Confira o raio-X do cigarro no mês do Dia Mundial sem Tabaco

O tabagismo com certeza pode ser considerado um dos maiores maus do século XX e XXI. Para se ter uma ideia, calcula-se que 100 milhões de mortes foram causadas pelo tabaco no século XX, segundo dados da Organização Mundial de Saúde. Apesar de um mal conhecido, o cigarro é o único produto legal que causa a morte da metade de seus usuários, ou seja, dos 1,3 bilhão de fumantes regulares no mundo, 650 milhões vão morrer prematuramente por causa do cigarro.

Estatísticas da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam que mais de cinco milhões de mortes acontecem todos os anos no mundo devido ao tabagismo. A OMS considera o uso do tabaco uma doença epidêmica e que se assemelha ao uso de drogas como a cocaína, porém, sua comercialização continua sendo amplamente legalizada em todos os lugares do mundo, devido ao tamanho da indústria do cigarro em si e o dinheiro movimentado na plantação e venda do tabaco.

Relacionado a mais de 50 tipos de doenças, o tabagismo provoca uma série de problemas para os usuários, afetando questões físicas, sociais e mentais. No dia 31 de maio, dia em que se celebra o Dia Mundial sem Tabaco, é necessário que profissionais da saúde conscientizem seus pacientes quanto aos atuais números do cigarro: causa 30% das mortes por câncer de boca, 90% das mortes por câncer de pulmão, 25% das mortes por doença do coração, 85% das mortes por bronquite e enfisema e 25% das mortes por derrame cerebral.

Números do tabagismo no Brasil vão na contra mão de dados mundiais

Segundo a OMS, apesar de todos os esforços e desenvolvimento de políticas públicas contra o consumo de tabaco em todo o mundo, o número de fumantes no globo aumentou cerca de 5% nos últimos anos. Já no Brasil os esforços contra a publicidade e as políticas antifumo antifumo instauradas parecem estar dando resultado.

Mesmo com números alarmantes, já que nosso país é o 8° colocado no ranking mundial de fumantes absolutos, o Brasil tem um quadro positivo na análise de estatísticas da área nos últimos 25 anos. Ao longo deste período, a percentagem de fumantes diminuiu de 29% para 12% entre os homens e de 19% para 8% entre as mulheres, o que representou uma queda de quase 40% no número de fumantes totais (dados do INCA).

A queda no consumo do tabaco se deve a um conjunto de fatores e políticas públicas desenvolvidas no setor: impostos mais altos, o que eleva o preço do cigarro e a restrição ao tabaco em lugares fechados (lei antifumo vigente há mais de 6 anos) foram os dois principais fatores que ocasionaram a redução do consumo de tabaco. Além destas duas principais frentes, alertas e informações sobre os efeitos negativos do cigarro em escolas, universidades, jornais, e nos próprios maços de cigarro são ações positivas que melhoraram os números nacionais.

Mais do que números positivos no número total de fumantes, o Brasil está apresentando melhoras no assunto como um todo: houve uma redução de 34% do número de fumantes passivos além do aumento na idade de experimentação do cigarro, que agora é de 16 anos. Apesar de o panorama poder ser considerado ‘bom’, o cigarro ainda é a segunda droga mais vendida no Brasil, perdendo apenas para o álcool.

Phillip Morris, cigarro eletrônico e o fim do cigarro. Qual o futuro da indústria tabagista?

No começo do ano a maior fabricante de cigarros do mundo, a Phillip Morris, anunciou que deixaria de comercializar seu principal produto no Reino Unido. A propaganda da gigante do tabaco assustou o globo, além de derrubar as ações da empresa e deseus concorrentes. Na ocasião, a fabricante do Malrboro deixou claro que seus investimentos passariam a ser em produtos originários do tabaco que causassem menos prejuízos à saúde de seus usuários. Na época, a principal aposta da Phillip Morris eram os cigarros eletrônicos.

Passados quatro meses do anúncio, parece que as previsões da empresa não estavam tão certas assim. De acordo com comunicado divulgado pela empresa no mês passado, a adesão de fumantes a dispositivos alternativos ao cigarro foi menor do que o esperado, o que irá demandar uma revisão nos planos. O erro de cálculo e a postura ‘politicamente correta’ da Philip Morris custou caro, as ações da empresa caíram 15,6% no dia do anúncio, o que representou uma perda de US$ 24,5 bilhões de seu valor de mercado.

Texto originalmente publicado no boletim Conectar, edição 126, em 11/5/2018. Assine nossa newsletter: http://www.fcmsantacasasp.edu.br. 

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Seu pronto socorro está preparado para o outono e inverno?

Todos os anos no período de março a julho hospitais públicos e privados têm o mesmo problema, enfrentar o outono e inverno. Essas duas estações do ano são marcadas por oscilações bruscas de temperatura e baixa umidade do ar, o que acaba acarretando uma série de problemas respiratórios e vasculares na população, principalmente em idosos e crianças.

Apesar de o problema persistir há vários anos, a comunidade médica e os outros profissionais envolvidos no dia a dia de um hospital ainda não conseguem chegar a uma ‘estratégia ideal’, já que a variação de doenças, quantidade de pacientes atendidos e surtos epidemiológicos variam de ano para ano, não atendendo um padrão ou lógica.

Por esse motivo, muitas vezes grandes hospitais privados e públicos não conseguem se preparar adequadamente para essa época do ano. As medidas adotadas giram em torno de espaço físico e preparação de equipe, dois fatores essenciais para melhorar o atendimento em uma unidade de emergência que recebe centenas de pessoas diariamente.

Para o Prof. Dr. Paulo Roberto Cavallaro Azevedo, professor de Clínica Médica da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo e médico assistente da Santa Casa de São Paulo, ‘a maior preparação que podemos fazer dentro de um pronto socorro é treinar a equipe médica como um todo. O objetivo de um treinamento bem feito deve visar a separação de pacientes que estão passando por uma emergência de fato aos outros que estão ali buscando outros tipos de tratamento’.

De acordo com o Dr. Paulo, esta separação deve ser feita com base em ‘alertas’ criados nos questionários de atendimento das unidades de emergência e orientação aos enfermeiros, que normalmente trabalham na triagem dos pacientes. A partir de perguntas específicas e treinamento adequado, esses profissionais direcionam os pacientes com maior necessidade a um atendimento mais rápido.

Pronto socorro além do inverno. Como instituições de saúde procuram diminuir atendimento de urgência.

Indo um pouco além do outono e inverno, épocas críticas para qualquer PS, atualmente está em pauta a mudança de gestão e atendimento destes centros médicos. ‘Mais do que nos preparar para o outono e inverno, a comunidade de saúde deve tentar uma mudança de cultura da população em geral: atualmente, devido ao temor de não arrumar um médico especialista no sistema público de saúde ou demorar demais no atendimento, a população em geral acaba procurando as unidades de urgência, o que acaba acarretando em uma série de problemas, como superlotação e atendimento ineficiente para quem realmente precisa’, afirma o professor.

Para evitar este tipo de problema na Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, Dr. Paulo afirma que todos os funcionários que participam do atendimento de emergência tiveram treinamento no Protocolo de Manchester, sistema de classificação criado para auxiliar os profissionais da saúde no direcionamento dos pacientes (veja imagem abaixo).

 

 

 

 

 

O Protocolo de Manchester funciona da seguinte maneira: pacientes que não tem urgência ou são pouco urgentes demoram mais pra ser atendidos, enquanto os que têm emergência, muito urgente ou urgente são atendidos com prioridade. Para o Dr. Paulo, esse tipo de atendimento é muito mais efetivo que o sequencial, já que essa classificação permite que pacientes urgentes não fiquem sem atendimento rápido.

Além de priorizar os pacientes certos, essa estratégia pode ajudar em outro fator, a mudança de cultura. Para o Dr. Paulo Roberto, ao demorar para ser atendido por motivos que não demandam atendimento do Pronto Socorro, pacientes podem começar a procurar outros métodos para resolver seus problemas. ‘Quando um paciente demora até 4 horas para trocar uma receita, por exemplo, pode ser que da próxima vez ele procure uma UBS ou um tratamento médico adequado antes de vir à emergência’.

Texto originalmente publicado no boletim Conectar, edição 126, em 11/5/2018. Assine nossa newsletter: http://www.fcmsantacasasp.edu.br. 

A Infecção Hospitalar tem solução? Veja como profissionais da saúde podem reduzir o risco de IH

A infecção hospitalar é um dos maiores temores dos pacientes que precisam se submeter a um procedimento ambulatorial ou a uma internação prolongada em uma unidade de saúde, seja ela pública ou particular. Se para os usuários de hospitais e clínicas a IH (abreviação usual para o termo) é um medo, para os profissionais de saúde envolvidos no dia a dia destas instituições o seu controle é um desafio diário.

Segundo a Associação Nacional de Biossegurança (ANBio), o problema é responsável por mais de 100 mil mortes no Brasil todos os anos e preocupa os hospitais da rede pública e privada no país.

Para se ter uma ideia do tamanho do problema, o Instituto Latino-Americano de Sepse (outro nome dado a Infecção Hospitalar) aponta que, em algumas regiões brasileiras, o índice de mortalidade por IH pode chegar a 70%. Estima-se que 400 mil novos casos são diagnosticados por ano e 240 mil pessoas morrem, anualmente, nas UTIs brasileiras após terem seus quadros de infecção agravados.

Com tantas entidades e números apresentados, a pergunta para quem cuida da gestão e cuidado com o controle da IH nos hospitais é, como medir esses indicadores e, ao saber o tamanho do problema em sua instituição, quais medidas devem ser tomadas?

Para a Dra. Mariana Volpi, chefe do Serviço de Controle de Infecção Hospitalar da Santa Casa, ‘o primeiro passo é ter esses indicadores de infecções relacionadas à assistência a saúde bem difundidos em sua equipe, já que esses números são ótimas ferramentas para a parametrização de avaliação da qualidade e segurança do atendimento prestado nas instituições’.

Segundo a Dra. Mariana, esses índices já são bem conhecidos e contam com o apoio de cartilhas que detalham procedimentos de transmissão e prevenção dessas infecções, ou seja, se um hospital tem uma equipe bem treinada e aderente aos procedimentos de prevenção, grande parte das IH são evitadas.

Quais infecções são mais comuns em um cenário de IH e como podemos evitar essas questões?

Atualmente, as principais infecções causadas nos hospitais são as pneumonias, as infecções urinárias, as infecções de corrente sanguínea e as infecções cirúrgicas. De acordo com a Dra.. Mariana, ‘essas infecções variam de acordo com o atendimento prestado em sua unidade de saúde (hospital geral, hospital de longa permanência, clínicas de terapia dialítica, maternidades, hospitais infantis, etc.) tendo alguns tipos mais prevalentes do que outros.

Para a chefe do Serviço de Controle de Infecção Hospitalar da Santa Casa de São Paulo, a prevenção depende de como os parâmetros e regras criadas pelos órgãos competentes são seguidas: ‘Hoje já existem estratégias bem estabelecidas e divulgadas pela literatura científica com diretrizes que norteiam as ações para prevenção e controle das infecções relacionadas à assistência à saúde. É fundamental que uma equipe multiprofissional receba treinamento e incentivo para aderir a essas práticas. A medida mais simples e eficaz continua sendo a higienização das mãos nos “5 momentos“.

Como ter sucesso no combate à Infecção Hospitalar?

De acordo com Mariana Volpi, a única maneira de se ter sucesso no controle da IH é a confecção de um bom programa de controle. Segundo ela, um programa de controle de infecção hospitalar só consegue ter sucesso se contar com apoio e engajamento dos gestores e lideranças dos serviços de saúde em geral.

Uma gestão comprometida em combater as infecções hospitalares, promove dentro da instituição as condições e estrutura necessárias para que a Comissão de Controle de Infecção Hospitalar desenvolva as ações de prevenção e controle.

Atualmente a meta da ANVISA é reduzir os casos de Sepse em 30% em território nacional. Com relação ao cenário internacional, o Brasil continua longe do ideal, já que cerca de 15% da população hospitalizada no país tem algum problema com IH, enquanto que, em países como os EUA e outras nações europeias, o nível é de cerca de 10%. A recomendação da Organização Mundial da Saúde é que este número gire em torno de 5%.

Texto originalmente publicado no boletim Conectar, edição 126, em 11/5/2018. Assine nossa newsletter: http://www.fcmsantacasasp.edu.br. 

Informação é uma das principais armas contra o Mal de Parkinson

Foi comemorado no dia 11 de abril o Dia Mundial de Conscientização sobre o Mal de Parkinson, doença que já afeta cerca de 200 mil brasileiros. A data especial é usada para a divulgação de informações e procedimentos que ajudem a população a entender um pouco melhor o Parkinson, mostrando como deve ser feita a ‘prevenção’ e tratamento da doença.

Atualmente, com o aumento da população idosa no país, faixa etária mais afetada pelo Parkisionismo, a comunidade da saúde tem tido uma atenção especial com essa patologia. Segundo alguns dados da Associação Mundial de Neurologia, cerca de 3% da população mundial com mais de 80 anos apresenta a doença, o que, com o crescimento da 3ª idade no Brasil, pode representar alguns milhões de pacientes até o ano de 2050.

Bastante conhecido pelos sintomas de tremor e/ou espasticidade de mãos e braços, o Mal de Parkinson implica em várias outros problemas que aumentam ao longo dos anos, mas que, por meio de um tratamento adequado, pode ser tratado de forma eficaz e reduzir os problemas em geral.

O Conectar convidou a especialista Marina Padovani, Fonoaudióloga e docente da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo para falar sobre o assunto. Confira alguns pontos que podem ser de fundamental importância para profissionais da área da saúde!

Aumento da população idosa, primeiros sintomas e prevenção da doença.

Para a Fonoaudióloga Marina Padovani, professora doutora da FCMSCSP, o aumento da população idosa pode sim representar mais casos de Parkinson, já que o mal acomete principalmente a população entre 50 e 70 anos de idade.

Apesar da previsão, ainda não é possível fazer um trabalho de ‘prevenção’ eficaz, já que há uma grande gama de fatores que causam o mal de Parkinson, e em sua maioria, são fatores que não ‘há prevenção possível’, como problemas genéticos e neurológicos.

No que tange os sintomas da doença, hoje já sabemos que as disfunções motoras são uma das maneiras de se identificar um paciente com Parkinson. De acordo com a Prof.ª Marina, fatores como alteração de olfato, problemas no sono e depressão podem ser reflexos da doença.

De acordo com a professora, apesar de não ser possível realizar uma profilaxia completa, pesquisas atuais tentam diagnosticar o problema antes dos sintomas aparecerem e, dessa forma, possibilitar frear o desenvolvimento da doença o mais rápido possível.

Avanço nos tratamentos atuais e novos procedimentos.

No campo de pesquisa atual a cobiça de pesquisadores e cientistas é o controle da produção de dopamina no cérebro humano. Estudos com substâncias como a glucosilceramida, lípidio que pode aumentar o acúmulo de proteínas tóxicas no cérebro, estão sendo desenvolvidos para se tentar aumentar o controle e prevenção do Mal de Parkinson. Segundo esse último estudo, publicado na revista Neuron, o controle da glucosilceramida poderia ser uma maneira de diminuir a queda de produção de dopamina no cérebro, mesmo quando o paciente apresenta fatores genéticos para o desenvolvimento do Parkinson.

Além dos avanços no campo da pesquisa, algumas técnicas já conhecidas continuam ajudando o controle dos sintomas e na melhora da qualidade de vida do parkinsoniano. Segundo a Prof.ª Marina Padovani , ‘há muitos avanços, tanto na área medicamentosa, com novos medicamentos que auxiliam no aproveitamento e duração da dopamina, bem como o cirúrgico, com a implantação do marca-passo cerebral (estimulação cerebral profunda) em larga escala pelo país’.

De acordo com a professora, há uma série de outros tratamentos que tratam cada dificuldade do paciente com Parkinson. Exemplo deste fato é o Método Lee Silverman de tratamento vocal, técnica que é utilizada há mais de vinte anos no auxílio da comunicação vocal dos pacientes.

Independência e vida plena são possíveis para idoso com Parkinson?

Atualmente, as ciências da saúde como um todo tem atuado tentando garantir a ‘independência’ e acessibilidade de pacientes que enfrentem doenças degenerativas. Casos como autismo e Síndrome de Down representam bem esse movimento que tenta dar mais liberdade para os pacientes.

No caso do Parkinson, essa melhora na qualidade de vida é completamente possível. De acordo com Marina, o curso da doença costuma ser lento e progressivo, o que permite a médicos e outros profissionais da saúde tomarem uma série de atitudes que ‘amenizam’ as consequências da doença.

Para a Prof.ª Marina, um bom ajuste medicamentoso aliado a um trabalho de fonoaudiologia e fisioterapia precoce é a melhor maneira possível de se manter uma vida funcional do paciente por muito tempo, garantindo sua independência, qualidade de vida e saúde emocional.

Texto originalmente publicado no boletim Conectar, edição 125, em 13/4/2018. Assine nossa newsletter: http://www.fcmsantacasasp.edu.br. 

Nossa voz de cada dia! Confira como profissionais que dependem da fala podem manter sua saúde

Será comemorado no dia 16 de abril o Dia Mundial da Voz. A data tem como principal objetivo chamar a atenção da população em geral para os cuidados de preservação da voz, ficando alerta às alterações e problemas da fala, que podem ser sinal de doenças.

Independente da profissão de cada indivíduo, a voz é parte fundamental no dia a dia profissional e pessoal da população. Apesar de ser inerente a quase todas as profissões do mundo, alguns trabalhadores dependem da voz para garantir o sustento de sua família e, no caso de artistas e cantores, para se destacar no mercado de trabalho.

Tendo em vista o uso da voz, os profissionais mais afetados por problemas de saúde ligados a essa área são professores, artistas e cantores que fazem uso diário da fala para o trabalho. Em pesquisa divulgada pelo Sindicato dos Professores de São Paulo em parceria com o Centro de Estudos da Voz e a University of Utah (EUA), vimos que 60% dos professores paulistas tem alguma patologia referente a sua voz.

Quando falamos de artistas e cantores, o problema também não é menos grave. Apesar de não se ter um número oficial, já que os músicos e artistas em sua maioria fazem parte de um mercado de trabalho informal, rouquidão e outras lesões são comuns a esses profissionais.

Para se ter uma ideia, a cantora Adele, ícone da música pop na última década e famosa mundialmente, teve dois shows cancelados em junho de 2017 por conta de problemas vocais. Se uma artista com tanto renome e recurso enfrenta um problema assim, podemos imaginar qual a situação dos músicos com menor expressão no cenário mercadológico.

Confira algumas situações que o Conectar separou dentro das profissões mais afetadas pelos problemas da voz:

Professores

Quem nunca ouviu aquela famosa frase, ‘Silêncio, turma!’, do seu professor? Apesar de parecer apenas uma bronca para que os alunos prestem atenção, o pedido muitas vezes pode ser quase um socorro! Atualmente, devido ao alto número de alunos por sala de aula e a conversa entre os alunos, professores de todos os níveis acabam tendo problemas na voz devido ao alto volume que se exige em suas explicações.

Além da quantidade de pessoas e do alto ruído que atrapalha as rotinas diárias dos docentes e prejudica sua saúde vocal, temos outros fatores que prejudicam esses profissionais: a utilização de lousas com giz, que pode desencadear um processo alérgico e prejudicar a voz. A falta de valorização profissional, que obriga os professores a trabalharem de 2 a 3 turnos diariamente, inviabilizando uma boa saúde na fala e por fim, mas não menos importante, a falta de treinamento vocal e competência comunicativa desenvolvida.

Na maioria dos casos, esses fatores levam os professores a terem uma série de problemas, como dor ou sensação de aperto na região do pescoço, piora vocal ao longo do dia, rouquidão e falhas na voz.

Caso esses sintomas não sejam tratados adequadamente, este paciente pode ter complicações no funcionamento das pregas vocais, o que pode levar ao desenvolvimento de lesões como nódulos e pólipos de pregas vocais. Outra preocupação é quando ocorre a associação com outros fatores, como o refluxo gastroesofágico e o tabagismo, que acabam causando outras lesões, como úlceras de contato, a leucoplasias e edemas de Reinke. Quando um profissional tem a voz atingida, isso interfere em sua qualidade de vida e motivação para trabalhar, o que é considerado um problema de saúde grave.

Para evitar esse tipo de problema, o que é aconselhado pelos especialistas é o investimento em treinamento vocal e competência comunicativa. Esses dois fatores devem ser iniciados ainda na graduação dos futuros professores de forma que se construa uma cultura de cuidados com a voz, garantindo a saúde desses profissionais.

Além dessa conscientização, o investimento em infraestrutura adequada, que inclua a amplificação sonora para cada sala de aula, sistemas de ventilação silenciosos com higienização regular e mobiliário adequado para professores e alunos são fatores que podem ajudar na prevenção de problemas.

Artistas e Cantores

Se no caso dos professores as condições de trabalho influencia muito nas doenças relacionadas à voz, no caso de cantores e artistas o cenário não é diferente, envolvendo mais um fator, o estilo de vida e canto de cada um.

Diferentemente dos professores, que muitas vezes podem tentar poupar sua voz durante suas aulas, artistas e cantores acabam realizando a ação inversa, forçando cada vez mais sua voz para atingir patamares de notas ou som que se adequem ao seu estilo. Porém, nossas cordas vocais muitas vezes não estão preparadas para tanto esforço e tampouco entendem ‘estilos musicais’, tendo sérias complicações ao passar dos anos. Um bom exemplo deste fato é o cantor Axel Rose, que após muitos anos de carreira fazendo um ‘agudo’ forte, hoje quase está sem voz.

Outro fato que chamou a atenção da comunidade médica foi o da cantora Adele, que em junho do ano passado foi obrigada a cancelar uma série de shows devido a problemas na voz. Na época a cantora realizou uma cirurgia de laringe com o famoso médico Steven Zeitels. Após o procedimento, o médico afirmou que o trabalho excessivo foi a maior causa do problema de Adele.

Além do nível, notas musicais e afins, outro problema que afeta esta classe de trabalhadores é o estilo de vida. Segundo alguns especialistas em fonoaudiologia, o consumo excessivo de álcool, drogas e alimentos gordurosos pode prejudicar as cordas vocais, já que esse tipo de bebida/alimento pode afetar outras atividades do corpo que prejudicam a voz, como refluxo, entre outros problemas gástricos.

Atualmente, o caminho mais procurado para a solução de problemas dessa classe é o modo cirúrgico, que nada mais é que uma ‘reconstrução’ das cordas vocais. Para quem não quer um método que pode ser considerado invasivo, o auxilio de um profissional fonoaudiólogo pode ser a solução, trabalhando por meio de exercícios e testes específicos para evitar possíveis problemas com a voz!

Ambulatório de Artes Vocais da Santa Casa de São Paulo

Para prestar atendimento a artistas que não tem condições de pagar pelo tratamento, a Santa Casa de São Paulo em parceria como a Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, fundou o Ambulatório de Artes Vocais da Santa Casa de São Paulo.

O ambulatório, que é coordenado pela Prof.ª Dra. Marta Assumpção de Andrada e Silva, fonoaudióloga e docente da FCMSCSP, e pelo Prof. Dr. André Duprat, otorrinolaringologista, oferece consultas, exames e acompanhamento otorrinolaringológico aliado à orientação e terapia fonoaudiológica, tudo direcionado e específico para cantores e atores profissionais.

O ambulatório também promove palestras, oficinas e workshops para os pacientes. Essas atividades são gratuitas e abertas ao público de interesse, sempre contando com a participação de pessoas que atuam em áreas especificas e que voluntariamente se dispuseram a dar a sua contribuição esse atendimento.

Segundo a Prof.ª Marta, ‘hoje muitos pacientes que foram atendidos no ambulatório voltam e ministram palestras e workshops para que possam ajudar outros artistas’.

Além do serviço social prestado a esses artistas, o ambulatório também serve de referência para os alunos da Graduação em Fonoaudiologia, já que são os discentes da FCMSCSP que realizam uma série de testes e parametrizações durante o atendimento, tendo a oportunidade de trabalhar com um tema importante e atual.

Texto originalmente publicado no boletim Conectar, edição 125, em 13/4/2018. Assine nossa newsletter: http://www.fcmsantacasasp.edu.br. 

Março também é mês da Endometriose

Prof.ª Dra. Helizabet Salomão Abdalla Ayroza Ribeiro, docente da FCMSCSP

Mês do dia da mulher marca luta contra doença exclusivamente feminina.

O mês de Março pode ser considerado a época mais feminina do ano: com o dia 08 de Março, comemoração do dia Internacional da Mulher e a celebração do mês da Endometriose, o mês que fecha o verão dá atenção especial à saúde e direito das brasileiras. Hoje, cerca de seis milhões de mulheres sofrem com a Endometriose no país, cerca de 10% da população feminina brasileira.

Pensando em nossas mulheres, o Conectar bateu um papo com a professora Helizabet Salomão Abdalla Ayroza Ribeiro, docente da FCMSCSP e referência nacional no assunto. Veja o que a professora falou sobre o tema e o que deve ser feito para melhorar o quadro da luta contra a Endometriose no Brasil:

1 – Conectar: Professora, o que encontramos na literatura especializada e em reportagens sobre a Endometriose é que, hoje, o tempo médio para o diagnóstico da Endometriose leva em média de 7 a 10 anos, um tempo considerável. Porque isso acontece e o que devemos fazer para reverter esse quadro?

Professora Helizabet: O panorama de diagnósticos no Brasil tem um tempo elevado devido à falta de atenção médica ao principal sintoma da Endometriose, a cólica menstrual. Na maioria dos casos, quando a mulher chega ao consultório do ginecologista com fortes cólicas menstruais o médico procura aliviar os sintomas sem uma investigação mais profunda. A atitude mais comum nesses casos é o uso contínuo de anticoncepcionais, que vão diminuir as dores da cólica, regular o fluxo e deixar o ciclo menstrual mais brando. Com essa melhora dos sintomas, a mulher irá fazer o uso prolongado do anticoncepcional até a hora do desejo da maternidade, e é nesse momento que o médico descobre o real problema da paciente. Ao não conseguir engravidar, é necessária uma investigação mais profunda, o que leva à descoberta da Endometriose.

2 – Conectar: O anticoncepcional, medicamento contestado por muitos movimentos Feministas e citado pela senhora na resposta anterior, pode ser considerado um vilão nesse caso?

Professora Helizabet: Na verdade, o vilão desse caso é o erro de diagnóstico e não o medicamento em si. Se o médico responsável por uma paciente dá atenção aos sintomas mais claros da Endometriose, como a cólica menstrual muito forte, dispareunia (dor durante ato sexual) e dores na região pélvica, por exemplo, ele irá identificar a doença e usar o anticoncepcional como um aliado no tratamento medicamentoso da doença, trabalhando diretamente no endométrio da mulher. Na minha opinião, o mais importante hoje é que médicos e mulheres estejam conscientes que o caminho mais importante para a luta contra a Endometriose é o diagnóstico, e que, só por meio de investigações pautadas no histórico clínico e nas queixas da paciente vamos ser capazes de reduzir o problema.

3 – Conectar: Professora, vimos que recentemente a atriz Lena Duhan retirou seu útero por conta da Endometriose. Em paralelo, há uma discussão muito grande em torno do direito das mulheres decidirem sobre procedimentos em seus corpos, o que leva a pergunta, quando é necessária a retirada do útero e quais os procedimentos alternativos a um método tão invasivo?

Professora Helizabet: Nesse caso é muito importante que o médico envolvido pense na mulher como um todo, ou seja, não adianta apenas resolver o problema clínico da paciente retirando o útero e deixar uma série de ‘sequelas’ psicológicas nessa mulher, principalmente para aquelas que ainda não foram mãe. Além desse fator, vale lembrar que a retirada do útero só é válida quando a Endometriose é no próprio órgão (adenomiose) e quando eu tenho Endometriose na região posterior do útero. Hoje, 68% da Endometriose profunda está nos ligamentos útero-sacros, o ligamento que sustenta o útero, ou seja, na maioria dos casos não é necessário um tratamento tão invasivo como a cirurgia. Como falamos no começo da resposta, mesmo que a doença esteja no útero da mulher e necessite de cirurgia, é necessário que seja levado em consideração o desejo daquela mulher em ser mãe, propondo métodos que permitam a gravidez e talvez uma cirurgia posterior: atualmente podemos utilizar um DIU de Levonorgestrel que irá tratar a adenomiose e seus sintomas nas mulheres que ainda não tem prole constituída e, com a melhora do quadro clínico, essa paciente será capaz de engravidar. Após o desejo da maternidade atendido, essa mãe poderá decidir se quer fazer um procedimento cirúrgico ou continuar um tratamento medicamentoso, mas lembre-se, quem decide isso é sua paciente!

Texto originalmente publicado no boletim Conectar, edição 124, em 9/3/2018. Assine nossa newsletter: http://www.fcmsantacasasp.edu.br. 

Dra. Patricia Fucs, professora da FCMSCSP, fala um pouco sobre sua experiência como presidente da SBOT

Dra. Patrícia Fucs, professora titular de Ortopedia da FCMSCSP

Na semana da celebração do dia da Mulher, Dra. Patrícia Fucs conta como é ser a primeira presidente mulher da Sociedade Brasileira de Ortopedia (SBOT).

Ao longo dos últimos séculos, várias mulheres em nossa sociedade estão se destacando como as ‘primeiras’ em suas áreas. Apesar dos avanços no mercado de trabalho e na luta por direitos iguais, o público feminino continua a abrir portas e, mesmo no século XXI, ainda temos a ‘primeira mulher a realizar algumas atividades.

Esse título parece não incomodar a Profª Dra. Patrícia Fucs, docente da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo e primeira mulher a presidir a Sociedade Brasileira de Ortopedia (SBOT). Além do título de presidente, que foi concedido em 2017, Patrícia Fucs foi a primeira mulher a ocupar um cargo de diretoria na SBOT (2010) e na Société Internationale de Chirurgie Orthopédique et de Traumatologie (SICOT). Outra conquista que marcou a carreira da Dra. Fucs foi o título de primeira professora titular de Ortopedia, conquistado em 2015 na FCMSCSP.

Para a Professora, a titulação na Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo foi um marco. A Dra. Patrícia fez questão de ressaltar a importância do Pavilhão Fernandinho e da FCMSCSP em sua carreira, dando destaque a função de professora onde exerce grandes responsabilidades: ensinar, influenciar e direcionar graduandos, pós-graduandos e residentes.

Com tantos títulos, o que a professora fala sobre ser mulher em um meio tão masculino? Para ela, o principal desafio está em superar paradigmas por meio da capacidade profissional: ‘No exercício da função no SICOT, percebi que a adaptação foi mais difícil para o lado masculino da diretoria do que para mim. O respeito dos colegas é uma conquista que leva tempo em um mundo tão masculino como o da Ortopedia’ afirma a médica.

Além dos desafios profissionais, o exercício do papel de mulher como um todo é um ponto que Patrícia ressalta: de acordo com a professora, ‘nós, mulheres, temos papéis a desempenhar além da profissão, família para cuidar, casa, carreira acadêmica entre outras responsabilidades que não são de exclusividade feminina, porém, ainda acabam ficando em sua maior parte com as mulheres’. Para ela, apesar do desafio ser grande, as mulheres de hoje são capazes de fazer tudo isso, sempre de maneira clara e organizada, usando suas mãos fortes e coração gentil.

Por fim, a presidente da Sociedade Brasileira de Ortopedia deixa um conselho para as jovens médicas que estão ingressando na ortopedia ou em outras especialidades: Sejam fortes em suas vontades, estude muito para sempre ser a melhor. Seja uma boa médica e não somente uma boa ortopedista, tenha educação e gentileza com seus pacientes e familiares, além de alimentar relações saudáveis e prósperas com seus/suas colegas de profissão e, lembre-se sempre, use a razão nas decisões e faça a ortopedia sempre com seu coração.

Texto originalmente publicado no boletim Conectar, edição 124, em 9/3/2018. Assine nossa newsletter: http://www.fcmsantacasasp.edu.br.