Cerca de 80% de crianças com asma também apresentam rinite alérgica

Dr. Bernardo Kiertsman professor adjunto de Pediatria e Puericultura da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo

A asma, caracterizada pela inflamação dos brônquios que causa obstrução no fluxo do ar, é a doença crônica mais frequente na pediatria. Os sintomas são tosse, falta de ar, chiado e aperto no peito. “Entre as crianças asmáticas, cerca de 80% também têm rinite alérgica. O que chamamos de doença da via aérea única”, afirma o Dr. Bernardo Kiertsman, professor adjunto de Pediatria e Puericultura da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo e chefe do Serviço de Pneumologia Pediátrica da Santa Casa de São Paulo.

De acordo com o professor, esse fato acontece por haver um processo inflamatório que ocorre em toda a via aérea (da ponta do nariz até o alvéolo). A inflamação leva a uma irritação do brônquio, conhecida como “hiperresponsividade”, com hipertrofia da musculatura, edema e acúmulo de secreção.

“Esta diminuição do calibre das vias aéreas faz com que o ar passe com dificuldade e o barulho do ar passando pelo brônquio é o chiado (sibilos) que escutamos”, afirma o Dr. Kiertsman.
Principais cuidados

No dia a dia, os pais devem ficar atentos ao ambiente em que a criança asmática vive. “É importante afastá-la de fatores que podem desencadear a doença como: poeira, fumaça de cigarro, pelo de animal, mudanças bruscas de temperatura, estresse, além de odores fortes como aqueles de material de limpeza ou perfumes. Também é preciso estar atento às infecções virais, como os resfriados comuns”, informa o especialista.

Por conta disso, é necessário fazer uma boa higiene do ambiente para evitar o acúmulo de poeira em cortinas, colchas e bichos de pelúcia. “Encapar colchões e travesseiros, com capas impermeáveis ao ácaro, evitar contatos com animais e fumaça de cigarro é essencial para a saúde da criança asmática”, enfatiza o médico.

A asma não tem cura, mas é possível controlá-la. “Para evitar as crises é fundamental, além da higiene, educação e orientação do paciente sobre a doença, realizar um acompanhamento médico adequado e, se necessário, instituir um tratamento profilático medicamentoso, com anti-inflamatórios isolados ou associados a outras drogas”, finaliza o Dr. Kiertsman.

Texto originalmente publicado no boletim Conectar, edição 44, em 2/7/2014. Assine nossa newsletter:
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Dia Nacional de Prevenção e Combate à Surdez: 9,7 milhões de pessoas no País apresentam deficiência auditiva

O dia 10 de novembro — Dia Nacional de Prevenção e Combate à Surdez — alerta a população sobre os cuidados com a saúde auditiva. Em pesquisa realizada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), em 2010, 5,1% dos entrevistados responderam possuir alguma deficiência auditiva, dado que representa 9,7 milhões de pessoas. Já a deficiência severa, quando há grande dificuldade ou incapacidade de ouvir, foi declarada por 2,1 milhões de indivíduos, dos quais cerca de 300 mil eram surdos.

De acordo com a Dra. Kátia de Almeida, vice-diretora do curso de graduação em Fonoaudiologia e coordenadora do Mestrado Profissional em Saúde na Comunicação Humana da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, a perda da audição tem aumentado principalmente pela superexposição a ruídos, sendo que, uma vez constatada, se torna irreversível. “Há uma grande preocupação em relação à perda de audição induzida, ou seja, causada por fatores externos. Isso acontece principalmente com jovens que utilizam aparelhos sonoros em volumes extremamente altos. Essa perda é permanente e não há como regredi-la”, afirma.

A especialista explica que a única maneira de prevenir a perda da audição é não se expor a ruídos e altas pressões sonoras, ficando o mínimo de tempo possível em lugares com muito barulho. “Para identificar uma situação de risco auditivo, basta a pessoa se atentar ao fato de que, se estiver em um ambiente com muito barulho, ela vai precisar gritar para ser ouvida. Após ficar em ambientes barulhentos, ela pode apresentar zumbido e sensação de ouvido tampado. Caso essa exposição seja reincidente, a perda pode ser permanente. A audição que teremos na terceira idade irá depender do quanto cuidamos dela na juventude”, conclui.

Texto originalmente publicado no boletim Conectar, edição 30, em 13/11/2013. Assine nossa newsletter http://www.fcmsantacasasp.edu.br.