Perda auditiva entre adolescentes tem consequências ainda mais graves

katia-almeida-faculdade-santa-casa

Prof.ª Dra. Kátia de Almeida, vice-diretora do curso de Graduação em Fonoaudiologia da FCMSCSP

Os efeitos da exposição a elevados níveis de pressão sonora são bem conhecidos. Uma das principais consequências é a perda auditiva induzida por ruído e o trauma acústico – perda de audição decorrente de uma única exposição a um som muito intenso, direto e súbito, como armas de fogo, fogos de artifício, que podem destruir a membrana timpânica e lesionar as células ciliadas da cóclea.

A perda de audição pode acontecer em qualquer idade, desde os mais jovens aos muito idosos. Além disso, pode ter sua causa em doenças, genética, traumatismos encefálicos, complicações no parto e pelo contato com determinados medicamentos. Nos adolescentes, porém, a causa mais comum é a exposição excessiva a níveis de pressão sonora elevados, o que pode ser evitável, portanto, passível de ser prevenido.

Nos jovens, a perda auditiva tem um impacto negativo ainda maior na qualidade de vida, independentemente da idade, podendo levar à solidão, ao isolamento e à frustração. Entretanto, para os jovens e adolescentes em particular, além desses malefícios, a perda auditiva também afetará os processos acadêmicos, como escolhas vocacionais e, até, a autoconfiança e socialização.

De acordo com a Dra. Kátia de Almeida, vice-diretora do curso de graduação em Fonoaudiologia e coordenadora do Mestrado Profissional em Saúde na Comunicação Humana da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, a perda da audição tem aumentado principalmente pela superexposição a ruídos, sendo que, uma vez constatada, se torna irreversível. “Há uma grande preocupação em relação à perda de audição induzida, ou seja, causada por fatores externos. Isso acontece principalmente com jovens que utilizam aparelhos sonoros em volumes extremamente altos. Essa perda é permanente e não há como regredi-la”, afirma.

A especialista explica que a única maneira de prevenir a perda da audição é não se expor a ruídos e altas pressões sonoras, ficando o mínimo de tempo possível em lugares com muito barulho. “Para identificar uma situação de risco auditivo, basta a pessoa se atentar ao fato de que, se estiver em um ambiente com muito barulho, ela vai precisar gritar para ser ouvida. Após ficar em ambientes barulhentos, ela pode apresentar zumbido e sensação de ouvido tampado. Caso essa exposição seja reincidente, a perda pode ser permanente. A audição que teremos na terceira idade irá depender do quanto cuidamos dela na juventude”, conclui.

Texto originalmente publicado no boletim Conectar, edição 116, em 1º/8/2017. Assine nossa newsletter: http://www.fcmsantacasasp.edu.br.  

Anúncios