Como prevenir os riscos de contaminação nos alimentos

Prof.ª Dra. Lycia M. J. Mimica, professora de Microbiologia do Departamento de Ciências Patológicas da FCMSCSP.

Alguns cientistas vêm estudando há vários anos a transmissão de infecções por alimentos contaminados principalmente por bactérias.

E muitas vezes não sabemos, ou não prestamos atenção, a de que maneira isto pode ocorrer.

Há estudos comprovando o grande número de bactérias em toalhas de cozinha usadas até (pasmem!) a cobertura de um bolo de aniversário após soprarem as velinhas!!!!

Vamos conversar sobre alguns exemplos, e a melhor maneira de prevenir o risco de transmissão destes germes.

Uma microbiologista apresentou esta semana no Congresso Americano de Microbiologia pesquisa sobre toalhas usadas de cozinha; cultivando 100 toalhas em uso, observou que em 49% delas havia presença de bactérias do ser humano, algumas potencialmente patogênicas, como E.coli, Enterococcus sp e Staphylococcus aureus.

Alguns tipos de E.coli provocam infecções intestinais, e o Staphylococcus aureus é capaz de produzir uma toxina que se for ingerida, pode provocar febre, vômitos e diarreia.

Lembrar que estas toalhas, além de enxugar as mãos, também tem contato com utensílios que muitas vezes não são bem lavados, e podem ter sido utilizados para preparar carnes (que quando cruas também são fonte de muitas bactérias) como tábuas de corte ou facas. O melhor para prevenir é trocar sempre que possível.

Outra fonte de contaminação comum nas cozinhas são as esponjas de lavar louça, que devem ser trocadas periodicamente ou colocadas no micro-ondas para desinfetar.

Algumas recomendações de cuidados com alimentos também devem ser lembradas:

– Não deixar alimentos à temperatura ambiente durante mais de duas horas (comum em festas ou em restaurantes com buffets).

– Cozinhar muito bem os alimentos, e lavar cuidadosamente as mãos e utensílios depois de prepara-los.

– Carne moída sempre bem passada: a carne moída tem sido responsável por inúmeros e importantes surtos de doença em todo o mundo; a carne em pedaço ou em bifes se contamina na superfície e quando cozida, as bactérias são eliminadas. No caso da carne moída, porém, durante processo de moer a superfície da carne em pedaços vai sendo misturada, resultando em contaminação em toda ela. Se esta carne é ingerida crua ou mal passada, o risco de infecção ou intoxicação é grande.

– Lavar muito bem frutas, verduras e oleaginosas antes de consumir.

– Quando requentar alimentos, chegar até a temperatura de cozimento, para garantir que eventuais germes sejam eliminados.

Vejam algumas curiosidades sobre este tema:

Sabia que comer diretamente da travessa ao invés de se servir com uma colher e colocar no seu prato faz com que cada vez que você coloque a colher ou garfo no recipiente o número de bactérias aumenta, e o próximo a se servir irá ingerir este alimento contaminado?

Sabia que quando um alimento cai no chão, o que importa é a limpeza do local, e não o tempo que o alimento permaneceu no chão? Pisos com sujidades ou de muito trânsito de pessoas ou animais, fazem com que o alimento se contamine após 5 segundos de contato!!!

Sabia que ao soprar velinhas num bolo de aniversário o número de bactérias na cobertura deste bolo aumenta 15 vezes? E quanto mais pessoas “ajudam” a soprar as velinhas, maior o aumento de contaminação?

Sabia que comer pipoca compartilhada não aumenta o número de bactérias?

Há outros fatos interessantes a serem conhecidos, como os cardápios de restaurantes que quase nunca são limpos regularmente, ou o limão fatiado e o gelo que colocam em seu refrigerante…

Mas será que ingerir bactérias é sempre ruim e de risco para infecções? Devemos nos preocupar?

Na verdade, tudo depende da quantidade e da espécie microbiana: no caso do bolo, por exemplo, se quem está soprando a vela está gripado, o risco é maior do que se estiver saudável.

Mas concluindo: estes eventos são raros, mas servem para chamar a atenção sobre a necessidade de observar bons hábitos de higiene quando nos alimentamos.

Prof.ª Dra. Lycia M. J. Mimica é professora da Disciplina de Microbiologia do Departamento de Ciências Patológicas da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa SP.

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Sobre Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo
A Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo (FCMSCSP) é uma instituição de ensino superior com mais de 50 anos de atividades. Tem como mantenedora a Fundação Arnaldo Vieira de Carvalho, que também incentiva a realização ou a participação em pesquisas nos âmbitos científico e técnico e estimula, pela promoção ou participação, estudos nas áreas médica, sanitária e social. Oferece cursos de graduação em Medicina, Enfermagem e Fonoaudiologia; graduação tecnológica em Radiologia e em Sistemas Biomédicos, além de diversos cursos de pós-graduação (especialização lato sensu, mestrado ou doutorado) e pós-doutorado.

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