; e a enxaqueca, contudo, é predominante na faixa etária dos 15 aos 40 anos e em mulheres. Segundo o Dr. Gagliardi, o diagnóstico deve considerar o histórico do paciente, com informações que vão desde sua rotina de atividades, alimentação, características das crises, manifestações concomitantes, achados clínicos e avaliação genética.

Entre os hábitos alimentares, é importante a individualização de cada um, pois as respostas podem ser bastante diferentes entre os pacientes. Em geral, deve-se investigar eventual prejuízo das crises com o consumo de chocolate, de bebidas alcoólicas e de produtos gordurosos, potencialmente agravante das crises e, se tal prejuízo for confirmado, esses tipos de alimentos devem ser evitados.

Ao contrário dos demais tipos, a cefaleia em salvas é mais presente nos homens. “É um distúrbio que ocorre em um lado da cabeça, causado por uma dor forte, aguda, rápida e com tendência a repetição. Outros sintomas são lacrimejamento dos olhos e congestão nasal”, explica o professor.

Embora comuns, as dores de cabeça não são normais. Na maioria das vezes, as pessoas se automedicam e não obtêm sucesso. “Sem dúvida, a automedicação não é recomendada, pois pode ocultar problemas mais sérios. No caso de cefaleias frequentes ou atípicas (as que se apresentam com um padrão de dor diferentemente do usual), deve-se procurar um neurologista para investigação diagnóstica e correta orientação”, finaliza o Dr. Gagliardi.

Texto originalmente publicado no boletim Conectar, edição 48, em 26/8/2014. Assine nossa newsletter:
http://www.fcmsantacasasp.edu.br.

Anúncios

Saiba como as picadas de abelhas podem levar à morte

Comuns em nosso cotidiano, as abelhas podem representar muito mais perigo do que se imagina. Um ataque desse inseto pode ser fatal e, em casos raros, o indivíduo hipersensível pode morrer em virtude de uma única ferroada.

Prof.ª Dra. Sandra Regina S. SprovieriDe acordo com a Prof.ª Dra. Sandra Regina S. Sprovieri, coordenadora da disciplina de Emergências em Clínica Médica da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, as manifestações causadas pela picada podem ser de naturezas tóxicas e alérgicas.

As reações tóxicas locais estão associadas à dor, inchaço e coloração avermelhada da pele. Em casos de múltiplas picadas, podem ocorrer manifestações sistêmicas, devido à grande quantidade de veneno inoculado. “Nesse caso, alguns dos sintomas são: prurido, calor generalizado, hipotensão, taquicardia, cefaleia, náuseas e/ou vômitos e cólicas abdominais. Em casos mais graves podem ocorrer choque e insuficiências respiratória e renal agudas”, enfatiza.

As manifestações alérgicas locais são caracterizadas por um edema que persiste por alguns dias. Já as alérgicas sistêmicas podem variar de urticária generalizada, mal-estar, edema de glote, choque anafilático, queda da pressão arterial, colapso, perda da consciência, incontinência urinária e fecal, e coloração azulada ou roxa da boca, pele ou unhas. Até a chegada ao atendimento médico, após ser picado, o indivíduo alérgico deve aplicar uma compressa de água fria ou gelo e usar analgésico para aliviar a dor. A pessoa deve permanecer calma, evitando movimentos bruscos e excessivos. Também é necessário retirar o ferrão cravado na pele e lavar o local com sabão e água corrente.

“O ferrão pode ser retirado com pinça ou com os dedos. Após a ferroada, a abelha deixa para trás não apenas o ferrão, mas também o saco de veneno e parte do seu aparelho digestivo. Enquanto ele permanece cravado, a substância continua a ser instilada involuntariamente nos primeiros 20 a 30 segundos. O método de remoção do ferrão não afeta a quantidade de veneno a ser inoculado na pele do indivíduo”, afirma.

O ataque em massa realizado pelas abelhas é responsável pela maioria dos acidentes. Após cerca de 15 a 20 segundos do início do ataque, normalmente localizado em frente da colmeia, os insetos saem em grande quantidade, mais de 200, em média, voando para todos os lados e ferroando todos que se encontram na proximidade, perseguindo-os por mais de 700 metros.

Já os acidentes causados por vespas e marimbondos representam quadros clínicos mais graves do que os causados por abelhas, pois necessitam de uma menor quantidade de picadas para evoluir para um quadro sistêmico grave.

“Enquanto as abelhas picam somente uma vez, deixam o ferrão em sua vítima e morrem após o ataque, os marimbondos e as vespas não perdem o membro ao ferroar, podendo causar múltiplas picadas, não morrendo após o ataque. Assim, os procedimentos são os mesmos adotados para as picadas de abelhas, com exceção do ferrão que não fica cravado na pele”, explica.

A especialista recomenda alguns cuidados para evitar ataques:

• Não atire pedras ou paus em direção às abelhas ou colmeias.
• Não fique parado e se afaste de eventual colmeia existente.
• Se observar um enxame em sua direção, não corra em linha reta pela estrada ou caminho livre. Entre pelas margens da estrada e corra em zigue-zague pelo interior da mata, pois assim poderá “enganá-las” durante a perseguição.
• Proteja o rosto com uma toalha ou camisa, pois as picadas no pescoço ou na mucosa oral podem levar a um edema de glote, resultando em morte por asfixia.

Texto originalmente publicado no boletim Conectar, edição 27, em 1º/10/2013. Assine nossa newsletter http://www.fcmsantacasasp.edu.br.

Especialidade de Neurologia: área abrangente e oportunidade para profissionais

Dr. Rubens GagliardiA Neurologia estuda os distúrbios estruturais do sistema nervoso central e periférico, apresentando os diagnósticos e tratamentos. De acordo com o Dr. Rubens Gagliardi, professor titular de Neurologia da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, acidente vascular cerebral (AVC), epilepsia, cefaleia, Mal de Parkinson, polineuropatias, enxaquecas, meningites, demências (como Alzheimer), entre outras, são doenças que estão incluídas na especialidade.

“O AVC é a principal causa de morte no Brasil. Problemas como o Mal de Alzheimer e os distúrbios do sono apresentam bastante ênfase no país atualmente, e são tratadas pela Neurologia”, afirma.

O professor explica que a área tem inúmeras facetas, como a emergência, intensivismo, intervensionismo, hospitalismo, registros gráficos, além dos diferentes aspectos da clínica. Dessa forma, a especialidade é apresentada de maneira bastante ampla durante o curso de Medicina.

“No terceiro ano da graduação, são dadas as noções básicas sobre os exames neurológicos. A carga horária principal é oferecida no quarto ano do curso, em que são colocadas todas as informações sobre as doenças clínicas e neurológicas. Nesse mesmo período, temos uma parte aliada à neurofisiologia, neurofarmacologia, neuroanatomia e neurocirurgia, em que são abordadas todas as patologias. No sexto ano, junto ao internato, os alunos têm as discussões sobre as doenças específicas”, descreve o Dr. Gagliardi.

Para o professor, o mercado de trabalho nessa área é bom e ainda comporta novos profissionais, visto que a área é abrangente e vasta.

Texto originalmente publicado no boletim Conectar, edição 22, em 23/7/2013. Assine nossa newsletter http://www.fcmsantacasasp.edu.br.