Cirurgia bariátrica: entenda os procedimentos e cuidados pós-operatórios

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Dr. Carlos Alberto Malheiros, professor titular do Departamento de Cirurgia da FCMSCSP, chefe da Área de Estômago, Duodeno e Obesidade

Sofrer os impactos da obesidade não é fácil. Muitas pessoas passam anos e até boa parte da vida acima do peso ideal, lutando contra a balança e seguindo diversas dietas com o intuito de emagrecer. Nesse caso, o esforço muitas vezes acaba sendo em vão. Quando isso acontece, essas pessoas decidem recorrer à cirurgia bariátrica, ou metabólica, como tem sido chamada hoje em dia, pela constatação de que a cirurgia tem ajudado a “acertar” o metabolismo dos pacientes.

De acordo com o Dr. Carlos Alberto Malheiros, professor titular do Departamento de Cirurgia da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, chefe da Área de Estômago, Duodeno e Obesidade – que realizou sua primeira cirurgia na Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo em 1998 –, o Brasil tem uma estimativa de mais de três milhões de obesos mórbidos e cerca de 40 mil cirurgias bariátricas realizadas por ano.

Das técnicas para realização de uma cirurgia bariátrica disponíveis no mundo, são usadas praticamente duas: a gastroplastia com derivação gastrojejunal, que representa mais de 90% das cirurgias já realizadas pelo Dr. Malheiros e consiste em se reduzir o estômago e desviá-lo para o jejuno. Esse procedimento deixa o estômago menor para caber menos alimentos e o desvio faz com que a comida percorra um trajeto menor no intestino delgado, que resulta em uma digestão menor. “O paciente come menos, digere menos e perde peso”, afirma o cirurgião. Outro tipo de cirurgia bariátrica é a chamada gastrectomia vertical. Essa técnica consiste na remoção da parte esquerda do estômago, podendo levar à perda de até 40% do peso inicial.

Segundo o médico, a cirurgia bariátrica, independentemente de sua técnica, funciona como uma espécie de “bengala”. Ela ajuda no processo de emagrecimento, mas o paciente precisa ter cuidados para o resto da vida, a fim de evitar uma recaída ou até problemas mais graves: “Quando o paciente não muda seus hábitos alimentares, existe uma chance enorme de voltar a engordar. É necessário um acompanhamento psicológico e nutricional antes e depois da cirurgia, mas o nutricional é indispensável. O paciente precisa abandonar de forma definitiva e irreversível o hábito de comer o que tem vontade na hora da fome e passar a comer o que precisa comer na hora certa”, explica.

Desde 1987, quando foi realizada a primeira cirurgia bariátrica da era moderna nos Estados Unidos, utilizando a técnica de reduzir o estômago e desviar para o intestino, muito vem se descobrindo acidentalmente. Além de corrigir colesterol e triglicérides, uma dessas descobertas foi o controle de grande número de pacientes com diabetes tipo II, como acrescenta o Dr. Malheiros: “Depois de um bom tempo, descobriu-se que esse encurtamento do trajeto intestinal, diminui a resistência da insulina, estimula o pâncreas e equilibra rapidamente a glicemia, elementos que hoje justificam a denominação de cirurgia metabólica”.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) diz que, para a realização da cirurgia bariátrica, a pessoa precisa ter o IMC acima de 40 ou acima de 35, se tiver doença associada. Podem fazer o procedimento pessoas entre 16 a 65 anos de idade. Fora dessa faixa, são aceitos apenas casos especiais. A cirurgia bariátrica não é recomendada a pacientes que possuem histórico de uso abusivo de álcool ou drogas, doenças descompensadas, limitação intelectual e distúrbios psiquiátricos não tratados. Além disso, mulheres que realizaram a cirurgia bariátrica não devem engravidar na fase de adaptação, que dura cerca de 18 meses.

Texto originalmente publicado no boletim Conectar, edição 90, em 14/6/2016. Assine nossa newsletter: http://www.fcmsantacasasp.edu.br.

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Sobre Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo
A Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo (FCMSCSP) é uma instituição de ensino superior com mais de 50 anos de atividades. Tem como mantenedora a Fundação Arnaldo Vieira de Carvalho, que também incentiva a realização ou a participação em pesquisas nos âmbitos científico e técnico e estimula, pela promoção ou participação, estudos nas áreas médica, sanitária e social. Oferece cursos de graduação em Medicina, Enfermagem e Fonoaudiologia; graduação tecnológica em Radiologia e em Sistemas Biomédicos, além de diversos cursos de pós-graduação (especialização lato sensu, mestrado ou doutorado) e pós-doutorado.

One Response to Cirurgia bariátrica: entenda os procedimentos e cuidados pós-operatórios

  1. Leonita lima says:

    Acho uma boa oportunidade de ajuda tanto físico como emocional, pois as pessoas qdo emagrecem recuperam a auto estima.isso colabora muito para a pessoa ter força no condicionamento da nova rotina da alimentacao

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