Asma atinge 20 milhões de brasileiros, segundo o Datasus

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Prof. Dr. Igor Polonio, pneumologista e professor da FCMSCSP

Doença inflamatória das vias aéreas, a asma é uma das condições crônicas mais comuns e que afetam tanto crianças quanto adultos, acometendo cerca de 300 milhões de pessoas no mundo todo. No Brasil, estima-se que existam aproximadamente 20 milhões de asmáticos.

Segundo o Banco de Dados do Sistema Único de Saúde (Datasus), ligado ao Ministério da Saúde, ocorrem no Brasil, em média, 350 mil internações anualmente. A asma está entre a terceira e quarta causas de hospitalizações pelo SUS (2,3% do total), conforme o grupo considerado (crianças e adultos).

Como o pulmão de um asmático é diferente de um pulmão saudável e os brônquios dele são mais sensíveis e inflamados, o Dr. Igor Polonio, pneumologista e professor da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, recomenda o máximo de cuidado do paciente com essa condição, principalmente em épocas de tempo frio: “A asma gera uma suscetibilidade do paciente a ter reações inflamatórias decorrentes à exposição a antígenos ambientais, como, por exemplo, o mofo, penas de pássaros, pólen, poeira, ácaro etc. No inverno, com a queda brusca de temperatura, é preciso se ter ainda mais cuidado, pois as gripes e resfriados podem desencadear uma resposta inflamatória anormal dos brônquios do pulmão, ou seja, uma crise aguda de asma. Quando isso acontece, o ar tem mais dificuldade para entrar e, principalmente, para sair. Com o pulmão cheio, a sensação é de falta de ar. Em casos graves, o asmático pode ter queda da oxigenação”.

Sintomas
Os principais indicativos da asma são tosse com secreção clara, principalmente nos períodos da manhã e noite, falta de ar, cansaço ao se fazer esforços e chiados no peito. Além disso, quem tem rinite deve ficar atento, uma vez que a doença está ligada diretamente à asma. “A rinite e a asma são praticamente a mesma doença. Quem tem asma precisa também tratar da rinite, caso contrário, a asma não melhora”, afirma o Dr. Igor.

Quem tem asma, acrescenta o pneumologista, deve ficar longe de qualquer exposição à fumaça, principalmente à do cigarro: “O asmático deve se afastar do tabagismo, seja ele um fumante ativo ou passivo. O cigarro é a pior coisa para aqueles com asma”, explica.

Para o tratamento da doença, que dura a vida toda, são usados anti-inflamatórios brônquicos que são corticoides inalatórios e broncodilatadores de longa duração. As chamadas ‘bombinhas’, de acordo com o Dr. Igor, só devem ser usadas em casos emergenciais, uma vez que seu efeito tem curta duração: “A medicação usada nas ‘bombinhas’ não age na inflamação; ela apenas dilata o brônquio. Depois de um tempo, o asmático precisa usar outra dose para manter o brônquio dilatado. Com o tempo, o organismo se acostuma e precisa de doses maiores. Esse tratamento não funciona em longo prazo”.

Como forma de tornar a vida mais saudável, as pessoas que têm asma devem considerar o exercício, mas apenas se a doença estiver controlada: “O exercício ajuda a diminuir a falta de ar, porque melhora a musculatura respiratória e aumenta a quantidade de ar que esse paciente mobiliza. Trinta minutos de caminhada, por exemplo, em um ritmo bom, fortalece a musculatura respiratória e faz com que aumente a quantidade de ar que o asmático consegue mobilizar a cada respiração. Ele vai sentir menos falta de ar e melhorar a qualidade de vida”, conclui o Dr. Igor Polonio.

Texto originalmente publicado no boletim Conectar, edição 113, em 20/6/2017. Assine nossa newsletter: http://www.fcmsantacasasp.edu.br.  

Cerca de 80% de crianças com asma também apresentam rinite alérgica

Dr. Bernardo Kiertsman professor adjunto de Pediatria e Puericultura da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo

A asma, caracterizada pela inflamação dos brônquios que causa obstrução no fluxo do ar, é a doença crônica mais frequente na pediatria. Os sintomas são tosse, falta de ar, chiado e aperto no peito. “Entre as crianças asmáticas, cerca de 80% também têm rinite alérgica. O que chamamos de doença da via aérea única”, afirma o Dr. Bernardo Kiertsman, professor adjunto de Pediatria e Puericultura da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo e chefe do Serviço de Pneumologia Pediátrica da Santa Casa de São Paulo.

De acordo com o professor, esse fato acontece por haver um processo inflamatório que ocorre em toda a via aérea (da ponta do nariz até o alvéolo). A inflamação leva a uma irritação do brônquio, conhecida como “hiperresponsividade”, com hipertrofia da musculatura, edema e acúmulo de secreção.

“Esta diminuição do calibre das vias aéreas faz com que o ar passe com dificuldade e o barulho do ar passando pelo brônquio é o chiado (sibilos) que escutamos”, afirma o Dr. Kiertsman.
Principais cuidados

No dia a dia, os pais devem ficar atentos ao ambiente em que a criança asmática vive. “É importante afastá-la de fatores que podem desencadear a doença como: poeira, fumaça de cigarro, pelo de animal, mudanças bruscas de temperatura, estresse, além de odores fortes como aqueles de material de limpeza ou perfumes. Também é preciso estar atento às infecções virais, como os resfriados comuns”, informa o especialista.

Por conta disso, é necessário fazer uma boa higiene do ambiente para evitar o acúmulo de poeira em cortinas, colchas e bichos de pelúcia. “Encapar colchões e travesseiros, com capas impermeáveis ao ácaro, evitar contatos com animais e fumaça de cigarro é essencial para a saúde da criança asmática”, enfatiza o médico.

A asma não tem cura, mas é possível controlá-la. “Para evitar as crises é fundamental, além da higiene, educação e orientação do paciente sobre a doença, realizar um acompanhamento médico adequado e, se necessário, instituir um tratamento profilático medicamentoso, com anti-inflamatórios isolados ou associados a outras drogas”, finaliza o Dr. Kiertsman.

Texto originalmente publicado no boletim Conectar, edição 44, em 2/7/2014. Assine nossa newsletter:
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Alergias respiratórias e alimentares são as principais observadas na população brasileira

De acordo com relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS), 35% da população brasileira sofrem com algum tipo de alergia. Dentre as doenças alérgicas predominantes no Brasil, segundo informações do Banco de Dados do Sistema Único de Saúde (Datasus), estão as respiratórias – com destaque para a asma e rinite alérgica -, além das reações a alimentos e a medicamentos.

Dra. Wilma Carvalho Neves FortePara a imunologista e professora titular da disciplina de Imunologia do departamento de Ciências Patológicas da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, Dra. Wilma Carvalho Neves Forte, alergias ou reações de hipersensibilidade são respostas imunológicas exacerbadas, que se desenvolvem após exposição a determinado antígeno (substância estranha ao organismo do indivíduo), ocorrendo em especial em pessoas geneticamente suscetíveis. “As alergias são muitas vezes subestimadas, como a rinite alérgica. Entretanto, interferem diretamente na qualidade de vida e até na sobrevida, como as respiratórias graves, alimentares, ao látex, a Hymenoptera e a medicamentos. Uma crise alérgica pode culminar em anafilaxia, com grande risco de morte”, alerta a professora.

A Dra. Wilma ainda comenta que há alergias que apresentam involução e outras não. “A alergia alimentar à proteína do leite de vaca, que se manifesta em crianças, pode desaparecer com o evoluir da idade. Já em casos de alergias a peixe, camarão e outros frutos do mar, desenvolvidas com o tempo e que surgem em adultos, excepcionalmente desaparecem”, afirma.

A imunologista fala sobre os sintomas e cuidados básicos relacionados às alergias:

• Renite alérgica: os sinais e sintomas mais frequentes são coriza, espirros sequenciais e prurido e obstrução nasal, a qual prejudica diretamente a qualidade do sono. É fundamental a retirada da causa, que geralmente são ácaros da poeira doméstica. Para tanto, devem-se evitar bichos de pelúcias em quarto e o acúmulo de panos e papéis, forrar colchão e travesseiro com material pouco poroso (tecidos apropriados ou napa), além de expor roupas ao sol. O tratamento realizado por um profissional da área médica é de suma importância para melhorar a qualidade de vida e evitar a evolução para asma.

• Asma: caracterizada principalmente por “chiado no peito” repetitivo e tosse. Quando de causa alérgica, deve ser retirado o agente causador, sendo o mais frequente o ácaro da poeira doméstica. São agravantes: tabagismo, poluição e infecções.

• Alergia alimentar e a medicamentos: pode causar urticária aguda e até anafilaxia, sendo que nesses casos, é necessário procurar o Serviço de Saúde imediatamente. O agente desencadeante deve ser excluído e substituído.

• Látex: pode se apresentar de várias formas, desde alergia localizada, até anafilaxia. Além de evitar materiais contendo látex, o tratamento depende do tipo de reação alérgica.

“Em todas as situações referidas, é importante a retirada do agente causal e a procura de orientação médica, que irá propor o tratamento mais adequado”, finaliza a Dra. Wilma.

Texto originalmente publicado no boletim Conectar, edição 38, em 8/4/2014. Assine nossa newsletter: http://www.fcmsantacasasp.edu.br.