Puberdade precoce: entenda os riscos e como deve ser feito o tratamento

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Dr. Osmar Monte, endocrinologista, professor titular e vice-diretor da FCMSCSP

Puberdade é o conjunto de modificações físicas durante a adolescência. No entanto, quando essas modificações se manifestam em meninas com menos de oito anos e em meninos com idade inferior a dez anos, estamos diante de um quadro conhecido como puberdade precoce. Seus principais indicativos, explica o Dr. Osmar Monte, endocrinologista, professor titular e vice-diretor da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, são o aparecimento do broto mamário nas meninas e o aumento do volume dos testículos em meninos.

Há basicamente dois tipos de puberdade precoce. Um deles é a puberdade precoce gonadotrofina dependente, que ocorre quando o eixo hipotalâmico hipofisário gonadal amadurece na menina e no menino. O hipotálamo, explica Dr. Osmar Monte, funciona como um relógio biológico que ao “despertar” inicia a produção de um hormônio chamado GnRH que irá estimular a hipófise* a secretar os hormônios chamados gonadotrofinas, os quais irão estimular os ovários nas meninas ou os testículos nos meninos a produzirem os hormônios sexuais. Também chamada de idiopática, não tem causas específicas. Já no outro tipo, a chamada gonadotrofina independente, existe uma função gonadal autônoma independente das gonadotrofinas hipofisárias, ou seja, não há a participação do hipotálamo nem da hipófise: “Isso se deve geralmente ao tumor gonadal, como por exemplo, tumor de ovário, ou à síndrome chamada McCune Albright, doença em que ocorre uma mutação nas células que produzem hormônio feminino ou também o hormônio masculino”, acrescenta.

De acordo com o endocrinologista, além de encurtar a etapa de crescimento da criança, a puberdade precoce também pode causar uma desadaptação psicossocial. Isso ocorre principalmente em meninas, uma vez que os sinais do desenvolvimento físico são mais perceptíveis. “Uma menina de apenas seis anos que tem de lidar com a puberdade precoce, por exemplo, tem o desenvolvimento intelectual-emocional de uma criança de seis anos, mas sofre estímulos hormonais, não estando, portanto, bem adaptada para aquela situação por falta da maturação emocional normal que ocorre ao longo do tempo”, explica.

Ainda segundo o Dr. Osmar Monte, para descobrir se a criança encontra-se na condição de puberdade precoce, é preciso fazer um diagnóstico clínico. “Nesse caso, o médico irá examinar a criança e avaliar o desenvolvimento das características sexuais perante a sua idade cronológica”, conta. O especialista acrescenta que, para o tratamento da puberdade precoce dependente, a criança deve fazer uso de uma medicação chamada GnRH Agonista, que inibe o avanço hormonal: “Esse medicamento bloqueia a hipófise, que para de produzir as gonadotrofinas e a criança deixa de estar em puberdade. O tratamento é mantido até os 12 anos de idade óssea na menina e os 13 anos de idade óssea no menino quando deve ser suspenso.”

* Pequena glândula localizada abaixo do cérebro, na base do crânio.

Texto originalmente publicado no boletim Conectar, edição 89, em 31/5/2016. Assine nossa newsletter: http://www.fcmsantacasasp.edu.br.

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Sobre Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo
A Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo (FCMSCSP) é uma instituição de ensino superior com mais de 50 anos de atividades. Tem como mantenedora a Fundação Arnaldo Vieira de Carvalho, que também incentiva a realização ou a participação em pesquisas nos âmbitos científico e técnico e estimula, pela promoção ou participação, estudos nas áreas médica, sanitária e social. Oferece cursos de graduação em Medicina, Enfermagem e Fonoaudiologia; graduação tecnológica em Radiologia e em Sistemas Biomédicos, além de diversos cursos de pós-graduação (especialização lato sensu, mestrado ou doutorado) e pós-doutorado.

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