Colesterol: entenda consequências e saiba como prevenir

renato-jorge-alves-fcmscsp

Prof. Dr. Renato Jorge Alves, professor da disciplina de Cardiologia da FCMSCSP

Com o objetivo de alertar a população brasileira em relação aos cuidados com a saúde, o dia 8 de agosto é marcado como o Dia Nacional do Combate ao Colesterol. Um lipídeo necessário para o funcionamento do organismo, quando elevado, o colesterol pode provocar doenças ateroscleróticas, como infarto e acidente vascular cerebral (AVC), duas das doenças cardiovasculares que mais matam no mundo.

O colesterol é um tipo de gordura presente em diversos alimentos e é dividido em dois tipos: o mau colesterol (LDL) e o bom colesterol (HDL). A falta de controle sobre os fatores de risco como alimentação inadequada e o sedentarismo são atitudes que podem auxiliar no acúmulo do mau colesterol nas artérias e veias do corpo.

Segundo o Dr. Renato Jorge Alves, professor da disciplina de Cardiologia da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, a doença aterosclerótica pode se manifestar por sintomas clássicos, como dor no peito, falta de ar, cansaço aos esforços, mas também sem sintomatologia. “Nesse último caso, sendo detectada primariamente por um ataque cardíaco (infarto) ou AVC, como primeira manifestação”, afirma.

O único meio de diagnosticar o colesterol elevado, de acordo com o cardiologista, é a dosagem do colesterol no sangue: “Essa dosagem deve ser feita após os 10 anos de idade, ou antes, se houver fatores de risco envolvidos, entre os quais: doença cardiovascular precoce na família ou presença de fatores de risco cardiovasculares na criança.”

De acordo com o Dr. Renato, atualmente existe um bom arsenal terapêutico de medicamentos que abaixam eficazmente o colesterol. Entre os melhores fármacos, estão as estatinas, que além de reduzir o colesterol, reduzem também a incidência de infarto e de AVC, reduzindo-se assim, a mortalidade cardiovascular. “Outros medicamentos, coadjuvantes, ajudam na função de reduzir o colesterol, entre eles, destacam-se a ezetimiba (reduz a absorção do colesterol no intestino) e os inibidores da PCSK9 (aumentam a retirada de colesterol do sangue)”, conta.

Texto originalmente publicado no boletim Conectar, edição 116, em 1º/8/2017. Assine nossa newsletter: http://www.fcmsantacasasp.edu.br.  

Anúncios

Hipercolesterolemia familiar: entenda a doença cardiovascular que tem causas genéticas

renato-jorge-alves-fcmscsp

Prof. Dr. Renato Jorge Alves, professor da disciplina de cardiologia da FCMSCSP

A hipercolesterolemia familiar é uma grave doença de ordem genética e que pode se apresentar de duas maneiras: nas formas heterozigótica e homozigótica, essa última considerada muito mais grave. Nessa patologia, os níveis de colesterol estão muito altos e a doença cardiovascular se manifesta precocemente. A principal causa da doença, como o nome implica, vem da família, ou seja, a criança herdará os genes de um dos pais ou de ambos.

Contudo, a hipercolesterolemia pode passar despercebida e o indivíduo só descobre que a possui em exame laboratorial de rotina: “A doença também pode ser descoberta após evento de infarto agudo miocárdio, que podem apresentar sintomas como dor no peito, falta de ar e/ou cansaço aos esforços”, explica o Dr. Renato Jorge Alves, professor da disciplina de Cardiologia da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.

Os principais sinais da hipercolesterolemia familiar são os xantomas, tumores benignos de pele composto de lipídios, que podem aparecer em regiões extensoras de tendões. Sendo as principais regiões: tendão de Aquiles, cotovelos, joelhos, interdigitais e nádegas também.

O tratamento da forma heterozigótica é realizado com o uso de estatinas, grupo de medicamentos que ajudam a reduzir o colesterol alto. Como segunda opção de tratamento, também se pode usar ezetimiba associado, fármaco cujo mecanismo de ação é reduzir a absorção de colesterol no intestino. “Um novo medicamento está chegando ao Brasil e promete relevante contribuição na terapêutica da hipercolesterolemia familiar. Trata-se dos inibidores de PCSK 9 (Pro-proteína convertase subtilisina/kexin tipo 9)”, comemora o Dr. Renato. Esse medicamento auxilia receptores hepáticos na remoção do LDL colesterol do sangue e deve ser utilizado em combinação com uma dieta apropriada, exercício físico e o uso de estatinas. “Como a doença possui alto risco cardiovascular, tanto o diagnóstico, bem como o tratamento devem ser instituídos o mais breve possível. O acompanhamento destes indivíduos deve ser feito em serviço capacitado e com equipe experiente”, aconselha o cardiologista.

Texto originalmente publicado no boletim Conectar, edição 103, em 31/1/2017. Assine nossa newsletter: http://www.fcmsantacasasp.edu.br. 

Doenças cardiovasculares são responsáveis por 29,4% de todas as mortes registradas no Brasil no ano

Atualmente, as principais doenças fatais relacionadas ao coração são o infarto do miocárdio e a angina, que normalmente atingem indivíduos com mais de 40 anos, a maioria do sexo masculino, acometendo também cada vez mais mulheres. Segundo o Ministério da Saúde, em um ano, cerca de 308 mil pessoas falecem de infarto do miocárdio e acidente vascular cerebral (AVC) no país. O infarto ocorre devido ao acúmulo de gordura e entupimento por coágulo das artérias coronárias. A doença é relacionada a hábitos como tabagismo, sedentarismo e dieta inadequada, assim como doenças frequentemente assintomáticas como hipertensão arterial, colesterol alto e diabetes.

Dr. Roberto Alexandre FrankenDiante do estresse e da correria do dia a dia, as pessoas nem sempre encontram tempo para cuidados com a saúde. O Dr. Roberto Alexandre Franken, professor titular do departamento de Clínica Médica da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, recomenda que, para evitar o infarto e outras doenças do coração, deve-se aferir a pressão arterial desde criança, dosar o colesterol e açúcar regularmente para o diagnóstico e tratamento precoce dos fatores de risco. Se houver histórico familiar ligado a problemas cardíacos, esses exames devem ser feitos desde a infância, a partir dos cinco anos de idade.

Prevenção

“Para a prevenção de doenças cardíacas, a pessoa deve se preocupar em fazer exames médicos e exercícios físicos regulares, bem como não fumar e principalmente evitar a obesidade central, que é mais comum no homem, que acumula gordura na barriga”, enfatiza o especialista.

Dr. Franken também reforça que qualquer indivíduo, a partir dos 40 anos, deve procurar anualmente um cardiologista. “Sabemos que o infarto atinge mais pessoas do sexo masculino. Contudo, está cada vez mais comum em mulheres, por conta da mudança de comportamento social, da inserção delas no mercado de trabalho, bem como pelo uso da pílula anticoncepcional e o fumo, que são fatores envolvidos nesse agravamento”, conclui.

Texto originalmente publicado no boletim Conectar, edição 26, em 17/9/2013. Assine nossa newsletter http://www.fcmsantacasasp.edu.br.

Dr. Franken ressalta importância do exame de saúde

Confira abaixo reportagem publicada no jornal O Estado de S. Paulo, em 10/1/2013, com a participação do Dr. Roberto Franken, cardiologista e professor da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.

Lei livra academia de exames médicos

Nova regra promulgada pela Câmara determina avaliação só para frequentador que não esteja dentro da faixa etária de 15 a 69 anos

10 de janeiro de 2013 | 2h 03
DIEGO ZANCHETTA, JULIANA DEODORO, RODRIGO BURGARELLI – O Estado de S.Paulo

Uma nova lei promulgada ontem pelo presidente da Câmara Municipal, José Américo (PT), livra as academias de São Paulo de realizarem exames médicos semestrais e na admissão de cada um dos seus alunos. A obrigação havia sido estabelecida por uma lei municipal sancionada em fevereiro do ano passado pelo prefeito Gilberto Kassab (PSD). A justificativa é que a regra estava causando “ônus de ordem econômica e burocrática” às academias e seus frequentadores.

A nova lei é uma das principais reivindicações dos donos de academia, que reclamavam de ter de aumentar o preço das mensalidades para arcar com os custos dos exames. A partir de agora, só precisarão fazer exame médico nas academias os frequentadores que não estejam dentro da faixa etária de 15 a 69 anos.

Já quem se enquadra nessa idade vai ter apenas de responder a um questionário de prontidão para atividade física. Esse documento vai trazer perguntas como “você sentiu dor no peito quando realizava atividade física?” ou “toma algum medicamento para pressão arterial?”.

Se houver alguma resposta positiva, o usuário terá de assinar um termo de compromisso se responsabilizando, caso decida fazer academia sem se consultar com um médico. A lei se originou de um projeto apresentado pelo então vereador Antonio Donato (PT), hoje secretário de Governo e homem-forte da gestão Fernando Haddad (PT).

Na justificativa apresentada para o projeto, ele afirmou que a lei aprovada ano passado acabava com o incentivo às atividades físicas e estimulava a prática de exercícios por conta própria – o que pode trazer mais riscos à saúde do que em uma academia, por exemplo.

Donato afirmou também que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) classifica a atividade praticada em academias como de baixo risco. “A exigência de exames médicos desestimula a prática de atividades físicas justamente no local mais seguro e adequado para isso, já que as academias são legalmente responsáveis pela qualidade e segurança dos serviços e equipamentos oferecidos e são obrigadas a manter profissionais de educação física em suas dependências, os quais avaliam e monitoram os usuários”, escreveu.

Tramitação. A proposta não chegou a ser votada em plenário pelos 55 vereadores. O regimento interno da Câmara permite que um projeto que exija maioria simples para a sua aprovação vire lei passando apenas pelas comissões temáticas. Nesse caso, ele só teria de passar por plenário caso ao menos um décimo dos vereadores apresentasse recurso contra a sua aprovação direta pelas comissões.

Américo afirmou que a liderança do governo Kassab chegou a apresentar pedido para que a proposta passasse por plenário. Mas, no fim do ano passado, o recurso foi retirado e o projeto aprovado, passando apenas pelas comissões de Constituição e Justiça, Atividade Econômica, Saúde, Promoção Social e Trabalho e Finanças e Orçamento. Ela foi sancionada pelo presidente da Câmara porque expirou o prazo legal para que o prefeito a sancionasse.

“Fiz o que a lei determina, que é promulgar um projeto que o prefeito deixou de sancionar. Faria isso com o projeto de qualquer outro vereador”, argumentou ontem o presidente, José Américo. Ele, porém, elogiou a modificação sugerida por Donato nas regras dos exames médicos. “Sou totalmente favorável ao projeto desde o início de suas discussões (em maio de 2012)”, acrescentou o petista.

Obrigatoriedade era ignorada em muitos estabelecimentos

Professora conta que em sua academia exame nunca foi cobrado; tema causa discussão em vários lugares do mundo

10 de janeiro de 2013 | 2h 03 – O Estado de S.Paulo

A gerente financeira Márcia Pereira, de 40 anos, descobriu há nove anos que era hipertensa. Um ano depois da descoberta, começou a malhar, já sob orientação médica, mesmo sem a obrigatoriedade do exame. “Se tivesse começado a malhar sem saber que era hipertensa, poderia ter tido um enfarte. Acho o exame super importante”, diz.

Ela conta que muita gente da academia que frequenta reclamava da regra. O local aceita dois tipos de exame: o feito com médico particular ou com o médico da academia, que cobra taxa de R$ 40 para realizá-lo. “As pessoas não têm tempo e acaba sendo um problema a mais.”

É o caso do engenheiro civil Rodrigo Maciel, de 33 anos. No ano passado ele quase teve que ficar parado por um tempo porque a catraca da sua academia não libera a entrada de quem está devendo o exame. “O plano de saúde não marca uma consulta de um dia para o outro, leva pelo menos 15 dias”, afirma. Ao saber que o exame não seria mais obrigatório, o engenheiro ficou satisfeito. “Acho que cada um deve se preocupar com a própria saúde. O exame dava trabalho e era apenas um transtorno.”

Mesmo com a lei, nem todas as academias cumpriam a regra. Na academia da professora Milena de Oliveira, de 24 anos, o exame nunca foi cobrado. “Na prática, essa mudança não vai nem me afetar”, diz.

A obrigatoriedade do exame médico antes da prática de exercícios físicos é uma polêmica em diversos lugares do mundo, diz o cardiologista e professor da Faculdade Santa Casa Roberto Franken. Para ele, obrigar todos os usuários a fazer o exame é algo complexo e de difícil operacionalidade, mas o cardiologista reitera que o exame é importante e que as pessoas devem se preocupar com a própria saúde.

“Se a lei não obriga a pessoa a fazer o exame, ela deve individualmente se cuidar”, afirma Franken. Ele lembra que quem tem histórico de hipertensão na família e já está com a idade avançada deve redobrar a atenção. “Homens acima de 45 anos e mulheres de 50 em diante devem se cuidar. / D. Z., J. D. e R. B.

———————————————————————————————————————
Links: http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,lei-livra-academia-de-exames-medicos-,982451,0.htm
http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,obrigatoriedade-era-ignorada-em-muitos-estabelecimentos-,982448,0.htm
 

Curso de Reciclagem Pediátrica da Santa Casa de São Paulo

Nos dias 31/8 e 1º/9, sexta e sábado, será realizado o 29º Curso de Reciclagem Pediátrica da Santa Casa de São Paulo. O encontro reunirá renomados especialistas da área, incluindo professores da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, e acontecerá no Hotel Renaissance, em São Paulo. Vagas limitadas, com condições especiais para médicos sócios da SPSP (Sociedade de Pediatria de São Paulo), residentes e acadêmicos.

Para mais informações e detalhes sobre as inscrições, acesse sobre o Programa Científico: clique aqui

Organização:
Departamento de Pediatria e Puericultura da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo