Precisamos falar sobre o Autismo

Prof.ª Dra. Noemi Takiuchi, professora do curso de graduação em Fonoaudiologia

O dia 2 de abril foi instituído pela ONU como Dia Mundial de Conscientização sobre o Autismo, como forma de ampliar a visibilidade e a discussão na sociedade sobre esta condição que afeta 1% da população no mundo. Somente no Brasil são mais de 2 milhões de pessoas com autismo de acordo com a Organização Mundial da Saúde, sendo que a maioria ainda é diagnosticada somente após os quatro anos de idade.

Apesar dessa alta prevalência, o autismo é um transtorno relativamente novo para a sociedade, tendo sido descrito pela primeira vez em 1947. Desde então, muito se avançou no conhecimento sobre diagnóstico e intervenção em autismo. Uma mudança importante refere-se ao conceito de espectro do autismo, que envolve a compreensão de uma variação nas manifestações tanto em relação à diversidade quanto em relação à intensidade dos sintomas. No DSM-5, esse conhecimento levou à proposta de mudança da nomenclatura para Transtorno do espectro do autismo (TEA), incluindo os quadros anteriormente nomeados como síndrome de Asperger, Autismo infantil e Autismo atípico.

O TEA é um transtorno do neurodesenvolvimento que se caracteriza por dificuldades persistentes na comunicação social e nas interações, por padrões restritos e repetitivos de comportamentos, atividades e interesses, além de particularidades no processamento sensorial. Manifesta-se na infância, mas os sintomas podem ser mais notados somente quando a demanda social aumenta, e a condição mantém-se ao longo da vida, explica a Profa. Dra. Rosane Lowenthal do Departamento de Saúde Mental da FCMSCSP.

A professora do Curso de Graduação em Fonoaudiologia da FCMSCSP, Noemi Takiuchi, destaca o papel do fonoaudiólogo no processo de diagnóstico e na intervenção em TEA: “As alterações de comunicação constituem critério diagnóstico para o quadro e podemos contribuir para a identificação dessas alterações em toda a diversidade de manifestações. Além disso, outros quadros podem ser confundidos com o TEA e o diagnóstico diferencial deve ser feito entre TEA e transtorno do desenvolvimento da linguagem, apraxia de fala, surdez, transtorno da comunicação social, mutismo seletivo, TDAH”.

O diagnóstico do TEA deve ser realizado por uma equipe multidisciplinar e a capacitação de profissionais da saúde para a avaliação deve acontecer já na graduação, considerando a alta prevalência dessa condição. Segundo a professora Rosane Lowenthal, na FCMSCSP, o conteúdo sobre TEA é oferecido em disciplinas curriculares dos cursos de Medicina, Fonoaudiologia e Enfermagem. Além disso, há uma disciplina optativa de aprofundamento em Autismo, a Liga de Autismo e ações de extensão visando ampliar as oportunidades de formação dos nossos alunos em TEA.

Compreender as dificuldades que as pessoas com TEA apresentam é de extrema relevância, assim como conhecer as práticas baseadas em evidências. Nas propostas desenvolvimentistas de intervenção em autismo, é essencial a identificação e intervenção precoces, assim como um trabalho em parceria com as famílias para potencializar as oportunidades de desenvolvimento das habilidades de atenção compartilhada, simbolismo e representação, regulação emocional e engajamento social em um contexto naturalístico.

Ainda não há nenhum medicamento para o TEA. Alguns sintomas podem ser tratados com medicação, mas a principal intervenção com evidência de resultados acontece nas terapias que promovem o desenvolvimento dessas crianças, envolvendo fonoaudiólogo, psicólogo e terapeuta ocupacional.

A inclusão educacional também é fundamental, em parceria com a equipe clínica e com a família. Promover as ações e adaptações necessárias para que as pessoas com TEA participem ativamente da vida escolar, possam aprender e desenvolver seu potencial, possibilitará a participação social plena e em igualdade com os demais estudantes.

Garantir a inclusão social, por sua vez, envolve também a mobilização de toda a sociedade. Por esse motivo ações como o “Vista Azul pelo Autismo”, desenvolvida na FCMSCSP desde 2011, são importantes e podem contribuir para a conscientização de todos em direção a uma sociedade mais inclusiva e que respeita a diversidade.

Texto originalmente publicado no boletim Conectar, edição 125, em 13/4/2018. Assine nossa newsletter: http://www.fcmsantacasasp.edu.br. 

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Alunos e professores da FCMSCSP realizam mutirão diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista em Limeira (SP)

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No dia 20 de maio, sábado, foi realizado um mutirão diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista (TEA) em Limeira, interior de São Paulo (SP). O projeto foi organizado pela Prof.ª Rosane Lowenthal, do Departamento de Psiquiatria da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de Sâo Paulo e pela IFMSA – Santa Casa, em parceria com a Secretaria de Saúde de Limeira.

O mutirão envolveu membros da equipe multiprofissional da Unidade de Referência em Autismo da Irmandade de Misericórdia da Santa Casa de São Paulo, residentes em Psiquiatria, alunos dos cursos de Graduação em Medicina, Enfermagem e Fonoaudiologia da FCMSCSP, além das professoras Dra. Noemi Takiuchi e Dra. Byanka Cagnacci do curso de Graduação em Fonoaudiologia da FCMSCSP e da Prof.ª Dra. Rosane Lowenthal, coordenadora do evento.

Foram avaliadas 30 crianças, entre 3 e 7 anos, da lista de espera da cidade para investigação diagnóstica com suspeita de autismo. O processo de avaliação contou com anamnese, avaliação clínica multiprofissional, aplicação de escalas diagnósticas para autismo e triagem auditiva. Profissionais da Rede de Atenção Psicossocial de Limeira também participaram como observadores, para capacitação em avaliação e diagnóstico em TEA.

Dia Mundial de Conscientização sobre o Autismo é marcado por ações especiais na FCMSCSP

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Prof.ª Dra. Noemi Takiuchi e Prof.ª Dra. Rosane Lowenthal

Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) é um distúrbio do neurodesenvolvimento que atinge entre 1 e 2% da população e é essencial que profissionais da saúde e da educação, assim como toda a comunidade, estejam capacitados para a assistência das pessoas com autismo e para a construção de uma sociedade realmente inclusiva. Para marcar o Dia Mundial de Conscientização sobre o Autismo, comemorado em 2/4, foram realizadas diversas ações especiais na Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.

No dia 3 de abril, professores, alunos e colaboradores da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo participaram da campanha “Vista Azul pelo Autismo”. No mesmo dia, o curso de Graduação em Fonoaudiologia e o Departamento de Psiquiatria da FCMSCSP iniciaram o 1º Simpósio Santa Casa de Autismo. O evento, que teve continuidade no dia 4, ofereceu informações diferenciadas sobre o Transtorno do Espectro do Autismo, com atividades coordenadas por docentes da FCMSCSP, com ampla experiência e conhecimento na área.

“É essencial que todos compreendam que garantir o acesso à saúde e à educação, com intervenções eficientes, baseadas em evidências, e promover as ações e adaptações necessárias para que as pessoas com TEA se desenvolvam, possibilitará a participação social plena e em igualdade com os demais cidadãos”, afirma a Dra. Noemi Takiuchi, professora do curso de Graduação em Fonoaudiologia da FCMSCSP e uma das organizadoras do evento. “Novas edições ocorrerão com o intuito de trazer as pesquisas mais recentes na área e os trabalhos realizados na Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo e na Unidade de Referência em Autismo”, acrescenta a Dra. Rosane Lowenthal, do Departamento de Psiquiatria da FCMSCSP e organizadora do evento.

Enfermagem também marca presença nas iniciativas

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Prof.ª Juliana Elena Ruiz e Prof.ª Rosemeire Vieira

Quem também participou das ações em prol dessa importante data foi o curso de Graduação em Enfermagem da FCMSCSP. No sábado, 8/4, foi realizado o Fórum de Discussão de Enfermagem sobre o Transtorno do Espectro do Autismo, que promoveu a difusão de conhecimentos por meio da troca de experiências e informações com profissionais atuantes na área saúde e educação, com temas pertinentes ao cotidiano da pessoa com TEA.

Segundo Juliana Elena Ruiz, professora do curso de Graduação em Enfermagem da FCMSCSP, ainda existem muitas dúvidas e erros de conceitos sobre o TEA e como forma de esclarecer sobre o assunto, foi criado o fórum. “Dessa forma, independentemente da abordagem que seja escolhida para se falar sobre o TEA fica evidente que um diálogo entre diferentes campos do saber é necessário”, afirma.

“A integração do conhecimento entre profissionais permite que as pessoas com TEA possam ter um desenvolvimento melhor e que a adaptação delas à sociedade seja feita de modo amplo, não apenas tratando, mas levando em conta toda a sua realidade contextual”, finaliza Rosemeire Vieira, professora do curso de Graduação em Enfermagem da FCMSCSP.

Texto originalmente publicado no boletim Conectar, edição 108, em 11/4/2017. Assine nossa newsletter: http://www.fcmsantacasasp.edu.br. 

5º Encontro de Enfermagem Psiquiátrica da FCMSCSP

peca_facebook_2016A disciplina de Enfermagem Psiquiátrica na Saúde do Adulto do Curso de Graduação em Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo realiza no dia 19 de novembro de 2016, sábado, das 8h às 12h, o 5º Encontro de Enfermagem Psiquiátrica com o tema “Autismo: desafios para o cuidar”. O encontro é destinado a estudantes de Enfermagem, docentes, profissionais da área de saúde e interessados no tema e tem a coordenação das Professoras Juliana Elena Ruiz e Zelia Nunes Hupsel da FCMSCSP.

Investimento:

  • Alunos da FCMSCSP – 10 reais
  • Alunos de outras instituições – 15 reais
  • Profissionais e demais interessados – 20 reais

Local:
Auditório Dr. Christiano Altenfelder – Novo Prédio da FCMSCSP
Rua Dr. Cesário Motta Junior, 112, 4º andar, Vila Buarque, São Paulo (SP).

Para conhecer a programação e se inscrever, acesse a página oficial do 5º Encontro de Enfermagem Psiquiátrica “Autismo: desafios para o cuidar”. As inscrições podem ser realizadas até às 12h do dia 18/11, sexta-feira.

Workshop de Formação do Modelo Denver de Intervenção Precoce para Crianças com Autismo

workshop-formacao-modelo-denverNo dia 25/6, sábado, das 8h30 às 17h, será realizado o Workshop de Formação do Modelo Denver de Intervenção Precoce para Crianças com Autismo no auditório Prof. Dr. Emilio Athié, na Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.

Com uma abordagem multidisciplinar, o workshop introdutório foi planejado para participantes com formações de base e experiências diversificadas, incluindo profissionais, pais e demais interessados em conhecer o Modelo Precoce de Denver. O valor de inscrição é de R$ 500,00 por participante.

Professores, alunos e ex-alunos da FCMSCSP têm desconto de R$ 200,00 na realização do workshop introdutório, mediante apresentação de comprovante no dia do evento. Para realizar a inscrição nesta condição e conferir mais informações, clique aqui.

O workshop é uma realização da Clínica de Fonoaudiologia e Psicologia (Clifali), com o apoio da FCMSCSP. O Auditório Prof. Dr. Emilio Athié fica na Rua Dr. Cesário Motta Jr., 112, Vila Buarque, São Paulo (SP).

Vista Azul pelo Autismo

No dia 1º/4, a Dra. Noemi Takiuchi foi uma das entrevistadas do programa Gente que Fala, da Rádio Trianon, transmitido também pela web (All TV). Na oportunidade, a professora do curso de Graduação em Fonoaudiologia da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo contou sobre a iniciativa Vista Azul pelo Autismo e o Dia Mundial de Conscientização do Autismo, celebrado em 2 de abril.

Para acompanhar a íntegra do programa, acesse este link.

TV Brasil
A passagem da data foi também destaque no programa Repórter Brasil. Clique na imagem abaixo para conferir esta reportagem que tem a participação da Dra. Rosane Lowenthal, coordenadora da Unidade de Tratamento do Autismo da Santa Casa de São Paulo, e da Dra. Noemi Takiuchi.

Repórter Brasil_Autismo 02042015

Rede Vida
A iniciativa da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo no Dia Mundial de Conscientização do Autismo ganhou ainda destaque no Jornal da Vida, exibido pela Rede Vida de Televisão. Para conferir, clique na imagem a seguir:

Dia Mundial do Autismo 2015_Rede Vida

 

Hospitais Brasil
Com destaque para a ação que envolveu professores, alunos e colaboradores, a Revista Hospitais Brasil registrou em seu site a iniciativa Vista Azul pelo Autismo. Confira neste link.

 

Contato com animais pode ser benéfico no tratamento de diversas doenças

A relação com os animais pode ir muito além da afetividade e do carinho. O simples contato com os bichos pode melhorar a vida de pessoas com doenças como depressão, paralisia cerebral, câncer, autismo, Alzheimer, síndrome do pânico e Parkinson.

Cães, gatos, aves e cavalos podem ser aliados nos trabalhos de psicólogos, enfermeiros, fisioterapeutas e médicos. A iniciativa, quando realizada regularmente, é chamada de TAA (Terapia Assistida por Animal). Quando é esporádica recebe o nome de AAA (Atividade Assistida por Animais).

Dr. Rogério Pecchini, chefe do departamento de Pediatria da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São PauloDe acordo com o Dr. Rogério Pecchini, professor de Pediatria e Puericultura da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo e diretor do Departamento de Pediatria da Santa Casa de São Paulo, os animais são eficazes para aumentar a autoestima e a sociabilidade de indivíduos com distúrbios de comportamento, por exemplo, visto que trabalha o contato pessoal e a afetividade.

“Comprovações científicas mostram que a terapia com bichos pode ser positiva em alguns tipos de doenças. A melhora do paciente com a presença deles está relacionada a uma série de fatores como: alteração de ambiente, desenvolvimento do carinho e mudança nas relações interpessoais”, explica.

Dr. Pecchini afirma que a reabilitação não se restringe apenas ao contato com os cachorros. “Por exemplo, a equoterapia, em que são utilizados cavalos, melhora a parte motora e a sociabilidade de crianças com Síndrome de Down”, declara.

Para o professor, crianças que estão passando por algum tipo de doença e têm contato com cachorros, apresentam resultados no humor e no bem-estar. “Isso também ajuda a aumentar a recepção ao tratamento, algo que pode ser visto claramente. Quando os animais chegam ao ambiente em que os pacientes estão, há uma alegria enorme por parte dos pequenos que estão hospitalizados”, diz.

Somado a isso, o Dr. Pecchini explica que o animal tem um importante papel na vida da garotada: “Aquelas que são criadas com animais apresentam maior relação afetiva com as outras pessoas. Já as crianças um pouco mais velhas podem criar também um senso de responsabilidade. Não há nada comprovado sobre isso, mas observamos muitos casos”, finaliza. O professor indica cachorros de raças dóceis e ressalta a importância da higienização, alimentação e imunização do animal.

Texto originalmente publicado no boletim Conectar, edição 43, em 18/6/2014. Assine nossa newsletter:
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