Contaminação de celulares: o que fazer?

Muitos artigos tem sido publicados sobre a contaminação de celulares por microrganismos potencialmente patogênicos, fungos e até parasitas, inclusive em equipes de atendimento em hospitais.

Mas o que podemos fazer para prevenir estas contaminações, e qual o risco real que apresentam em nosso cotidiano?

Você limpa ou desinfeta seu celular regularmente?

Há necessidade? Cada quanto tempo?

Germes que podem provocar doenças estão por toda parte, e o contato é necessário para que o organismo desenvolva defesas contra as doenças.

Segundo alguns autores, o seu celular pode efetivamente transmitir agentes infecciosos, mas em determinadas condições, a sua limpeza ou desinfecção são recomendados.

A frequência de limpeza depende de onde você esteve e de como ou quando você manuseia seu telefone.

Por exemplo, se você nunca usa o celular enquanto come, não precisa se preocupar, pois se lavar as mãos cuidadosamente antes das refeições e não tocar em superfícies potencialmente contaminadas (como é o telefone…), não há necessidade de desinfecção frequente.

Mas se o utiliza constantemente, inclusive durante as refeições, a limpeza diária, inclusive com uma substância desinfetante, é uma boa idéia.

Estas limpezas regulares são importantes especialmente se você usa capas de borracha ou plástico, pois as bactérias tendem a aderir mais facilmente a estes materiais do que em outros.

A recomendação dos fabricantes de telefones recomendam que se desligue o aparelho antes de limpar, utilize um pano umedecido (não molhar) com desinfetante doméstico ou produto para esta finalidade.

Lembramos que todas as superfícies com as quais temos contato direto podem ser “contaminadas” por germes, inclusive alguns que podem transmitir infecções.

Há estudos sobre contaminação em teclados de computadores, balaústres de ônibus, grades de leitos em hospitais, sabonetes em barra utilizados por várias pessoas, toalhas de pano em locais públicos, e muitos outros.

Assim, o mais importante é lavar as mãos cuidadosamente sempre que possível, pois desta maneira estaremos prevenindo adquirir e transmitir infecções, na comunidade ou até em hospitais.

Prof. Dra. Lycia M. J. Mimica
Disciplina de Microbiologia
Departamento de Ciências Patológicas
Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa SP

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Instabilidade psicológica da adolescência favorece uso de álcool e drogas

Prof. Dr. Guilherme Messas, docente e coordenador do curso de pós-graduação em Psicopatologia Fenomenológica da FCMSCSP

É um dado consistente no mundo, e seguramente no Brasil também, que o período de maior risco para o uso de álcool e drogas é a adolescência. Sabe-se, por exemplo, que quanto mais cedo se inicia o uso de substâncias, maior o risco de uma pessoa se tornar dependente ou de desenvolver algum transtorno mental mais tarde na vida, seja afetivo ou cognitivo.

Esse conhecimento, no entanto, tem pouco valor para modificar o comportamento do próprio adolescente. Um importante motivo para a baixa influência da informação no comportamento do adolescente é a instabilidade psicológica característica deste período da vida.

O universo mental do adolescente é recheado de variações emocionais, de incertezas sobre a própria identidade e de baixa capacidade de reconhecer as próprias emoções. Essa atmosfera de indeterminação favorece o uso de álcool e drogas, pois estas substâncias de certo modo se encaixam com facilidade no modo como essa faixa etária vive o próprio mundo interior.

Em suma, é muito importante que os pais saibam que o uso de álcool e drogas na adolescência brota de necessidades e estilos psicológicos próprios da idade e que não necessariamente se relacionam com problemas psicológicos.

Prof. Dr. Guilherme Messas, Psiquiatra especialista em Álcool e Drogas, é Professor e Coordenador do Programa de Duplo Diagnóstico em Álcool e Outras Drogas da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. É Coordenador da Câmara Temática Interdisciplinar sobre Drogas do Conselho Regional de Medicina de São Paulo.

Julho Verde: Assista a Vídeos de Um Minuto sobre a Campanha para Prevenção do Câncer de Cabeça e Pescoço

Campanha Julho Verde alerta para prevenção do câncer de cabeça e pescoço
Iniciativa da SBCCP e ACBG Brasil informa sobre tumores que registram mais de 43 mil novos casos no Brasil este ano.

Veja vídeos de 1 minuto cada um sobre o tema produzidos pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, com os professores Antonio José Gonçalves e Antonio A. T. Bertelli:

Você sabe o que é o câncer de cabeça e pescoço?
https://www.youtube.com/embed/YP4N9S03fI8?rel=0

Diagnóstico em fase inicial está relacionado com maiores índices de cura e menor morbidade
https://www.youtube.com/embed/53ilLTQ6pLc?rel=0

Rouquidão persistente 15 dias pode ser câncer de laringe?
https://www.youtube.com/embed/NUhwC6mIoGw?rel=0

Ferida na boca que não cicatriza pode ser câncer de boca?
https://www.youtube.com/embed/wYRHr2gfMFA?rel=0

Tabagismo como fator de risco para tumores de cabeça e pescoço
https://www.youtube.com/embed/2L0RlSn_sv0?rel=0
Etilismo associado ao tabagismo como fatores de risco para tumores de boca e faringe
https://www.youtube.com/embed/w8OQrFH9V5o?rel=0
Exposição solar como fator de risco para tumores de lábio e pele
https://www.youtube.com/embed/DOpyXLCCdTw?rel=0

HPV como fator de risco para tumores de orofaringe
https://www.youtube.com/embed/rsjHXC745yM?rel=0

Nódulo na tireoide não é sinônimo de câncer 
https://www.youtube.com/embed/0NehyeIZoow?rel=0
Sequelas dos tratamentos cirúrgico e radioterápico 
https://www.youtube.com/embed/1r1kCYqIrK4?rel=0
Nódulo cervical poder ser sintoma de câncer 
https://www.youtube.com/embed/i_Z1wnF6dYE?rel=0
O câncer de cabeça e pescoço ocorre 7 vezes mais em homens
https://www.youtube.com/embed/YBzxnaQ0Ibk?rel=0
A Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo (FCMSCSP) promove ainda, dia 27/7, Dia Mundial do Câncer de Cabeça e Pescoço, transmissão ao vivo, das 13h às 14h00, sobre o tema com a participação dos professores Antonio A. T. Bertelli e Antonio José Gonçalves. A transmissão será no endereço: https://www.facebook.com/faculdade.santacasasp e permite participação dos internautas.

A Sociedade Brasileira de Cirurgia de Cabeça e Pescoço (SBCCP) e a Associação de Câncer de Boca e Garganta (ACBG Brasil) realizam pelo segundo ano consecutivo a campanha nacional de conscientização para prevenção sobre os tumores de cabeça e pescoço, que atingem boca, língua, palato mole e duro, gengivas, bochechas, amígdalas, faringe, laringe, esôfago cervical, tireoide e seios paranasais. O #JulhoVerde divulga informações sobre esses tipos de cânceres, que têm como principais fatores de risco o tabagismo, o consumo de álcool, as infecções por HPV e o excesso de exposição solar. São cerca de 10 mil mortes por ano no país, só para os cânceres de laringe e cavidade oral. Os sobreviventes enfrentam perdas significativas na qualidade de vida durante e após o tratamento.

Em 2018, o tema escolhido para o #JulhoVerde da SBCCP foi “Quem ama inclui” – #EntreNessa – devido às sequelas psicológicas e funcionais irreversíveis, que prejudicam a qualidade de vida do paciente e a reinserção na sociedade. O Brasil registra a cada ano cerca de 40 mil novos casos desses tumores malignos, segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA). Os números correspondem a 4% de todos os tipos da doença, sendo terceiro mais incidente entre os homens brasileiros. No Brasil, o câncer de boca chega a ser o 3º tipo de tumor mais frequente em algumas regiões, ocorrendo 7 vezes mais em homens do que em mulheres. O tabagismo está relacionado a 97% dos diagnósticos de câncer de laringe. O álcool associado ao fumo aumenta o risco em 10 vezes para câncer nessa região. A infecção pelo HPV (papilomavírus humano) tem contribuído com o aumento na incidência da doença em jovens nos últimos anos em virtude da falta de uso de preservativos na prática do sexo oral. Esta é uma tendência mundial, que também já é identificada no Brasil.

Segundo o INCA, estima-se que serão mais 6.250 novos casos de câncer de pele só em 2018. O melanoma cutâneo é um dos que mais mata no Brasil e um dos fatores é a intensa exposição solar. “A Campanha Julho Verde é a oportunidade de trazer ao conhecimento da sociedade brasileira, a realidade da prevalência do câncer de cabeça e pescoço e alertar as autoridades sanitárias para a necessidade de identificação de casos iniciais que repercutirão nos resultados de tratamento”, explica Dr. Luís Eduardo Barbalho de Mello, médico-cirurgião e presidente da SBCCP.

Os tumores de cabeça e pescoço podem ser assintomáticos no princípio da doença. O diagnóstico das lesões iniciais é fundamental para garantir que os índices de cura se aproximem de 100%. Com o seu desenvolvimento, alguns sinais e sintomas podem aparecer, como manchas brancas na boca, dor local, lesões com sangramento ou cicatrização demorada, nódulos no pescoço, mudança na voz e rouquidão, e dificuldade para engolir.

“Por estas razões, nosso objetivo é alertar sobre os fatores de risco, muito presentes entre a população brasileira, e falar da importância do diagnóstico precoce. Em 60% dos casos, a doença já está mais avançada quando é descoberta”, destaca a presidente e fundadora da ACBG Brasil, Melissa A. R. Medeiros. As chances de cura são maiores se a doença for detectada no início. Com o autoexame, por exemplo, é possível e identificar se existem feridas na boca que não cicatrizam há mais de duas semanas ou inchaços no pescoço.

Além das terapias tradicionais, nos últimos anos algumas drogas promissoras têm conseguido melhorar o prognóstico dos pacientes, com uma ação mais eficiente e menos agressiva ao organismo, como as imunoterapias e terapias-alvo. A conscientização sobre essas doenças também reforça o trabalho de entidades como a SBCCP e ACBG, pelo maior acesso a tratamentos inovadores e suporte ao paciente pós-terapias. Em 2017, a campanha #JulhoVerde foi destaque em veículos de comunicação em 23 estados brasileiros, com presença em emissoras de rádio, TV e grandes portais de notícias.

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Como prevenir os riscos de contaminação nos alimentos

Prof.ª Dra. Lycia M. J. Mimica, professora de Microbiologia do Departamento de Ciências Patológicas da FCMSCSP.

Alguns cientistas vêm estudando há vários anos a transmissão de infecções por alimentos contaminados principalmente por bactérias.

E muitas vezes não sabemos, ou não prestamos atenção, a de que maneira isto pode ocorrer.

Há estudos comprovando o grande número de bactérias em toalhas de cozinha usadas até (pasmem!) a cobertura de um bolo de aniversário após soprarem as velinhas!!!!

Vamos conversar sobre alguns exemplos, e a melhor maneira de prevenir o risco de transmissão destes germes.

Uma microbiologista apresentou esta semana no Congresso Americano de Microbiologia pesquisa sobre toalhas usadas de cozinha; cultivando 100 toalhas em uso, observou que em 49% delas havia presença de bactérias do ser humano, algumas potencialmente patogênicas, como E.coli, Enterococcus sp e Staphylococcus aureus.

Alguns tipos de E.coli provocam infecções intestinais, e o Staphylococcus aureus é capaz de produzir uma toxina que se for ingerida, pode provocar febre, vômitos e diarreia.

Lembrar que estas toalhas, além de enxugar as mãos, também tem contato com utensílios que muitas vezes não são bem lavados, e podem ter sido utilizados para preparar carnes (que quando cruas também são fonte de muitas bactérias) como tábuas de corte ou facas. O melhor para prevenir é trocar sempre que possível.

Outra fonte de contaminação comum nas cozinhas são as esponjas de lavar louça, que devem ser trocadas periodicamente ou colocadas no micro-ondas para desinfetar.

Algumas recomendações de cuidados com alimentos também devem ser lembradas:

– Não deixar alimentos à temperatura ambiente durante mais de duas horas (comum em festas ou em restaurantes com buffets).

– Cozinhar muito bem os alimentos, e lavar cuidadosamente as mãos e utensílios depois de prepara-los.

– Carne moída sempre bem passada: a carne moída tem sido responsável por inúmeros e importantes surtos de doença em todo o mundo; a carne em pedaço ou em bifes se contamina na superfície e quando cozida, as bactérias são eliminadas. No caso da carne moída, porém, durante processo de moer a superfície da carne em pedaços vai sendo misturada, resultando em contaminação em toda ela. Se esta carne é ingerida crua ou mal passada, o risco de infecção ou intoxicação é grande.

– Lavar muito bem frutas, verduras e oleaginosas antes de consumir.

– Quando requentar alimentos, chegar até a temperatura de cozimento, para garantir que eventuais germes sejam eliminados.

Vejam algumas curiosidades sobre este tema:

Sabia que comer diretamente da travessa ao invés de se servir com uma colher e colocar no seu prato faz com que cada vez que você coloque a colher ou garfo no recipiente o número de bactérias aumenta, e o próximo a se servir irá ingerir este alimento contaminado?

Sabia que quando um alimento cai no chão, o que importa é a limpeza do local, e não o tempo que o alimento permaneceu no chão? Pisos com sujidades ou de muito trânsito de pessoas ou animais, fazem com que o alimento se contamine após 5 segundos de contato!!!

Sabia que ao soprar velinhas num bolo de aniversário o número de bactérias na cobertura deste bolo aumenta 15 vezes? E quanto mais pessoas “ajudam” a soprar as velinhas, maior o aumento de contaminação?

Sabia que comer pipoca compartilhada não aumenta o número de bactérias?

Há outros fatos interessantes a serem conhecidos, como os cardápios de restaurantes que quase nunca são limpos regularmente, ou o limão fatiado e o gelo que colocam em seu refrigerante…

Mas será que ingerir bactérias é sempre ruim e de risco para infecções? Devemos nos preocupar?

Na verdade, tudo depende da quantidade e da espécie microbiana: no caso do bolo, por exemplo, se quem está soprando a vela está gripado, o risco é maior do que se estiver saudável.

Mas concluindo: estes eventos são raros, mas servem para chamar a atenção sobre a necessidade de observar bons hábitos de higiene quando nos alimentamos.

Prof.ª Dra. Lycia M. J. Mimica é professora da Disciplina de Microbiologia do Departamento de Ciências Patológicas da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa SP.

Aluno da Medicina da FCM/Santa Casa é eleito Embaixador Jovem da International AIDS Society

O NUDHES (Núcleo de Pesquisa em Direitos Humanos e Saúde LGBT+) da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo teve quatro trabalhos aprovados para apresentação no maior congresso de HIV/AIDS do mundo, o AIDS 2018, que acontece em Amsterdã, Holanda, de 23 a 27 de julho.

O evento recebe aproximadamente 20 mil pessoas, reúne os maiores pesquisadores e as maiores descobertas relacionadas ao assunto e é marcado por diversas atividades com a comunidade, como intervenções, festas e protestos. Mais informações sobre o evento em http://www.aids2018.org/ e no vídeo https://www.youtube.com/watch?v=Dl-r5XU5b6k

Os trabalhos aprovados por alunos de graduação da Medicina e por Maria Amélia Veras, coordenadora geral do HUDHES foram:

– HIV Care cascade among transwomen living with HIV in São Paulo, Brazil
Aline Rocha, Erin Wilson, Caitlin Turner, Gabriela Bellini, Igor Prado, Maria Amélia Veras

– Sex work is associated with sexual violence and HIV among transwomen in São Paulo, Brazil
Gabriela Bellini, Erin Wilson, Caitlin Turner, Aline Rocha, Maria Amélia Veras

– HIV treatment cascade among MSM in Brazil
Igor Prado, Claudia Barros, Inês Dourado, Laio Magno, Mark Guimarães, Carl Kendall, Lígia Kerr, Rosa Mota, Luís Brígido, Maria Amélia Veras

– Understanding barriers, working alongside the community: a formative study for the implementation of a peer-navigation intervention among transwomen living with HIV in São Paulo, Brazil
Gustavo Saggese, Daniel Barros, Maria Amélia Veras

Os dois primeiros trabalhos foram produzidos durante o intercâmbio Pesquisadores do Futuro 2018, juntamente com pesquisadores do Departamento de Saúde Pública de São Francisco, e são considerados portanto fruto do programa.

Os alunos Igor Prado e Gabriela Bellini ganharam bolsa da International AIDS Society para participar, que inclui inscrição e passagem de avião. Além disso, tornaram-se membros da International AIDS Society (Sociedade Internacional de AIDS), a principal organização de HIV/AIDS do mundo. que reúne pesquisadores, profissionais de saúde, políticos e militantes.

Igor Prado foi eleito Embaixador Jovem da International AIDS Society. Ao todo, a sociedade terá na conferência 30 embaixadores de 21 países diferentes. Como embaixador, além de ter acesso VIP em vários eventos da conferência, participará de oficinas sobre escrita científica e terá reuniões particulares com membros da sociedade para falar sobre seu currículo e carreira.

“Irei ainda aprender como conseguir financiamento para nossas atividades em relação ao HIV, como ser um líder e uma voz jovem nessa área, além de também conhecer vários pesquisadores importantes, como Françoise Barré-Sinoussi, ganhadora do Prêmio Nobel que descobriu o vírus do HIV. Os embaixadores terão a oportunidade de conversar por 1 hora com os principais palestrantes da conferência”, conta.

Foi ainda criado um Instagram do NUDHES (@nudhes.sp) para conseguir uma melhor comunicação das atividades desenvolvidas e para divulgar conteúdo sobre prevenção de HIV e resultados de pesquisa. ”Durante a conferência, serão divulgados nesse espaço todos os destaques do evento, com o objetivo de interagir com as pessoas e mostrar o trabalho”, indica o estudante.

Sobre o NUDHES (https://www.nudhes.com/)

O NUDHES foi formado e registrado no Diretório dos Grupos de Pesquisa do CNPq em 2014, a partir da experiência de pesquisadores e de servidores da área de saúde e assistência social com a população LGBT.

O que nos une é o compromisso de fazer pesquisas e produzir conhecimentos que identifiquem os determinantes sociais, culturais e individuais que tornam a população LGBT mais vulnerável.

É sabido que, no contexto de extrema desigualdade social vigente no Brasil, como em outros países do mundo, a população LGBT é especialmente atingida, somando-se às desigualdades sociais e econômicas, o estigma e discriminação relacionados à sua sexualidade.

As consequências para a sua saúde são inúmeras, resultando em comprometimento da saúde mental, risco aumentado para infecções sexualmente transmitidas e de serem vitimadas por um espectro amplo de violências que podem chegar à morte.

O Núcleo trabalha para que os resultados das suas pesquisas e intervenções possam informar políticas públicas e programas e para que sejam um instrumento de ativismo e subsídio para transformação das condições de vida e de saúde das pessoas LGBT, com vistas a uma vida em que a diversidade e os direitos humanos sejam respeitados.

Sobre Igor Prado
Estudante de medicina da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Pesquisador de Iniciação Científica e membro do Núcleo de Pesquisa em Direitos Humanos e Saúde da População LGBT. Membro associado da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (ABRASCO). Realizou em 2017 intercâmbio de pesquisa em Saúde Pública e HIV na Universidade da Califórnia São Francisco (UCSF) e Departamento de Saúde Pública de São Francisco (SFDPH) com bolsa pela Fundação Arnaldo Vieira de Carvalho (FAVC).

Estresse pós-traumático após resgate na Tailândia

Prof.ª Juliana Ruiz, docente e coordenadora do curso de pós-graduação em Enfermagem Psiquiátrica e Saúde Mental da FCMSCSP

Passada a angústia da espera de 18 dias pelo resgate de 12 adolescentes e de seu treinador, único adulto, abrigados numa caverna inundada na Tailândia, muitos questionamentos têm surgido sobre as possíveis consequências psicológicas desta experiência.

As repercussões fisiopatológicas nos diversos sistemas de forma aguda e/ou crônica, provenientes da situação de estresse (reação de luta ou fuga), geradas pela situação no qual estavam esses jovens e seu treinador, ainda se configuram uma incógnita. Isso já que essas consequências dependem de muitos fatores como “adaptação psicológica” intra-individual (percepções e entendimentos individuais do risco em que estavam), características prévias de personalidade, fatores relacionados a repostas de enfrentamentos eficazes e resiliência.

A forma com que lidaram  com a situação também precisará ser avaliada mais de perto; a utilização de mecanismos de defesa (alguns indivíduos são capazes de uma profunda dissociação e analgesia  com a função de defender a consciência da experiência imediata de eventos dolorosos – dor física, medo, ansiedade e desamparo) ou a utilização das  técnicas de meditação (já comum na Tailândia) podem ter contribuído para  ajudar na mudança de foco diminuindo a ansiedade contribuindo também para uma melhor resposta metabólica.

De fato, o incidente terá um impacto significativo na vida daqueles que o vivenciaram. Por um lado, temos a vulnerabilidade ligada a fatores de pior prognóstico como a idade do grupo. E, nesse caso, a idade é um fator de risco na exposição a um evento traumático, que pode gerar transtornos como ansiedade, depressão e principalmente os quadros de Transtornos do Estresse Pós-Traumático, em que, quanto mais cedo o trauma ocorre, piores podem ser as consequências para o indivíduo afetado.

Por outro lado, temos fatores positivos como uma diferença significativa observada, por exemplo, nos efeitos de eventos traumáticos coletivos, como desastres naturais em que o índice de pessoas com transtornos fica em torno de 20% (sendo menos de 10% relacionadas ao Transtorno de Estresse Pós-Traumático). Junto a essa estatística, podemos citar também como um fator de proteção a conduta do treinador que conseguiu trabalhar a situação ansiogênica por meio da meditação, promovendo assim uma maior resiliência emocional.

Juliana Elena Ruiz é Coordenadora do Curso de Pós-Graduação em Enfermagem Psiquiátrica e na Saúde Mental da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. 

Fontes:

– Spiegel D, Hunt T, Dondershine HE. Dissociation and Hypnotizability in Posttraumatic Stress Disorder. Am J Psychiatry 1 45:3, March 1988

– Galante, R., Foa, D. An Epidemiological Study of Psychic Trauma and Treatment Effectiveness for Children after a Natural Disaster. Journal of the American Academy of Child Psychiatry, 25,3:357-363, 1986

– Bloch, D. A., Silber, E., & Perry, S. E. (1956). Some factors in the emotional reaction of children to disaster. American Journal of Psychiatry, 113, 416–422.

– Ruiz, J.E., Barbosa NJ., Schoedl, AF., Mello MF.  Psiconeuroendocrinologia do transtorno de estresse pós-traumático. Rev. Bras. Psiquiatr. [online]. 2007, vol.29, suppl.1, pp.s7-s12.

Álcool: o inimigo silencioso

Prof. Dr. Guilherme Messas, docente e coordenador do curso de pós-graduação em Psicopatologia Fenomenológica da FCMSCSP

No Brasil discute-se com muita frequência o problema do uso de drogas. Essa discussão, muitas vezes controversa e acalorada, é justificada e necessária. Entretanto, quero defender aqui que estamos, como país, negligenciando a principal discussão de saúde pública. A principal droga que compromete e provoca danos à nossa população é o álcool, droga legal, que pode ser comprada em nosso país em praticamente qualquer local, a qualquer hora do dia e na quantidade que se queira. Inclusive por menores, em franco desrespeito à lei.

Mais urgente e importante para o Brasil do que a discussão sobre drogas ilícitas é a regulação da droga lícita mais nociva para a sociedade, que é o álcool. Para que avancemos, como um país que se preocupa com a saúde de seus cidadãos, é fundamental que estabeleçamos regras para o consumo do álcool. Estas regras visam à limitação da quantidade de álcool ingerida e, com isso, reduzem a chance de doenças físicas e mentais, da violência doméstica, do abuso infantil, da perda de produtividade acadêmica, etc. Todos esses problemas têm forte associação com o uso de álcool.

O melhor modo de controlar o uso de álcool é pela regulação ambiental. Medidas como o controle das horas do dia em que se pode vender álcool e a abolição de sua publicidade são as primeiras a ser tomadas e têm que ser reforçadas na agenda de saúde pública, sem hesitação. É tempo de ajustarmos nossas decisões políticas às verdadeiras necessidades de nossos cidadãos.

Prof. Dr. Guilherme Messas, Psiquiatra especialista em Álcool e Drogas, é Professor e Coordenador do Programa de Duplo Diagnóstico em Álcool e Outras Drogas da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. É Coordenador da Câmara Temática Interdisciplinar sobre Drogas do Conselho Regional de Medicina de São Paulo.