A Infecção Hospitalar tem solução? Veja como profissionais da saúde podem reduzir o risco de IH

A infecção hospitalar é um dos maiores temores dos pacientes que precisam se submeter a um procedimento ambulatorial ou a uma internação prolongada em uma unidade de saúde, seja ela pública ou particular. Se para os usuários de hospitais e clínicas a IH (abreviação usual para o termo) é um medo, para os profissionais de saúde envolvidos no dia a dia destas instituições o seu controle é um desafio diário.

Segundo a Associação Nacional de Biossegurança (ANBio), o problema é responsável por mais de 100 mil mortes no Brasil todos os anos e preocupa os hospitais da rede pública e privada no país.

Para se ter uma ideia do tamanho do problema, o Instituto Latino-Americano de Sepse (outro nome dado a Infecção Hospitalar) aponta que, em algumas regiões brasileiras, o índice de mortalidade por IH pode chegar a 70%. Estima-se que 400 mil novos casos são diagnosticados por ano e 240 mil pessoas morrem, anualmente, nas UTIs brasileiras após terem seus quadros de infecção agravados.

Com tantas entidades e números apresentados, a pergunta para quem cuida da gestão e cuidado com o controle da IH nos hospitais é, como medir esses indicadores e, ao saber o tamanho do problema em sua instituição, quais medidas devem ser tomadas?

Para a Dra. Mariana Volpi, chefe do Serviço de Controle de Infecção Hospitalar da Santa Casa, ‘o primeiro passo é ter esses indicadores de infecções relacionadas à assistência a saúde bem difundidos em sua equipe, já que esses números são ótimas ferramentas para a parametrização de avaliação da qualidade e segurança do atendimento prestado nas instituições’.

Segundo a Dra. Mariana, esses índices já são bem conhecidos e contam com o apoio de cartilhas que detalham procedimentos de transmissão e prevenção dessas infecções, ou seja, se um hospital tem uma equipe bem treinada e aderente aos procedimentos de prevenção, grande parte das IH são evitadas.

Quais infecções são mais comuns em um cenário de IH e como podemos evitar essas questões?

Atualmente, as principais infecções causadas nos hospitais são as pneumonias, as infecções urinárias, as infecções de corrente sanguínea e as infecções cirúrgicas. De acordo com a Dra.. Mariana, ‘essas infecções variam de acordo com o atendimento prestado em sua unidade de saúde (hospital geral, hospital de longa permanência, clínicas de terapia dialítica, maternidades, hospitais infantis, etc.) tendo alguns tipos mais prevalentes do que outros.

Para a chefe do Serviço de Controle de Infecção Hospitalar da Santa Casa de São Paulo, a prevenção depende de como os parâmetros e regras criadas pelos órgãos competentes são seguidas: ‘Hoje já existem estratégias bem estabelecidas e divulgadas pela literatura científica com diretrizes que norteiam as ações para prevenção e controle das infecções relacionadas à assistência à saúde. É fundamental que uma equipe multiprofissional receba treinamento e incentivo para aderir a essas práticas. A medida mais simples e eficaz continua sendo a higienização das mãos nos “5 momentos“.

Como ter sucesso no combate à Infecção Hospitalar?

De acordo com Mariana Volpi, a única maneira de se ter sucesso no controle da IH é a confecção de um bom programa de controle. Segundo ela, um programa de controle de infecção hospitalar só consegue ter sucesso se contar com apoio e engajamento dos gestores e lideranças dos serviços de saúde em geral.

Uma gestão comprometida em combater as infecções hospitalares, promove dentro da instituição as condições e estrutura necessárias para que a Comissão de Controle de Infecção Hospitalar desenvolva as ações de prevenção e controle.

Atualmente a meta da ANVISA é reduzir os casos de Sepse em 30% em território nacional. Com relação ao cenário internacional, o Brasil continua longe do ideal, já que cerca de 15% da população hospitalizada no país tem algum problema com IH, enquanto que, em países como os EUA e outras nações europeias, o nível é de cerca de 10%. A recomendação da Organização Mundial da Saúde é que este número gire em torno de 5%.

Texto originalmente publicado no boletim Conectar, edição 126, em 11/5/2018. Assine nossa newsletter: http://www.fcmsantacasasp.edu.br. 

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Sobre Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo
A Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo (FCMSCSP) é uma instituição de ensino superior com mais de 50 anos de atividades. Tem como mantenedora a Fundação Arnaldo Vieira de Carvalho, que também incentiva a realização ou a participação em pesquisas nos âmbitos científico e técnico e estimula, pela promoção ou participação, estudos nas áreas médica, sanitária e social. Oferece cursos de graduação em Medicina, Enfermagem e Fonoaudiologia; graduação tecnológica em Radiologia e em Sistemas Biomédicos, além de diversos cursos de pós-graduação (especialização lato sensu, mestrado ou doutorado) e pós-doutorado.

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