Borderline: conheça os principais sintomas do transtorno de personalidade

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Ana Paula Sabatini, professora do curso de Pós-graduação em Neuropsicologia da FCMSCSP

Compostos por um grupo de transtornos caracterizados por quadros em que há dificuldade no relacionamento interpessoal, os Transtornos de Personalidade geram instabilidade emocional e angústia intensa e afetam diretamente o desempenho do portador no âmbito social e profissional.

No Transtorno de Personalidade Borderline, o indivíduo é emocionalmente instável, ou seja, não consegue regular seu afeto, o que resulta em alterações de humor muito rápidas, com maior tendência para o negativo, como ansiedade, raiva e disforia, segundo afirma Ana Paula Sabatini, professora do curso de Pós-graduação em Neuropsicologia da FCMSCSP: “Esses pacientes acabam tendo comportamentos impulsivos ou perigosos. Os pacientes com esse transtorno não conseguem dar continência à sua angústia e por isso buscam aliviar no seu próprio corpo, sendo frequente o ato de automutilação”, explica.

Além disso, indivíduos com Transtorno de Personalidade Borderline costumam expressar sua impulsividade no abuso de substâncias, compulsão sexual e compulsão alimentar: “Há também uma instabilidade em relação à autoimagem e risco para suicídio”, acrescenta a professora.

Predominante em mulheres, a incidência do transtorno é de 2% na população geral e os sintomas costumam surgir no final da adolescência ou no início da vida adulta. “A etiologia do Transtorno envolve tanto predisposição genética quanto eventos traumáticos ou situações emocionais vivenciadas que podem desencadeá-lo. Entre as experiências traumáticas, pode-se citar a existência de abuso físico e/ou sexual infantil”, explica Ana Paula Sabatini.

Como qualquer Transtorno de Personalidade, o tratamento do Transtorno de Borderline é bastante complexo e envolve acompanhamento psiquiátrico e psicológico. “O tratamento visa minimizar os sintomas, melhorar a adaptação do paciente e com possíveis consequências negativas para o indivíduo. Normalmente, os comportamentos relacionados à impulsividade e à automutilação são minimizados, e mais a longo prazo, o nível de insegurança tende a diminuir”, finaliza.

Texto originalmente publicado no boletim Conectar, edição 102, em 6/12/2016. Assine nossa newsletter: http://www.fcmsantacasasp.edu.br.